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2. Realisme og idealisme i internasjonale relasjoner

2.5 Oppsummering

maiores de 60 anos, já que alguns estudos sugerem que é baixa a sua sensibilidade

quando comparado ao DEXA, considerado o padrão ouro, sendo então seu uso

desaconselhado para a detecção de adiposidade (BEDOGNI et al., 2001). Em

contrapartida, alguns pesquisadores defendem o uso do IMC, principalmente em função

da sua praticidade e facilidade de obtenção (McARDLE et al., 1998). Na literatura

predominam publicações, inclusive relacionadas a idosos, que adotam o IMC como

metodologia de escolha.

Ambas as classificações OMS e CDC/NHANES III têm sido utilizadas para a avaliação do estado nutricional de idosos, sendo muitas vezes encontrados resultados divergentes. Comparando-se as freqüências de indivíduos eutróficos, com sobrepeso e com obesidade obtidas pelas duas classificações, verifica-se que há um aumento significativo do número de idosas eutróficas na classificação CDC/NHANES III, pois são incluídos também alguns casos de sobrepeso da classificação OMS. Pelo mesmo motivo, também é maior a prevalência de obesidade pela classificação CDC/NHANES III em relação à classificação OMS.

Estudos indicam que em idosos, o melhor controle dos níveis de colesterol total, da hipertensão arterial, do diabetes e da obesidade pode contribuir positivamente para o controle dos fatores de risco coronariano e melhora da qualidade de vida. (MOURA, 2002).

Entretanto, alguns pesquisadores não consideram a obesidade com um fator de risco importante para aterosclerose e doenças cardiovasculares em idosos, especialmente os mais longevos. ALENCAR et al. (2000) investigando os fatores de risco para aterosclerose em uma população idosa ambulatorial na cidade de São Paulo, com média de idade de 75,6 anos, não encontraram associação entre obesidade e complicações de aterosclerose (doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico e claudicação intermitente). No entanto, não se pode contundentemente afirmar que a obesidade perca importância como preditora de risco cardiovascular em idosos, especialmente quando estiverem presentes outros

fatores de risco associados, como o diabetes mellitus, a hipercolesterolemia, a redução do HDL-colesterol e a hipertensão arterial.

Foram elevadas as freqüências de alterações clínico-laboratoriais em todo o grupo estudado, tendo sido anotado 36,7% de hipercolesterolemia, 51,8% de hipertrigliceridemia, 59% de aumento do LDL, 9,3% de redução do HDL, 13,7% de hiperglicemia, 18,7% de hiperuricemia, 68% de hipertensão arterial e 85,7% de osteopenia e osteoporose, o que torna esta população altamente susceptível à ocorrência principalmente de distúrbios cardiovasculares, maior causa de óbito entre idosos (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1999). Outrossim, caso haja presença concomitante de obesidade, é de se esperar que ocorra uma potencialização do risco de acidentes cardiovasculares. TADDEI et al. (1997), ao avaliarem os aspectos epidemiológicos, clínicos e terapêuticos de 2196 idosos, de 65 a 96 anos, com doenças cardiovasculares atendidos em 36 serviços de Cardiologia e Geriatria do Brasil, determinaram que 53% possuíam hipertensão arterial, 30% hipercolesterolemia, 33% LDL colesterol aumentado, 15% HDL colesterol diminuído, 13% diabetes mellitus e 30% obesidade, e que é maior a prevalência nas mulheres, com três ou mais fatores de risco ocorrendo conjuntamente. No presente estudo as prevalências desses fatores de risco foram inclusive mais elevadas.

Embora tenham sido encontradas neste estudo diferenças significativas apenas para a hiperglicemia, hipertrigliceridemia e hiperuricemia entre os dois grupos etários formados, ocorre com o avançar da idade do idoso uma exacerbação das alterações clínico-laboratoriais e uma piora geral dos indicadores de risco. As mais idosas apresentaram ainda médias significativamente maiores de glicose, triglicérides e ácido úrico, e significativamente menores de HDL em relação às com 60 a 69 anos.

Quando as médias dos parâmetros bioquímicos foram comparadas entre os indivíduos eutróficos e obesos, adotando-se ambas as classificações OMS e CDC/NHANES III propostas na literatura para o IMC em idosos, verificou-se uma associação entre a obesidade e a redução do HDL- colesterol, o que independentemente da presença de outros fatores de risco aponta para uma maior vulnerabilidade dos mais obesos para a ocorrência de doenças cardiovasculares. Ainda pela classificação CDC/NHANES III ocorreu uma associação positiva entre a obesidade e a hipertrigliceridemia. Essas tendências são confirmadas por outros estudos, como o de CABRERA & JACOB FILHO (2001), que ao pesquisarem a prevalência de obesidade e os fatores de risco

cardiovasculares em 847 idosos atendidos em ambulatórios de geriatria da cidade de Londrina/Paraná observaram que entre os obesos, embora do sexo masculino, ocorreu uma maior freqüência de diabetes mellitus, HDL-colesterol baixo e hipertrigliceridemia, quando comparados aos homens com IMC < 30 Kg/m2. Já NOVAES (2003), ao avaliar a relação do estado nutricional, níveis séricos de colesterol, frações e triglicérides com o consumo alimentar de gorduras e fibras em idosos concluiu que o excesso de peso está positivamente associado a níveis mais elevados de colesterol total e triglicérides, e a menores taxas de HDL, e que a obesidade, portanto interfere nos níveis dos lipídeos séricos de idosos.

