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Random Walk based Approaches

2.3 Graph Embedding Methods

2.3.2 Random Walk based Approaches

53 Anexo II.

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longo do vídeo foram automaticamente reconhecidos pela maior parte da turma, que, após a elaboração da sugestão de trabalho, procedeu à leitura dos textos elaborados.

Foi evidente, nos trabalhos realizados pelos alunos, a presença de um tipo de linguagem de dimensão persuasiva, característica comum aos textos quer de domínio publicitário, quer de domínio argumentativo. Tendo em conta os textos que produziram, os discentes foram perfeitamente capazes de compreender que a linguagem argumentativa no discurso publicitário é extremamente importante, porque procura precisamente despertar sentidos, criando estímulos dirigidos às emoções do público-alvo.

A meu ver, esta atividade foi bastante produtiva, pois complementou o estudo da mensagem publicitária articulando-o com o estudo do texto argumentativo. O objetivo primordial desta atividade era precisamente que os discentes compreendessem a ligação que existia entre as imagens que visionaram e os textos que posteriormente produziram, reconhecendo sobretudo que o texto da mensagem publicitária se relaciona, automaticamente, com o texto fílmico ou icónico que, por sua vez, complementam ou provocam a leitura do texto escrito.

A primeira aula sujeita a avaliação, na turma do 11º ano, inseriu-se na terceira unidade didática do manual, dedicada essencialmente ao estudo da obra Sermão de Santo

António aos Peixes, do Padre António Vieira.

Tendo em conta que a maior parte dos discentes não tinha demonstrado, até ao momento, qualquer tipo de entusiasmo ou interesse pela leitura da obra, procurei recorrer a materiais que, de certa forma, aproximassem o Sermão de Santo António da realidade dos alunos.

Assim, o primeiro momento da aula consistiu no visionamento do trailer do filme A

Missão (1986), de Roland Joffé 55, que despertou desde logo a atenção e a curiosidade da turma. Tendo como ponto de partida uma das imagens do excerto visionado, na qual um grupo de índios atira para o rio o corpo de um padre amarrado numa cruz, foi discutido oralmente o assunto principal do filme: a tentativa dos missionários portugueses de converterem os índios ao cristianismo. Apesar de a intenção dos missionários jesuítas da Igreja Católica ser a de defender os indígenas da colonização, a verdade é que, devido ao

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processo de evangelização, o povo indígena viu-se forçado a abandonar muitas das suas crenças e tradições. Com o objetivo de suscitar a curiosidade dos alunos pelo filme, tendo em conta, obviamente, as suas semelhanças com o contexto histórico retratado no Sermão

de Santo António, foram discutidos alguns dos aspetos mais importantes que o realizador de A Missão procurou abordar, nomeadamente a discriminação de que os índios eram alvo por

parte dos colonizadores, a escravidão que lhes foi imposta e o importantíssimo papel dos Jesuítas na proteção dos índios e das suas terras.

Tendo em consideração que a personagem principal do filme é um missionário jesuíta que entra em contacto com uma tribo de índios Guarani, os alunos relacionaram de imediato o excerto visionado com alguns dos aspetos já estudados relativamente à vida e à obra do Padre António Vieira, reconhecendo-o como um homem de grande energia e coragem, que, sempre convicto das suas razões, lutou até ao final da sua vida para concretizar os projetos que idealizara.

Após esta breve reflexão, os alunos visionaram um excerto do filme Palavra e

Utopia (2002), de Manoel de Oliveira56, no qual a personagem que interpreta o papel do Padre António Vieira jura dedicar a sua vida “ao serviço dos Índios e dos Negros”.

Numa tentativa de sistematizar conhecimentos já adquiridos pelos alunos, julgo que a escolha deste filme resultou positivamente, pois esta representação cinematográfica é uma demonstração evidente da vocação missionária do Padre António Vieira, que começou a sua doutrinação junto dos indígenas. O excerto visionado permitiu ainda que os alunos compreendessem que, para levar avante as suas ideias, António Vieira aprendeu o tupi-

guarani, essencial para a comunicação com o povo indígena.

