• No results found

5 Results and discussion

5.2 Contamination status of the Fen Complex environment

5.2.2 Radionuclides and trace elements in soil

Um dos enfoques dados ao tema letramento diz respeito ao modo como fatores externos influenciam as práticas pedagógicas. Esses fatores podem ser as políticas públicas, as famílias, as publicações da área, dentre outros. Nesta categoria foram identificadas duas teses que serão apresentadas a seguir.

14 Cinco trabalhos pertenceram à categoria saberes e práticas docentes, porém, somente três foram

analisados, uma vez que dois trabalhos não nos foram disponibilizados. Enfatizamos que, esses dois trabalhos foram assim classificados em função dos seus resumos.

A tese “Ensino Fundamental de nove anos em Goiânia: o lugar da criança de seis anos, concepções e fundamentos sobre sua educação”, realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Goiás, por Sônia Santana da Costa, teve como objetivo refletir sobre o lugar da criança de seis anos no Ensino Fundamental de nove anos, a representação de si mesma nesse contexto e as especificidades do trabalho com essa criança.

Costa (2009) utilizou-se das falas das crianças e dos adultos, bem como de observações e análise de documentos e bibliografias para concluir que existe um efeito cascata que influencia diretamente o trabalho realizado nas classes de primeiro ano do Ensino Fundamental.

A escola é cobrada pela Secretaria Municipal, que acompanha por meio de provas e dados estatísticos o desempenho dos alunos. A Secretaria Municipal é pressionada pelo Governo Federal que espera dados estatísticos positivos para mostrar aos organismos internacionais, como a Unesco, Unicef, Banco Mundial, que o país tem cumprido os acordos de melhoria da qualidade educacional. Esse efeito cascata é propiciado pela compreensão sistêmica capitalista que concebe a educação como produto, independentemente da singularidade da infância (COSTA, 2009, p. 203).

A autora aponta que as pressões não colaboram para um trabalho que valorize e respeite a infância. Nesse sentido, a escola de Ensino Fundamental prioriza o ensino do código escrito, nem sempre dando espaço às necessidades e vontades infantis, à brincadeira, ao lúdico e à voz da criança. Muitas vezes o trabalho pedagógico não está vinculado à produção de sentido pela criança, o que gera desmotivação para a aprendizagem.

Dando prosseguimento as suas ideias, a autora discute a criação do Ensino Fundamental de nove anos, questionando a opção do Governo Federal de investir

no Ensino Fundamental – menos custos – em detrimento da Educação Infantil. Para

ela, a criança que antes tinha o direito de frequentar a Educação Infantil está agora perdendo a oportunidade de ser atendida em suas especificidades e de forma integral.

O tema letramento é abordado na tese como um processo que não vem ocorrendo nas turmas de primeiro ano pesquisadas. Ao abordar o modo como se dão as práticas pedagógicas, Costa (2009), critica o ensino que acontece de maneira não significativa, não proporcionando vinculação do conteúdo ao contexto das crianças e não proporcionando espaço para o lúdico. Além disso, também indica que o trabalho voltado à alfabetização, muitas vezes, desconsidera a criança como um ser em desenvolvimento, não dando vez, nem voz, às suas angústias, anseios e necessidades.

Outros aspectos são identificados pela pesquisadora Débora Ortiz Leão, na sua tese “Vivências culturais nos cenários da alfabetização: formação, saberes e práticas docentes”, realizada no Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Leão (2009) se propõe a refletir sobre o seguinte problema de pesquisa: como a dinâmica cultural tem influenciado as práticas de alfabetização no contexto escolar?

Na tese, Leão (2009) pensa a escola como um cruzamento de culturas. Identifica que seriam três os principais instrumentos reguladores da escola: o poder público, as famílias e os professores. Esses reguladores influenciariam diretamente na manutenção, ou não, de práticas tradicionais, possibilitando, ou não, a realização de práticas inovadoras. Isso se dá por meio de inter-relações estabelecidas no ambiente escolar. Utilizando-se de uma pesquisa de cunho etnográfico que envolveu uma escola particular e duas escolas públicas, evidencia que existe uma cultura escolar da alfabetização que legitima práticas de escrita e leitura que são consideradas aceitas.

A cultura é algo fundamental, constitutivo e determinante de todo esse movimento. Com base nessa ideia, é possível dizer que a influência cultural nas práticas docentes produz alguns obstáculos que certamente dificultam as propostas criativas e inovadoras das professoras no interior das escolas. As escolas, nesse sentido, são organizações com características e culturas próprias (LEÃO, 2009, p. 85).

Essa cultura escolar da alfabetização é determinada por diferentes fatores: as políticas educacionais, influenciadas pelo Banco Mundial; a cultura institucional; a indústria midiática, que vincula a imagem negativa da formação dos professores

como sendo responsável pela má qualidade da educação e exime a responsabilidade do governo; dentre outros. Leão (2009) conclui a tese, afirmando que as práticas inovadoras em alfabetização acabam esbarrando na regulação social do que é esperado da escola e da professora alfabetizadora. Uma transformação cultural esperada para os próximos anos é de que os professores se tornem capazes de refletir criticamente sobre suas práticas, já que tudo leva a crer que essas práticas são ancoradas em saberes não legitimados e com pouca visibilidade no conjunto das práticas socioculturais.

Os trabalhos até aqui citados apontam para o fato de que as práticas realizadas por cada professor alfabetizador, no que diz respeito ao letramento, são fortemente influenciadas por fatores externos a ele. Nesse sentido, nem sempre o professor realiza aquilo que entende como sendo o ideal ou o mais correto, pois fica preso àquilo que esperam dele e do seu trabalho.