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5. Diskusjon

5.3 Videreutvikling av personlig og profesjonell kompetanse

5.5.2 Rause ledere

O principal desafio que se apresenta quando da modelagem de processos tais como descritos acima diz respeito ao tratamento a ser dado à incerteza no seu sentido fundamental. Num contexto de informação incompleta indicadores de risco construídos a partir de uma dada distribuição de probabilidade podem perfeitamente ser adotados pelos agentes como guia para a tomada de decisões, entretanto a crença na sua validade pode se alterar no tempo e não raramente podem ter a importância diminuída em favor de critérios com elevado teor de subjetividade.

O ambiente em que se procederá a interação entre o sistema financeiro e o produtivo é permeado por incerteza no seu sentido forte (Vercelli, 1991; Dequech, 1999), a qual surge do fato de que os resultados do investimento só podem ser conhecidos num período futuro.21 Ao fornecer os recursos necessários ao investimento os agentes financeiros devem crer que o fluxo de rendas futuras decorrentes da produção será suficiente para cobrir os encargos dos débitos contraídos; em outros termos, a perspectiva de apropriação de parte dos lucros na produção é o que move as atividades de financiamento.

Embora agentes de ambos os setores compartilhem o mesmo ambiente expectacional é na produção que a incerteza tem a sua origem. Assim sendo, necessita-se um instrumental que possibilite o tratamento deste tipo de problema ao nível da firma. Mais precisamente, a firma deverá escolher os seus níveis de preço e produção com vistas a uma demanda futura incerta. A hipótese adotada neste trabalho é de que uma diferenciação assimétrica de produtos dá lugar a incerteza no seu sentido forte. A este respeito faz-se necessário uma breve digressão.

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Vercelli destaca a distinção entre risco (incerteza fraca) e incerteza (forte) feita por Knight. Nas palavras do autor, “Risk refers to probability distributions based on reliable classification of possible events. Uncertainty refers to events whose probability distribution does not exist or is not soundly definable for lack of reliable classification criteria.” Vercelli (1991, p. 72).

O modelo de concorrência monopolística, na forma como proposto por Dixit & Stiglitz (1977) permitiu a introdução de um modelo de concorrência imperfeita no arcabouço do equilíbrio geral walrasiano. Entretanto, não superou uma crítica latente desde a formulação original de Chamberlain (1933)22, a qual se refere ao fato de que um equilíbrio da indústria análogo ao da concorrência perfeita é válido somente sob a hipótese bastante restritiva de que as firmas apresentam a mesma estrutura tecnológica. Outro aspecto incômodo diz respeito ao fato de vários itens, distintos aos olhos do consumidor, se encaixarem de forma perfeitamente simétrica na demanda – esta fragilidade é reconhecida em Fujita, Krugman & Venables (1999, p. 21), cujo trabalho apóia-se amplamente no modelo Dixit-Stiglitz. Assim, quando os preços dos vários produtos são iguais, as quantidades demandadas também o são. Todavia, a diferenciação assimétrica e a variedade de tecnologias colocam dificuldades quanto a maximização do lucro pelas vias tradicionais ao implicar taxas marginais de substituição diferenciadas.23

A qualidade relativa do produto é uma atribuição do consumidor – isto é, não pode ser conhecida a priori pelo produtor – e varia entre os diferentes bens e em função do conjunto de bens disponíveis no mercado; ademais, os fluxos de produção, as variações nos preços individuais e a entrada e saída de firmas altera recorrentemente a quantidade demandada de modo que as firmas não conhecem a sua curva de demanda com precisão suficiente para o alcance de um equilíbrio. As dificuldades que decorrem de uma curva de demanda instável e da diferenciação assimétrica de produtos são, em grande medida, responsáveis pela pouca atenção dispensada a estes aspectos na literatura econômica. No que interessa ao presente trabalho, tais características parecem suficientes para possibilitar a ilustração de uma incerteza tipicamente Keynesiana.

Como será visto no item 5.3, a utilização de um mecanismo similar àquele proposto por Silverberg, Dosi & Orsenigo (1988) pode se constituir numa forma adequada de se resolver, a partir das condições acima descritas, o problema de determinação da demanda. Entretanto, quando se assume que esta não é passível de ser conhecida ex ante pela firma, o nível de oferta deve ser definido de acordo com expectativas de demanda futura. A natureza não estacionária do ambiente considerado sugere a utilização de informações

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Citado por Napoleoni (1979, p. 65).

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Ao assumir a diferenciação simétrica Varian (1992, p.19-20) reconhece a referida limitação, a qual é também apontada por Tirole (1998, p. 100 ).

passadas (backward looking forecasting) processadas por meio de comportamentos rotineiros particulares a cada firma como forma de se inferir sobre o nível da variável em questão no período t+1. A este respeito Arthur (1994) sugere que é justamente a heterogeneidade das regras de tomada de decisão que possibilitam a evolução consistente de um sistema, ainda que sujeito a certa instabilidade. Em suma, a heterogeneidade tecnológica (o que inclui as características do produto segundo o julgamento do consumidor) torna a demanda futura incerta e a heterogeneidade expectacional referente às diferentes formas de se lidar com esta incerteza confere consistência temporal ao sistema.24

Além dos riscos inerentes ao próprio mercado a firma deverá ainda lidar com a possibilidade de alteração do estado de expectativas dos agentes financeiros. De acordo com a formulação minskyana da instabilidade financeira (Minsky, 1982, 1986) o incentivo ao investimento é maior quanto maior for o preço de demanda de um bem de capital em relação ao seu preço de oferta – segundo Dimsky & Pollin (1992, p. 36-37), uma versão do Q de Tobin acrescida pela análise das condições de financiamento. Uma piora nas condições de financiamento impacta positivamente o preço de oferta, reduzindo os incentivos ao investimento. A conseqüente redução da demanda agregada piora as condições de solvência das firmas, empurrando o sistema para uma situação de fragilidade financeira. O processo ganha características cumulativas via elevação do spread bancário e racionamento de crédito. Uma crise financeira dá lugar então a uma crise na produção. O resultado deste processo será a recomposição da robustez financeira por meio da exclusão do mercado de um grande número de firmas situadas nos regimes financeiros inferiores.

A implicação elementar da HIF é de que o comportamento maximizador de lucro de firmas e bancos é, em sua natureza, um fator de instabilidade, gerando endogenamente crises financeiras periódicas com reflexos na economia real. Quando bancos formam expectativas a partir de uma percepção de fragilidade financeira relativamente baixa, isto tende a se traduzir pela redução do spread cobrado, bem como pelo direcionamento de uma maior parcela de recursos a aplicações de menor liquidez, por exemplo, o crédito. No decurso deste processo, um maior número de firmas com menores capacitações tecnológicas passa a compor o portfólio de ativos que recebe financiamento dos bancos, o que tende a resultar

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Se todas as firmas têm expectativas igualmente positivas é de se esperar que o excesso de produção conduza à falência generalizada; o mesmo resultado pode ocorrer no caso de expectativas igualmente negativas, com redução dos níveis de renda e consumo.

na elevação do nível de inadimplência e falência no setor produtivo, impondo custos de oportunidade e perda de capital para os bancos. A emergência deste cenário eleva a percepção de fragilidade financeira do sistema por parte dos bancos. Em algum momento uma reversão de tendência se verificará, implicando os resultados acima descritos.25