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Alguns estudos de intervenção têm sido desenvolvidos no domínio dos eus possíveis. Entre estes destacam-se os estudos de Hock et al. (2003, 2006) pela construção e aplicação de um programa de intervenção para pré-adolescentes e adolescentes, designado por Programa dos Eus Possíveis (Possible Selves Program). Este programa tem sido particularmente aplicado na área da educação (com o objetivo de aumentar a motivação de pré-adolescentes e adolescentes para a aprendizagem), não obstante, tem o potencial de ser aplicado também em outras áreas, inclusivamente na área da saúde. O programa é constituído por seis fases distintas. Na primeira fase do programa, designada por Discovering, os jovens são conduzidos a refletir sobre “Quais

são as minhas competências e interesses?” e estimulados a identificar áreas pessoais de interesse,

capacidade e competência. Por sua vez, a segunda fase do programa, designada por Thinking, procura conduzir os jovens à reflexão sobre “Quem sou eu?”. Os jovens são solicitados a

social, etc.) e a refletir sobre os seus desejos, expectativas e medos para o futuro em cada uma daquelas áreas. A terceira fase do programa, Sketching, tem como objetivo conduzir os jovens à reflexão sobre “Como sou eu?”, sendo introduzida a árvore dos eus possíveis (possible selves tree) (Borkowski et al., 1992; Day, Borkowski, Dietmeyer, Howsepian, & Saenz, 1994). Esta árvore apresenta troncos onde os jovens identificam as diversas áreas da sua vida (e.g., eu como estudante, pessoa, etc.) e ramos ou folhas onde os jovens são solicitados a escrever os seus eus possíveis, nomeadamente, os seus eus desejados e esperados em cada uma daquelas áreas. Os eus possíveis receados surgem representados como condições ameaçadoras para a árvore (e.g., térmitas, pesticidas, etc.). Na quarta fase do programa, designada por Reflecting, os jovens são conduzidos a refletir sobre “Quem posso vir a ser?” e a estabelecer objetivos para o seu futuro que lhes permitam fortalecer as suas árvores, assim como mantê-las protegidas das condições receadas. A quinta fase do programa, designada por Planning, conduz os jovens à reflexão sobre “Como posso chegar lá?”, sendo estes estimulados a desenvolver planos específicos sobre como podem atingir os seus eus possíveis e os objetivos estabelecidos. De acordo com Hock et al. (2003, 2006), um plano deve incluir um desejo específico, um objetivo a curto prazo relacionado com aquele desejo, as ações concretas a realizar para alcançar o objetivo e um prazo para a realização das ações. A sexta e última fase do programa, designada por Performing, conduz os jovens a refletir sobre “Como estou a ir?”, incentivando-os a executar os seus planos de ação e a monitorizar o seu comportamento. Como resultado, os objetivos são alcançados (ou reformulados, se necessário), os eus possíveis (desejados, esperados e receados) são novamente avaliados e novos objetivos são estabelecidos. Hock et al. (2003, 2006) defendem que a motivação para empreender tempo e esforço no alcance de determinado eu possível pode aumentar se os adolescentes associarem a este, o alcance de outros eus possíveis importantes para si.

Os estudos desenvolvidos com o Programa dos Eus Possíveis têm fornecido apoio empírico à aplicação do programa com pré-adolescentes e adolescentes (Hock, Schumaker & Deshler, 2002; Hock et al., 2003, 2006). Estes estudos mostram que os adolescentes que participam no programa tendem a estabelecer mais objetivos a curto e a longo prazo, e os seus objetivos são também mais concretos e específicos, comparativamente com os dos adolescentes que não participam no programa.

Outros estudos têm demonstrado que os eus possíveis promovem o aumento da motivação dos adolescentes para empreender tempo e esforço no alcance dos seus objetivos, e conduzem a um aumento das expectativas de autoeficácia dos adolescentes no que concerne ao alcance dos seus diferentes objetivos (e.g., escolares/académicos, pessoais, familiares, sociais, etc.) (Day et al., 1994; Hock, Deshler & Schumaker, 2002). Os mesmos estudos mostram ainda que o alcance de determinados eus possíveis (e.g., escolares/académicos) torna-se um meio de alcançar outros eus desejados ou evitar eus receados (e.g., profissionais).

Em suma, os estudos sugerem que os eus possíveis podem desempenhar um papel importante na autorregulação e que a sua integração no estudo da autorregulação poderá beneficiar o avanço da investigação neste campo. Procurando fornecer um contributo para a investigação e a intervenção futuras, segue-se a apresentação da investigação empírica realizada, que se espera que possa trazer um incentivo para o desenvolvimento da investigação no domínio da autorregulação com a integração dos eus possíveis, assim como um contributo para o desenvolvimento futuro de intervenções mais eficazes na promoção da saúde e na prevenção da obesidade em adolescentes.

CAPÍTULO II – INVESTIGAÇÃO EMPÍRICA

INVESTIGAÇÃO I

O

PÇÕES METODOLÓGICAS E DESENHO DA INVESTIGAÇÃO

Tendo em conta os objetivos desta investigação optou-se por uma metodologia de análise quantitativa, com recurso à análise fatorial, técnica estatística utilizada quando se pretende identificar um conjunto reduzido de variáveis latentes (fatores) que explicam a estrutura correlacional observada entre um conjunto de variáveis manifestas (itens) (ver Maroco, 2010). O desenho da presente investigação englobou dois estudos. Num primeiro estudo procurou-se construir um instrumento que permitisse explorar os fatores que influenciam as escolhas alimentares de adolescentes (12-19 anos), tendo sido os dados analisados com recurso à análise fatorial exploratória. Por sua vez, no segundo estudo pretendeu-se proceder à validação fatorial do instrumento e à confirmação dos resultados obtidos no primeiro estudo, tendo sido os dados analisados com recurso à análise fatorial confirmatória (ver Maroco, 2010).

No primeiro estudo procurou-se ainda explorar obstáculos e aspetos facilitadores das escolhas alimentares saudáveis dos adolescentes, tendo sido os dados analisados com recurso a uma metodologia de análise estatística descritiva.

Em ambos os estudos procedeu-se à análise de diferenças significativas nos resultados de acordo com o género e a idade dos participantes.

De seguida apresentam-se os dois estudos que fizeram parte desta investigação com a descrição da amostra, procedimento e resultados obtidos em cada estudo, sendo depois apresentada a discussão integrada dos resultados dos dois estudos.

ESTUDO 1

1 M

ETODOLOGIA

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