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No período de 25 de janeiro de 2001 a 31 de dezembro de 2002, foi realizado no município de Sorocaba, vizinho de Alumínio, um estudo para averiguar os episódios de ultrapassagem do padrão de qualidade do ar (primário e secundário)44, constatando, por

meio das medições realizadas, até então, nas quatorze estações da Rede Automática de Qualidade do Ar da CETESB, ocorrências de ultrapassagem do padrão de ozônio, principalmente, nos meses de fevereiro a abril e de agosto a dezembro.

A duração dos episódios agudos de poluição por ozônio, na maioria dos casos, foi de 1 hora, mas houve ocorrências de episódios com duração de até 5 horas e concentrações máximas no período da tarde, entre 13 e 17 horas. Foi observado que, nos dias em que ocorreram episódios agudos de poluição, somente em Sorocaba (em 25 dias), os valores de concentração de O3 chegaram a ultrapassar o nível de Atenção, que é de 200 g/m3 (Decreto Estadual nº. 8.468/76). Contudo, nos dias em que também ocorreram episódios agudos de poluição na Região Metropolitana de São Paulo, os valores máximos observados em Sorocaba estavam próximos ao padrão de qualidade do ar (160 g/m3)45. É importante

destacar que, quando ocorrem episódios agudos de poluição em Sorocaba, e a direção predominante do vento é do quadrante Leste-Sul, é possível que ocorra o transporte do ozônio e de seus precursores oriundos de fontes localizadas à Leste e à Sudeste de Sorocaba (CETESB, 2004a). Cabe ressaltar que o município de Alumínio encontra-se à

44 A CONAMA nº. 03/90 estabelece, em relação ao controle de poluentes, dois padrões de qualidade do ar: padrões primários de qualidade do ar (são as concentrações de poluentes que, quando ultrapassadas, poderão acarretar danos à saúde da população) e padrões secundários de qualidade do ar (são as concentrações de poluentes abaixo das quais se espera o mínimo efeito adverso sobre a saúde da população, bem como o mínimo de dano à fauna, à flora, aos materiais e ao meio ambiente como um todo). Para o ozônio tanto o padrão de qualidade do ar primário quanto o secundário é de 160 g/m3 para a média máxima de 1 hora. 45 O novo limite sugerido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) para a concentração de ozônio, para um período de exposição de 1 hora, é 100 g/m³ de ozônio, e está sendo adotado pelos países da Europa Ocidental.

Leste-Sudeste de Sorocaba, na direção predominante dos ventos, podendo assim, ocorrer o transporte de poluentes originados em Alumínio para a região do município de Sorocaba.

A partir dos resultados encontrados em Sorocaba, a CETESB começou a estudar o comportamento do ozônio no eixo São Paulo – Sorocaba, já que o estudo relativo ao município de Sorocaba mostrou que tal poluente e seus precursores eram transportados da Região Metropolitana de São Paulo para o município. Daí a importância de se conhecer a direção e a velocidade do vento que predominam na região. De acordo com as medições realizadas pelas estações telemétricas de monitoramento da qualidade do ar da CETESB, no período de 1996 a 1998 (CETESB, 2004a), pode-se observar que o vento predominante sobre a Região Metropolitana de São Paulo é Leste-Sudeste (ESE).

Figura 4.8. Indivíduo da espécie Nicotiana tabacum ‘Bel W3’ (bioindicadora de O3)

Fonte: Pedroso (2006)

Com o objetivo de conhecer a trajetória do transporte de ozônio da Região Metropolitana de São Paulo para o município de Sorocaba, o Setor de Ecossistemas Terrestres da CETESB realizou campanhas de monitoramento de ozônio em alguns municípios da região abrangida pelo eixo São Paulo – Sorocaba, utilizando uma planta bioindicadora de ozônio, a Nicotiana tabacum ‘Bel W3’46 (Figura 4.8).

46 A Nicotiana tabacum ‘Bel W3’ – Solanaceae é uma planta usada pelas indústrias do tabaco como matéria- prima para a fabricação do cigarro e é bioindicadora de ozônio. O conhecimento sobre o uso dessa planta como bioindicadora de ozônio remonta a década de 50, quando as indústrias produtoras de charutos, situadas na cidade de Beltsville, no Vale de Connecticut, EUA, começaram a acumular prejuízos, uma vez que as plantas empregadas na indústria apresentavam manchas nas folhas que impediam sua utilização (PEDROSO, 2006).

Os municípios selecionados para o estudo relacionado ao transporte de ozônio troposférico no eixo São Paulo – Sorocaba (Leste-Oeste) foram os seguintes: Cotia, Vargem Grande, Ibiúna, São Roque, Mairinque e Alumínio. Todos esses municípios encontram-se situados à Oeste de São Paulo - Capital (Figura 4.9).

Figura 4.9. Localização da área de estudo referente ao transporte de ozônio no eixo São Paulo - Sorocaba

Fonte: Mapa modificado de CETESB (2004a)

Os períodos de exposição dos indivíduos bioindicadores (Nicotiana tabacum ‘Bel W3’) nos municípios estudados foram os seguintes: de 27 de fevereiro a 27 de março de 2002; de 4 de junho a 3 de julho de 2002; de 8 de outubro a 6 de novembro de 2002 e de 20 de fevereiro a 19 de março de 2003. Cabe ressaltar que houve um ano de exposição dos indivíduos bioindicadores, ou seja, o período estudado abrangeu as épocas propícias e não propícias à formação de ozônio troposférico.

