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Rapport B - Skoler med liten og stor forekomst av atferdsproblemer: En kvantitativ

Além de Rodrigues Lapa outros portugueses também têm no Suplemento um veículo de expressão. O poeta Melo e Castro afirma que o periódico foi “o instrumento de comunicação com o exterior mais eficaz e mais empenhado da vanguarda portuguesa” (CASTRO, 1985, p. 69). Ele atenta para o fato de que em Portugal se vivia um momento politicamente difícil para a manifestação literária. Sendo assim, é no

não só daqueles poetas e escritores canônicos como outros contemporâneos ou ainda aqueles que se ligavam a diferentes correntes estéticas como o neo-realismo e o surrealismo. Mas, sem dúvida, os que pertenciam à Poesia Experimental é que iniciam um diálogo e uma relação entre brasileiros e portugueses. Os escritores e poetas de outras épocas e os contemporâneos, que eram objeto de ensaios críticos, certamente eram escolhidos pelo grupo e pelos críticos que tinham acesso ao periódico, como Maria Lúcia Lepecki, Nelly Novaes Coelho, formando assim uma antologia que revela não somente um critério de escolha, mas também uma eleição daqueles mais representativos da Literatura Portuguesa. Além disso, reproduzir trechos ou mesmo dedicar um ensaio crítico a um poeta português, por exemplo, era resultado de pesquisas que vinham sendo realizadas ou de leituras prévias, era enfim, resultado de certo encantamento pela Literatura Portuguesa. Quando nos referimos a escritores e poetas de outras épocas, estamos pensando em Luís de Camões, Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco. Embora atualmente Fernando Pessoa seja atualmente bastante conhecido, em 60 ainda era quase um desconhecido no Brasil. Francisco Iglesias (1967), por exemplo, em “Fernando Pessoa economista” (p. 2), afirma que o poeta tornara-se conhecido no país há pouco tempo, pois antes se publicavam apenas textos esparsos e só após a edição de suas obras completas é que um público brasileiro maior pôde ter acesso a sua obra.

Entretanto, quando nos referimos aos poetas e escritores do grupo de Poesia Experimental, referimo-nos especialmente àqueles que, residentes em Lisboa, em sua maioria, estudantes universitários formavam uma geração insatisfeita política e literariamente e procuravam criar uma estética em sintonia com o mundo. Em sintonia com o seu tempo em que se discutiam teorias da informação, da comunicação visual, da semiótica, do estruturalismo, a Poesia Experimental portuguesa procurava instaurar uma estética inovadora à medida que trabalhava com o próprio código, predominando pois a função metalingüística. Questionando o código e vivendo Portugal um período contraditório em meio à abertura internacional ao lado da repressão política interna, os poetas da vanguarda portuguesa de 60 buscaram no experimentalismo lingüístico a expressão de um sentimento de incertezas e desconforto com o status quo (TORRES, 2005). Dessa forma, combatiam o sentimentalismo da Literatura Portuguesa num período que dele se valia a política salazarista como forma de opressão e como arma usada para sensibilizar o povo em relação às guerras nas colônias da África, afirma Rui

Manuel Torres, citando Textos 176.26 Nesse sentido, a crítica literária inicialmente não o compreendeu, rejeitando-o. A Poesia Experimental Portuguesa procurou no universalismo um diálogo que não conseguia ser travado em seu país.

Nesses termos, aponta Rogério B. Silva (2005, p. 13), foram muito importantes os contatos empreendidos anteriormente com os poetas concretos brasileiros, com os do Poema-Processo de São Paulo e com os de outros lugares que estavam ligados à poesia concreta como Affonso Ávila, principalmente. Incluem-se também entre outros Ubirasçu Carneiro da Cunha, Lázaro Barreto e Joaquim Branco. Destacando em sua tese de doutoramento a poesia dos paulistas, afirma Rogério Silva (2005) que a Poesia Concreta brasileira tornou-se, via Poesia Experimental Portuguesa, “um instrumento de abertura cultural e política dentro do contexto fechado do regime de Salazar” (p. 15). E acrescenta que, por meio do movimento português, os brasileiros tornaram-se conhecidos internacionalmente. Temos, pois, novamente o português projetando o Brasil no cenário mundial, se antes, vieram em busca de novas terras, agora, vêm em busca de uma nova nação, uma nação literária.

