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Raewyn Connells maskulinitets- og kjønnsperspektiv

Deal e Peterson (2009) consideram que o propósito e a missão de uma escola servem como alicerces da sua cultura. Os autores entendem que “sem essa âncora existencial ou bússola… [, as escolas, que não são diferentes das outras organizações,] vagueiam sem rumo… [e, não tendo raízes,] alteram o seu curso com qualquer mudança de direção do vento, modas ou tendências” (p. 60).

Para Azevedo et al. (2011), a missão diz respeito

ao propósito da organização, àquilo que justifica a sua existência, à sua razão de ser, ao que legitima a função da organização na sociedade. A formulação da missão fundamenta-se num conjunto de valores, de princípios, que são próprios da organização, que traduzem a sua cultura e que, portanto, ajudam a definir a sua identidade no contexto económico e social em que opera. A missão inclui, nomeadamente, a identificação das necessidades sociais a satisfazer, o tipo de serviços e produtos que a organização disponibiliza para o efeito, a definição dos mercados-alvo, o espaço geográfico de intervenção, os princípios e valores subjacentes à sua intervenção. Ela afirma a identidade da organização perante o meio envolvente e perante organizações congéneres. (p. 43)

Johnson, Scholes e Whittington (2011) sugerem quatro camadas que constituem a cultura de uma organização: os valores, as crenças, os comportamentos e os pressupostos tomados como certos. Estes autores referem que os pressupostos tomados como certos, ou paradigma, são o núcleo da cultura de uma organização.

Para Deal e Peterson (2009), os valores, as crenças, os pressupostos e as normas são o profundo e mítico pilar da cultura de escola. Os mesmos autores consideram que, por vezes, a missão e o propósito são usados indistintamente dos valores, crenças, pressupostos e normas, sendo que, todos têm uma contribuição especial para sustentar a “cola” simbólica que mantém a escola unida.

Costa (2013) faz uma analogia entre as vertentes de cultura exploradas por Deal e Peterson (2009) e uma árvore, com as suas raízes, tronco, ramos e folhas, colocando, no

tronco da cultura os valores, as crenças, os pressupostos e as normas.

Deal e Peterson (2009) referem que as normas consolidam os pressupostos, os valores e as crenças. As convenções normativas desenvolvem-se quando os profissionais da escola descobrem e reforçam formas particulares de agir e interagir. São reforçadas por sinais e sanções quando os indivíduos ultrapassam os limites normativos.

Nóvoa (1992) designou como bases concetuais e pressupostos invisíveis um conjunto de elementos que integram os valores, as crenças e as ideologias dos membros da organização. O autor considera que

Os valores permitem atribuir um significado às acções sociais e constituem um quadro de referência para as condutas individuais e para os comportamentos grupais. As crenças são um fator decisivo na mobilização dos actores e na qualificação das actividades no seio da escola. As ideologias nos seus aspectos consensuais e conflituais são a componente fundamental para a compreensão social da realidade, isto é, para a possibilidade de dar um sentido ao jogo dos actores sociais. (p. 31)

“No essencial, encontram-se nesta zona de invisibilidade social os elementos-chave das dinâmicas instituintes e dos processos de institucionalização das mudanças organizacionais” (Nóvoa, 1992, p. 31).

Para Nóvoa (1992), as manifestações verbais e concetuais integram um conjunto de elementos concetuais que têm de ser escritos, tais como os objetivos organizacionais, o organigrama ou o plano de estudos. O autor considera que integram também os aspetos relacionados com a linguagem utilizada na escola pelos diferentes grupos sociais ou as metáforas que são mobilizadas pela direção ou pelos professores para justificarem as suas ações.

O autor considera que, por final, nesta categoria, estão compreendidos

os «heróis» e as «histórias»: no primeiro caso, trata-se dos indivíduos que pelas mais variadas razões entraram na história ou na lenda do estabelecimento escolar, personificando uma ideia-força organizacional ou um mito na dupla aceção do termo; no segundo caso, trata-se de histórias ou narrativas diversas,

que marcaram a vida da escola e que frequentemente se tornaram um elemento de referência social. (p. 31)

Relativamente às manifestações visuais e simbólicas, o autor entende que fazem parte destas todos os elementos que têm uma forma material, passíveis, portanto, de serem identificados através de uma observação visual. Segundo Nóvoa (1992), o exemplo mais claro diz respeito à arquitetura do edifício escolar e ao modo como ele se apresenta do ponto de vista da sua imagem: equipamentos, mobílias, ocupação do espaço, cores, limpeza, conservação, entre outros aspetos. Com um carácter particularmente relevante em algumas escolas, surge, o “vestuário dos alunos, dos professores e dos funcionários, sobretudo no que se refere ao uso obrigatório ou facultativo de uniformes e de batas” (p. 31). O mesmo autor refere que se observam ainda nesta categoria “todo o tipo de logotipos, de lemas ou de divisas com que a escola se apresenta para o exterior, tanto em eventuais publicações, como no papel utilizado pela direcção ou nas inscrições colocadas nas paredes” (p. 31).

Para Nóvoa (1992), nas manifestações comportamentais, incluem-se todos os elementos suscetíveis de influenciar o comportamento dos atores da organização.

O autor refere-se

por um lado, às atividades normais da escola e ao modo como são desempenhadas (prática pedagógica, avaliações, exames, reuniões de professores, escolha da direcção, etc.) e, por outro lado, ao conjunto de normas e de regulamentos que as orientam, bem como aos procedimentos operacionais impostos ou assumidos pelos membros da organização. (p. 32)

Nóvoa (1992) considera que falar de cultura organizacional é também falar, no quadro da ação educativa, dos projetos de escola.