Durante a análise do segundo capítulo da obra (objetivo primordial desta aula), os alunos mostraram-se recetivos às explicações que foram dadas e participaram ativamente na aula, compreendendo que o Padre António Vieira pregava sobretudo a igualdade de todos os homens, lutando para que os colonos respeitassem o povo indígena e, principalmente, que o texto é, na sua totalidade, uma alegoria amplamente demonstrativa do poder imaginativo e satírico do pregador.

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Disponível na Web: http://www.youtube.com/watch?v=bGBJT5a_6QI&feature=plcp, acedido a 08-08- 2013.

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Em suma, considero que a escolha dos materiais apresentados resultou de um modo positivo, pois, para além de ter sido uma forma de envolver os alunos mais afetivamente na matéria que estavam a aprender, contribuiu para um conhecimento mais aprofundado do contexto histórico em que o Sermão de Santo António foi escrito. A meu ver, este aspeto é fundamental para uma melhor compreensão do texto por parte dos alunos, pois António Vieira constrói este sermão atacando e condenando a ação do branco ambicioso e cruel, completamente contrária à sua política missionária.

No decorrer da mesma aula, depois de ter sido analisado o segundo capítulo da obra, foi proposto aos alunos um exercício de expressão escrita, após a audição da música «Negócios Estrangeiros», pertencente ao reportório da banda portuguesa Da Weasel e cuja letra foi escrita por José Luís Peixoto.57 Os estudantes revelaram desde logo bastante entusiasmo, pois, na sua maioria, já conheciam a música e tanto a banda como o escritor faziam parte das preferências musicais e literárias da maior parte da turma.

Ao ser discutido o teor da mensagem presente na canção, os alunos facilmente compreenderam que a letra é uma crítica evidente à indiferença de uma classe superior (neste caso, o sujeito poético dirige-se diretamente a um “presidente”) perante uma minoria: os emigrantes que vivem na zona do Intendente, em Lisboa (cf. “Seja por dez

minutos, um imigrante ilegal / Como se chegasse do Brasil ou do Paquistão, vá ao Intendente e invente uma solução […] A sua presença pode ajudar a salvar vidas vindas da Ucrânia, da Roménia, Cabo Verde, Moçambique e Angola / Porque o mundo, senhor presidente, não é mais do que uma bola, talvez colorida, talvez entre as mãos de uma criança”).

Foi muito gratificante ouvir os comentários de alguns alunos que participaram ativamente nesse momento da aula, associando de imediato a mensagem principal da canção ao conteúdo que perpassa a obra de António Vieira: também no sermão, o pregador critica a superioridade e a exploração de uma maioria (os colonos) perante uma minoria (o povo indígena).

Assim, tendo em consideração que os discentes, como alunos do 11º ano de escolaridade, devem ser preparados para o exame de Português do 12º ano (que exige que

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os estudantes conheçam a realidade social do mundo onde vivem de forma a construírem um texto argumentativo no Grupo III), foi-lhes sugerido que realizassem, como trabalho de casa, um exercício de expressão escrita.58

No exercício proposto, foram apresentados aos alunos exemplos de diferentes minorias do mundo atual: as mulheres muçulmanas e a posição de inferioridade que ocupam no meio cultural e social onde vivem; os ciganos, como etnia vítima de agressões raciais, assim como de uma discriminação sistemática no acesso à educação, à saúde, ao emprego e à habitação em muitos estados-membros da União Europeia; os homossexuais, como alvo de preconceito social e discriminação; os idosos que, negligenciados familiar ou institucionalmente, são cada vez mais abandonados em hospitais; os estudantes que perderam as suas bolsas de estudo e que, por isso, foram obrigados a abandonar o ensino superior; os emigrantes que, ao sentirem dificuldades no processo de aprendizagem da língua do país de acolhimento, se encontram numa situação vulnerável.

Para realizarem o exercício de expressão escrita, os alunos tiveram de escolher uma dessas minorias da realidade atual e, imaginando-se a si mesmos como “um novo António Vieira”, deveriam redigir um texto de domínio argumentativo, no qual apresentassem os argumentos que os motivavam a defender a minoria escolhida.

