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A pesquisa apresenta quatro fases: a) primeira fase: análise dos módulos do curso; b) segunda fase: elaboração de uma proposta complementar para as atividades; c) terceira fase: implementação da proposta de complementação das atividades do curso; d) quarta fase: análise de fóruns e dos diários de bordo dos professores.

A primeira fase: análise dos módulos do curso deu-se em dois momentos: a) durante a nossa atuação como tutora, antes de nossa entrada no curso de doutorado; e b) já no doutorado, quando buscamos sistematizar nossas observações a respeito dos problemas identificados no curso.

Assim, a cada edição do curso, a partir de nossa atuação como tutora, começamos a perceber algumas incoerências no material didático, relacionadas com o que estava proposto no Projeto Básico do curso, e o que de fato estava posto nesse material: a ênfase na autoria em mídias foi um deles.

Outros elementos foram identificados, como o tratamento pedagógico correspondente aos conteúdos de cada mídia (tevê, rádio, impressos e informática). Nesse sentido, em um dos módulos, duas das três etapas que o compõem não apresentam discussão sobre a mídia propriamente; além disso, há atividades com orientações repetidas (ex: a atividade Diagnóstico consta no Módulo Introdutório – Integração de Mídias na Educação e no Módulo Gestão Integrada de Mídias); ausência de atividades práticas (aquelas em que o professor/cursista desenvolveria com seus alunos) e atividades que mobilizem os professores à reflexão sobre a prática. O material didático não enfoca as mídias e sua aplicabilidade na prática docente. Como se pode perceber, esse primeiro momento da pesquisa foi motivador para a elaboração do projeto de pesquisa desta tese, uma vez que a partir dessa vivência foi que definimos o problema que julgamos merecer uma intervenção.

A segunda fase da pesquisa diz respeito à elaboração de uma proposta complementar para as atividades do curso Mídias na Educação. A partir dos problemas identificados no material didático do curso, procuramos buscar como interferir em tais problemas e chegamos à conclusão de que a melhor forma seria uma proposta de intervenção nas atividades. De forma concreta, foi elaborada uma proposta de complementação das atividades que se estruturou da seguinte forma: aglutinação de atividades, ampliação de orientações e acréscimo de outras atividades (foco principal).

A aglutinação de atividades deu-se porque encontramos algumas delas com encaminhamentos semelhantes, o que em nossa pesquisa de mestrado foi detectado como um fator desmotivador do curso. Já a ampliação de orientações de algumas atividades ocorreu porque surgiu a necessidade de acrescentar novos questionamentos ou suprimir alguns deles. Porém, a essência dessa proposta foi a inclusão de novas atividades: as práticas (aquelas que os professores/cursistas realizam com seus alunos), os fóruns, em que esses professores discutem as atividades realizadas com os alunos e as atividades com orientações voltadas para a reflexão sobre a prática docente a serem publicadas pelos professores/cursistas na ferramenta diário de bordo.

Especificamente, sobre o diário de bordo – ferramenta do ambiente virtual e-proinfo – constatamos que, muitas vezes, é utilizado como se fosse o webmail, em que os professores/cursistas registram suas dúvidas, fazem solicitações diversas ao professor/tutor e este dá retorno. Considerando que a formação continuada de professores pressupõe a reflexão sobre a prática, propusemos que o diário de bordo seja um “espaço” em que os professores/cursistas registrem as reflexões sobre sua prática pedagógica durante o curso. Para que esse diário pudesse funcionar com esse propósito, procuramos, em nossa proposta de intervenção, orientar essas reflexões em cada módulo. Acrescentamos, ainda, que esse tipo de atividade merece o olhar atento, porque sua ausência no material didático representa uma lacuna, considerando sua relevância em um curso de formação de professores.

As alterações nas atividades dos seis módulos do curso foram feitas considerando as discussões realizadas no Capítulo 3 a respeito da aprendizagem e da relação teoria-prática. Buscamos elaborar uma proposta de complementação das atividades porque não intencionávamos anular nenhuma delas, mas redimensioná-las e acrescentar novas atividades, principalmente porque nosso propósito era contribuir com o curso.

A terceira fase da pesquisa foi a implementação da proposta de complementação das atividades do curso. Assim, essa proposta de intervenção com foco nas atividades foi implementada durante a quinta edição do curso Mídias na Educação, compreendendo o período de 14/06/2012 a 15/12/2012.

Inicialmente, apresentamos a proposta à coordenação do curso no NEAD/UERN que prontamente aceitou em colaborar conosco, inclusive manifestando o interesse de que a proposta fosse desenvolvida em todas as turmas, mas optamos por desenvolver em apenas duas das nove do curso, devido à análise que teríamos de fazer. Porém, comprometemo-nos com a coordenação do curso de que, na próxima edição, disponibilizaríamos a proposta para todas as turmas, possivelmente com novas alterações, consequência do resultado da pesquisa.

Em seguida, fizemos contato com as duas tutoras das turmas nas quais desenvolveríamos a pesquisa, para apresentarmos e discutirmos as alterações que estávamos propondo para o curso. Demos ênfase nas atividades de aplicação na sala de aula, a produção do diário de bordo e o fórum em que discute o desenvolvimento de atividades pelos professores/cursistas com seus alunos.

