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A Educação de Adultos e, atualmente, Educação de Jovens e Adultos tem se constituído como um esforço histórico assumido por determinados governos, diante de um problema crônico. Tal tarefa é a redução da imensa massa da população analfabeta65 no Brasil66. Para termos uma ideia da realidade, na segunda metade do século XIX, a taxa da população livre analfabeta era de 81,43%, “o que correspondia a 78,11% da população com cinco anos ou mais” (MENEZES, 2006, p. 111). Nos anos 1960, a taxa de analfabetismo era de 39,6%. No ano de 2009, caiu para 9,7%67. Sem dúvida, o contingente de pessoas que não tiveram a oportunidade de escolarização formal fala por si. Para ilustrarmos em números a realidade nacional mais atual vejamos o quadro logo abaixo:

Quadro 2 - IDH e taxa de analfabetismo da população de 15 anos ou mais – 2012.

País IDH Posição Taxa de Analfabetismo

Noruega 0,955 1º 0,0 Austrália 0,938 2º 0,0 Áustria 0,895 18º 0,0 Espanha 0,885 23º 0,0 Chile 0,819 40º 1,4 Portugal 0,816 43º 4,6 Argentina 0,831 45º 2,1 Croácia 0,805 47º 1,1 Brasil 0,730 85º 9,6 Fonte: PNUD/UNESCO68 65

Para o IBGE, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, analfabeta é “a pessoa que declara não saber ler ou escrever um bilhete simples no idioma que conhece. Aquela que aprendeu a ler e escrever, mas esqueceu, e a que apenas assina o nome é, também, considerada analfabeta”. Esta definição da instituição encontra-se no link fornecido abaixo da nota de rodapé.

66 Em 1992 a taxa de analfabetismo em pessoas com 15 anos ou mais era de 17,2%. Em 2002 era de

11,8% e em 2011 de 8,6%. Em 2001 a taxa de analfabetismo em crianças com 05 anos ou mais era de 14,6%. Em 2011 registrou o índice de 9,83%. Disponível em: <http://seriesestatisticas.ibge.gov.br/series.aspx?no=4&op=0&vcodigo=PD171&t=taxa-analfabetismo-

grupos-idade>. Acesso em: 02 abr 2013.

67

BARROS, Alexandre: “Uma Velha Promessa: erradicar o analfabetismo” In: Nova Escola. Ano XXVI nº 242, Maio / 2011, p. 28-30.

68 Disponível em:

<http://stats.uis.unesco.org/unesco/TableViewer/document.aspx?ReportId=121&IF_Language=en&BR_Coun try=760>. Acesso em: 22 jan 2014.

Após mais de um século de campanhas de alfabetização, o número de analfabetos é preocupante no Brasil. Claro como o céu azul em dias de verão que o Brasil está atrás de outros países, quando se aborda a erradicação do analfabetismo. Se observarmos o quadro acima, podemos ver que os nossos vizinhos latino-americanos foram mais eficientes do que nosso país em combater o problema sério em ter uma massa como a nossa ainda analfabeta. Trazendo informações ainda mais atuais em relação ao quadro, dados do PNAD69 mostram que a taxa de analfabetismo entre pessoas com idade de 15 anos ou mais no Brasil é de 8,6%, ou seja, quase 13 milhões de pessoas70.

Todavia, apesar da indiscutível realidade observada nos números e ranking acima, houve nas últimas décadas um avanço significativo na qualidade de vida da população no Brasil. O IDHM71 demonstra um evidente avanço. Nos anos 1990, mais precisamente em

1991, o PNUD72 classificava os municípios brasileiros como “muito baixo” e “baixo

desenvolvimento humano”. A forma de classificar os países, ou mesmo por município é a seguinte: o índice vai de Zero→Um. Quanto mais próximo de um, mais desenvolvido é o país ou a cidade. Vejamos a classificação:

Quadro 3 – Quadro de Classificação da ONU para o IDH/IDHM Muito Baixo Desenvolvimento Humano 0.000 até 0.499 Baixo Desenvolvimento Humano 0.500 até 0.599 Médio Desenvolvimento Humano 0.600 até 0.699 Alto Desenvolvimento Humano 0.700 até 0.799

Muito Alto Des. Humano Acima de 0.800

Fonte: PNUD / ONU e IBGE. Ano 2013.

