A turma encontrava-se um pouco agitada em razão da ansiedade, tanto para ver o trabalho dos colegas, quanto para receber os comentários das outras equipes quando assistissem a suas produções. Os alunos entregaram o trabalho solicitado dentro do prazo estipulado. Neste mesmo dia, 05 de junho de 2009, os estudantes assistiram e avaliaram as produções, em conjunto. Após a exibição dos vídeos, houve a votação citada na metodologia, que permitiu a escolha do melhor vídeo na opinião dos alunos, analisado no que concerne ao enfoque dado sobre a temática na perspectiva de uma visão holística, organização das ideias e dinâmica do documentário. A figura 15 mostra o momento de exibição e análise das produções de vídeos pelos alunos.
FIGURA 15: Exibição do mini-documentário “Verdades e Mentiras sobre a doação de
sangue”
Nesse momento, foram distribuídos dois questionários para avaliação dos vídeos, sendo o primeiro sobre os aspectos da construção/qualidade do vídeo (apêndice 2) e o segundo referente à dinâmica da produção (apêndice 3).
Baseado nas informações coletadas pelos questionários, os estudantes puderam desenvolver um julgamento mais preciso. Após essa análise, os alunos votaram qual vídeo que tinha mais aspectos positivos na avaliação dos questionários. O vídeo escolhido foi “Verdades e mentiras sobre doação de sangue”.
A seguir, será feita a análise primordialmente qualitativa e comparativa entre os vídeos feita a partir dos instrumentos de coleta de dados utilizados. Alguns dados quantitativos serão citados.
A turma (alunos e professor) constatou que a temática estudada por cada equipe foi o ponto chave do vídeo, e que todas as informações veiculadas incidiam no foco central, com uma linguagem simples e adequada a qualquer público.
Uma questão levantada, e que não estava inserida em nenhuma das duas tabelas, refere-se ao uso correto da língua escrita nas legendas ao longo do vídeo. Esse fato precisa ser pontuado nos próximos trabalhos futuros. A turma sentiu a necessidade de avaliar esse aspecto porque nos vídeos apareceram pequenos erros dessa natureza como, por exemplo, em um dos trechos iniciais do trabalho da equipe 1 a palavra “sangue” está grafada erroneamente como “sague”. Erros desse tipo aconteceram três vezes, mas não comprometeram a narração do documentário. Nos vídeos das equipes 2, 3 e 4 apareceram, respectivamente , 3, 2 e 4 erros dessa natureza.
Adotou-se a ideia de que, provavelmente, os erros de ortografia tenham sido cometidos devido à pressa no processo de produção da legenda e não por desconhecimento da grafia correta de palavras tão simples e de uso frequente, mesmo porque essas palavras foram grafadas corretamente em outro momento.
A quantidade de informações nos vídeos foi satisfatória, mas além dos argumentos biológicos favoráveis à doação de sangue, poderiam ter sido citados outros como, por exemplo, a dispensa de pagamento de taxa de inscrição em concursos públicos e o direito à dispensa remunerada no trabalho. Por mais que existam justificativas pautadas na solidariedade, sabe-se que estas vantagens citadas são fortes agentes motivacionais para a
doação de sangue. É provável que a ausência da argumentação pautada nesses dados seja consequência da falta de vivência dos jovens no que concerne à esfera do trabalho dos concursos públicos. Os alunos não podiam relacionar informações das quais não tinham conhecimento (DUTRA, FAGUNDES & CAÑAS, 2004). Os exames feitos gratuitamente no doador também não constaram dentre as argumentações.
Apesar dessa limitação, os vídeos revelam que os grupos estudaram e aprofundaram seus conhecimentos, fazendo correlações de conhecimentos prévios com as informações adquiridas ao longo da pesquisa realizada, desenvolvendo assim uma aprendizagem significativa em torno das temáticas. Essas conexões fazem parte da interação entre os subsunçores e as novas informações adquiridas, apontando o sucesso da construção desse vídeo como agente facilitador da aprendizagem.
Diante da sequência lógica e das informações utilizadas na produção dos vídeos, se considerou que tudo posto estava claro e aplicável ao cotidiano, com conceitos corretos, revelando que as fontes de informação consultadas eram confiáveis e que os estudantes souberam construir o conhecimento, algo muito além da simples memorização.
As produções demonstraram criatividade e capacidade de fazer a junção do conhecimento científico com aspectos cotidianos, emocionais, éticos, entre outros. As músicas escolhidas como trilhas sonoras também ajudaram bastante nesses aspectos.
A qualidade da imagem foi igualmente satisfatória. A equipe do vídeo “Verdades e Mentiras sobre a doação de sangue” foi a única que teve 100% de aprovação na avaliação da qualidade da imagem nos questionários preenchidos pelos alunos já que foram os únicos que conseguiram utilizar uma filmadora, ao invés de câmera digital com essa função. Em segundo lugar ficou o “Não falta sangue, faltam pessoas” com 93% de avaliações positivas no que tange à qualidade da imagem.
O tempo de duração foi perfeitamente adequado ao uso em sala de aula, pois possibilitou a exibição e comentários, dentro do intervalo de uma hora/aula. Pode-se acrescentar que a exibição dos vídeos não se tornou cansativa, já que não se perdeu tempo com repetições desnecessárias, objetivando o tema proposto. Como destaca Oliveira (2010), os vídeos educacionais não podem ser longos e devem estimular outras discussões.
O vídeo sobre o teste do pezinho recebeu em quase 10% dos questionários o comentário que era difícil compará-lo aos demais nos aspectos criatividade e objetivo visto que era de um assunto diverso dos demais trabalhos. Contudo, teve boa aceitação e a equipe interagiu de forma satisfatória como as demais no processo de elaboração. Ter que desenvolver um assunto diferente não gerou desmotivação!
É certo que novas informações poderiam ter sido acrescentadas, como por exemplo, os aspectos sobre as vantagens de ser um doador, mas isso não significa que as obras estejam incompletas. Pelo contrário, conforme Moran (2000) um bom vídeo pode agir como uma estratégia para despertar a curiosidade dos alunos e, por conta disso, jamais deverá esgotar um assunto.