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Rammefaktorer

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5. Drøfting

5.2 Rammefaktorer

Neste sentido, como contribuição às discussões sobre visão de mundo, marxismo e lutas sociais na América Latina é bastante significativo fazermos referências ao estudo de Michael Löwy (1970) sobre a estrutura da consciência de classe operária no Brasil que fora realizada no final da década de 1950.

Diz respeito, em particular, à análise de alguns aspectos da consciência de classe em um grupo de 82 líderes sindicalistas delegados no II Congresso

35 National des Ouvries de la Métallurgie, Itanhaem – São Paulo, abril de 1959. Com a participação em torno de 5000 trabalhadores provenientes de diversos estados da Federação brasileira, como: São Paulo (a maior delegação e mais importante)22, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Santa Catarina, Paraná, Pará, Ceará, Alagoas.

Dentro da escola marxista a primeira tentativa de distinção entre os diferentes níveis de estrutura da consciência de classe veio a partir de Marx, em sua obra La Sainte Famille (1845). Estabeleceu primeiro: concepções ocasionais dos trabalhadores sobre a sua situação; e, em segundo, a consciência de classe autêntica ou a consciência da missão histórica da classe trabalhadora.

Essa distinção em Marx inspirou os termos concebidos em Lukács, em sua obra História e Consciência de Classe (1923), na qual ele diferenciou a consciência psicológica do proletariado – geralmente orientada por interesses econômicos imediatos – e a consciência de classe do proletariado, ou mais precisamente, o sentido consciente de sua situação histórica.

Entretanto, é em Lenine - Que Faire? (1902) - que apareceu uma aproximação destes conceitos de forma mais precisa:

a consciência sindical - ou a convicção de que é preciso unir os sindicatos, lutar contra o patronato, reclamar do governo inclusive leis necessárias aos trabalhadores;

a consciência social-democrata – ou a consciência de oposição irredutível entre os interesses dos trabalhadores e ordem política e social atual. Segundo Löwy (1970), dentro das Ciências Sociais contemporâneas a obra de Richard Centers23 é a mais significativa a esse respeito, pois o autor distingue dois elementos:

sentimento de pertencimento à uma classe;

certas idéias e atitudes típicas. Para mensurar esta dimensão o autor elaborou um conjunto de questões opondo radicalismo e conservadorismo, centradas em dois aspectos essenciais: as atitudes face aos conflitos de classe (greves, relação empregador e empregado) e

22 O estado de São Paulo apresentou o número mais significativo e ativo com relação aos trabalhadores metalúrgicos, dada a intensificação da indústria metalúrgica na região, pois entre 1955-1961 90% das usinas fizeram greve.

36 as ideologias sócio-políticas (individualismo e coletivismo, propriedade privada e pública, poder da classe trabalhadora).

Também Alain Touraine em sua obra La Conscience Ouvriere (1966) distingue:

a consciência proletária – ou o sentido para o trabalhador de um certo estado de relação entre o homem e seu trabalho;

a consciência de classe – ou uma forma específica da consciência proletária produzida por um conjunto particular de três princípios básicos: primeiro, da identidade ou a consciência de pertencer à um grupo, uma

classe;

segundo, da oposição ou a consciência do antagonismo entre empregadores e empregados;

terceiro, da totalidade ou o antagonismo de classe como princípio central de funcionamento da sociedade, a oposição à uma ordem estabelecida, um modelo voluntário de sociedade diferente, a consciência de uma missão histórica.

Em suma, Löwy (1970) busca aplicar tais instrumentos analíticos, conceituais, naquela realidade e naquele contexto dos trabalhadores no Brasil, colocando em evidência três níveis estruturais da consciência de classe:

de identidade; sindical;

fundada sobre uma ideologia radical (ou consciência radical ideológica).

O autor compreende o primeiro nível, da identidade, como primeiro degrau que permite em função de determinados fatores a passagem aos dois outros níveis - sindical e radical-ideológico. Seu empenho foi de analisar quais são esses fatores.

Com relação a consciência sindical, há um enorme distanciamento de seu verdadeiro sentido político no Brasil, pois para muitos trabalhadores sindicalizados o sindicato representa um “escritório” governamental que oferece gratuitamente os serviços médicos, de advocacia, etc. Na prática, o sindicato

37 não representa um organismo coletivo de luta e defesa dos interesses sócio-econômicos comuns, no sentido leninista do termo.

Por consciência radical-ideológica, Löwy designa o que Lenine chamou de consciência social democrata (ou, também, a atitude radical de Centers, ou o princípio da totalidade de Touraine). Isto é, o nível de consciência de classe dos trabalhadores.

C'est-à dire, concretement, le niveau de conscience de classe de ces ouvriers brésiliens qui, soutenant une idéologie socio-politique “radicale” (communisme, socialisme ou anarchisme), manifestent un certain degré d'opposition à l'ordre social existant. Au Brésil, le caractére précaire de cette conscience “radicale”, ses contradictions internes, ses inconsistances, ses faiblesses ne l'empêchent pas de constituer un niveau qualitativament différent de la “conscience syndicale” (qui ne met pas em cause le régime socio-économique). (Löwy, 1970, p.136)

A questão para identificar a concepção de sindicato junto aos trabalhadores foi a seguinte: “A votre avis, quel est le but essentiel du syndicat? Dos fatores que estariam contribuindo para a formação da consciência sindical estariam: condições urbanas, idade, nível de instrução, condição salarial, qualificação profissional, tempo de trabalho na empresa. Entre eles, sobressaiu a questão sobre nível salarial, sendo que os de maior salário, 89,3% dos entrevistados, concebiam o sindicato como espaço para unir e organizar. Isto é, quanto menor a remuneração, maior a apatia e a ausência das atividades de participação sindical.

O questionário também buscou identificar a relação do Estado (governo), dos trabalhadores (sindicato) e dos empresários (neste caso, as indústrias metalúrgicas). A questão estaria na posição do governo diante dos conflitos entre trabalhadores e empresas e indústrias, inclusive também da sua “imparcialidade”.

Dada a sua contextualização e o período histórico da pesquisa, Löwy ressalta que os dados refletem a política oficial do governo de Getúlio Vargas (1945) sobre os sindicatos, na qual os serviços de assistência médica e social desempenhavam um papel importante na concepção do sindicato para os entrevistados com ganhos salariais inferiores. Portanto, a idéia de um governo que favorecia os trabalhadores. Isso refletia uma relação paternalista, de

38 intervenção governamental sob a autonomia dos sindicatos, sobre a influência e controle direto do Ministério do Trabalho.

Importante observar nas conclusões da pesquisa que a consciência radical-ideológica é representada pelo grupo que escolheu os comunistas e socialistas como os melhores dirigentes sindicais.

De outra forma, a identidade de classe é constituída por um grupo residual composto de trabalhadores sem pertencimento político e que consideram o sindicato como uma instituição de “ajuda social”.

1.4 Ciência e Revolução24: fundamentos históricos, filosóficos e políticos

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