É nítido que a conjuntura econômica enfrentada era completamente diferente desta que temos hoje, a de contas públicas sob relativo controle, índice inflacionário estável, mesmo que ultrapassando um pouco a meta. O “status” do país mudou, passando de devedor para credor do FMI. Foi durante o governo do Presidente Luis Inácio Lula da Silva que o Brasil liquidou seus débitos. O IDHM do Brasil percorreu uma curva ascendente partindo de 0,493 em 1991 até 0,692 em 2000 e atingiu 0,739 em 2010. O

69 Pesquisa Nacional por Amostra em Domicílio.

70“PNAD: ANALFABETISMO diminui, mas ainda atinge quase três milhões de pessoas”. Disponível em:

<http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2012-09-21/pnad-analfabetismo-diminui-mas-ainda-atinge-quase- 13-milhoes-de-pessoas-no-brasil>. Acesso em: 29 jun 2013.

71 Índice de Desenvolvimento Humano Municipal.

índice cresceu 47,5%. O item que mais cresceu foi o IDHM Educação que deu um verdadeiro salto do patamar de 0, 279 para 0, 639.

Observa-se uma distorção onde o IDHM é considerado alto, o IDHM Educação é classificado como médio. A educação no país ainda é um desafio a ser enfrentado. Um exemplo preocupante é o município de Melgaço-PA, que tem o pior IDHM do Brasil (0,418), considerado muito baixo. No extremo oposto está São Caetano do Sul-SP, o município com o melhor índice (0, 862), ou seja, Muito alto. O município de Uberlândia- MG é classificado como Alto Desenvolvimento Humano: Vejamos:

Quadro 4 - O IDHM do Município de Uberlândia-MG Município: Uberlândia-MG IDHM 0.789 IDHM Educação 0.716 IDHM Longevidade 0.885 IDHM Renda 0.776

Fonte: PNUD / ONU e IBGE. Ano 2013.

É inegável, pelo menos para mim, o enorme avanço do país quando fazemos a análise dos dados produzidos. No espaço de aproximadamente vinte anos (1991-2010) houve uma melhora significativa no IDHM, por exemplo, em 1991 o Brasil possuía 0% de municípios classificados como Muito Alto Desenvolvimento Humano. Em 2010 o número de cidades com a referida classificação passou para 44 municípios ou 0,8% das cidades Brasileiras. Todavia a mudança mais significativa foi o número expressivo de cidades que saíram da classificação de “Muito Baixo Desenvolvimento Humano” que eram de 4777 cidades ou 85% em 1991.

Em 2010, o número de cidades reconhecidas como “Muito Baixo Desenvolvimento Humano” caíram para apenas 32, ou 0,6% dos municípios brasileiros. Creio que estas informações demonstram uma mudança marcante73. No entanto os desafios são muitos e a educação ainda necessita avançar, pois está evidente que o investimento em educação pública de qualidade pode aumentar o PIB74 do país. Afirmamos então que “países que apresentam altos índices de desenvolvimento econômico, em geral, também possuem altos índices de investimento em educação e treinamento da força de trabalho”. (SOUZA & OLIVEIRA, 2006, p. 212).

73Disponível em: <http://atlasbrasil.org.br/2013/destaques/>. Acesso em 02 set 2013. 74 Produto Interno Bruto.

No próximo item realizaremos uma reflexão sobre a trajetória de Paulo Freire em seus trabalhos com a alfabetização popular de adultos e analisaremos a forma como este intelectual pensava histórica e culturalmente o Brasil e outros países da America Latina e como esta percepção do mundo em que vivia e os acontecimentos influenciaram a sua obra.

2.4. O Educador Paulo Freire como “Historiador” e suas Experiências com a