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Rangering og prosessen videre

In document KS1 DEN NATIONALE SCENE (sider 69-73)

6 Alternativanalysen

6.10 Rangering og prosessen videre

Na terceira oficina, propusemos primeiramente que as crianças falassem sobre o que pode e não pode na escola; o que acham legal e o que não acham legal. Quando perguntamos sobre o que podiam fazer naquele espaço, Eva e José logo responderam: “obedecer e ficar quietinho!”. Isabela disse que pode fazer ginástica rítmica e dar cambalhotas, reafirmando o que disse nas oficinas anteriores. Sabrina, neste momento, mesmo com dificuldade de falar, demonstrou com o corpo o que podia na escola: deitar no chão. Além disso, Afonso falou que podia brincar.

Ao perguntar sobre o que não pode ser feito na escola, José e Bárbara responderam: “bagunçar” e Eva completou, dizendo: “não pode bagunçar, porque a tia fica brava”. Percebemos que, nessa situação, algumas crianças demonstraram, por meio de suas falas e gestos, certo medo dessa atitude da professora.

Depois, perguntamos o que as crianças achavam legal fazer na escola. Bárbara respondeu: “brincar de massinha”. Afonso disse que com uma massinha pode até fazer uma cobra grandona e José falou que é legal caçar estrelas. No início da oficina, eles acharam uma estrelinha dourada no chão e se encantaram com ela, retomando esse assunto em alguns momentos. Alex ainda completou dizendo que é legal brincar na escola.

Propusemos também que as crianças falassem sobre o que não era legal fazer na escola. Eva respondeu: “obedecer!”. Isabela completou dizendo que “a professora briga”. Notamos que o obedecer foi citado tanto em relação àquilo que pode fazer na escola quanto àquilo que não é legal. O bagunçar, por sua vez, foi citado, predominantemente, sobre aquilo que não pode fazer na escola. Acerca daquilo que as crianças acham legal, a resposta unânime foi: brincar.

Percebemos, a partir dessas falas, que ainda está atrelada ao espaço da escola uma noção de obediência da criança ao adulto. Como apresentamos no segundo capítulo, a obediência e o poder se relacionam à ideia de autoridade, sendo que, é necessário exigir certa obediência no âmbito educacional, no entanto, é fundamental que haja o respeito nas relações e que as crianças tenham espaços para se manifestar, reconhecendo os adultos como figuras de autoridade e não de autoritarismo. Desse modo, os

educadores, na sua relação com as crianças, poderiam exercer sua autoridade, conquistando o respeito e a confiança delas (Cerezer & Outeiral, 2011).

Nessa oficina, colocamos uma folha de papel pardo na frente da sala, caracterizando um mural (Anexo E) para as crianças pregarem seus desenhos. De um lado, era destinado àqueles sobre o que era legal na escola e o que eles mais gostavam, com uma expressão feliz . Do outro, o que não era legal e o que eles menos gostavam, com uma demonstração triste .

Os desenhos sobre o que eles achavam legal na escola foram relatados por cada criança. Eva contou que estava desenhando um bolo da sua festa, com um céu nublado, um elefante e um caminhão rosa. Bárbara disse que desenhava a cabeça da ovelha e, Isabela, as nuvens e um monstro. José contou que o que ele mais gosta é de boneco. Cada um, na medida em que terminava, colava seu desenho no mural. Percebemos, por meio de falas e gestos das crianças, que elas gostaram de expor seus desenhos e se reconhecer neles.

Propusemos também que elas desenhassem aquilo que não achavam legal na escola. Eva disse: “vou desenhar uma bola”, então, perguntamos: “bola é o que você não gosta na escola?”, ela respondeu: “não, bola eu gosto nessa escola”. Essa resposta aparentemente sem sentido nos evidenciou que as crianças, naquele momento, estavam tendo prazer em desenhar livremente, sem diferenciar o comando do que foi pedido.

Isabela contou que fez um bezerro e também perguntamos: “bezerro é o que você não gosta na escola?” e ela respondeu que sim. Continuamos, dizendo: “mas nem tem bezerro na escola...”, ela respondeu: “mas eu gosto é na fazenda!”. Dessa forma, questionamos: “você não gosta porque não tem bezerro na escola, só na fazenda?”. Isabela sorriu e continuou fazendo seu desenho.

Além disso, José contou que fez um pinguim de Madagascar, e Alex, um super-herói. Isabela disse que havia desenhado uma bruxa gorda e Alex contou que gosta de desenhar animais e que não gosta de neném chorando na escola. Afonso contou que não gosta de garrafa tampada na escola, por isso fez este desenho. Essas crianças também foram colocando seus desenhos no mural. Naquele momento, percebemos que elas diziam, por meio de suas atitudes, que achavam legal desenhar na escola.

Notamos que as crianças gostaram de desenhar e expor os seus desenhos, pois, esses permitiam que elas imaginassem, criassem e manifestassem seus gostos e suas ideias. Ressaltamos, dessa forma, a importância de se valorizar os desenhos livres das crianças na escola como possibilidade da manifestação dos seus gostos.

Por fim, propusemos que as crianças fizessem, por meio do corpo, aquilo que gostavam na escola. Formamos uma fila e cada uma teve a sua vez. Eva e José escolherem dar piruetas e cambalhotas. Afonso preferiu se esconder para brincar de esconde-esconde. Nesse momento, fechamos os olhos e contamos até dez, para depois, procurá-lo. As crianças o viram e correram, gritando que tinham o achado. Depois disso,

as demais também escolheram brincar de esconde-esconde. Elas se esconderam no mesmo lugar e se divertiram muito, dando risadas e gritos.

Ressaltamos a necessidade de proporcionar espaços para manifestações também das expressões corporais das crianças, por meio de suas brincadeiras e movimentos. Reconhecemos que esse é um desafio aos educadores, uma vez que, é preciso estar aberto e disponível para tais movimentações, que são, inicialmente, as principais formas de comunicação e de expressão das crianças.

Esses espaços de brincadeiras e de movimentos na escola podem criar um momento de descontração não só para as crianças, mas também para os educadores, que podem conhecer melhor seus alunos e estar atento a eles de outra maneira, além daquela estabelecida em sala de aula (Pedroza, 2012a). Adiante, apresentaremos as concepções de crianças sobre violência, em uma turma do primeiro período da educação infantil, que consiste no objetivo geral da nossa pesquisa.

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