• No results found

Reduce the Efficiency of Side-Channel Attacks in Tor

6.3 Web Site Fingerprinting

7.1.4 Reduce the Efficiency of Side-Channel Attacks in Tor

O trabalho, assim como vem sendo apresentado nesta pesquisa, apoia-se na intencionalidade da ação, uma intencionalidade ponderada antes, durante e depois, e cuja dimensão concreta está separada da dimensão abstrata; uma cisão que mudou a relação do homem com o trabalho, principalmente pelo domínio dos meios de produção por poucos. Um homem transformado, pois com o esvaziamento do sentido do trabalho, o homem também se estranha. É a alienação do trabalhador fortalecida pelas relações de produção.

Entretanto, esse estranhamento parece não ser algo explícito para os professores participantes da pesquisa, pois, ao serem questionados em relação ao conceito de trabalho não houve qualquer menção à exploração do trabalho ou cisão das dimensões concreta e abstrata. De fato, emergiram duas categorias: trabalho como atividade remunerada e trabalho associado ao prazer.

32 De acordo com o Parecer CNE/CP n.º 25, de 3 de setembro de 2002, o Esquema 1 fazia parte do Programa

Especial de Formação Pedagógica de Docentes e “obedecia a um caráter emergencial, era voltado para candidatos portadores de diplomas de curso de 3º grau e pretendentes a uma disciplina específica do ensino de 2º grau” (BRASIL, 2002, p. 4).

97

Em relação à atividade remunerada, sua finalidade é explicitada pela utilização para satisfação de necessidades, seja para simples geração de renda (ainda que por motivos fúteis), sobrevivência, dignidade, se sentir útil, crescimento ou mesmo ocupação de tempo.

De fato, as finalidades da remuneração apontadas remetem a um posicionamento social e não apenas econômico, principalmente ao considerar que, de acordo com Cury (2000), as relações de produção fundamentam as relações econômicas, que são relações sociais – pois as econômicas “não são relações entre coisas, mas entre homens que se relacionam socialmente entre si através de grupos fundamentais” (CURY, 2000, p. 46). Portanto, considerando as relações sociais decorrentes do trabalho, diretamente associadas à atividade remunerada, é possível ir além e questionar o nível de consciência em relação às forças produtivas. Será que há aquiescência quanto às consequências do trabalho precarizado, seja por meio do argumento do desenvolvimento – diga-se de passagem, centrado no aspecto econômico –, seja por meio do argumento de “melhor” posicionamento social; ou será que há reconhecimento velado da exploração do trabalho?

De uma forma ou de outra, conscientemente ou não, o trabalho abstrato não deixa de estar dissociado do trabalhador e centralizado nas mãos dos donos dos meios de produção, algo que se apresenta consolidado socialmente. Contudo, relembrando Antunes (2010), se há uma crise vivenciada na atualidade, foram abertas as portas para a emancipação da classe- que-vive-do-trabalho. Uma emancipação possibilitada não por alterações parciais, mas por alterações estruturais na organização do trabalho, pois se as relações de produção, base do capitalismo, são também a base das relações econômicas que definem as relações sociais, não é possível simplesmente tentar ajustá-las, é preciso reestruturá-las a partir do reconhecimento do trabalho como impulsionador da emancipação humana – algo possível por meio do conhecimento.

Além das questões associadas à remuneração, o trabalho associado ao prazer, à satisfação ou realização pessoal, foi algo afirmado com frequência pelos professores: “Trabalho é uma coisa que, se você pensar bem, você fica a maior parte do teu tempo, do dia no trabalho, não é? Imagine você fazer uma coisa que você não gosta. Deve ser horrível.” (Prof.ª Camila, P); “A gente tem que trabalhar naquilo que gosta. A felicidade não está só em ganhar dinheiro e sim em você fazer algo que gosta e se sente bem, que você vê pessoas colhendo frutos do seu trabalho. E você também colhendo os seus frutos” (Prof. Marcelo, M).

Para o prof. Marcelo, a respeito dos trabalhos que são socialmente desqualificados ou desmerecidos, muitos “fazem por obrigação, para ter sua fonte de renda”, reforçando seu ponto de vista do trabalho como atividade remunerada; pois “como em qualquer outra

profissão, tem aquelas pessoas que trabalham porque gostam e têm objetivo na vida e tem as pessoas que trabalham só porque é aquilo ali que tem para eles”. Para o professor, e não apenas ele, objetivo na vida está relacionado a crescer na profissão, posicionar-se melhor social e economicamente. Dessa maneira, no caso do trabalhador não se esforçar individualmente ou não ter interesse em mudar sua vida, não consegue ter um objetivo na vida. Somado a isso, se o trabalhador não conseguir mudar sua vida, deverá se contentar com o que está posto, tendo em vista que é a forma como a realidade que se apresenta.

Contudo, isso é dicotomizar qualquer tentativa de melhoria social, com base numa perspectiva de autorresponsabilização do indivíduo e desresponsabilização social pelo que acontece à sua volta – se o indivíduo não tem outra opção deve se contentar com aquilo, caso contrário, deve se mobilizar sozinho para conseguir mudar suas condições de vida. Uma perspectiva de trabalho favorável ao individualismo, valorizando a isenção do Estado, por exemplo, em investir em ações que garantam os direitos sociais (saúde, educação, moradia, saneamento, entre outras). Um reforço à perspectiva do Estado mínimo, cujas propostas neoliberais incutem no trabalhador que a melhoria socioeconômica depende apenas do trabalhador bem sucedido, mediante esforço individual, de perfil flexível e super informado – o homem-robô toyotista.

Por outro lado, o trabalho associado apenas à satisfação, ao prazer, pode implicar em um trabalhador aquiescente que assume o que está posto associando, por exemplo, qualidade de vida ao consumo, ao poder aquisitivo, e não ao trabalho como resultado intencional da satisfação de necessidades. Mas isso não significa que o trabalho está ou deve estar desvinculado de satisfação, muito pelo contrário. Gostar de trabalhar é algo natural, pois é uma forma de socializar, de cuidar da autoestima e de afirmar a própria identidade.

A questão não é o gostar, mas como esse gostar se estabelece na relação com o trabalho, com suas condições e sua organização (CODO, 2006, p. 282) e na forma como supera esses aspectos, pois o trabalho não é uma ação voluntária,

mas forçado, trabalho obrigatório. O trabalho, não é, por isso, a satisfação de uma carência, mas somente um meio para satisfazer necessidades fora dele. [...] O trabalho externo, o trabalho no qual o homem se exterioriza, é um trabalho de autossacrifício, de mortificação (MARX, 2004, p. 83, grifos do autor).

Assim, deixar de considerar a intencionalidade do trabalho para a satisfação pessoal, mesmo com o intuito de aliviar seu caráter repetitivo e rotineiro, elimina do homem, enquanto ser, o que o constitui, negando a possibilidade de compreensão do próprio trabalho. E negar

99

esse movimento, é negar as condições socioeconômicas que definem o trabalho, assim como seu lado político e suas consequentes relações sociais; é assumir veladamente, intencionalmente ou não, as relações de dominação nas quais uma minoria acumula capital à custa da miséria dos outros e, consequentemente, do aumento do abismo social. E isso sim, é uma aquiescência silenciosa.