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[…] a narrativa e os seus diversos géneros narrativos são indissociáveis das características dominantes do contexto histórico-cultural em que se inscrevem.

Carlos Reis e Ana Cristina M. Lopes, Dicionário de Narratologia

Considerando que a nossa investigação se prende com uma análise temática da condição feminina e do modo como a mulher é retratada nos contos de Maria Aurora Carvalho Homem, é nosso propósito abordar, previamente, algumas questões teóricas relacionadas com as principais características do conto enquanto género literário de forma a distingui-lo dos restantes géneros do modo narrativo. Propomos, por isso, uma contextualização histórica do conto, desde a sua emergência, com raiz no conto popular, até à sua afirmação como género literário.

O conto, tanto o literário de autor, como o popular transmitido pela tradição oral, contém uma riquíssima história com muitos séculos, sendo considerado como “a mais antiga forma de narração em prosa, [...] a célula a partir da qual evolucionou o próprio romance”.157 Embora se desconheça a origem do conto, Massaud Moisés

considera que é sobretudo “do oriente, da Pérsia e da Arábia, que vêm os exemplares mais típicos de contos, denunciando já certas características que o tempo só acentuará ou desenvolverá”.158

Esta nova forma de produção literária assenta na tradição oral já que começou por ser contada, tendo por destinatário o ouvinte presente e imediato. Seria apenas mais tarde que estes relatos viriam a estar integrados no domínio do texto escrito, passando o recetor do conto a ser o leitor, ausente e quase sempre anónimo, contudo interventivo ao nível da interpretação e valorização da obra enquanto objeto estético. Esta não-presença entre produtor e recetor não pode, todavia, ignorar a relação eminentemente dinâmica

157 Simões, João Gaspar, Perspetiva Histórica da Ficção Portuguesa. Das origens ao século XX, Lisboa,

Publicações Dom Quixote, 1987, p. 22.

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entre o autor, a obra e o leitor159 apesar da natureza distinta daquela existente entre o contador da tradição oral e o(s) ouvinte(s). A concisão discursiva do conto literário, assim como a intenção moralizante que, por tradição, o caracterizam estão estreitamente ligadas à sua origem oral e ao forte efeito que se pretendia atingir ao relatar um episódio curto.

Na Europa, as origens do conto, como expressão escrita, remontam à Toscana do século XIV com Decameron (1350-1353), de Boccaccio, uma recolha de contos de extensão diversa onde se descreve a vida dos burgueses florentinos. No final do mesmo século, surgiriam os Contos de Cantuária, de Chaucer, em Inglaterra, obra que integra os relatos, alguns em verso e outros em prosa, dos peregrinos a caminho da Catedral de Cantuária.

Em Portugal, a tradição contística terá tido início apenas no século XVI com

Contos e Histórias de Proveito e Exemplo (1575), de Gonçalo Trancoso.160 Crê-se que o autor fora professor de Humanidades e viveria em Lisboa quando a cidade foi assolada pela peste em 1569. De acordo com o Prólogo, a morte de familiares próximos tê-lo-á levado a escrever a obra como forma de «fugir daquelas tristezas» e «prender a imaginação em ferros» numa tentativa de ultrapassar a tristeza causada por tal infortúnio.161 Trancoso terá adaptado contos das coletâneas italianas de Boccaccio, Saccheti, Bandello, Straparoli e Geraldo Cíntio, mas ter-se-á inspirado sobretudo no folclore português.162 Assim, a sua obra inscreve-se numa “tradição peninsular do conto e da novela que a afasta dos novellieri italianos, que mascaravam a licenciosidade e erotismo de algumas histórias com uma roupagem didática e moralista”.163 Contos e Histórias de Proveito e Exemplo obteve, apesar do tom moralístico, grande sucesso junto do público, tendo sido feitas múltiplas reimpressões até ao século XVIII.164

O conto, originalmente uma história curta que narrava essencialmente acontecimentos extraordinários, fantásticos, lendários ou maravilhosos, tem estado

159 Villanueva, Darío, “Pluralismo Crítico e Recepção Literária”, in Buescu, Helena, Duarte, João Ferreira, Gusmão, Manuel (org.), Floresta Encantada, Novos Caminhos da Literatura Comparada, Lisboa, Publicações Dom Quixote, 2001, pp. 247-270.

160 Obra cujo título original, à época, é Contos de Aventuras - Histórias de Proveito e Exemplo, com

alguns ditos de pessoas prudentes e graves.

161 Carvalho, João Soares (et al), História da Literatura Portuguesa. Renascimento e Maneirismo

(Volume 2), Lisboa, Publicações Alfa, 2001, pp. 540-542.

