3. Statsbudsjettet 2017
3.2 Gjennomgang av forslaget til statsbudsjett for 2017 etter den vedtatte inndelingen
3.2.12 Rammeområde 12 (Olje og energi), under energi- og miljøkomiteen
Originalmente, o conceito de “Digital Storytelling” nasceu na primeira metade da década de noventa do século passado com Dana Atchley, Joseph Lambert e seus colaboradores como um workshop orientado para ensinar pessoas comuns, dos mais diversos grupos etários, na produção de histórias pessoais em vídeo, tarefa que seria posteriormente facilitada com o crescente acesso à tecnologia do computador (Hartley & McWilliam, 2009). A sua génese é a de um movimento fundamentado numa cultura de raiz popular e pendor etnográfico, mais democrática, inspirada pelo ativismo dos anos sessenta do século XX que procurava dar voz aos que não tinham acesso aos tradicionais meios de comunicação de massas, como a televisão e o cinema (Lambert, 2002).
Associado à utilização e divulgação dos princípios do DS, um outro nome emerge, o de Daniel Meadows que adaptou o modelo original, de inspiração californiana, do qual resultou a série “BBC Capture Wales”, projeto desenvolvido em parceria entre a BBC9 do País de Gales e a
Universidade de Cardiff, e se prolongou entre 2001 e 2008, caracterizando-se mais como prática cultural e menos como prática de produção mediática (Hartley, 2008; Meadows, 2008; Hartley & McWilliam, 2009; Meadows & Kidd, 2009).
A continuidade e a divulgação do conceito e dos princípios originais do DS são hoje asseguradas pelo “Center of Digital Storytelling” (CDS)10, instituição sediada na Califórnia e cujo
Diretor Executivo é Joseph Lambert.
Este modelo inicial, centrado na produção de uma história (story) de natureza eminentemente pessoal, e na sua narração (telling) (Hartley & McWilliam, 2009, p. 3), permanece como matriz dominante perante quaisquer outras conceções e tendências que têm emergido, independentemente das modificações induzidas por distintos contextos geográficos, culturais, sociais, institucionais e tecnológicos e que podemos inferir da descrição de Burgess (2006):
“Digital storytelling is a workshop-based process by which ‘ordinary people’ create their own short autobiographical films that can be streamed on the web or broadcast
9British Broadcasting Corporation
10Disponível no endereço: http://www.storycenter.org/
on television. This form of Digital Storytelling can be understood not only as a media form, but as a field of cultural practice: a dynamic site of relations between textual arrangements and symbolic conventions, technologies for production and conventions for their use; and collaborative social interaction (ie the workshops) that
takes place in local and specific contexts.” (p. 207).
O caráter plural do DS é uma realidade que também Lowenthal (2009) destaca, identificando os estudos desenvolvidos no domínio da filmografia, da produção videográfica e das histórias contadas online, defendendo o autor que quando os tipos de narrativas se distanciam do modelo definido pelo CDS, as histórias tornam-se mais fracas, princípio relevante quando se colocam em confronto algumas das aplicações do DS em contexto educativo, expressão em desacordo com Robin (2006; 2008a; 2008b) para o qual as narrativas digitais podem apresentar-se sob múltiplas formas, as quais se afastam, de algum modo, da natureza de uma história.
Inicialmente, o DS foi também considerado como uma prática instrumental para contar não apenas as histórias pessoais, mas também as tradições de uma comunidade, as suas fábulas e mitos bem como outras expressões culturais, até então muito baseadas na transmissão oral, recorrendo às tecnologias inicialmente centradas no vídeo e que, gradualmente, foram substituídas pela produção, em parte ou no todo, em suporte digital no qual os computadores se transformaram na ferramenta essencial para a elaboração de uma versão digital que se concebe ampliada e reforçada pela tecnologia e pelas plataformas de distribuição que hoje dispomos através da Internet (Leopold, 2010). Porém, a evolução do DS foi abrangendo outros domínios, nomeadamente da produção mediática, surgindo artefactos multimédia realizados com variável grau de sofisticação tecnológica.
Apesar de esta prática ser eminentemente pessoal, não podemos esquecer que o processo de construção e a sua divulgação final lhe conferem, definitivamente, um caráter social (Erstad & Wertsch, 2008).
De uma forma mais simples, a distinção entre o contar histórias na forma tradicional e a sua forma digital resulta de a primeira usar processos de divulgação analógicos como a transmissão oral envolvendo um narrador ou atores, a forma escrita e, num momento mais próximo, o registo em fita magnética, enquanto a forma digital se baseia no uso do computador (C. Miller, 2008), com a vantagem que a tecnologia possui “(…) to amplify the writer’s voice in a well written story. In particular, digital storytelling can be used to engage struggling readers and
writers who have not yet experienced the power of personal expression.” (Bull & Kajder, 2004, p. 47).