Salientamos que quando elaboramos o projeto de pesquisa para a seleção do Doutorado, a intenção era aplicar a proposta em nossa própria turma, já que era uma das tutoras do curso Mídias na Educação – Extensão. Porém, na época da implementação da proposta de intervenção (quando se iniciou a quinta edição do curso), ainda estávamos atuando como tutora desse curso, mas no formato de Especialização por solicitação do NEAD/UERN. Sendo assim, optamos pela aplicação da proposta por duas tutoras e ficamos acompanhando por meio de acesso ao ambiente virtual do curso, com base em relatórios por módulos feitos pelas tutoras – e que são enviados à coordenação do curso na UERN –, em conversas telefônicas com as tutoras e por trocas de e-mail.

Participamos do encontro presencial de abertura do curso, no qual convidamos os professores/cursistas a responderem ao questionário que tratava sobre o perfil deles. Informamos que estávamos desenvolvendo uma pesquisa sobre o curso e que intencionávamos ter informações a respeito dos professores que estariam participando do referido curso. Isso foi feito com os professores das duas turmas nas quais foi desenvolvida a proposta complementar das atividades.

Também participamos do encontro presencial final do curso. Nesse encontro, os professores/cursistas fizeram uma exposição a respeito de atividades que desenvolveram durante o curso com seus alunos com base no uso das mídias. Foi um momento rico de troca de experiências – além das que ocorreram nos fóruns – principalmente porque, nesse encontro, os professores/cursistas das duas turmas estavam reunidos em uma mesma sala.

Durante toda a quinta edição do curso, tivemos livre acesso às turmas on-line em qualquer momento, condição combinada com a coordenação e as duas tutoras. Uma das tutoras, por iniciativa própria, vinculou nosso e-mail ao dos alunos da turma, de forma que todas as mensagens enviadas aos alunos entravam em nossa caixa de e-mail. Esse acesso foi relevante para que pudéssemos acompanhar diretamente a implementação da proposta complementar das atividades para o curso Mídias na Educação.

Nesta pesquisa, a participação das tutoras foi essencial, pois são elas que estão constantemente se comunicando com os professores/cursistas, incentivando-os na realização das atividades, esclarecendo as dúvidas, auxiliando-os em seu processo de aprendizagem.

Durante o curso, foram as tutoras que conduziram os fóruns (Figuras 3 e 4), redirecionaram as questões levantadas, incentivaram a participação e potencializaram a interação entre os participantes.

Figura 3: Tela de abertura dos fóruns

Figura 4: Tela de participação nos fóruns

Fonte: http://eproinfo.mec.gov.br

Em relação ao diário de bordo (Figura 5) dos professores/cursistas, são os professores/tutores que têm acesso a essas publicações (os outros professores participantes do curso não têm) e fazem comentários sobre os registros dos professores/cursistas em espaço disponível no próprio ambiente do diário. Para esta pesquisa, estamos destacando os fóruns e o diário de bordo do e-proinfo porque são os registros dos professores/cursistas nessas ferramentas que analisamos após o término de aplicação da proposta de intervenção.

Figura 5: Tela de postagens do diário de bordo do cursista e de comentários do tutor

Fonte: http://eproinfo.mec.gov.br

Durante o desenvolvimento da quinta edição do curso, os professores/cursistas não souberam que os registros dos fóruns em que discutiam atividades desenvolvidas com seus alunos e os dos diários de bordo faziam parte de uma pesquisa de doutorado. O nosso propósito em não informá-los foi para que não se sentissem influenciados a realizar as atividades em função da pesquisa. Reconhecemos que em uma pesquisa-ação o recomendado é que todos os participantes tenham consciência de que estão participando de uma pesquisa, mas, em virtude de maior veracidade na execução das atividades, vislumbrando a integração de mídias na prática docente, tivemos de fazer essa adaptação na pesquisa.

Na quarta fase, que corresponde à análise de fóruns e dos diários de bordo dos professores, buscamos analisar os registros de 15 participantes/cursistas do curso. Em virtude de não darmos conta da análise dos registros de todos os sujeitos, selecionamos aqueles que realizaram todas as atividades solicitadas no curso. A pesquisa-ação sugere que o pesquisador, preferencialmente, ao utilizar amostra para análise, faça-o de forma aleatória. Em nossa pesquisa, para não corrermos o risco de selecionar um professor/cursista que tivesse deixado de realizar atividades que seriam analisadas, fizemos uma adaptação dessa característica. Também queríamos o conteúdo, se possível, sem o sacrifício da aleatoriedade. Preferimos, então, a aleatoriedade corrigida, quando alguém que não contribuiu com registros significativos fosse indicado (sorteado).

Quanto aos fóruns, foram analisados aqueles em que os professores/cursistas dialogam sobre as atividades pedagógicas que desenvolveram com seus alunos fazendo uso das linguagens midiáticas. Ou seja, os fóruns partem das atividades práticas e análise é feita das discussões sobre tais atividades. Já os diários referem-se a registros feitos pelos professores/cursistas por módulos. Em cada módulo, havia orientações para que eles pudessem refletir sobre sua prática com o uso das mídias. Nesse sentido, publicavam tais reflexões nos diários de bordo à proporção que o curso ia se desenvolvendo. O uso do diário também tinha o objetivo de experimentar um processo de avaliação diferente. Por isso, sabê- lo ligado a uma pesquisa de doutorado tiraria a espontaneidade e talvez houvesse mudança do processo.