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Chapter 2.  Literature Review

2.2  Rational Behaviour

Ao longo dos tempos, e pesquisando na literatura existente, nota-se uma crescente preocupação em explicar e clarificar o processo da identidade de género através de diversas teorias. Seguindo o pensamento de Freedman (1993), referenciado por Cardona et al. (2011), identificam-se duas vertentes, sendo que a primeira diz respeito às causas que levam a haver diferenças entre sexos e a segunda ao facto de se observarem diferenças entre os sexos ao nível comportamental. O indivíduo aquando da sua identificação social e cultural, como feminino e masculino, constrói a sua identidade de género; quando vive a sua sexualidade independentemente do sexo do parceiro, constrói também a sua identidade sexual. Falemos então um pouco sobre as teorias da identidade de género que nos levam a compreender como funciona todo este processo.

Através da teoria dos papéis podemos perceber como o desempenho social do sujeito é consequência dos comportamentos que inicialmente interiorizou durante o seu processo de socialização, perante as expetativas criadas no e pelo grupo de que faz parte. Já na teoria da aprendizagem social a criança adquire comportamentos, crenças e valores que são adequados para o seu género através da interação e identificação que faz com os pais e amigos do mesmo sexo para assim assumir papéis de género adequados (Miranda, 2008).

A nível da sociologia, longe vão os tempos em que Spencer (1882), citado por (Schouten, 2011), defendia que a mulher teria que ficar em casa para educar os filhos, pois era esta a fórmula da organização humana. Seguindo esta linha de orientação, também Simmel (1911-1919), referido por (Schouten, 2011), era da opinião que as mulheres deveriam ocupar uma posição mais resguardada na vida social. Quando todos pensavam e agiam de acordo com a forma mencionada, Isaac Thomas (1896), na sua tese de doutoramento, revelou-se o maior defensor da participação ativa das mulheres na vida pública (Schouten, 2011).

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No que diz respeito à teoria psicanalítica e, segundo Freud (1988) citado por Afonso (2007), tanto os meninos como a meninas passam por processos complexos que os levam a tornar-se homens e mulheres. No caso dos meninos e através do fenómeno do complexo de Édipo, eles invejam o pai porque querem ser os parceiros das mães, “A deslocação do desejo pela mãe e a tomada do pai como modelo de identificação são as estratégias que ajudam o rapaz a chegar à fase genital masculino e heterossexual” (Afonso, 2007: 332). Em relação às meninas estas passam por um processo oposto (complexo de Eletra), em que não se podendo separar da mãe buscam parceiros masculinos parecidos com os pais, “… ela voltar-se-á para o pai e terá o desejo de ter um bebé, orientando-se heterossexualmente. Precisa ainda de perdoar o pai por a obrigar a adiar o bebé, e identificar-se com a mãe. Torna-se finalmente feminina” (Afonso, 2007: 332). Segundo este autor, a identidade de género faz parte da génese psicológica, pois para além de significar a qualidade biológica da pessoa pode sofrer uma inversão, ou seja, homens e mulheres que vivam de modos opostos ao do seu sexo. A identidade de género representa aquilo que o sujeito sabe de si e do seu papel na sociedade.

Passando-se agora para a teoria cognitiva, os seus seguidores desenvolveram duas teorias – a teoria cognitivo desenvolvimental e a teoria do esquema de género – para a compreensão do que era o género e também das diferenças existentes entre homens e mulheres. Foquemo-nos na teoria cognitivo desenvolvimental e no seu seguidor principal - para Kolhberg (1966), citado por Cardona et al. (2011), a criança tem um papel ativo na configuração da sua identidade de género e à medida que vai avaliando o mundo que a rodeia, compreende em que realidade vive e qual o seu papel, tudo fazendo parte do seu desenvolvimento cognitivo. Assim, “À medida que vão compreendendo, dos 2 aos 7 anos aproximadamente, a imutabilidade do facto de serem do sexo masculino ou do feminino isto é, à medida que vão consolidando a estabilidade do género – as crianças sentem-se motivadas a procurar informação sobre os comportamentos considerados adequados ao seu sexo, pela observação dos outros na família, na escola, na comunicação social, que funcionam como modelos” (Cardona et al., 2011: 25). Seguindo a linha orientadora das autoras, importa referir que a criança exibe comportamentos típicos de género porque eles são considerados os mais adequados ao seu sexo pela restante sociedade, porque estão de acordo com o seu autoconceito e porque assim desenvolvem uma sólida autoestima.

Relativamente à teoria do esquema de género, os seus defensores argumentam que as crianças comportam-se da maneira mais apropriada para o seu género, porque organizam os seus esquemas de género de acordo com o que observam das pessoas em termos de categorias e avaliações relativamente à questão de género.

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Sintetizando as teorias aqui expostas, citamos Rodrigues (2003: 40) que atesta: “Para os psicanalistas, o afeiçoamento aos pais e a identificação com o pai do mesmo sexo são muito significantes. Os teóricos da aprendizagem enfatizam processos de reforço e de observação (modelagem) que ocorrem não apenas em casa mas em todo o ambiente social da criança. Para os teóricos cognitivos, por seu lado, o conhecimento que a criança vai desenvolvendo de esquemas de género é superior, junto com as características que constituem estes esquemas na sociedade em geral.”

Podemos assim referir que, à medida que as crianças vão conseguindo estabilizar a sua identidade de género através da observação da sociedade que ao seu sexo diz respeito, adquirem comportamentos estereotipados. Isto é, os papéis que desempenham no dia-a-dia e que ao seu género dizem respeito, nada mais são do que padrões que a sociedade impõe a cada género, são “…expetativas e crenças partilhadas acerca de comportamentos apropriados e características para homens e mulheres numa dada sociedade” (Rodrigues, 2003:24).