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5. ANALYSIS OF THE FINDINGS

5.3 C ASE G OTHENBURG

5.3.6 Numbers of carriers delivering goods

Uma rede de cooperação empresarial consiste em um agrupamento de pequenas ou médias sociedades empresárias (geralmente microempresas e empresas de pequeno porte, conforme classificação dada pela Lei Complementar n. 123, de 14 de dezembro de 2006), as quais possuem objetivos comuns no mesmo ramo de atuação. Esse agrupamento constitui-se formando um novo ente associativo com personalidade jurídica própria, comumente

constituído na forma de associação, o qual possui, inclusive, uma nova e única marca. Cada sociedade empresária associada mantém sua personalidade jurídica própria, bem como sua individualidade e independência. Através da rede de cooperação as sociedades empresárias associadas realizam ações conjuntas que lhes proporcionam ganhos competitivos, quais sejam, um maior poder de barganha no mercado, marketing compartilhado, troca de conhecimentos entre seus membros etc. Em outras palavras, dentre os objetivos desse agrupamento de sociedades empresárias está a solução de problemas comuns às associadas, alcançar novos mercados (através, por exemplo, da participação conjunta em feiras empresariais) e redução de custos. “Assim podem, por exemplo, adquirir matéria-prima mais barata, já que comprarão em grande quantidade, e, aumentar a produtividade, barateando o produto ao consumidor final.” (TIMM; SILVA, 2004, p. 93).

Jorge Verschoore e Alsones Balestrin (2008, p. 79) elaboraram, para as redes de cooperação empresarial, o seguinte conceito:

As redes de cooperação empresarial podem ser definidas como organizações compostas por um grupo de empresas formalmente relacionadas, com objetivos comuns, prazo de existência ilimitado e escopo múltiplo de atuação. Nelas, cada membro mantém sua individualidade legal, participa diretamente das decisões e divide simetricamente com os demais os benefícios e ganhos alcançados pelos esforços coletivos.

Com efeito, “Tais particularidades garantem às redes interorganizacionais condições competitivas superiores aos padrões empresariais correntes.” (VERSCHOORE, 2004, p. 25). Essa nova organização, a rede de cooperação, pode chegar a ser, para as sociedades empresárias agrupadas que a constituem, tão ou mais importante que essas próprias sociedades participantes (VERSCHOORE, 2004, p. 26).

Carlos Jarillo (JARILLO, 1988. Apud, Verschoore, 2006, p. 58) define redes empresariais de cooperação como “[...] arranjos propositais de longo prazo entre distintas porém relacionadas organizações lucrativas que permitem a essas firmas ganhar ou sustentar vantagens competitivas frente aos seus competidores fora da rede”.

A Diretoria de Desenvolvimento Empresarial da SEDAI (RIO GRANDE DO SUL, 2005, p. 3) apresenta as redes de cooperação empresarial da seguinte forma:

As redes reúnem empresas que tenham objetivos comuns na mesma área de atuação. É formada uma entidade jurídica estabelecida com uma nova e única marca, englobando todas as associadas, porém cada empresa segue mantendo sua independência e sua individualidade. A formação de uma rede permite a realização de ações conjuntas, facilitando a solução de problemas comuns e viabilizando novas oportunidades. Entre os benefícios, destacam-

se as melhorias nas negociações, o marketing compartilhado, a oferta de serviços, a troca de informações e a aprendizagem. A negociação em rede permite aos participantes conquistar condições mais vantajosas, com um volume maior de negócios e de novos mercados.

Há também definições mais genéricas para rede de sociedades empresárias, dentre as quais vale mencionar a de Manuel Castells (2006, p. 232) que propõe como uma “[...] definição (não-nominalista) potencialmente útil da empresa em rede: aquela forma específica

de empresa cujo sistema de meios é constituído pela intersecção de segmentos de sistemas autônomos de objetivos”. “Para a ciência econômica, por exemplo, rede é simplesmente uma teia de relações bilaterais interdependentes. (Dunning, 1998)” (VERSCHOORE; BALESTRIN, 2008, p. 78).

Diante dessa possibilidade de o conceito de redes de cooperação carregar certa ambiguidade, o conhecimento das características dessas redes empresariais vem a ser uma forma de reduzir essa amplitude (VERSCHOORE; BALESTRIN, 2008, p. 78), tornando esse conceito específico ao presente estudo.

