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Redegjøre og forklare eventuelle avvik i forhold til prosjektplan, oppsatte

O vigésimo oitavo indicador, “futuros projetos de vida”, anuncia os projetos de vida de Frederico que envolvem tanto a área profissional quanto a familiar.

(...) o “tesão” está em outros lugares. (...) Está na minha família. Está com a Renata (namorada), com o Diego (afilhado). Resolvi que eu vou ser pai, mesmo, montar casa. Que eram coisas que eu fui postergando, não estava no meu universo. Eu pensei em ser padre. Eu tinha uma conta que, se até os 40 anos – “coisa” de maluco! – , se até os 40 anos eu não casasse, eu ia voltar para o seminário.

Estou chegando no [sic] momento derradeiro que eu tinha, eu vou casar, então. No ano que vem eu caso. Eu caso como um cristão deve casar: na igreja, aquela “coisa” toda e tal.

Então, fico projetando essas “coisas” para o futuro, estou investindo na Renata. Ela vai terminar o Direito, quer fazer mestrado, e eu banco, ajudo... para ela investir na carreira.

De trabalhar com política, de trabalhar com formação política. (...) trabalhar com comunidades.

Eu não quero mais sair da*** para ir para outra escola. Descobrir um outro universo de escola? Eu não estou nem um pouco a fim. E eu não estou diminuindo a importância de escola com isso. Eu ’tô dizendo que eu – com 40 anos, que eu vou fazer agora em novembro –, eu não quero mais.

Quero fazer outras coisas, ainda, quero passar por outras coisas.

Tem um elemento que falta: eu me sinto [pausa], acho que eu, na escola, com tudo o que eu faço, essa história da militância política, da formação política, ela ainda se realiza de algum jeito. Agora, o ambiente espiritual, não! Aí falta, seria mais por isso.

Finalmente, o vigésimo nono indicador, “repercussões da primeira entrevista”, trata da percepção de Frederico sobre o impacto da entrevista concedida para a pesquisa sobre o entendimento da sua trajetória de vida.

Pensei, pensei, pensei muito. Pensei no rumo que a minha vida tomou. A conversa foi quase terapêutica. Por incrível que pareça, eu saí da conversa com você até um pouco tranquilo, porque, de certa forma, essas paradas para retomar o que eu já vivi, para retomar o que eu administro na minha vida profissionalmente, hoje, eu não faço isso com frequência. Parar, ficar pensando muito a respeito disso, até por história de vida... eu sempre adotei o modelo “liga no automático” e vai vivendo, vai fazendo. (...) depois dessa conversa, eu parei para pensar e lidar com isso com mais naturalidade, mais tranquilidade. Foi o que me dominou no dia seguinte: de olhar a escola de um outro jeito.

(...) Acho que foi “legal” esse “papo” que a gente teve para me ajudar a olhar isso. Olhar, inclusive, de certa medida, o olhar que a escola teve por mim. A chance que está me dando de estar no ensino médio, de apostar, de confiar. Começar a olhar de outro jeito, então, tem o olhar da bronca, da raiva, da frustração, dessa violência, de algum momento eu me sentir violentado, mas também de parar e olhar e falar “bem, o que é que eu faço com tudo isso?”

Então, fiquei pensando nisso tudo. Sabotei e foi “legal”, porque eu sabotei para o bem, não sabotei para o mal. Por tudo isso eu falei “pô, é um pedaço da minha vida!”. Confesso que, naquela conversa toda, eu estava meio chateado, mas depois eu fiquei pensando e fiquei feliz. Eu fui identificando coisas [em] que eu não tinha parado para pensar.

E, quando a gente discutiu, essa conversa fez eu [sic] mexer muito com isso. Era uma “coisa” que eu “’tava envelopada”. Por mais que eu falasse disso de um jeito meio aleatório, solto, desorganizado, aquele dia a sensação que eu tive é [sic] essa: que aquele dia eu fui fazer um rescaldo desses dez anos da minha vida, dessa minha experiência na escola.