162 Saraiva, A.J., Lopes, Óscar, História da Literatura Portuguesa, Porto, Porto Editora, 1996, p. 510. 163 Nobre, Cristina, Um Texto Instrutivo do Século XVI de Gonçalo Fernandes Trancoso, Contos e

Histórias de Proveito e Exemplo, Leiria, Magno Edições, 1999, pp. 114-115.

164 Carvalho, João Soares (et al), História da Literatura Portuguesa. Renascimento e Maneirismo

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envolto em controvérsia, em particular, no que se refere a dois aspetos: a sua relativa importância ou sucesso face aos restantes géneros e a sua definição ou catalogação.

Foi considerado um género menor por alguns autores de renome portugueses, como por exemplo, Eça de Queiroz, quando declara que o público não se interessa “por alta literatura e quer contos, viagens, biografias, etc.,”.165 Está afirmação vem, contudo,

por em evidência dois pontos de vista divergentes: o do autor, aparentemente depreciativo e, o do público que aprecia o conto, entre outros géneros. Já no decorrer do século XX, Virgílio Ferreira parece também partilhar a opinião pouco favorável de Eça ao dizer que “escrever contos foi-me sempre uma atividade marginal e eles revelam assim um pouco da desocupação e do ludismo”.166 É ainda considerado uma «forme simple» por André Jolles, apesar de este autor distinguir o conto tradicional oral do conto literário, sendo o primeiro uma forma simples enquanto o segundo é já considerado uma «forme savante», uma forma erudita.167 Porém, Simões virá contrapor as opiniões mais negativas ressalvando a importância do conto ao afirmar que está “na origem de toda a literatura de ficção dos tempos modernos”.168

A verdade é que o conto literário não parece usufruir do mesmo prestígio de outras formas literárias, de que a epopeia, na Antiguidade clássica, e mais recentemente o romance poderão ser exemplo. São escassas as obras teóricas que o abordam e é, em geral, considerado como um conceito variável e impreciso já que aborda vários assuntos e surge tanto em revistas literárias como populares, em jornais, antologias, teatro, televisão e cinema.169

Contudo, é este mesmo género literário que ocupa um lugar de grande prestígio em África e na América, tendo mesmo consagrado alguns autores europeus ou norte americanos.170 No caso da escrita africana, o sucesso do conto poderá advir da influência de diferentes culturas sem, todavia, por de parte o “apego ao passado oral do continente africano”.171 Para os escritores da América do Sul, o conto é “um modo de

expressão privilegiado, em perfeita sintonia com as raízes indígenas, orais e populares,

165 Queiroz, Eça de, Correspondência (leitura, coordenação, prefácio e notas de Guilherme de Castilho),

2º Volume, Lisboa, Imprensa Nacional Casa da Moeda, 1983, p. 58.

166 Ferreira, Vigílio, Contos, Lisboa, Livraria Bertrand, 1982, p. 7.

167 Jolles, André, Formes Simples, Paris, Editions do Seuil, 1972, pp. 173-186.

168 Simões, João Gaspar, Perspetiva Histórica da Ficção Portuguesa. Das origens ao século XX, Op. cit.,

p. 28.

169 Afonso, Maria Fernanda, O Conto Moçambicano. Escritas Pós-coloniais, Lisboa, Editorial Caminho,

2004, p. 51.

170 Ibidem, pp. 58-59. 171 Ibidem, p. 50.

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reconhecendo todos a necessidade de um conhecimento vivido do universo evocado, dos ritos e das tradições”.172

Nos Estados Unidos, terá sido Edar Allan Poe (1809 – 1849), que considerava a escrita do conto como o exercício de mais nobre talento, a definir “com rigor a estética do conto, distinguindo-a da do romance, caracterizando-a essencialmente pela concentração e surpresa, o efeito único” que pretende produzir nos leitores.173 De

acordo com Poe, se a narrativa fosse adequadamente elaborada segundo os princípios por ele definidos, aquilo que designava como short prose narrative, the prose tale ou

brief tale poderia aspirar a ser um Tale Proper, ou seja, aquilo a que hoje chamamos

short story ou conto e que deveria ser possível ler de uma só assentada, sem as interrupções do quotidiano174: “if two sittings be required, the affairs of the world interfere, and every thing like totality is at once destroyed.”175

