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Recap, complementary use of theories and equifinality

In document Big Business, Big Impact? (sider 101-106)

A evolução do jogo, ao longo dos tempos, pode ser resumida em torno de três grandes fases:

I. O ataque como elemento dominante; II. A defesa é o elemento dominante;

III. O reforço do meio-campo é o elemento dominante dos sistemas de jogo modernos. A disposição geométrica dos jogadores pode ser caracterizada por um losango (Garganta & Gréhaigne, 1999).

É uma evidência do futebol actual a proeminência que é atribuída ao meio-campo. Todos os Treinadores pretendem reforçar esta zona do campo porque entendem que é aí que se decidem os jogos.

No entanto, uma equipa de Futebol deve ser encarada como um ‘todo’ unificado deve entender-se à luz da complexa trama de relações das diversas partes que o compõem, partes que não podem ser entendidas isoladas e que devem ser definidas através das suas inter-relações, as quais se expressam em termos probabilísticos e são determinadas pela dinâmica de todo o sistema” (Kapra, 1998 cit. por Kolar, 2005). É imprescindível que se estude estas relações, na tentativa de identificar sub-sistemas que, relacionados entre si, operem a optimização de todo o sistema (Garganta, 1997).

"O meio do campo parece-se com as pequenas cidades: todo mundo sabe e ninguém se atreve a contestar a coisa certa" “Estando a casa em ordem todos se sentem livres para mover-se”

“A velocidade técnica vai do individual ao colectivo. Se controlo a bola apenas com um toque sou rápido, se passo com um toque, faço com que a minha equipa seja rápida” Jorge Valdano

“O pivô deve ser muito mais um farol do que um pirilampo” Vítor Frade

As propriedades características reais de todo o sistema (estrutura) são produzidas pela especificidade das interacções entre as partes do mesmo (sectores), ou seja, são propriedades do conjunto, que nenhuma das partes tem por si só (Capra, 1998).

É nesta perspectiva de abordagem sistémica que deve ser realizada a análise das dinâmicas em losango no sector intermédio, ou seja, percebendo sempre a sua interligação e comunicação com os outros sectores da equipa.

Óscar Cano (2009) explorando o estilo do FC Barcelona refere que prolongar a posse, demorar na progressão, até haver condições favoráveis para a efectuar, dar tempo para que a equipa se aproxime, está presente na conduta dos jogadores do Barcelona e cada passe, a forma como os jogadores se relacionam, leva consigo o processo completo. Cada intervenção dum jogador leva implícita a acção posterior para quem recebe a bola. Seidou Keita expunha que Iniesta levava o jogo do FC Barcelona nas veias (Luís Martin, 2009).

Portanto, podemos concluir que “a articulação de diferentes partes organiza o todo, que ‘retroactua’ sobre as diversas partes para lhe conferir qualidades que antes não possuía” e que se trata dum “processo autoregulador, onde efeito e causa têm uma relação circular e em nenhum caso linear” (Óscar Cano, 2009).

Será importante aprofundar a figura geométrica – losango. Ao fazer uma pesquisa na Diciopédia foi encontrada a seguinte definição:

“Losango é um quadrilátero cujos lados

são de igual comprimento. Traçando-se suas diagonais é possível dividi-lo em quatro triângulos rectângulos simétricos.

Através destes triângulos é possível perceber que a área do losango é metade da área de um rectângulo cujos lados possuem o mesmo tamanho das diagonais do losango”. No entanto, devemos pensar que um losango organizado deve ser mais do que a soma dos triângulos.

Guardiola (2008) defende um Futebol sempre muito geométrico e como Fig. 1 Losango

golo, os médios têm que lhes passar a bola e estes têm que a receber dos defesas.

Esta interacção está relacionada com a definição de ‘sistema’, segundo a qual a acção de um jogador influencia a dinâmica do sistema e portanto, nas intenções e decisões dos demais. Tratando-se de um fenómeno colectivo, a acção é colectiva pelo que provoca nos outros e nas suas relações (Kaufmann & Quéré, 2001). Vítor Frade (1990) corrobora desta ideia, afirmando que o Futebol é um jogo de dinâmicas cuja invariante estrutural é a interacção.

