Como já foi colocado, terminado o trabalho em sala de aula, professora e pesquisadora passaram a se reunir, juntamente com a professora da Secretaria de Educação de São Carlos, responsável pelo projeto, para refletir sobre o trabalho realizado e elaborar um novo módulo, seguindo o perfil metodológico do projeto “Mão na Massa”, para o ano seguinte. Essas reuniões se iniciaram em 06 de novembro de 2001 e se seguiram até a segunda semana de dezembro do mesmo ano.
No primeiro encontro, pedimos para que a professora relatasse como havia sido seu trabalho, suas aulas, como iniciou o processo em sala de aula, suas dúvidas e sugestões. Foi um encontro importante, em que ouvimos tudo o que havia sido observado durante o trabalho em sala de aula, porém sob o olhar da professora, a qual nos colocou suas críticas, sugestões e inseguranças. Decidimos escrever um artigo para ser publicado no primeiro congresso que houvesse. Pensamos em que aspectos focaríamos nosso olhar ao escrevermos um artigo. Relembramos os propósitos do projeto, alguns fatos importantes ocorridos em sala de aula e optamos por tentar refletir sobre o trabalho desenvolvido com o projeto “Mão na Massa” e a interdisciplinaridade nele existente. Cada uma deveria levar, na semana seguinte, seu pensamento a respeito do assunto. A versão final do artigo não ficou pronta logo em seguida, pois surgiu a necessidade de montarmos outro módulo do projeto para educação infantil. Começamos, então, a pensar sobre a questão.
Durante nossas conversas, concordamos que o módulo sobre flutuação, como foi trabalhado durante o semestre, não era adequado para crianças de 6 anos. Com exceção das primeiras aulas, em que não há necessidade de se isolar variáveis, nas demais as atividades requerem competências ainda não desenvolvidas por crianças de educação infantil.
Decidimos elaborar então um novo módulo para crianças de 4 a 6 anos de idade. Não um projeto com seqüências definidas e apostilas semiprontas para os professores, como foram os módulos sobre flutuação e estados físicos trabalhados durante aquele ano pelos professores.
Tudo foi pensado, discutido e estudado para essa nova etapa. A professora da Secretaria de Educação de São Carlos já possuía de antemão uma idéia para tentarmos desenvolvê-lo. O assunto indicado foi: animais.
A professora Silvia sempre se mostrou muita participativa e empolgada no desenvolvimento do novo trabalho, principalmente depois de ter sido convidada pela coordenadora do projeto para substituí-la durante o semestre seguinte, período em que a mesma estaria de licença-maternidade.
Ela encerrou suas atividades em sala de aula naquele mesmo ano. Além da função de coordenadora, ela passou a exercer a função de professora da equipe de apoio pedagógico de educação infantil, com a qual trabalhava inclusive a proposta de educação infantil que havíamos criado.
No primeiro semestre de 2002, a professora desenvolveu o módulo sobre animais na EMEI onde lecionava. Reuniu os professores interessados e explicou-lhes a nova proposta, (anexo – módulo animais). Durante esse semestre, não houve curso para os professores; a professora, sujeito desta pesquisa, orientava os professores durante as visitas pedagógicas na EMEI. Cada sala de aula selecionou um animal para estudo, a partir de uma listagem produzida pelas próprias crianças.
Tendo sido selecionado o objeto de estudo (animal), as crianças elencaram o que sabiam sobre ele e o que gostariam de saber (questões de pesquisa). A partir do levantamento das questões de pesquisa, iniciaram o trabalho de campo, com observações sobre o animal, quando possível, pesquisa bibliográfica e entrevistas com os pais. No que concerne ao tema, foram realizadas atividades diversas como classificação, produção de texto, jogos, dramatização, trabalhos com argila, pseudo-leitura, etc.
Já no segundo semestre, a orientadora do projeto, que estava de licença-maternidade, voltou a trabalhar e, juntamente com a professora que a estava substituindo, organizou um curso, para ser oferecido aos professores, seguindo a proposta do semestre anterior, porém agora focalizando outro tema: as plantas.
O curso teve duração de 40 horas, tendo sido ministrado em encontros quinzenais. Cada coordenadora ficou com uma turma, devido ao grande número de professores interessados. Elas se reuniam periodicamente para planejar os encontros. Levavam aos professores materiais para auxiliar no desenvolvimento do trabalho, como livros, jogos,
pesquisas na Internet, textos relacionados ao assunto, textos pedagógicos valorizando a importância do ensino de Ciências, a formação dos professores. Como exemplo de livro trabalhado no curso, podemos citar o de Anna Maria Pessoa de Carvalho e Daniel Gil-Pérez: Formação de Professores de Ciências.
Havia durante uma parte dos encontros, um momento de troca de experiências. Era nesse momento que os professores relatavam suas experiências em sala de aula, colocavam suas dúvidas e sugestões. A cada encontro, eles também entregavam um relatório individual sobre o andamento do trabalho para que as coordenadoras pudessem acompanhá-los.
O curso seguiu as etapas metodológicas do projeto “Mão na Massa”.
As professoras orientadoras do curso fizeram um relatório do trabalho realizado durante o ano utilizando depoimentos e situações ocorridas nas salas de aula dos professores envolvidos no curso, seguindo o perfil metodológico do projeto. Esse relatório, assim como os outros elaborados pela professora Silvia, está no apêndice deste trabalho.
A observação dessa etapa do trabalho da professora não foi realizada tão de perto quanto a do trabalho que desenvolveu em sala de aula. Mas mesmo não estando presente diariamente em seu novo trabalho, visto que havia outras atividades ocorrendo que precisavam ser observadas e analisadas com relação à implantação do projeto “Mão na Massa” em São Carlos, sempre estávamos juntas, professora e pesquisadora, nas reuniões oferecidas pelo CDCC. Além disso, tivemos muitos encontros formais e informais em que trocávamos idéias e ela me contava sobre o seu trabalho na Secretaria. Chegamos, inclusive a participar de um congresso, no qual apresentamos um artigo sobre o nosso trabalho. Foi nesta etapa que foi realizada a entrevista com a professora Silvia.
Desta forma, este trabalho não analisará somente a prática pedagógica da professora, mas também sua projeção evidenciada por meio de seu pensamento e reflexão ao longo desse período, obtidos por meio da observação em sala de aula, de entrevistas e da análise de nossas reuniões e propostas do grupo, inclusive do curso de capacitação oferecido aos professores.
A professora voltou para a sala de aula no ano de 2003, mas não continuei observando a sua prática. Provavelmente, a observação em sala de aula hoje seria interessante para se verificar como a professora está trabalhando, quais as dificuldades que encontra para sustentar as mudanças projetadas pelo projeto “Mão na Massa”, o quê se alterou ou não na sua prática pedagógica. No entanto, dada a amplitude desse movimento, e a necessidade de encerrar esta
pesquisa, optamos por restringir o olhar investigativo ao tempo e espaço em que a implementação do projeto ocorreu em sala de aula e ao período em que a professora trabalhou na organização e direção desse projeto para professores de rede municipal.