3.1 Virksomhetsmål for norsk utdanning
3.1.2 Rapportering på styringsparametere for 2016
P1 é professor substituto e já atuava no IF havia dois anos. P1 é formado em Letras, mas não possui pós-graduação.
A respeito da pergunta 1, P1 responde que os objetivos do IF são “[…] a formação geral e educação para a vida profissional (formação específica)”.
Neste início, P1 parece se aproximar dos textos legais que apregoam que as várias modalidades da Educação Profissional presentes numa instituição como o IF, em especial o Ensino Médio Integrado, devem conciliar a formação geral à habilitação profissional, ou formação específica, como chama o próprio professor. Entretanto, não é possível definir ainda o grau de sintonia do participante com os documentos, já que ele não elabora sua compreensão sobre a formação geral a que se refere.
Em sua resposta à pergunta 2, P1 se aprofunda quanto ao seu conceito de formação geral e apresenta outros pontos de vista interessantes, conforme se pode ver abaixo:
É preciso que constantemente haja cobrança dos domínios adquiridos na base (formação geral) no decorrer da formação específica, para que inclusive se valorize mais o conteúdo das disciplinas tidas como menos importantes.
Nesse trecho, observamos que a ideia de P1 é que a formação geral compreende os conteúdos de base que perpassam qualquer formação específica. Todavia, ao destacar os conteúdos, P1 parece não ter em conta que também fazem parte da formação geral as competências que contribuem para a formalização dos conhecimentos, construção da identidade e exercício da cidadania. Sem elas, o conceito de formação geral coxeia, não se completa e vira sinônimo de um mero acúmulo de conhecimentos.
Outro ponto digno de realce é que P1 traz à tona a questão de que os conteúdos da habilitação profissional são considerados hierarquicamente mais importantes do que os demais. Não fica evidente no relato de P1 quem alimenta tal pensamento (se professores, alunos ou ambos), mas naturalmente tal compreensão pode influenciar direta ou indiretamente os modos de planejar e ensinar de qualquer docente.
Provavelmente, a alegada relação de hierarquia entre as formações profissional e geral está arraigada na própria história do Instituto, que por várias décadas se ocupou exclusivamente da qualificação de mão de obra. Todavia, seguir sustentando essa ideia sugere distanciamento dos documentos oficiais, os quais são
claros em relação ao fato de que as esferas das formações profissional e geral não se sobrepõem, nem prescindem uma da outra.
As opiniões de P1 expressas nas respostas anteriores repercutem agora quanto à relevância do ensino de uma LE num contexto como o do IF. Talvez seja possível inferir que, dada a visão de P1 sobre formação geral e, principalmente, por conta das impressões apresentadas sobre a relação das disciplinas da base comum com a profissional, esse participante só mencione a importância do ensino de uma LE relacionando-a ao mercado de trabalho e às necessidades da vida profissional. Como efeito, tem-se uma visão de ensino em que os objetivos estão voltados somente para usos instrumentais, em que na maioria das vezes a LE é uma ferramenta de trabalho. De acordo com o participante:
O mercado exige que o profissional conheça um ou mais idiomas estrangeiros. Além disso, esse conhecimento viabiliza o acesso a informações que muitas vezes se mostram disponíveis apenas em LE.
Como bem dizem documentos como os PCNEMs (BRASIL, 2000) e as OCNEMs (BRASIL, 2006), oferecer a devida preparação para o mercado é algo válido no Ensino Médio, já que para os alunos dessa etapa da Educação Básica a entrada no mercado de trabalho é um compromisso iminente. Entretanto, segundo os mesmos documentos, ocupar-se primordialmente disso implica deixar de lado o relevante papel das LEs em discussões sobre questões prementes na sociedade atual, questões que digam respeito a uma formação mais ampla e que envolvam o debate sobre as diversidades e o desenvolvimento do pensamento crítico.
Quanto às competências e habilidades que devem ser contempladas pela disciplina de Inglês, P1 afirma que
Na realidade, o IF oferece oportunidades de contato com a LE em textos que precisam ser lidos e compreendidos para fins específicos. Não vejo a preocupação com que se desenvolvam outras habilidades. Apenas a leitura é trabalhada. Em menor grau, a escrita pode vir a ser praticada.
Observemos que no trecho destacado acima, P1 considera como praxe no IF o trabalho de leitura e compreensão de textos para fins específicos. Essa declaração
reforça a concepção do ensino de línguas calcada fortemente em objetivos instrumentais. Além disso, ao dizer que há preocupação institucional mais acentuada nessa abordagem de ensino, o participante nos remete à participação dos IFs (então chamados de Escolas Técnicas Federais – ETFs) na construção e expansão do Projeto Nacional Ensino de Inglês Instrumental. Vale ressaltar que vários autores, como Ramos (2009a; 2009b), acreditam que a participação das ETFs no Projeto colaborou para o nascimento de mitos como os que dizem que Inglês Instrumental é sinônimo de inglês técnico e de ensino de estratégias de leitura. Aliás, como pôde ser vista, a leitura é a habilidade privilegiada no relato de P1, mesmo que não pareça algo justificável, já que a oferta de cursos do Instituto é bastante ampla e, por isso, as necessidades que os alunos apresentam tendem a ser as mais diferentes e não se resumir somente ao trabalho com a compreensão de textos escritos.
A resposta de P1 à pergunta 4 retoma o tópico da formação geral ao trazer mais um indicativo de que, em sua opinião, ela está relacionada aos níveis de conhecimento, acúmulo de informações e, no caso específico do ensino de Inglês, ao nível linguístico. O nível de proficiência distinto demais somado à imaturidade dos alunos para perceber as necessidades de se conhecer um idioma estrangeiro fazem com que P1 manifeste um certo pesar por não atingir os objetivos que acredita ser coerentes para a disciplina. Observemos o trecho em destaque:
[...] a formação geral em LE pode ser inviabilizada em razão da heterogeneidade dos alunos. Os níveis são distintos demais. E muitos desses alunos não enxergam outras necessidades de conhecer a LE senão para ler e tentar compreender o essencial de um texto. Só.
Assim, é lícito concluir que, na opinião de P1, seja por conta dos interesses institucionais, sejapor conta das dificuldades diárias da sala de aula, como a heterogeneidade linguística dos alunos, a leitura é a habilidade de que mais frequentemente se lança mão nas aulas de Inglês do IF.