Portanto, quando analisamos um duelo ao nível estrutural, entre um losango e um triângulo, não podemos atribuir vantagem a nenhum deles simplesmente pelo facto de, à primeira vista, haver superioridade numérica do primeiro. Realmente, o losango tem mais um lado em comparação ao triângulo, mas nenhum dos dois vive sozinho em campo e ambos têm a ajuda, para ganhar largura no terreno dos jogadores dos outros sectores, (Lobo, 2007).

O domínio da zona de criação de uma equipa deve medir-se a partir da análise de golos obtidos, das ocasiões criadas, da profundidade, do jogo penetrante e das intervenções frequentes do guarda-redes adversário (Cortés Ines, 2009).

No FC Barcelona de Guardiola (2009), o papel que os médios desempenham é decisivo, tal como menciona o próprio Treinador: “Xavi e Iniesta são vitais porque no nosso sistema (modelo), a bola tem sempre de passar pelos médios para que tudo tenha sentido e se organize6”.

Na perspectiva de Garganta & Gréhaigne (1999), no Futebol moderno mantém-se a denominação dos jogadores segundo o seu posicionamento no terreno de jogo (defesa, médios, atacante), mas dadas as exigências actuais, a actividade dos jogadores, ao longo do jogo, transcende largamente o limite imposto por esta denominação. Garganta (1997) refere que o Futebol actual exige, cada vez mais, que o jogador seja capaz de cumprir todas as funções, para além do espaço que predominantemente ocupa no terreno de jogo. É notório que cada vez mais se esbatem as fronteiras entre os papéis de defensor, médio e avançado (Garganta & Gréhaigne, 1999).

Guardiola é adepto da utilização duma estrutura de 1-3-4-3 nas partes finais dos jogos, aparecendo quatro jogadores no meio-campo dispostos em losango. O médio-centro era um jogador da linha defensiva que subia até ao

sector intermédio para construir um losango. É evidente que, conhecer o dispositivo táctico não implica conhecer o modo como ele funciona (Gréhaigne, 1989). Até porque há sempre o objectivo da organização de uma equipa reflectir o desejo de desorganizar da outra.

Aguado Gil (2006) considera que esta organização estrutural permite uma boa ocupação do terreno de jogo, proporcionando um Futebol com iniciativa, de ataque constante. Esta estrutura possibilita a ocorrência de mais triangulações, conseguindo com facilidade superioridades numéricas, tanto defensivas como ofensivas.

Como o próprio autor refere, nem todos os Treinadores utilizam a forma losango no centro do campo, optando por organizar os quatro médios em linha. No entanto, com os jogadores organizados desta forma eliminam-se possibilidades de passe e há quase uma obrigação de jogar na horizontal.

Como já foi enunciado anteriormente, o centro do campo é uma zona vital, que requer jogadores com recursos técnicos e tácticos, que joguem com poucos toques e que ofereçam muita velocidade ao jogo durante as acções de passe. É uma zona onde a bola deve sair muito rápido dos pés dos futebolistas, procurando a simplicidade e facilitando a construção de jogo ofensivo da equipa” (Cortés Ines, 2009).

No centro do campo forma-se portanto um losango: um médio-centro no vértice mais recuado do losango, dois médios interiores e um médio-centro no vértice mais adiantado do losango. Num modelo de jogo com ênfase no Processo Ofensivo, atribuem-se normalmente algumas características ofensivas a cada uma destas posições do sector intermédio.

A posição de médio-centro marca normalmente a identidade duma equipa. É o centro neurológico da coluna vertebral da equipa, tratando-se dum jogador chave na fase de início e construção de jogo. Deverá distribuir o jogo e estar situado por trás da linha da bola, revelando-se como a referência para os jogadores de outras linhas, concedendo apoios de ‘perfil’, fundamentais para a criação de espaços aos seus companheiros. Terá de ser possuidor duma grande capacidade de passe em todas as suas formas (Aguado Gil, 2006).

