2. METODE
3.3 R EGELMESSIGE TREKK VED ADFERD OG STRUKTUR
Quanto ao grau de estruturação, o nosso plano de investigação assentou em entrevistas do estilo semidiretivo que, segundo a aceção utilizada por Pacheco (1995) são entrevistas “(…) do tipo estandardizado pré-sequencializado, caracterizando-se pela colocação das mesmas perguntas a todos os entrevistados, e na mesma ordem, de modo a permitir a comparação dos dados entre os entrevistados” (pp. 85). As perguntas serão previamente formuladas a partir do modelo de análise, seguindo uma ordem fixa, tentando-se eliminar a ambiguidade e privilegiar a clareza e objetividade de forma a obtermos respostas, também elas objetivas e claras, pois queremos comparar os dados. Segundo Ghiglione e Matalon, (1997), nas entrevistas semidiretivas, o individuo é convidado a responder de forma exaustiva, pelas suas próprias palavras e com o seu próprio quadro de referência, a uma questão geral (tema) caracterizada pela sua ambiguidade. Mas se não abordar espontaneamente um dos sub-temas que o entrevistador conhece, este coloca uma nova questão (o sub-tema), cuja característica já não é a ambiguidade, para que o indivíduo possa produzir um discurso sobre esta parte de quadro de referência do investigador, segundo os temas constantes na grelha.
O investigador tem um quadro de referência anterior, mas só o utiliza se o indivíduo esquecer uma parte do mesmo. A entrevista semidiretiva é portanto adequada para aprofundar um determinado domínio, ou verificar a evolução de um domínio já conhecido.
Segundo aspeto, o entrevistador do nosso estudo é um observador participante uma vez que este conhece os sujeitos a entrevistar.
Quanto aos interlocutores, Quivy e Campenhoudt (1992) propõem três categorias de interlocutores válidos em entrevistas: “Primeiro, docentes, investigadores especializados e peritos no domínio de investigação implicado pela pergunta de partida (…) testemunhas privilegiadas (…) os que constituem o público a que o estudo diz directamente respeito” (pp. 68, 70). Com base nesta classificação e na experiência de campo, estabelecemos os docentes (a lecionar língua estrangeira) como o tipo de informantes em consonância com os objetivos da nossa pesquisa.
Foi feita alguma investigação preliminar, no sentido de nos informarmos quais as pessoas disponíveis para serem questionadas e posteriormente a entrevistar.
Tendo em vista a compreensão da dinâmica evolutiva individual no tecido social feito de múltiplas temporalidades, estabelecemos ainda como critério uma perspetiva de investigação assente num paradigma de formação permanente e de desenvolvimento pessoal e profissional do adulto-professor (Teorias sobre os ciclos vitais dos
professores).
O percurso profissional dos docentes entrevistados foi conceptualizado numa perspetiva de desenvolvimento das competências profissionais e pessoais dos professores de língua estrangeira, a vários níveis, para o qual a Formação Contínua em muito contribui. Ao escolhermos “os ciclos de vida” procuramos fazer uma abordagem o mais englobante possível, priorizando o critério do desenvolvimento individual (profissional e pessoal) do professor.
