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5.2 Estimating water-quality parameters

5.2.2 Real-time estimations in CM-MBBR

Ent : Hã-hã.

M :Isso eu posso falar claramente, porque eu sei que é uma coisa, é um objetivo meu.

Ent :Hã-hã.

M :Que vai me dá bastante força pra mim mudar, pra mim mesmo me ajuda, pra mim podê assim, segui o meu caminho, o caminho que eu quero segui, que eu tô pensando em segui: vai

ser o meu filho.

Ent : Hã-hã.

M :Porque eu não vou querê, Deus que me perdoe, mas eu não vou querê, assim ó, morre com tiro na boca, morre num assalto e fica paraplégica, toma um tiro na espinha e fica aleijada, entendeu? Eu não quero, talvez, morre que nem o meu irmão morreu, entendeu? Meu irmão morreu num assalto. Eu não quero, talvez, tá lá em cima no templo dos Andes, e vê o meu filho chorando aqui embaixo, entendeu? Ou talvez, com cinco, dez anos, perdê a mãe, o pai, segui um caminho errado também.

Ent : Hã-hã.

M :Isso é muito difícil a gente falar, sabe, pra um juiz. Porque a maioria dos jovens, são raros os que falam uma coisa, tenham um objetivo que seja positivo pra muda, entendeu?

Ent : Hã-hã.

M :Que, normalmente, eles vão ali, eles falam meia dúzia de palavra e deu, entendeu? E no caso, se alguém quiser comover um juiz, se o juiz fosse pensa em todos, em todo mundo como: “ai coitadinho” ou “me comovi com a história” ou “ai, vou libera pra vê o que que ele vai fazê”, a gente não ia ter cadeia, não ia ter FEBEM, não ia ter um lugar e não ia ter um meio tempo pra pensar, entendeu?

Ent : Hã-hã.

M :Pra esses jovens, pra essas pessoas pensarem e, tudo que eu falo, é difícil fala pro juiz; até mesmo pro juiz acredita, por eu ter antecedentes. Eu já tenho outras entradas. Só que, independente dele me deixa fechada, dele me libera ou dele fazê o que ele acha que ele deve fazê, vai tá sendo injusto, porque é uma coisa que eu não cometi, entendeu? Pra mim vai tá sendo injusto. Mas eu vou pedi, assim ó, vou ora no meu quarto, vou pedi no meu quarto, sabe? Vou pedi que Deus me dê uma luz, entendeu? Porque sendo uma coisa justa, uma coisa concreta, uma coisa clara, com certeza, o que eu fiz errado, com certeza, eu vou baixar a minha cabeça, e vou ter que cumpri da melhor forma possível, entendeu? Mas uma coisa que

tu não fez e que tu sabe que tu vai ter que pagar...

Ent : Disso, tu pode me fala mais desse delito que tu tá sendo acusada? M : Como assim?

Ent : Desse delito que tu me dissesse que tu não fizesse, tu pode me fala mais disso? M :Posso.

Ent : Como é que foi?

M : Eu não sei direito como é que foi. Eu tava passando, daí uma moça: “ah, me assaltaram”; e nisso daí tava passando um brigadiano, entendeu? Só que ele já me conhecia antes; de antes, ele já me conhecia. Aí ele: “Foi ela, foi ela”. Me agarrou, sabe? Mas eu tava passando de roupa normal - “foi ela, foi ela”, me agarrou. E eu: “não sei, não sei de nada”; eu tinha saído, eu tinha ido compra um ingresso, que eu ia no “cidade elétrica”; mas eu nem sabia que já tava... já tava meio desconfiada, que eu andava meio enjoada, vomitando, que eu tivesse grávida, mas não tava nada concreto. Aí, ele ma agarro e disse: “não, não, pode fala que foi ela, que eu sei, eu sei até onde ela jogo as tuas coisas”. Ela: “Não moço, mas não foi ela”. – “Mas pode fala que foi ela, pode fala que foi ela, que eu sei, eu conheço ela e foi ela sim. Eu sou brigadiano”, e mostrou a carteira pra ela, sabe? Ela: “Não, não, foi ela, foi ela”. Eu: tá, mas o que houve? Eu tentei fugi, entendeu? Foi uma coisa que eu não fiz. Aí, ele chamou, pediu apoio, daí veio mais uns outros brigadiano lá, e me prenderam. Só que eu acho assim ó, se não tem a prova do que tu roubo, se não tem a bala de que tu mato, não tem como tu sê julgado por uma coisa que tu não fez. Porque não tem a prova ali; que não tá as tuas digitais naquilo ali, entendeu? No caso assim ó, se ti pegam com uma arma, a arma tem que ser pega contigo pra eles podê falar: “não, eu ti peguei com uma arma”. – “Não, com certeza o senhor me pegou com uma arma”. “Pois é. Com certeza o senhor me pegou com uma arma. É minha.” Tá comigo, é minha, não pode sê de fulano, sicrano. Mas tá comigo, nesse momento é meu.