Quando baixa em apoio e pressionado pelas costas, enquanto comprova a intenção do seu companheiro de não efectuar passe, pode realizar

movimentos de arraste para uma zona que permita a intervenção de outro companheiro ou o apoio próprio por trás da bola (Etxarri e Zamora, 2003).

Cortés (2009) revela ainda que um médio-centro do FC Barcelona é dominador do espaço aéreo, sendo importante na organização dos lances de estratégia. Sublinha a necessidade deste jogar fácil, com poucos toques e sem riscos, evitando sobretudo perdas de bola em zonas de construção.

Cruyff (2008) revela que Sérgio Busquets (médio-centro do FC Barcelona) torna fácil o difícil: ajuda na saída a um e dois toques.

Os médios interiores devem possuir um grande sentido táctico, mantendo-se na sua linha posicional (Aguado Gil, 2006).

Constituem-se normalmente como jogadores dinâmicos e de excelente qualidade técnica, com grande capacidade para jogar por dentro e entrelinhas, realizando rotações e trocas de posição. Pela sua qualidade táctico-técnica tentam atacar os espaços entre o lateral e central da linha defensiva adversária, mediante penetrações de ruptura ou em condução pelos corredores, mostrando habilidade na resolução de situações de ‘um contra um’ e capacidade de oferecer cruzamentos precisos. O alto coeficiente de golos dos avançados resulta, em grande parte, da excelente visão de jogo destes jogadores na realização do último passe (Cortés Ines, 2009).

A participação dos médios interiores em jogo possibilita apoios ao avançado que vai ao corredor lateral ou ao médio mais adiantado (Etxarri e Zamora, 2003).

Na posição mais avançada do losango está outro médio-centro que pode ser um jogador mais ou menos posicional. Deve manter o equilíbrio entre a linha anterior (pivô e médios interiores) e a posterior (avançados). Será importante que tenha bom toque de bola porque a zona de jogo exige grande nível técnico e terá que ter, não só a capacidade de realização do último passe (Etxarri e Zamora, 2003), como também aparecer a finalizar as jogadas.

Deve ser capaz de aparecer em zonas de remate desde posições atrasadas devido à sua situação espacial (Aguado Gil, 2006).

A equipa do F.C. Barcelona joga à partida com um meio-campo organizado em triângulo, mas pode transfigurar-se e formar rapidamente um losango com o aparecimento

do Messi ou outro jogador no corredor central, como é possível observar na figura 2. Tenta-se formar um losango no centro do terreno, com um dos três avançados a descer ao meio-campo para completar o vértice mais adiantado. Os outros dois avançados permanecem bem abertos

nos corredores laterais. O princípio é utilizar esse baixar de posição dum avançado para tentar abrir espaços na linha defensiva, desposicionando-a e permitir que os jogadores que se encontram nos corredores laterais recebam a bola em situação privilegiada. Neste sentido, cria-se superioridade no meio- campo, ganhando vantagem numérica, espacial e temporal, desde que se circule a bola com velocidade.

Prieto Castro (2009) resume bem os princípios relacionados com o meio-campo do FC Barcelona referindo que na zona de elaboração, a qualidade técnica e a capacidade táctica dos médios alcançam um grau de efectividade e preciosismo. As rotações que acontecem entre os jogadores do meio-campo são contínuas para oferecer linhas de passe, tanto aos anteriores como aos posteriores. A equipa joga com critério, velocidade e sem riscos desnecessários, sendo capaz de progredir tanto por fora (amplitude), como por dentro (profundidade) para chegar ao último terço do campo.

Neste sentido, os jogadores que jogam no centro do campo devem garantir à equipa os seguintes aspectos:

1. Recursos técnicos e tácticos para jogar e organizar o jogo da equipa. 2. Chegar a zonas de finalização.

3. Golos.

Fig. 2 Formação dum LOSANGO no meio-campo da equipa do FC Barcelona.

5. Mudar a orientação do jogo (variação de corredores de jogo). 6. Profundidade e último passe.

7. Consistência e recuperação da bola.

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