A plataforma comercializada pela Adobe, consiste num conjunto de ferramentas e serviços associados que têm por objectivo a integração com o Adobe InDesign.
O software Adobe InDesign, permite a criação e gestão de paginações com recursos gráficos de todo o tipo, assim como a criação de publicações, tais como, livros, jornais e revistas
para impressão. Com a integração do conjunto de ferramentas disponibilizadas pela plataforma de Publicação da Adobe, é possível a utilização deste software para a realização de publicações digitais. Essa integração, permite que através de um interface gráfico, o editor possa incluir elementos interativos e outros recursos, de forma a obter uma revista interativa.
A Adobe Digital PublishingSuite (DPS) integra ferramentas como:
Folio ProducerTools - ferramentas da produção dos conteúdos propriamente ditos, para o formato .folio
Serviço de distribuição - que permite o armazenamento dos arquivos num servidor que distribui o conteúdo no formato “.folio”, para os diferentes dispositivos móveis permitindo o acesso através do visualizador de conteúdos denominado Adobe ContentViewer)
Serviço de E-commerce - permite a monitorização da venda dos produtos e a integração com outros mercados como o AndroidMarket, a AppStore e a BlackBerry AppStore.
Serviço de Análise - permite monitorizar a quantidade de acessos, downloads e saber quais foram os conteúdos mais consultados
Construtor do Visualizador de Conteúdos - permite a criação de um aplicativo visualizador da publicação, permitindo que esta possa ser enviada directamente para a AppStore ou Google Playt.
2.2.4.2 WoodWing's Enterprise Publishing System
À semelhança da Adobe, a WoodWing'sEnterprisePublishingSystem permite a integração de funcionalidades no Adobe InDesign, ampliando assim o leque de possibilidades do seu
software de Publicação digital.
A WoodWing'sEnterprisePublishingSystem integra as seguintes funcionalidades:
• EnterprisePublishingSystem - que reúne um conjunto de ferramentas que têm por objectivo acrescentar valor extra nas revistas digitais, seja ao nível da interacção como ao nível da publicação. A plataforma WoodWing disponibiliza através do próprio interface do InDesign, um conjunto de funcionalidades que incluem: Hyperlinks, Slide shows, sequências de imagens, Áudio e Vídeo, Panorama, conteúdo Web e a possibilidade de Pan e Zoom
.
•
Content Station - permite a organização e a difusão da publicação. Com esta ferramenta é possível organizar e estrutura o fluxo das páginas da publicação assim como exportar e difundir.• Content Delivery Service (CDS) - aplicação disponível para download gratuito que estabelece o contacto com o servidor da WoodWing e após a respectiva subscrição permite que o utilizador possa comprar ou visualizar uma publicação.
2.2.4.3 Mag+
A Mag+ baseia-se na integração de um plugin no Indesign e promete a criação de apps para tablet e Smartphones sem necessidade de competências de programação.
Assim, o fluxo de trabalho de publicação com esta ferramenta resume-se aos quatro passos descritos de seguida:
1. Design
Desenvolver o layout no InDesign com o plugin Mag+. Acrescentar conteúdo online, interatividade, vídeo e som.
2. Visualizar
Visualisar os conteúdos desenvolvidos em qualquer dispositivo com o software Mag+ Reviewer app. De notar que durante as experiencias que tive com Figura 4 - WoodWing's Content Station Fonte: http://www.woo dwing.com/en/enterpris e-publishing-system/ content-station-screen shots (Junho 2013)
este software apercebi-me que apesar da app estar disponível na Google store e poder ser instalada em dispositivos Android, ainda não permite a visualização nestes dispositivos. Em fóruns dedicados ao tema tive a oportunidade de confirmar que não era caso isolado e que a própria empresa referiu estar a trabalhar no sentido de possibilitar a visualização nos dispositivos android. 3. Finalizar
Finalizar o conteúdo e construir e configurar a app com o Mag+ Publish, uma ferramenta web based, que não exige conhecimentos de programação.
4. Publicar
Publicar app no Google Play, Amazon Appstore & iTunes App Store.
Esta ferramenta pareceu-nos interessante para implementar o protótipo em estudo nesta dissertação, por ser um software que prometia ser bastante completo em termos de ferramentas e opções disponibilizadas, e mesmo porque em termos de cobrança esta só ocorria quando o produto fosse efetivamente publicado nos diferentes mercados de Apps. Contudo, tendo em conta que o equipamento que tínhamos disponível para o desenvolvimento do projeto era um dispositivo Android, por questões de incompatibilidades com esta ferramenta tivemos que optar por outra solução.
2.2.4.4 Aquafadas
Aquafadas é uma empresa francesa que criou uma plataforma de publicação digital com o mesmo nome, a Aquafadas Digital Publishing Platform, lançada em 2004.
Esta plataforma permite criar conteúdo digital através da integração de um plugin com o Adobe InDesign e QuarkXPress sem necessidade de conhecimentos de programação.
As publicações podem ser baseadas em PDF ou XML, e podem ser enriquecidas com galerias de fotos, apresentações de slides, vídeos e som.
A plataforma possibilita o desenvolvimento de publicações digitais para vários dispositivos, como tablets e smartphones, e múltiplos sistemas operativos, como o iOS ® e Android ™. As publicações resultantes podem tomar a forma de PDF interativo, aplicações personalizadas.