Assim, o diálogo da poesia portuguesa de vanguarda com o Brasil já vinha se efetivando desde o final dos anos 50, e o Suplemento Literário do Minas Gerais faz o contato com o movimento quando esse já se encontrava num período bastante produtivo, tendo em Melo e Castro um dos seus teorizadores. Chama atenção o fato de que, no Suplemento, em 1969, ele publique somente “Um Texto e 6 postextos”, do livro Versus-in-versus e sete ensaios. Melo e Castro, já bastante conhecido no meio intelectual brasileiro ligado à poesia de vanguarda, tem contato com os mineiros quando em viagem pelo Brasil passa por Minas para conhecer Ouro Preto, o poeta Affonso Ávila e outros grupos que por aqui despontavam no cenário cultural belorizontino (CASTRO, 1995, p. 66).

O primeiro ensaio no Suplemento que se dedica à poesia portuguesa de vanguarda é “Poesia de vanguarda: informação de Portugal”, publicado em 1966, assinado por Márcio Sampaio que fizera uma entrevista com Melo e Castro. Após apresentar detalhadamente um histórico da Poesia Experimental Portuguesa, são transcritos trechos da entrevista feita com Melo e Castro. Nesses trechos, o poeta português situa a Poesia

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Cf. Poesia Experimental Cadernos e Catálogos da Poesia Experimental Portuguesa (Anos 60).Disponível em: :< http://po-ex.net/galeria/index.php>. Acesso em 5 jun. 2005.

Experimental na tradição portuguesa dos cancioneiros medievais, no barroco e em

Orfeu, aliado à sua inserção na atualidade tecnológica. Aplaude ainda a colaboração de

estrangeiros o que, segundo Castro, contribui para a universalidade do movimento. Assim, dá importância ao contato com os concretos brasileiros, pois para ele, os “Concretistas do Brasil estão criando um português de circulação internacional, enquanto nós, de Portugal, estamos redescobrindo um português nosso, mas de integração européia” (CASTRO apud SAMPAIO, 1966. p. 2.).

E quanto ao contato com os mineiros, toma-o como proveitoso e diz que poderá ser importante para os portugueses, pois “o seu mergulho numa realidade regional” (p.2), junto ao alto nível de criação que ele diz ter podido verificar, “é um bom exemplo de que a poesia de intervenção só num grau de exigência de pesquisa e total não transigência com superficiais comunicações com a massa pode ser viável e desejável” (p. 2), o que segundo Melo e Castro está de acordo com o que pensam os experimentalistas portugueses.

Sobre a Poesia Experimental, a poesia de vanguarda brasileira e portuguesa, Melo e Castro publica “Românticos, clássicos e cibernéticos”, em 1967; “Notícia sobre a poesia experimental portuguesa” e “Prosa e prosa: ou primeiras notas para uma revisão crítica da prosa criadora portuguesa”, em 1969, em duas edições dedicadas à nova literatura portuguesa. E ainda “A poesia de vanguarda no Brasil” em 1969 além de dois ensaios acerca da poesia barroca “A poesia barroca”, 1968, e “Lúcido lúdico”, 1972.

Esses ensaios podem ser lidos como manifestos do grupo, uma vez que, oficialmente, não houve a publicação de textos teóricos com essa característica. Neles há uma explicitação teórica do momento que viviam e de como a tecnologia e as novas linguagens influenciavam a arte, enfim, o movimento da poesia de vanguarda portuguesa e sua relação com a poesia brasileira. Além disso, nesses textos, há um histórico que passa pela Poesia Experimental até Operação, seu início, suas influências, intelectuais participantes, obras publicadas, intervenções como a PO_EX na Galeria Quadrante, em Lisboa, as repercussões, a não-aceitação da crítica literária portuguesa, bem como a preocupação constante em classificar essa poesia como uma poesia de cunho universal.

Sobre o Brasil, os textos lêem a estética da radicalidade de Oswald de Andrade em Pau-

brasil, a Antropofagia, o Poema-Processo e a Poesia Concreta situando esses

movimentos em relação à poesia de vanguarda portuguesa. Há a identificação da Poesia Experimental portuguesa com os movimentos de vanguarda do modernismo brasileiro de 22, bem como com a poesia barroca. Quanto ao Modernismo, preza-lhe o cosmopolitismo que vê presente na obra de Oswald de Andrade, mas tem restrições às propostas de Mário de Andrade, pois o considera um poeta de gabinete, preso aos postulados do Parnasianismo, embora o renovasse nas rimas e nas inusitadas imagens que criava. Mas é, sem dúvida em Oswald que está, no seu ponto de vista, os gérmens da Poesia Concreta e do Poema-Processo e de toda a renovação estética que então se processava na poesia. Reforça que nessa nova perspectiva, a participação do leitor é essencial, pois cabe a ele reinventar o ato de leitura do poema. A identificação com a poesia de vanguarda no Brasil, deve-se, como se pode perceber pela leitura dos ensaios, não por aquilo que o país oferece de caracteres estéticos próprios, mas por aquilo que é semelhante como, a incompreensão e não aceitação da crítica. Além disso, o caráter universal, cosmopolita e globalizado dos movimentos brasileiros “permite” que esses estejam avançados em relação ao movimento português que se volta mais para a Europa que para o resto do mundo.