Luciano Benetti Timm e Carlo Rosito Silva (2004, p. 94) destacam como principais características das redes de cooperação empresarial as seguintes:

(a) a cooperação entre as empresas; (b) a especificidade dos membros das redes (todos atuam na mesma atividade produtiva); (c) individualidade legal dos membros; (d) a participação igualitária na tomada de decisões; (e) o número ilimitado de membros; e (f) o prazo de duração ilimitado.

Conhecer as vantagens alcançadas pelas sociedades integrantes dessas redes é outra forma de compreender melhor sua definição. Dentre essas vantagens, merecem destaque as seguintes: “(a) oportunidade de acesso ao conhecimento e aprendizagem; (b) redução de custos; (c) ampliação da escala; (d) diminuição de riscos; e (e) melhoria nas condições de negociação.” (TIMM; SILVA, 2004, p. 94).

Com relação a esta última vantagem mencionada – melhoria nas condições de negociações – vale considerar o exemplo a seguir exposto. A lanchonete de uma universidade compra mensalmente cerca de 2.000 (duas mil) unidades de garrafas de água de 500 ml (quinhentos mililitros) de um determinado fornecedor. Por cada unidade, ela paga R$ 1,00 (um real), tendo prazo de 30 (trinta) dias para efetuar o pagamento. Se ela formar uma rede de cooperação empresarial com outros 29 (vinte e nove) estabelecimentos congêneres, esse agrupamento de pequenas empresas pode dirigir-se ao fornecedor solicitando a compra de 100.000 (cem mil) unidades daquele mesmo produto. Obviamente, esse grupo possui maior

poder de negociação perante o fornecedor do que cada lanchonete comprando individualmente. Assim, essa rede de cooperação de lanchonetes, em razão de realizar a compra em maior quantidade, consegue (por exemplo) pagar R$ 0,70 (setenta centavos) por unidade comprada e prazo de 60 (sessenta) dias para o pagamento.

No exemplo acima, a rede de cooperação empresarial atua como um agente negociador entre o grupo de lanchonetes e o fornecedor, representando o grupo e fazendo o pedido globalizado da compra, que perfaz a soma de tudo aquilo que seria comprado por cada membro do grupo. Contudo, a compra final é feita em nome individual de cada lanchonete. Inclusive, a fatura62 e a nota fiscal são emitidas em nome de cada sociedade empresária compradora, e a entrega das mercadorias é feita, diretamente a estas. 

Para a compreensão do que sejam as redes de cooperação empresarial, vale, ainda, observar o que consta nos atos constitutivos destas. O Governo do Rio Grande do Sul, através do Programa Redes de Cooperação (item 4.8.3), disponibiliza um modelo de estatuto social para a constituição das redes de cooperação empresarial. No artigo 1º desse estatuto (Anexo) menciona-se a constituição de uma associação civil, com personalidade jurídica, sem fins econômicos, com prazo indeterminado de duração. O artigo 2º, que trata do objeto da rede de cooperação merece ser transcrito para sua exata compreensão, verbis:

ARTIGO 2º - A Associação [...] tem por finalidade assistir, orientar, instruir e estimular a cooperação das Associadas, no que diz respeito às atividades de [...].

PARÁGRAFO PRIMEIRO – A Associação terá finalidade social de congregar micro e pequenas empresas do ramo de negócios especificado no caput deste artigo, a fim de dar-lhes competitividade, suporte e subsistência dentro do mercado em que elas estão inseridas, contribuindo para o combate da informalidade na economia, o aumento de empregos e a sobrevivência das micro e pequenas empresas no Estado, tudo nos termos da política econômica formulada pelos Poderes Executivos, Estadual e Federal.

Verifica-se, pelo estatuto social das redes de cooperação empresarial, que estas exercem, inclusive, função social, uma vez que, além de objetivar a sobrevivência da micro e pequena empresa (frente aos conglomerados de grandes sociedades empresárias), visa também o aumento de empregos e o combate à informalidade na economia.

62  “Relação  que  acompanha  a  remessa  de  mercadorias  expedidas,  ou  que  se  remete  mensalmente  ao  comprador, com a designação de quantidades, marcas, pesos, preços e importâncias, [...].” (Novo Dicionário  Eletrônico Aurélio versão 1.0, 2009)