Nesta abordagem qualitativa, preocupámo-nos também com a legitimação, baseando-
nos em estudos para percebermos as semelhanças e diferenças e determinarmos a representatividade do que encontrámos. Para tal, utilizámos o trabalho do investigador José Gonçalves, como referência teórica, e o seu quadro conceptual de base – ciclos de vida dos professores (perspetiva desenvolvimentista) - no qual são identificados “momentos”, “fases” ou “tipos” segundo o critério “Anos de Experiência” e tradutores de diferentes representações sobre as práticas pedagógicas, sobre diferentes comportamentos observáveis, de acordo com a fase da carreira em que o professor se encontra, a saber:
Figura 3 – Etapas da carreira Anos de Experiência 1-4 anos 5-7 anos 8-15 anos 15-20/25 anos 25/40 anos
Etapas / Traços dominantes
Fase 1: O “Início”: choque do real, descoberta Fase 2: Estabilidade: segurança, entusiasmo, maturidade
Fase 3: Divergência(+): empenhamento, entusiasmo; Divergência(-): descrença, rotina
Fase 4: Serenidade: reflexão, satisfação pessoal Fase 5: Renovação do “interesse”
renovação do entusiasmo
Desencanto
desinvestimento e saturação
(citado em José Gonçalves, 1992, pp. 163, adaptado)
Assim sendo, por forma a tornar inteligível a prática pedagógica dos diferentes professores entrevistados associada a alguns comportamentos particularizáveis e evidenciados nessa ação pedagógica, advindos da formação inicial e em especial, da formação contínua, que estão positivamente correlacionados com as aprendizagens, com o aumento ou a melhoria dos resultados dos alunos nas línguas estrangeiras, procedemos a entrevistas semidiretivas: entrevistámos todos os professores que reuniam as mesmas condições necessárias à investigação em curso, condições que iremos referir no capítulo VII, da 3ª parte, professores esses que se encontravam a lecionar uma língua estrangeira nas três escolas de ensino secundário existentes no Município de Portimão, durante o ano letivo de 2011/2012.
Além do critério inicial da equidade, e filiando-se a apresentação dos dados das entrevistas ao quadro teórico-metodológico da abordagem biográfica proposto por José Gonçalves, tentamos encontrar um critério relativamente ao número de entrevistas a transcrever, sendo que a decisão final baseou-se no facto de se ter constatado que apenas dois dos futuros inquiridos se enquadravam no intervalo de 5-7 anos, e três no intervalo de 1-4 anos, segundo o itinerário-tipo de José Gonçalves, referido por nós no capítulo II, da 1ª parte.
Tendo presente esta constatação, optámos pela escolha de dois professores para cada um dos respetivos “momentos”, “fases” ou “tipos” consubstanciados no itinerário-tipo
de José Gonçalves (1992, pp. 163), em função do número de anos de experiência ou serviço e agrupando-se os dados por intervalos, a saber: 1-4 anos; 5-7 anos; 8-15 anos; 15-20/25 anos; 25/40 anos, doqual iremos falar na terceira parte do trabalho.
No entanto, queremos deixar a ressalva de oportunamente podermos vir a utilizar as restantes entrevistas para análise de conteúdo, num próximo trabalho de investigação. Acresce dizer que de todas as entrevistas realizadas, tivemos a preocupação de selecionar aquelas que se “aproximavam ou não” do vivido profissional dos professores do ensino primário entrevistados, no respeitante a algumas representações sobre práticas pedagógicas, sobre diferentes comportamentos observáveis, de acordo com a fase da carreira em que se encontram, no estudo levado a cabo por José Gonçalves na década de 90.
Relativamente às entrevistas também elas semiestruturadas, a realizar aos Diretores do Órgão de Gestão das duas escolas e ao Diretor do Centro de Formação de Associação de Escolas de Portimão e Monchique, no sentido de obter informações sobre alguns dos instrumentos essenciais da gestão estratégica dos Estabelecimentos de ensino, promotores da formação contínua de professores e ao serviço do desenvolvimento das competências profissionais e pessoais em áreas como as da gestão organizacional e relacional, fez-se uma análise comparativa entre os dados recolhidos a partir destes dois dispositivos.
Pontual e simultaneamente, recorreu-se à análise documental resultante da leitura dos relatórios do CFAE de Portimão e Monchique relativos ao biénio 2009-2011, no sentido de complementar e confirmar algumas das informações proferidas pelas entidades anteriormente referidas (Diretores do Órgão de Gestão das três escolas e o Diretor do Centro de Formação de Associação de Escolas de Portimão e Monchique).
5.6. Os Objetivos Gerais das entrevistas a aplicar aos Professores de Língua Estrangeira,