Por volta de 1962 a Poesia Concreta, através do ideograma transformou a poesia brasileira de importação dos parnasianos e simbolistas de antes de 1922 numa poesia de exportação internacional, indo ao encontro da civilização vertiginosa de informação crescente em que vivemos.

Esse trabalho, realizado principalmente pelos irmãos Campos (Haroldo e Augusto), por Décio Pignatari e por Pedro Xisto não é todavia plenamente compreendido no Brasil, onde a influência criadora que é hoje a Poesia Concreta internacional, ultrapassando barreiras políticas e lingüísticas, desde os países da cortina de ferro ao Pacífico, passando por toda a Europa Ocidental (CASTRO, 1969, p. 5).

Quanto aos dois textos “A poesia barroca” e “Lúcido lúdico”, já mencionados anteriormente, em que disserta sobre o barroco, Melo Castro, no primeiro, faz referência a três obras publicadas no Brasil, a saber: Poesia Barroca-Antologia (introdução, seleção e notas de Péricles da Silva Ramos); Apresentação da poesia barroca, de S. Spina e Maria Aparecida Santilli e Resíduos Seiscentistas em Minas, de Affonso Ávila. Para o ensaísta, as três obras, apesar de diferentes, reconhecem a necessidade de se estudar mais detalhadamente o papel do barroco para a cultura de língua portuguesa, incluem-se aí Portugal e Brasil. Embora importado de Portugal, o barroco no Brasil tem

um significado maior, pois corresponde às primeiras manifestações de autonomia da arte brasileira, afirma Melo e Castro. Entretanto, adverte que interessa para o homem do século XX a “potencialidade dinâmica da idéia de Barroco” (1968, p.7), assim, é necessário que em Portugal ele seja reestudado como vem acontecendo no Brasil.

O Barroco, pelo seu caráter de dinamismo e abertura, por sua oposição ao ideário clássico, segundo o poeta, ultrapassa o período histórico em que é geralmente situado, permanecendo até os dias atuais. Sendo assim, é mister que a literatura barroca, tanto brasileira quanto portuguesa, pela sua pouca visualidade em comparação com a arquitetura barroca, sejam retiradas do esquecimento pela crítica literária que se baseia inadequadamente em métodos franceses para estudar a literatura barroca portuguesa. Melo e Castro cita o prefácio de S. Spina como modelo de abordagem crítica e a sua antologia também como modelo para que outras se publiquem, por exemplo, os dois volumes de Fênix e os cinco de Pontilhão de Apolo.

Para corroborar esse argumento, faz referência à entrevista de Haroldo de Campos, publicada no Jornal de Notícias do Porto, em que o poeta brasileiro afirma a necessidade de um “levantamento rigoroso crítico-analítico e de processamento dos elementos lingüísticos e estruturais da Poesia Barroca-Portuguesa” (CASTRO, 1968, p.7) para que, entre outros, se possa levantar as raízes da Poesia Experimental Portuguesa e da Poesia Concreta no Brasil. Esse assunto, observa Melo e Castro, já havia sido discutido com Haroldo de Campos em São Paulo. E foi esse tipo de levantamento que fez Affonso Ávila em Minas, permitindo que se possa determinar a influência e as nuances do barroco português no Brasil, chegando hoje a ser “a festa barroca a base da sensibilidade estética e social do brasileiro” (p. 7). Além do mais, a obra de Affonso Ávila estende-se até aos dias atuais, quando procura identificar a herança e as influências barrocas na poesia de vanguarda de Minas.

Já no texto “Lúcido lúdico”, Melo e Castro (1972, p.6-7) procura, a partir da idéia de jogo, de carnaval, de lúdico, questionar dogmas em relação ao ato de brincar, visto como transgressor, portanto, impulsionador da vanguarda e já presente na arte barroca. Cita o artigo “O elemento lúdico nas formas de expressão do Barroco”, de Afonso Ávila, publicado na revista Barroco, número 2, em que o autor propõe o lúdico como

categoria crítica e acredita que esse poderá ser um “conceito operacional-chave para a reavaliação da atividade criativa atual” (1972, p.7).

Pode-se ver que para Melo e Castro, o Brasil está teoricamente à frente em se tratando da poesia de vanguarda. Além disso, os ensaios deixam perceber que as relações tanto com os paulistas como com os mineiros eram estreitas nesse período. O poeta português estava a par da movimentação editorial no país e lia o que se referia à vanguarda poética, tomando inclusive como modelo os livros aqui publicados.