Apesar de o racismo, a homossexualidade, o abandono de idosos e a situação vulnerável das mulheres muçulmanas terem sido, na sua maioria, os temas que os alunos procuraram abordar nos textos produzidos, alguns discentes, demonstrando claramente autonomia e criatividade, escolheram minorias da sociedade que não lhes tinham sido sugeridas no exercício de escrita proposto.

Atentando em alguns trabalhos mais reveladores, começo por salientar o texto da aluna Inês Pereira, que optou por falar diretamente da desigualdade social que ainda se vive no Brasil:

As populações urbanas brasileiras enfrentam também graves problemas com as suas habitações, muitas delas crescendo nas favelas e assistindo-se, além disso, a um enorme contraste social, quando vemos grandes prédios luxuosos perto de favelas com pouquíssimas

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condições. […] Com esta profunda desigualdade social existente no povo brasileiro, a criminalidade e os problemas de segurança pública têm vindo cada vez mais a aumentar. 59

A aluna foi perfeitamente capaz de defender a sua opinião, sustentando-a com um conjunto de argumentos plausíveis, que demonstravam, precisamente, o nível alarmante de desigualdade social em que se encontra atualmente o povo brasileiro.

O aluno João Neto, por sua vez, embora não tenha respeitado na íntegra a estrutura do texto argumentativo, produziu um trabalho extremamente criativo, no qual apresentou os ex-prisioneiros como vítimas de discriminação social. Tal como o Padre António Vieira, que compara os homens aos peixes, o aluno compara um ex-prisioneiro a uma borboleta, no sentido em que “o casulo é a sua prisão, mas, apesar disso, tenta sempre singrar num mundo novo.”60

A aluna Ana Isabel Gonçalves, no seu texto sobre “os estudantes que perderam as suas bolsas de estudo”, concluiu:

Se ainda no século XXI existem problemas e injustiças sociais causadas pelo Homem, após personalidades como o Padre António Vieira tentarem melhorá-lo, é porque esta é a sua verdadeira natureza e, como tal, irá sempre corromper tudo à sua volta.61

Julgo que o objetivo principal desta atividade foi cumprido e foi com grande satisfação que li e corrigi, com a ajuda da minha orientadora de estágio e professora titular da disciplina, os textos produzidos pelos alunos do 11ºL.

Em suma, os discentes foram capazes de estabelecer uma ligação entre os conhecimentos adquiridos ao longo da aula, através dos materiais selecionados, e os textos que posteriormente produziram, compreendendo que, quatro séculos após a ação doutrinária e denunciadora de injustiças do Padre António Vieira, que se viu obrigado a condenar o comportamento dos colonos portugueses no Brasil, situações semelhantes ainda permanecem no mundo atual.

59 Anexo IV. 60

Anexo V.

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As aulas número dois e três, lecionadas na turma do 11º ano, inseriram-se na quarta unidade didática do Manual: “(M)eu drama”. Tal como é sugerido pela expressão que a intitula, esta unidade didática realça a importância do estudo do texto dramático, nomeadamente da obra Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett.

Na primeira aula, os discentes visualizaram um excerto do filme Quem és tu? (2001), de João Botelho62, correspondente à cena VII do Ato Primeiro.

Durante a visualização do excerto do filme anteriormente mencionado, a turma permaneceu em silêncio. Depois, alguns estudantes participaram ativamente na aula, comentando os aspetos mais importantes da cena VII. Assim, apesar de já ter sido sugerida aos alunos uma leitura global da obra, os alunos afirmaram ter compreendido melhor o texto escrito após a visualização do texto fílmico.

O terceiro momento da aula consistiu na leitura da cena VII por parte de alguns alunos e foi possível observar um envolvimento muito mais emotivo dos estudantes com a obra, no sentido em que respeitaram de uma forma mais fiel as interjeições e os sinais de pontuação presentes ao longo do texto.