Aquela conversa foi meio – como eu te falei – terapêutica. Quer dizer, eu entrei em contato com um monte de coisas [com] que eu não estava entrando, não olhava, não valorizava, não ’tava preocupado. Eu ’tava cansado, desiludido.

É, terapia é bom. Não tinha essa intenção, mas gerou exatamente isso, entrar em contato com essas “coisas” todas. Obrigado, foi bem “legal”!

6.2 A organização dos núcleos de significação

Segundo os critérios estabelecidos pela metodologia adotada, o levantamento dos indicadores e a formação dos núcleos de significação constituem uma importante etapa da análise, que persegue o objetivo proposto: apreender os sentidos atribuídos pelo orientador educacional ao exercício de sua função.

Partindo das informações fornecidas pelo orientador educacional, foi possível construir três núcleos de significação, os quais foram formados a partir dos indicadores que guardavam entre si alguma semelhança, complementaridade ou contradição.

INDICADORES NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO 6. incorporar e repetir discursos sem

compreendê-los nem com eles concordar. 8. a relação com as famílias.

9. aculturamento institucional sobre a natureza do trabalho.

10. a relação com os professores. 11. escola-fábrica-empresa.

12. reprodução de ações e modelos. 15. conflitos com as expectativas institucionais.

25. mudança na equipe de trabalho. 26. mudanças na organização e no ambiente de trabalho.

Conflitos, contradições e reproduções na escola

INDICADORES NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO 1. entendimento sobre a origem da

atividade de orientação.

2. dificuldades no início do trabalho como orientador.

3. pouca clareza por parte da escola sobre as atribuições do orientador.

4. orientação vivida como atividade passageira.

5. ser ou não ser orientador? 7. atribuição da OE é pedagógica. 13. criação de estratégias de

sobrevivência para não ser engolido. 14. permanência na escola.

16. resistência às demandas da escola. 17. o encantamento e o entendimento da possibilidade de fazer diferente.

18. are(construção) de sua identidade de orientador.

23. mal estar e trabalho.

27. o retorno do Fredão-orientador.

A construção de uma identidade de orientador educacional

INDICADORES NÚCLEO DE SIGNIFICAÇÃO 19. experiência política.

20. experiência religiosa.

21. o lugar da escola e da educação. 28. autor da história.

24. futuros projetos de vida.

29. repercussões da primeira entrevista.

As experiências sociais e as marcas de autoria na trajetória de vida

A organização do material verbal de Frederico em núcleos de significação permitiu destacar temas e questões centrais, explorar algumas articulações e identificar os movimentos e as contradições presentes no seu discurso. A análise dos núcleos permitirá a apreensão dos sentidos dentro da atividade e da dinamicidade emocional do orientador educacional.

Entretanto, para que a análise proposta esteja ancorada ao contexto histórico de produção do discurso, articularemos os núcleos de significação levantados ao contexto social, político e econômico, isto é, às suas determinações constitutivas. As discussões teóricas apresentadas nos capítulos iniciais deste trabalho favorecerão esse processo. O objetivo dessa modalidade de análise é ultrapassar as aparências e considerar dialeticamente as condições contextuais históricas e subjetivas.

6.2.1 ANÁLISE DOS NÚCLEOS DE SIGNIFICAÇÃO

Partindo das informações fornecidas pelo orientador educacional Frederico, construímos três núcleos de significação:

1. Conflitos, contradições e reproduções na escola;

2. A construção de uma identidade de orientador educacional;

3. As experiências sociais e as marcas de autoria na trajetória de vida.

Cientes da complexidade da construção e apreensão dos sentidos, nosso objetivo ao longo da análise será o de nos aproximar ao máximo de algumas zonas de sentido. Os procedimentos adotados buscarão aprender o processo constitutivo dessas zonas assim como os elementos que geraram esse processo. Acreditamos que esse percurso contribuirá com o desvelamento do fenômeno investigado, permitindo assim o apontamento de caminhos mais críticos e menos naturalizantes.

A seguir iniciaremos a análise dos conteúdos de cada um dos núcleos de significação.