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No tempo de deslize, observaram-se diferenças mais significativas entre a TSR (0.85±0.24s) e a TSF (1.16±0.11s). Isto aconteceu como consequência lógica do menor espaço percorrido pelo CM, na fase até ao primeiro toque na água, pela TSF e pelo oposto na TSR, tal como já tínhamos referido no ponto anterior.

No tempo total de partida (tempo aos 7,5m), a maior diferença encontrada foi de 0.16s. Esta diferença foi observada entre a técnica de partida que se revelou ser a mais rápida, a TSR (2.54±0.23s), e no lado oposto a TSF(2.70±0.14s) que se revelou como a mais lenta. A GS (2.65±0.06s) foi a segunda técnica de partida mais rápida a atingir a marca dos 7,5m. Estes valores por nós obtidos encontram-se de acordo com os verificados por Vilas- Boas et al. (2003), apesar de neste estudo terem utilizado como distância maxima os 6,07m e também encontraram uma supremacia da TSR. Já comparativamente com o estudo de Krüger et al. (2003), que utilizou a mesma distância, os nossos valores são bastante inferiores talvez devido ao facto de este autor ter utiizado como amostra apenas elementos do sexo feminino.

No que diz respeito aos dados da EMG, podemos perceber que os músculos que apresentam intensidades mais elevadas foram o Gastrocnémio Medial, o Bícepts Braquial e o Erector Espinhal.

Relativamente Gastrocnémio, dado que nesta fase da partida o batimento dos membros inferiores é bastante preponderante, com um ritmo

elevado e forte, não foi de estranhar os registos de intensidade observados sobretudo se atendermos do papel fundamental que desempenha a articulação do tornozelo, com a respectiva flexão plantar, nesta fase sub-aquática do nado. Ao mesmo tempo e seguindo esta lógica de pensamento, se atendermos ao facto de o Recto Femoral ter apresentado uma intensidade mais baixa comparativamente com o Gastrocnémio Medial, poderá sugerir que uma maior preponderância ao nível da articulação do tornozelo relativamente à articulação do joelho durante a fase sub-aquática.

Relativamente ao tronco, sendo o Erector Espinhal o principal extensor do corpo, tendo uma forte actuação no sentido de controlar a flexão do tronco e, dessa forma, sendo esta fase caracterizada por oscilações do corpo do nadador este músculo apresentou intensidades altas e com um padrão comum até aos 7,5m.

Portanto, em forma de conclusão podemos dizer que a partir do momento em que o corpo do nadador entra dentro de água as diferenças existentes na velocidade horizontal e vertical do CM, na posição horizontal e vertical do CM e no tempo entre as três técnicas de partida foram progressivamente sendo atenuadas.

7. Conclusões

Com o nosso estudo, mediante a análise de três técnicas de partida para nado ventral em NPD, podemos concluir que a técnica que permite ao nadador atingir mais rapidamente os 7,5m foi a TSR. Contudo, dado o facto de as diferenças verificadas nas variáveis estudadas não terem sido significativas, permite-nos corroborar com a ideia de Shin e Groppel (1986), Vilas-Boas et al. (2000) e Vilas-Boas et al. (2003), autores que referem o facto de todas as diferenças entre os tipos de partida tenderem a desaparecer assim que ocorre a imersão integral dos nadadores, ou pelo menos que o deslize seja realizado. Estes dois últimos autores, na tentativa de explicar tal efeito, utilizam as leis hidrodinâmicas, aceitando que as altas velocidades sub-aquáticas produzem altos valores da força de arrasto, o qual causa a desaceleração dos corpos que imergem com acentuadas velocidades.

Dos resultados da análise biomecânica comparativa entre a GS, a TSF e a TSR podemos retirar as seguintes conclusões:

I. A GS e a TSR foram as duas técnicas mais rápidas a iniciar o movimento.

II. A TSF foi a técnica mais rápida no tempo de impulsão.

III. A TSF demorou menos tempo a deixar o bloco que a TSR e a GS. IV. A TSR foi a técnica em que o CM percorreu mais espaço no bloco.

V. A GS e a TSR foram as técnicas que produziram maiores impulsos verticais.

VI. A TSR foi a técnica de partida com uma resultante do impulso superior.

VII. No bloco, a TSR foi biomecanicamente superior relativamente às outras duas técnicas de partida, visto que promoveu a aplicação de impulsos horizontal e vertical superiores, no mesmo período de tempo e no mesmo percurso de aceleração do CM.

IX. A GS foi a técnica de partida que permitiu ao nadador chegar à água animado de uma velocidade horizontal superior.

X. O espaço total percorrido pelo CM desde o sinal de partida até ao primeiro toque na água foi superior na TSR.

XI. Na posição vertical e horizontal do CM no momento em que o nadador toca a superfície da água não se registaram grandes diferenças entre as duas técnicas.

XII. O Deltóide Anterior, o Bicepts Braquial e o Tricepts Braquial revelaram ser os músculos com actividade mais intensa durante as fases estudadas.

XIII. As fases da partida com mais intensidade muscular registada foram: desde o primeiro movimento perceptível do nadador até à saída do bloco e desde a entrada na água até aos 7,5m.

XIV. Para a GS, o Gastrocnémio e o Reto Femoral são os dois músculos que apresentam maior intensidade na sua actividade.

XV. Para a TSF, o Deltóide Anterior e o Trícepts Braquial são os dois músculos que apresentam maior intensidade na sua actividade.

XVI. Para a TSR, o Deltóide Anterior é o músculo que apresenta maior intensidade na sua actividade.

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