Assim, podemos concluir que o texto fílmico ajudou os discentes a compreenderem a verdadeira utilização, no texto escrito, das inúmeras interrogações retóricas, do uso das reticências, das interjeições e da frase exclamativa.

No quarto momento da aula, optei por utilizar um registo áudio da cena VIII, sendo que, por sua vez, os alunos acompanharam a audição através do texto do manual. Deste modo, os discentes tiveram a oportunidade de fazer a correspondência entre o oral e o escrito, contactando com um exemplo de leitura expressiva. Essa audição foi apoiada através de comentários que atentaram em alguns pormenores, para tornar mais consistente o trabalho de compreensão dos estudantes.

De forma a sistematizar os conhecimentos adquiridos pelos alunos nas cenas VII e VIII do Ato Primeiro da obra, optei pela distribuição de um questionário pedagógico escrito63, a ser realizado pelos discentes em grupos de pares, cujas respostas foram, num momento posterior da aula, discutidas oralmente.

62 Disponível na Web: https://www.youtube.com/watch?v=w24POvfUMO0, acedido a 08-08-2013. 63 Anexo VII.

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Tendo em conta que o programa da disciplina “contempla não só a leitura de textos escritos, mas também de imagens”64

, considerei pertinente incluir na ficha de trabalho um exercício de leitura de imagem a partir do quadro O Agoiro, de Mark Rothko, com o objetivo de os alunos o relacionarem com as cenas que tinham acabado de analisar.

Alguns discentes começaram por reparar no título do quadro, pois, dado o momento do estudo da obra em que se encontravam, já estavam familiarizados com a expressão, reconhecendo-a como “um presságio”, “um indício de que algo está prestes a acontecer” e associando-a, sobretudo, à personagem de D. Madalena.

Inicialmente, os alunos mostraram-se um pouco reticentes em expressarem as suas opiniões relativamente ao exercício de leitura de imagem proposto. Todavia, incentivados por comentários mais perspicazes por parte de alguns colegas, os discentes, de uma forma geral, acabaram por participar ativamente nesta atividade e foram capazes de relacionar o quadro com as cenas estudadas na aula.

Assim, de acordo com aquilo que era pretendido, os estudantes associaram a figura que surge no lado direito do quadro de Mark Rothko a “um fantasma”, cujo rosto demonstrava “um ar ameaçador”. Na sequência desta ordem de ideias, alguns elementos da turma referiram que aquela figura poderia ser comparada a D. João de Portugal, tendo em conta que também ele “assombrava” D. Madalena, permanentemente transtornada e aterrorizada com a hipótese de um regresso do seu ex-marido.

Constatando que a figura que surge no lado esquerdo do quadro está inclinada para trás, alguns alunos interpretaram essa posição de inferioridade perante “o fantasma presente no lado direito” como medo daquilo que aquela imagem poderia transmitir. Foi desta forma que os elementos mais participativos da turma associaram o retrato do lado esquerdo a D. Madalena, no sentido em que o terror, os agoiros e, de certa forma, o recuo ao passado são aspetos que estão sempre presentes na mente da personagem nas cenas de Frei Luís de

Sousa estudadas até ao momento.

64 SEIXAS, João et al, Programa de Português 10º, 11º e 12º anos, Curso Científicos- Humanísticos e Cursos

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De seguida, os alunos visualizaram os excertos do filme Frei Luís de Sousa, de António Lopes Ribeiro65, correspondentes às cenas IX, X, XI e XII do Ato Primeiro da obra.

Após a visualização dos excertos mencionados, distribui pelos alunos uma ficha de trabalho,66cujo objetivo consistia não só na comparação das duas representações cinematográficas visionadas, como também, e sobretudo, na sua articulação com o texto que tinha sido, entretanto, lido em voz alta e interpretado pela turma.

Os discentes começaram por observar as capas de ambos os filmes e procuraram descrevê-las de uma forma objetiva. Facilmente concluíram que a capa da primeira versão cinematográfica da obra contém uma imagem representativa de Maria e Manuel de Sousa Coutinho e destaca, sobretudo, o nome da obra, o realizador e o produtor. Por sua vez, na capa alusiva à adaptação de João Botelho sobressai o título do filme e as personagens Romeiro e Maria.