M :A mesma coisa, assim ó, eu fiquei pensando: “Tá, mas e que arma? Aonde é que vocês tão vendo arma? Onde é que vocês tão vendo arma? Onde é que vocês tão vendo bolsa? Quem é que rouba bolsa, se eu nem roubo bolsa? Onde é que vocês tão vendo arma? Não, eu não quero sabe. Que foi tu, que foi tu, que foi tu. Como é que fui eu, se não tem ali, mostrando, o que é que foi roubado, que foi furtado, que foi matado, que foi executado, que foi... sei lá. Tem que ter a prova, e não tem isso daí. Se eles chegarem e me disserem assim: Não, tu roubo isso, isso e isso. Tá comigo, é meu, fui eu que roubei; não, fui que roubei. Apareceu ali, o que tu roubou. Mas ele disse: é, mas tu roubo isso e isso e isso. Tá, mas e cadê aquilo que eu roubei. Vocês têm que mostra, né? Têm câmera na rua, têm várias filmadora na rua, vocês têm que mostra alguma filmagem, alguma coisa, entendeu? Isso já tá me chateando bastante, porque uma coisa que eu... sei lá como fala... Mas tá me chateando bastante, porque foi uma coisa que eu não fiz, sabe?

Ent : Hã-hã.

M : Uma coisa que eu faço, eu assumo claramente, e eu tento me coloca, no caso, na situação da vítima, entendeu? Se fosse num assalto, se fosse num tiroteio, se ela tivesse me acertado, ou se eu tivesse acertado ela, né, eu não gostaria que ela tivesse me acertado.

Ent : Hã-hã.

M : Eu tento me coloca assim nessa posição. Eu tento me coloca no lugar da vítima. E é uma coisa que eu abaixo a minha cabeça, bato no meu peito e eu posso fala assim: Não, foi eu que fiz. Eu tenho crítica do meu limite. Mas uma coisa que eu não fiz... Tá sendo ruim pra mim, sabe?

Ent : O que pra ti significa ter crítica do teu limite?

M : É eu aceita que aquilo que eu fiz tá dentro da medida correta, entendeu? Independente de fechado, de depois de seis meses mais fechado, e em quanto tempo o juiz acha que tem que deixa fechada pelo ato infracional; pelo grau do ato infracional. Eu tenho essa crítica. Eu tenho crítica disso, e eu entendo que uma crítica disso é o delito.

Ent : Isso que tu me contaste, aconteceu quando? M :Quando? Como assim?

Ent : Esse delito que tu tá sendo acusada?

M :Esse delito foi no dia que eu fui presa. Foi 10 de abril, foi num sábado. Foi 9 de abril, na verdade, só que eles me deixaram mofando, bem dizê, dentro do DECA. Porque eu tive a entrada, isso foi umas oito horas da noite, e eles foram me manda pra FASE, seis, seis e pouco da manhã.

Ent : M, essa não é a primeira vez que tu vais pra FASE.? M : Não.

Ent : Tu sabe o número de vezes? M : Número, como assim?

Ent.: Quantas vezes?