Se, por um lado, o conto pode ser definido como um género narrativo constituído por um relato curto, homogéneo e linear, por outro lado, a sua escassa dimensão, só por si, não é essencial ou condicionante da sua designação como tal. É, todavia, uma das características basilares como, aliás, testemunha a expressão short

story, sendo “historicamente verificável e suscetível de condicionar a construção do

conto”.176 Sendo o conto, tal como a novela, o romance ou a epopeia, um dos géneros

do modo narrativo, “é normalmente definido e analisado em conexão com aqueles géneros e, em particular, com o romance”177, sobretudo no que respeita à extensão. A

brevidade da diegese e a frequente organização das sequências narrativas resultam na simplicidade e linearidade da ação, sem grandes alternâncias, encaixes ou encadeamentos e tem a ver “com as origens socioculturais e com as circunstâncias pragmáticas que envolvem a sua comunicação narrativa”.178

Decorrentes da oralidade e da curta extensão do conto estão algumas das categorias da narrativa, nomeadamente, a ação, as personagens, o espaço e o tempo. A essência do conto reside na simplicidade da ação, com concentração de eventos e um desenrolar rápido, sem recurso a intrigas secundárias ou grandes pausas descritivas. De

172 Ibidem, p. 61.

173 Ibidem, p. 52.

174Poe, Edgar Allan, The Philosophy of Composition, in Graham’s Magazine, vol. XXVIII, n.º 4, Abril 1846, pp. 163-167. http://www.eapoe.org/works/essays/philcomp.htm (Consultado em 17/07/2014). 175Id. Ibidem.

176 Reis, Carlos, Lopes, Ana Cristina M., Dicionário de Narratologia, Op. cit., pp. 78-79. 177 Id. Ibidem.

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um modo geral, a ação converge para um único objetivo, procurando causar determinados sentimentos, emoções ou reflexões ao leitor através do desfecho ou clímax, culminando numa narrativa fechada. A ação centra-se, por sua vez, no conflito do protagonista e num reduzido número de personagens, apenas as necessárias ao desenrolar da ação. As personagens, consideradas “apenas como instrumentos da ação”179, são, no geral, simples e sem grande profundidade psicológica. A brevidade e

unidade de ação afetam também o tempo e o espaço diegético. O tempo da história relatado pelo conto não é obrigatoriamente reduzido, embora isso aconteça de modo frequente.180 O que é relevante é o tempo da história, o momento em que a ação decorre, o que acontece antes ou depois não é importante a não ser como motivador do conflito ou como consequência deste. Quando o narrador tem necessidade de referir esses factos, fá-lo com brevidade, recorrendo ao sumário e à elipse. Assim, “a economia temporal própria do conto acaba, pois, por se revelar uma sua decisiva característica distintiva”.181 Por seu lado, o espaço também se apresenta restrito, não no sentido de um

espaço pequeno ou pouco espaço, mas visto que se centra nos locais onde se desenrola a ação, ou então, em pontos de passagem do protagonista ao longo do seu conflito o que significa poder afirmar-se que o conto encerra unidade dramática, de tom, espaço e tempo.

Apesar destas características demarcarem o conto dos restantes géneros narrativos, a verdade é que nem sempre os escritores as respeitam pelas mais diversas razões, sejam elas sociais, politicas, literárias, estéticas ou outras de carácter mais pessoal. Por vezes, a velocidade narrativa é interrompida através de pausas descritivas no que se refere ao espaço ou às personagens, dando-lhes uma maior densidade psicológica, típicas do romance; a unidade de ação pode ser quebrada através da introdução de outras ações, que apesar de secundárias serão relevantes, em torno da ação principal; e também o tempo pode deixar de ser linear com recurso a anacronias. O conto pode ainda apresentar uma história aberta em vez da habitual estrutura fechada.

Todas estas alterações podem levar a dificuldades de classificação ou integração de determinadas obras na categoria de conto. De acordo com Aguiar e Silva, a existência de géneros literários distintos pode ser comprovada empiricamente de múltiplas formas. Por exemplo, inúmeros autores integram no título ou subtítulo das

179 Moisés, Massaud, A Criação Literária, Op. cit., p. 25.

180 Reis, Carlos, Lopes, Ana Cristina M., Dicionário de Narratologia, Op. cit., p. 80. 181 Ibidem, p. 81.

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suas obras designações referentes a determinado género; outros escritores alcançam elevada qualidade estética nas obras pertencentes a determinadas categorias, não conseguindo, contudo, atingir essa mesma qualidade quando produzem textos enquadradas noutros géneros, muitos leitores preferem determinado tipo de obras, como o romance, mantendo-se fiéis a estes, e não leem outros, como contos ou textos poéticos; e, por fim, o facto “da metalinguagem do sistema literário, em todas as épocas históricas, mesmo naquelas em que o conceito de género foi mais desvalorizado e até contestado, testemunhar a existência das convenções e das normas do género como um dos fatores fundamentais da semiotização da literatura […]”182 permite distinguir os

diversos géneros.