Alguns alunos atentaram ainda no modo como as personagens são apresentadas segundo perspetivas diferentes nas capas dos dois realizadores. Se na versão de António Lopes Ribeiro, Maria surge ao lado de Manuel de Sousa Coutinho, abraçando-o e sorrindo ao seu lado, por sua vez, na adaptação de João Botelho, o rosto da personagem revela um ar sério e perturbado, relembrando-nos, por um lado, a sua condição frágil e vulnerável e remetendo, por outro, para a figura do Romeiro presente também na imagem.

Refletindo sobre os excertos visionados de cada uma das adaptações cinematográficas de Frei Luís de Sousa e articulando-os com a leitura das cenas em análise, os discentes participaram ativamente na aula e compreenderam a importância das cenas IX a XII no desenvolvimento da ação da peça.

Além do mais, a visualização dos excertos selecionados e a comparação entre as duas representações cinematográficas permitiu que os alunos tomassem conhecimento de duas leituras distintas de Frei Luís de Sousa, compreendendo, sobretudo, que no filme de João Botelho é evidente a evolução de padrões estéticos e a atualização da própria obra, não sendo, todavia, desvalorizado o texto original.

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Disponível na Web: https://www.youtube.com/watch?v=shhdZUVsfK8, acedido a 09-08-2013.

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Como trabalho a ser realizado em casa, foi sugerido aos alunos um exercício de expressão escrita67 que surgiu, precisamente, como uma tentativa de estimular a criatividade dos discentes, suscitando, ao mesmo tempo, uma situação de maior conforto no que diz respeito à interpretação e à compreensão da obra literária.

Assim, após uma breve referência às características dos textos autobiográficos (conteúdo lecionado na disciplina de Português no 10º ano de escolaridade), a atividade proposta consistia na elaboração de uma página de diário de uma de três personagens da obra: Maria, Telmo Pais e D. Madalena.

Curiosamente, tendo em consideração que Maria, na cena VII do Ato Primeiro, menciona que “também tem papéis”68

, deixando em aberto a possibilidade de dedicar algum do seu tempo à escrita, nenhum aluno optou por redigir uma página de diário desta personagem. Na verdade, ainda que alguns elementos da turma tivessem optado pela criação de uma página de diário de Telmo Pais, a maior parte dos discentes preferiu transpor para o papel os sentimentos e as emoções de D. Madalena.

Gostaria de começar por realçar o texto do aluno Noé Oliveira, que redigiu aquela que poderia ser uma página de diário de Telmo Pais.69 O aluno demonstrou claramente que compreendeu a posição do fiel escudeiro da família, ao referir-se a D. João de Portugal como “querido e honrado” ou “el grandioso”. De notar ainda que D. Sebastião é mencionado no texto do aluno como “el rey D. Sebastião”.

A aluna Ana Isabel Gonçalves, que também optou por redigir uma possível página de diário de Telmo Pais, recorreu frequentemente ao uso de interjeições ao longo de todo o seu texto, no qual se evidencia a presença de uma linguagem emotiva, típica da personagem:

Oh, meu Deus! O que farei com esta incerteza que é como um veneno que me corrói as veias e põe o meu coração a sangrar? Ai, o meu D. João que era como um sol na minha vida, se voltar tornar-se-á uma nuvem que assombrará a nova vida de D. Madalena e desonrará, de igual modo, Maria. O que será desta pobre criança? 70

67 Anexo IX.

68 GARRETT, Almeida (1984), Frei Luís de Sousa, Lisboa, Ulisseia, [1843], p.65. 69

Anexo X.

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O dramatismo, a pontuação emotiva e o uso frequente de interjeições surgiram igualmente, e sobretudo, nas páginas de diário de D. Madalena. Através dos seus diferentes tipos de escrita, os alunos demonstraram ser capazes de incorporar verdadeiramente a personagem, deixando transparecer para o papel todos os medos, anseios e angústias de D. Madalena e revelando, claramente, uma perfeita compreensão do papel da personagem ao