Já a comparação das prevalências das alterações clínico-laboratoriais entre os subgrupos resultantes das classificações OMS e CDC/NHANES III indicou haver uma diferença significativa apenas para a hipetrigliceridemia e a hipertensão arterial pela classificação CDC/NHANES III, que foram mais prevalentes nas idosas obesas. Entretanto, nota-se uma tendência de ocorrência de percentuais mais elevados entre as idosas com sobrepeso e obesas em relação às normais nas duas classificações.

Os resultados sugerem que a classificação CDC/NHANES III parece melhor denunciar a presença concomitante de obesidade e condições mórbidas que tem impacto direto na qualidade de vida e sobrevida dos mais velhos, uma vez que utiliza um ponto de corte menor para classificar idosos como obesos. De fato, SARDINHA & TEIXEIRA (2000) ao analisarem a correlação dos resultados da massa gorda corporal obtida por DEXA com o IMC de idosas caucasianas concluíram que um valor de corte de 30 kg/m2 não é adequado para definir idosas como obesas, já que ocorre um alto índice de falso- negativos, e que o ideal é utilizar como ponto de corte 25,5 kg/m2, no qual alcançar-se-á uma sensibilidade de 74,4% e uma sensibilidade de 91,9%

Ressalta-se que os resultados obtidos devem ser interpretados cautelosamente, levando-se em consideração os aspectos da população estudada, composta de idosos atendidos no projeto Geração de Ouro da Universidade Católica de Brasília (UCB) com características sócio-econômicas e culturais diversas. Para que os dados pudessem ser extrapolados para toda a população local, deveria se optar por uma amostragem aleatória e representativa, sendo necessária a participação de idosos de ambos os sexos e de todo o Distrito Federal.

A prevalência de sobrepeso e obesidade nas idosas estudadas é alta independentemente dos critérios de classificação utilizados. Pela classificação CDC/NHANES III a freqüência de obesidade é maior, já que são considerados alguns casos de sobrepeso da classificação OMS.

A comparação dos parâmetros antropométricos por faixa etária indicou haver uma tendência de redução pequena e gradual da altura, do peso e do IMC com o avançar da idade. Embora tenham sido detectadas diferenças estatisticamente significativas apenas para a hiperglicemia, hipertrigliceridemia e hiperuricemia entre os dois grupos etários formados, ocorre nas maiores de 70 anos uma exacerbação dos fatores de risco das doenças crônico-degenerativas responsáveis por grande parte dos óbitos.

Também foi elevada a freqüência das alterações clínico-laboratoriais associados ao sobrepeso e a obesidade em todo o grupo estudado. Quando as médias dos parâmetros bioquímicos avaliados foram comparadas entre as idosas eutróficas e as obesas e com sobrepeso adotando-se ambas as classificações OMS e CDC/NHANES III propostas na literatura para o IMC em idosos, observou-se uma associação entre a obesidade e a redução do HDL. Ainda pela classificação CDC/NHANES III ocorreu uma associação positiva entre a obesidade e o aumento dos triglicérides. Já a comparação das prevalências das alterações clínico-laboratoriais demonstrou, apenas quando se empregou a classificação CDC/NHANES III, que nas idosas com obesidade é significativamente mais freqüente a hipertrigliceridemia e a hipertensão arterial.

A classificação sugerida pelo CDC/NHANES III parece melhor denunciar a presença de morbidades associadas à obesidade.

Apesar de ter sido encontrada significância estatística apenas para algumas variáveis investigadas, evidenciou-se que as idosas com excesso de peso apresentam uma piora geral dos indicadores de risco para doenças cardiovasculares em relação às idosas eutróficas.

Estes resultados contribuem para a ampliação do referencial antropométrico de idosos e para a identificação das correlações entre a obesidade e as alterações metabólicas associadas, e reforçam a necessidade de implantação de programas educacionais ou mesmo terapêuticos que objetivem o controle da obesidade e do sobrepeso, bem como dos fatores de risco a eles associados, nos indivíduos idosos, o que perpassa por uma melhor atenção dos profissionais de saúde em relação a essa faixa etária. Assim, deve ser ressaltada a relevância de uma dieta saudável e da prática de exercícios físicos

para reduzir o peso e consequentemente atenuar os efeitos das alterações clínicas e laboratoriais que se fazem presente nessa população como conseqüência da obesidade.