Em paradoxo, é certo que a evolução da literatura ao longo dos tempos leva a que surjam, com crescente frequência, obras «abertas» que põem em causa as habituais classificações, para grande perplexidade dos editores, livreiros, bibliotecários e críticos, e que levam a que os seus autores sejam denominados de «inventeures» ou «inclassables».183 Aliás, o aparecimento de formas narrativas cada vez mais breves na atualidade, apresentando uma acentuada condensação discursiva (ocupando uma pagina ou menos e, no caso extremo do microconto, podendo mesmo estar reduzida a uma única frase) aproxima o conto ao poema em prosa, distanciando-o do romance com o qual é, por norma, comparado.184

Podemos assim concluir que apesar do conto estar delimitado por características bem definidas, nem sempre é possível incluir determinada obra nesta categoria porque se afasta de alguma, ou mesmo de várias, das suas características individualizadoras. “A distribuição de géneros assenta num desejo de ordem, no duplo sentido da palavra. Por um lado, ao incluir os objetos em determinadas categorias, podemos pôr um ponto final à confusão gerada por uma produção que ficou por classificar. […] Por outro lado, esta «ordenação» é uma «classificação», no sentido em que a categoria genérica predetermina o conteúdo das produções que nela se integram.”185

182 Aguiar e Silva, Victor Manuel, Teoria e Metodologia Literárias, Lisboa, Universidade Aberta, 2002,

pp. 129-130.

183 Combe, Dominique, Les Genres Littéraires, Paris, Hachette, 1992, p. 4.

184 A revista literária Forma Breve apresenta diversos estudos relativos ao conto (revista nº. 1) e ao poema

em prosa (revista n.º 2). Cf. Goulart, Rosa Maria, “O Conto: da literatura à teoria literária”, in Forma Breve N.º1. O Conto - Teoria e Análise, Universidade de Aveiro, 2004, pp. 7-13. Goulart, Rosa Maria, “Escritas breves: o poema em prosa”, pp. 11-17; Duarte, Noélia, “Poéticas da brevidade: o poema em prosa e o conto literário”, pp. 19-25, in Forma Breve 2. O Poema em Prosa, Universidade de Aveiro, 2005. http://www2.dlc.ua.pt/classicos/formabreveul.pdf (Consultado em 14/02/2015).

185 Stalloni, Yves, Os Géneros Literários - Narrativa, Teatro, Poesia, Mem Martins, Publicações Europa-

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Não será esta necessidade quase obsessiva de ordem limitadora da criação literária? Será que determinada obra literária terá menor qualidade apenas porque não respeita os parâmetros para ela definidos? Será que deste hibridismo de géneros não poderão surgir novas e mais enriquecedoras experiências literárias, tanto para o autor como para o leitor?

Conscientes da dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de responder a tais questões, gostaríamos de salientar o carácter dinâmico dos géneros literários e lembrar que “a literatura dos nossos dias não só constitui um fenómeno de delicada demarcação periodológica, como também de difícil classificação quanto aos géneros narrativos: porque o ficcional se alimenta diretamente do histórico e do factual, porque o registo do romance se cruza com a biografia, como o diário ou com a autobiografia. Fruto de uma época atravessada por práticas discursivas não hierarquizadas […] a narrativa deve essa crise de géneros precisamente à vivacidade com que se integra num tal dinamismo pluridiscursivo”.186

Neste sentido, e assumindo que a solução poderia passar por alargar ou mesmo alterar o âmbito das características do conto ou, porventura, criar novas designações para estas obras híbridas, a verdade é que, nesta época da não hierarquização das práticas discursivas, da manipulação do estabelecido em prol da inovação, saúda-se a proliferação e o dinamismo do discurso narrativo atual.

Tendo em conta o contexto literário contemporâneo, marcado pela heterogeneidade, pelo hibridismo textual e pela tendencial brevidade narrativa no caso da configuração do conto literário atual, verificamos que também o conto de Maria Aurora, como universo fechado, sintetizará um momento marcante da vida das personagens femininas, recuperando o tempo e o espaço relevante, na maioria dos casos, de forma direta e breve. Transparece uma condensação narrativa evidenciada pela ausência completa de diálogos em cerca de metade dos contos em análise, pelas concisas descrições e pelo recurso apenas às personagens essenciais para o desenrolar da ação. Como narração sintética, a contística de Maria Aurora vai expressar um microcosmos – parte dele, aliás – concentrando-o para reduzi-lo à sua expressão minimal.

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2. Olhares revisitados e contemporâneos sobre a mulher nos contos

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