Identificando outras conceções de DS, Robin (2008b, p. 431) enumera os seguintes exemplos: “(…) digital documentaries, computer-based narratives, digital essays, electronic memoirs, interactive storytelling.”.
Para Ohler (2008), as narrativas digitais são a versão moderna do tradicional contar de histórias, marcando de forma clara que se trata essencialmente da transposição do modelo das histórias tradicionais para a tecnologia digital pelo que defende a importância fundamental da presença do sentido de história, sendo o digital resultante da tecnologia que é utilizada na produção e disseminação da história. Constatando que a descentralização e a expansão da produção mediática de caráter pessoal nem sempre se pode enquadrar no modelo tradicional do DS, Ohler (2008) prefere falar em “new media narrative” pelo significado mais lato e abrangente de narrativa em comparação com o termo “story”, sugerindo que “(…) while every digital story qualifies as a media production, not every media production is a digital story.” (Ohler, 2008, p. 16).
A perspetiva da conceção mediática pode ser encontrada em Lundby (2008, p. 1) quando fala de uma transferência da forma tradicional para a digital, referindo-se, em particular, às histórias de caráter pessoal, contadas de uma forma artesanal e que são dominantes na Web, as quais constituem a base de inspiração nos workshops sobre DS, configurando o que denomina de “new media practice”, classificando os artefactos produzidos como “mediatized stories”, afirmando Lundby (2009),
“(…) the short personal story developed in a ‘story circle’, told in people’s own voices, with mostly still pictures, produced with standard software by nonprofessionals. This is storytelling. These stories are usually self-representations,
about the person (or the group) making the story.” (p. 176).
O primado da história sobre a tecnologia é também afirmado, perentoriamente, por Wu (2009, p. 230), “(…) stories first, the digitalization second.”, o que concentra a atenção do produtor na sua narrativa pessoal em detrimento da focalização na técnica de produção como media digital.
Considerando-se que a produção artesanal das narrativas digitais é uma característica importante (McLellan, 2006; Sadik, 2008) dado que são habitualmente construídas por pessoas
com escassa ou nula experiência na produção mediática digital, é expectável que a ingenuidade ou a limitada sofisticação de alguns dos artefactos produzidos os possa sujeitar a um olhar mais crítico, oriundo em especial dos círculos tradicionais da produção artística digital, que tendem a considerar o DS uma forma menor, em comparação com outras formas mediáticas, compreenderemos melhor que o DS se classifique de “(…) kind of ‘less expert’ media . . . [mas] . . . it is precisely the rawness of digital storytelling that can be surprisingly powerful (…).” (Simondson, 2009, p. 121).
Tendo em consideração os alunos que pela primeira vez elaboram uma narrativa digital, a ideia da simplicidade é de relevar pois permitirá justificar o foco e a importância que são atribuídos às dimensões cultural e estética como elementos chave do processo de narração digital promovidos pelo DS (Nyboe & Drotner, 2008) e ao processo criativo como elemento mobilizador de um vasto leque de competências que são detalhadas em momento posterior neste trabalho.
Contrastando com algumas das conceções anteriormente enunciadas que têm como referencial o modelo do CDS, C. Miller (2008) concede um sentido amplo ao conceito de DS, concebido como o uso de tecnologia digital para contar histórias de natureza imersiva e participatória, quer sejam de natureza ficcional ou não, as quais podem ser dirigidas para audiências distintas e utilizadas para entretenimento, fins educacionais, treino, promoção ou informação, contendo os trabalhos produzidos elementos narrativos imbuídos de um caráter lúdico, em grau variável. Esta formulação pode situar-se mais na perspetiva de histórias não lineares de tipo interativo nas quais poderíamos incluir os videojogos que contam histórias, de que Juul (2001) fala, na linha das narrativas digitais interativas.
Numa breve síntese dos diferentes conceitos, considera-se que existem quatro grandes linhas ou tendências na conceptualização do “Digital Storytelling”, conforme especificam Hartley e McWilliam (2009, p. 4): “(…) an emergent form, a new media practice, an activist/community movement and a textual system (…).”, razões suficientes para se inferir da inexistência de um conceito universal e estabilizado, facto que pode concorrer para a respetiva vitalidade e evolução suscitando a emergência de novas formas de contar histórias suportadas pelo digital, como o ‘Web 2.0 Storytelling’, que na definição de Alexander (2011, p. 28) constitui “(…) the use of digital tools for narrative purposes . . . stretching from hypertext and hypermedia to browser- based fiction, from Web-based memoirs of Usenet to autobiographical vídeos.”
Quando fala de ‘Web 2.0 Storytelling’, Alexander (2011, p. 15) especifica que se trata de “(…) digitally native stories. This means stories ‘born digital’ and published in a digital format.” conceito distinto de uma junção ou sobreposição entre o digital e o “storytelling”.