Nas quatro campanhas foram observadas ocorrências de injúrias nos indivíduos expostos, e aqueles que se encontravam no município de São Roque foram os que apresentaram maior média e mediana de porcentagem de injúrias nas folhas (Figura 4.10), seguido do município de Alumínio, Mairinque, Ibiúna e Cotia. Em Vargem Grande verificou-se a menor porcentagem de ocorrências de injúrias nos indivíduos expostos, dentre os municípios estudados. Destaca-se que, durante a realização da terceira campanha

de monitoramento, os indivíduos que se encontravam em Vargem Grande sofreram atos de vandalismo impossibilitando a avaliação dos resultados obtidos nesse município.

Figura 4.10. Injúria foliar presente em um indivíduo da espécie Nicotiana tabacum ‘Bel W3’ devido ao ozônio troposférico

Fonte: CETESB (2009c)

Destaca-se que o município de São Roque localiza-se na base da chamada Serra de São Roque, e sua sede está voltada para o lado da Região Metropolitana de São Paulo. Dessa maneira, a ocorrência de maior porcentagem de injúrias foliares nesse município pode estar ligada ao fato dos poluentes transportados ficarem parcial ou totalmente retidos na região serrana, acumulando-se e/ou transformando-se, considerando-se que tanto os poluentes precursores de ozônio, quanto o próprio ozônio, originados da Região Metropolitana de São Paulo, podem estar sendo transportados.

O que chama atenção é o fato de os indivíduos expostos no município de Mairinque, localizado entre São Roque e Alumínio, apresentarem a menor ocorrência de injúrias foliares dentre os indivíduos desses três locais. Segundo a CETESB (2004a), esse fato sugere a hipótese de que o ozônio transportado da Região Metropolitana de São Paulo pode não influenciar a concentração de ozônio no ar atmosférico do município de Mairinque, uma vez que ele está situado na base da Serra de São Roque, no lado voltado para Sorocaba, ou seja, a serra serve como obstáculo ao transporte do poluente.

Outra hipótese suscitada pelos estudos da CETESB (2004a) está baseada na existência de fontes de emissão de poluentes precursores do ozônio no município de Alumínio, onde se observou grande ocorrência de injúrias nas folhas dos indivíduos

expostos. Nesse caso, o ozônio poderia se formar na região do próprio município, sem que houvesse contribuição significativa do ozônio oriundo da Região Metropolitana de São Paulo e, o ozônio incidente na região urbana de Sorocaba se formaria em Alumínio, apresentando pouca relação com o ozônio oriundo da Região Metropolitana de São Paulo. De fato, em Alumínio há emissão de volumes significativos de substâncias precursoras do ozônio (NOx e HC) devido às atividades da CBA, e, dadas as condições favoráveis – fonte de emissão e níveis de insolação –, pode ocorrer a formação de ozônio no município.

Importante salientar que, em maio de 2005, a CBA apresentou à CETESB (Regional de Sorocaba) os resultados obtidos no monitoramento da qualidade do ar no período de outubro de 2004 a abril de 2005, os quais foram enviados à CETESB de São Paulo para análise e manifestação. Da verificação preliminar dos resultados apresentados pela empresa referentes a 2004, aparentemente, não foram registradas desconformidades em relação aos padrões primários e secundários para as concentrações médias de 24 horas para partículas inaláveis (MP10), SO2 e média máxima de 1 hora para NO2. No entanto, em relação aos resultados obtidos no monitoramento contínuo de ozônio47 verificou-se a

ocorrência de 38 picos de concentração de ozônio nos meses avaliados, cujos valores ultrapassaram o padrão de qualidade do ar – 160 g/m3 –, chegando a atingir o valor máximo de 263 g/m3 no dia 11 de novembro de 2004.

Em relação aos resultados obtidos no período de janeiro a abril de 2005, também, não foram registradas desconformidades em relação aos padrões primários e secundários de qualidade do ar para as concentrações médias de 24 horas para partículas inaláveis (MP10) e SO2 e média máxima de 1 hora para NO2. Com relação ao ozônio, mais uma vez foram registrados 55 episódios de ultrapassagem do padrão de qualidade do ar, sendo a concentração máxima registrada igual a 295 g/m3, em 24 de fevereiro de 2005 (SÃO PAULO/Processo SMA nº. 06-00232-05, 2005).

Destaca-se que no referido período de monitoramento da qualidade do ar, o número alto de episódios de ultrapassagem do padrão de qualidade do ar para ozônio deve-se, além da presença de substâncias precursoras na atmosfera, às condições climáticas, que nesse período é ideal para a formação de ozônio troposférico (temperaturas elevadas e céu claro). O O3 é um poluente que deve ser monitorado constantemente no município de Alumínio, pois o número de episódios de ultrapassagens do padrão de qualidade do ar é elevado. Além disso, é um poluente bastante nocivo à saúde humana e ao meio ambiente.