• No results found

Redegjørelse for form, materialer, farger og lys

In document Bacheloroppgave BOP3102 (sider 23-27)

Por definição, o termo “conto” designa uma narração de acontecimentos fictícios. Entende-se, com SIMONSEN (1984:35), que a palavra “conto” vem do latim

computare, que quer dizer contar ou enumerar.

O Dicionário da Língua Francesa, Le Robert (1995:264), define “conto” como sendo “narração de factos, de aventuras imaginárias, destinados a distrair”.

Na presente pesquisa, o termo “conto” deve ser entendido na perspectiva de MONTELLE (1996:6) que considera que o conto é “uma narração literária, a mais

alta realização da cultura com o mito”.

Os contos tradicionais, compreendidos como textos retratando a vida sóciocultural e civilizacional de um povo, são um elemento que permite aos alunos aprendizes do FLE a aperceber-se do seu meio de evolução, a situar-se nele e a posicionar- se em relação ao outro moçambicano e a um francês.

Estes documentos, transportando consigo riqueza não só cultural mas também linguística (morfologia, sintaxe, verbos, advérbios, adjectivos, léxico), favorecem um ensino e uma aprendizagem efectivos. Aliás, com estes te xtos, constata-se que as quatro competências de comunicação, a saber a compreensão oral, a expressão oral, a compreensão escrita e a expressão escrita podem ser possuídas pelos alunos.

São estas competências que são “exigidas” aos alunos moçambicanos aprendizes do francês, para poderem agir no seu contexto escolar e noutros.

O situar-se em relação ao outro e o compreender os fenómenos culturais da sociedade do aluno moçambicano cumprirá com o princípio da competência referencial que é também postulada pela própria competência de comunicação, numa língua, e, sobretudo, numa língua estrangeira.

4. 2. 1. Apresentação dos contos tradicionais

Os contos tradicionais são, por excelência, documentos culturais dos moçambicanos. Eles foram recolhidos no seio de adultos e jovens de alguns Distritos da Província de Nampula, mais concretamente dos povoados de Nacala- Porto, Ilha de Moçambique, Nampula -Rapale, Ribáuè.

A recolha dos contos tradicionais foi feita em língua macua, utilizada pelos contadores, no acto da pesquisa de campo.

4. 2. 2. Motivos da escolha dos contos A escolha dos contos foi ditada pelos seguintes factores:

- os 4 contos seleccionados para a sua exploração pedagógica nas 4 turmas da 12ª classe, na escola secundária de Nampula, transportam consigo riqueza cultural e linguística;

- a dimensão extrínseca dos contos permite que o tratamento pedagógico dos mesmos seja “aceitável”. Quer com isso dizer que estes textos são de tamanho não grande, podendo, assim, não provocar cansaço nem monotonia nas aulas;

- o conhecimento que se tem destes contos também constituiu um dos motivos capitais da sua preferência. Nestes mesmos termos BOYER (1990) refere que um professor, por mais competente que seja, não trata (ou não poderia tratar) um assunto na sala de aulas do qual ele não conheça os seus alicerces extra- linguísticos.

4. 2. 3. Competência linguística em FLE a partir de Textos Culturais dos Aprendizes versus Banho Linguístico: um paradoxo ?!

É de recordar que na apresentação suscinta do contexto de inserção da metodologia de tradução, no processo de ensino -aprendizagem de línguas estrageiras, foi considerado que um dos caminhos usados na pedagogia dessas mesmas línguas é o banho linguístico acompanhado por todo um banho cultural e

ideológico. Corresponde este método ao que é vulgarmente conhecido por

“método natural”, ou por imersão, que consiste em o aprendiz encontrar-se em contacto directo com os locutores nativos da língua em aprendizagem, no próprio meio da língua.

Este método capacita os aprendizes na língua alvo, o mais rápido possível, em relação aos outros métodos. Os aprendizes apropriam-se não só da competência linguística em tanto que simples domínio do manejo da estrutura morfo-sintáctica da língua alvo, como também da componente cultural da mesma.

A proposta de uso de textos familiares dos aprendizes moçambicanos de francês, por meio de tradução dos mesmos, na sala de aulas, como força impulsionadora na acquisição de competência de comunicação, que se pretende nesta pesquisa, percebe-se que, a priori, seja um paradoxo em relação ao método natural.

Aliás, no concernente ao uso de documentos autênticos, portadores de informações sócioculturais e civilizacionais, poderia-se servir de documentos autênticos franceses, a saber jornais, revistas, receitas de cozinha, guias turísticos, planos de cidades, contos, provérbios, advinhas etc. no ensino- aprendizagem do francês, em Moçambique. Na verdade, estes documentos podem também constituir força motriz para o desenvolvimento desta ou daquela competências, por parte do a luno.

Algo inquietante seria acomodar-se neste princípio de simples acolhimento do estranho, que caracteriza todo o processo de aprendizagem de uma língua estrangeira.

Óbvio é que aprender uma língua estrangeira é assimilar um processo cultural estranho ao seu, uma vez que é sabido que a língua transporta consigo toda a bagagem cultural da sua sociedade locutora. Aprender uma língua estrangeira é também entregar-se ao sistema cultural, à maneira de raciocinar, de pensar dos falantes dessa língua. Aprender uma língua estrangeira é, portanto, tornar-se

outro. Aprender uma língua estrangeira é realizar um exercício ético e intercultural

de descentrar-se e arriscar-se na alteridade para familiarizar-se com o estranho.

A asserção ora acabada tem por propósito assinalar que a presente pesquisa propõe uma aprendizagem do francês, nas escolas secundárias de Moçambique, que se apoie também na maneira de pensar, de raciocinar, no quotidiano, enfim, no sistema cultural dos aprendizes. É na verdade uma espécie de “contra-

princípio geral”, “contra-norma” referentes à aprendizagem de uma língua estrangeira, no caso concreto do francês, baseada nos teores do banho

linguístico ou no uso de documentos culturais franceses. É, portanto, um caminho

para minimizar ou mesmo tentar “negar” o tornar-se outro, por causa da aprendizagem do francês, pelo aluno moçambicano.

Este tentar negar o tornar-se alter sustenta-se pelo princípio de que aprendendo, dominando a língua do outro, neste caso a francesa, pode-se possuir instrumentos eficazes que permitam essa negação. Portanto, dominando o que o dominador domina o Moçambicano negará ser dominado, negará dar costas a si próprio.

Outro argumento voltado à proposta da aquisição de competência de comunicação por parte do aluno moçambicano, a partir de documentos que lhe são familiares é a impossibilidade de este mergulhar-se no banho linguístico. Na verdade, não sendo fácil que o aluno moçambicano aprenda a língua estrangeira por imersão, então medidas como estas, de uso de textos culturais moçambicanos, em Moçambique, podem ser úteis. Assim, o aprendiz moçambicano pode possuir a competência de comunicação referida, dentro do seu meio geográfico, com a ajuda de abordagens etnometodológicas do ensino da língua estrangeira, em ocorrência a francesa. Aliás, a língua francesa não é mais propriedade da França. Ela é falada em todo o mundo, incluindo o continente africano.

CAPÍTULO 5

EXPERIMENTAÇÃO PEDAGÓGICA DO MÉTODO DA TRADUÇÃO DOS

In document Bacheloroppgave BOP3102 (sider 23-27)