2.2.4.5 Plataformas Gratuitas
Para além das plataformas mencionadas anteriormente, existem ainda algumas plataformas gratuitas para publicação digital, ainda que algumas delas ofereçam funcionalidades mais limitadas do que as plataformas pagas.
Merece neste contexto especial destaque o iBooks Author, da Apple, que se apresenta como um software gratuito e descomplicado com educadores e professores como principal público-alvo. O iBooks Author tornou possível para qualquer um implementar publicações multimédia graficamente atrativas. As implicações para a educação são enormes, com possibilidades que vão desde a substituição de livros didáticos padronizados por livros com materiais de referência personalizados para ir de encontro às necessidades específicas dos alunos na sala de aula.
O iBooks Author requer um computador da Apple com OS X Lion ou posterior. O processo de criação com este software é bastante simples, podendo utilizar-se um dos templates disponíveis e simplesmente preenchê-lo com o conteúdo pretendido, havendo sempre a possibilidade de recorrer ao menu de ajuda se necessário.
Uma das limitações deste software prende-se sobretudo com o facto dos produtos desenvolvidos no iBooks Author poder ser disponibilizado ou vendido apenas através do mercado da Apple.
Para aqueles que não têm acesso ao iBooks Author, há algumas boas ferramentas Web
based que permitem a produção de livros digitais.
Um bom exemplo é o ZooBurst, que permite aos utilizadores criar livros com realidade aumentada. Para criar uma história, basta arrastar e soltar as imagens para as páginas do livro. As imagens poderão ser escolhidas a partir da biblioteca ZooBurst ou a partir do computador pessoal. Quando a história estiver concluída, podemos imprimir o código respetivo que, quando segurado na frente de uma webcam, exibe a história em 3-D.
Existem ainda outras plataformas web-based, ainda que bastante mais limitadas. De facto, permitem apenas o upload de documentos do Word, PowerPoint e PDF, adicionando-lhes o efeito visual de viragem de página.
Contudo, apesar destas plataformas disponibilizarem simplesmente uma navegação e interação limitadas, podem oferecer uma leitura mais interessante nos tablets no caso de conteúdos que não necessitem de outros recursos de interação para a transmissão da mensagem pretendida.
Uma dessas plataformas é o Issuu, em que o utilizador precisa apenas de se registar para poder publicar um documento. Nesta plataforma temos a possibilidade de aceder a uma galeria de publicações gratuitas, bem como de fazer upload das nossas próprias publicações e consultar estatísticas de visitas, com a vantagem das publicações ficarem disponíveis para visualização através do computador ou de dispositivos móveis.
A Yudu, o Calaméo, o Bookemon, o Simple Booklet (com uma versão gratuita disponível para educadores) e o Flipsnack são outras plataformas web com finalidades semelhantes às já apresentadas.
Também o Blue Griffon EPUB edition, um editor WYSIWYG multiplataforma capaz de criar nativamente e editar e-books EPUB2 e EPUB3, foi uma opção observada dadas as suas potencialidades advindas da conformidade que permite com HTML5.
2.3 Novas Estruturas Narrativas
A nossa sociedade sempre deu grande importância à tradição de contar histórias, como meio de partilha de experiências, como meio de transmissão de conhecimento, ou simplesmente como meio de entretenimento. Desde a narrativa escrita perpetuada com o surgimento da imprensa mecânica de Gutenberg, até à narrativa oral, volátil, com o poder de, por serem obras coletivas e frequentemente inacabadas, encerrar em si o imaginário, o folclore social e a memória coletiva de quem as conta, é inegável o seu pendor e valor social.
Contudo, a era da informação vem ameaçar alterar tanto o rumo como as possíveis morfologias das narrativas. Se por um lado a dinâmica rápida e efêmera da informação nos tempos modernos pode ser o arauto de uma ameaça à sobrevivência dos conteúdos narrados, Figura 6 Janela principal Blue Griffon EPUB edition.
com toda a memória coletiva que lhes está impregnada, pode igualmente sugerir oportunidades nunca antes experimentadas no que diz respeito à própria estrutura através da qual a narrativa ocorre, bem como novas formas de potenciar essa memória coletiva com ferramentas de alcance à escala global, como as redes sociais.
Segundo Chartier (2002), muitas das categorias através das quais nos temos relacionado com a cultura escrita estão a alterar-se, pois assistimos a mudanças nas técnicas de reprodução do texto, na forma ou suporte do texto e ainda nas práticas de leitura.
Graças às tecnologias digitais, os papéis do leitor e do autor distanciam-se cada vez menos, e em contraponto, podemos observar cada vez mais o crescimento exponencial da Web, a vulgarização do trabalho em rede e de ambientes hipertextuais ganhar espaço face à fixidez, linearidade, sequencialidade, autoridade e finitude do texto impresso. Estão abertos os caminhos que conduzem ao surgimento de novos géneros textuais ligados aos conceitos de hipertexto, com as chamadas narrativas hipertextuais ou hiperficção, e ligados ao conceito de cibertexto introduzido por Espen J. Aarseth na obra Cybertext—Perspectives on Ergodic
Literature (1997), em que aborda igualmente a temática da literatura ergódica.