KAPITTEL 5 – ANALYSE AV DEN DRAMAPEDAGOGISKE
6.1. D RØFTING AV DE MULTIMODALE INNGANGENE TIL PERSONLIG UTVIKLING
Como mostra Félix (2013), “antes do triunfo do novo, haverá longos períodos de transição até que o novo se mostre superior” (p.58); e é exatamente o que se tem percebido neste trabalho quando se reflete sobre o lugar da autoavaliação e, portanto, da avaliação formativa, nas políticas de educação superior do Brasil. O movimento histórico de implementação da autoavaliação institucional é repleto de momentos de destaque e de subsunção dessa, os quais expõem as contradições de um Estado que muitas vezes promete algo, mas não cumpre. Diante disso, a compreensão da realidade da autoavaliação pressupõe que também na análise e interpretação dos dados extraídos dos documentos oficiais e das entrevistas realizadas se dê continuidade à problematização das mediações e contradições que perpassam a historicidade desse momento avaliativo.
Em consonância às discussões teóricas realizadas no decorrer deste trabalho a respeito: (i) da questão da qualidade em educação superior; (ii) do movimento histórico das políticas públicas de avaliação; (iii) e da autoavaliação na implementação do Sinaes, sentiu-se a necessidade de analisar documentos oficiais em fontes de dois níveis diferentes: central
(Brasil) e local (IES). No nível central deu-se especial atenção aos documentos mais recentes que interferem na autoavaliação: a Portaria nº 92/2014 e a Nota Técnica nº 065/2014, sobre as quais se teceram algumas considerações no capítulo anterior. Contudo, ainda neste nível de compreensão, também sentiu-se a necessidade de ponderar algumas questões na CF, na LDBEN e nos PNE – o que foi contemplado no capítulo 1 – e outras nas atas das reuniões ordinárias da Conaes – sobre o que se discute no próximo item deste capítulo. Já no nível local, a atenção voltou-se ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) e aos dois últimos relatórios de autoavaliação institucional da UnB, referentes aos anos de 2014 e 2015, os quais perpassam os dois tópicos seguintes.
As entrevistas semiestruturadas, por sua vez, foram feitas com os agentes já citados, tendo servido seus roteiros como pontos de referência, os quais encontram-se anexos ao trabalho63. Neles se observa três blocos de perguntas. O primeiro bloco refere-se aos relatórios de autoavaliação e o atendimento às dimensões da política do Sinaes. O segundo ao uso dos resultados da autoavaliação pela gestão da universidade. E o terceiro ao significado atribuído à autoavaliação no contexto atual. Não suficiente, a partir da abertura dada pelo interlocutor no momento da entrevista foram levantadas questões referentes à trajetória acadêmica e profissional de cada um, assim como questões complementares relacionadas especificamente ao objeto da pesquisa.
Em conformidade ao olhar dialético que se quis imprimir ao presente trabalho, bem como à abordagem qualitativa nele adotada – sobre o que já se falou nas considerações iniciais da pesquisa –, as entrevistas e também os documentos em nível central e local foram analisados, descritivamente, por meio da Análise de Conteúdo Temático, proposta por Bardin (2004). Essa se constitui de varias técnicas que buscam descrever o conteúdo emitido no processo de comunicação falada ou escrita, perscrutando as percepções que determinado sujeito ou entidade representativa têm sobre um objeto, nesse caso, a autoavaliação institucional.
Segundo Bardin (2004), o objetivo da análise de conteúdo é “a manipulação de mensagens (conteúdo e expressão desse conteúdo), para evidenciar os indicadores que permitam inferir sobre uma [sic] outra realidade que não a da mensagem.”. (p. 51). E a evidenciação desses indicadores se dá a partir de um roteiro específico de três etapas, as quais foram seguidas nesta pesquisa. A primeira etapa é a pré-análise, que a qual se refere à escolha
63 Observa-se que no fim de uma das entrevistas realizadas no decorrer da pesquisa, o entrevistado elogiou o roteiro de perguntas: “Eu achei que está bem completo o instrumento, você consegue abordar absolutamente tudo com as suas perguntas.” (TE, informação verbal).
de documentos ou, no caso em questão, também na dos sujeitos entrevistados, formulação de hipóteses e determinação de objetivos – ações realizadas até o momento de qualificação desta pesquisa. A segunda é a exploração do material propriamente dito – os documentos em si e as transcrições das entrevistas, enquanto a terceira é a etapa dos resultados e interpretações.
A pré-análise possui subfases, quais sejam: (i) leitura flutuante, momento no qual a autora deste trabalho leu tudo o que ela encontrou sobre o objeto da pesquisa; (ii) escolha dos documentos e dos grupos de entrevistados, que nada mais foi do que um filtro que a mesma fez a partir da exaustividade, representatividade, homogeneidade e pertinência; (iii) formulação de hipóteses e objetivos, os quais foram declarados nas considerações iniciais deste trabalho; (iv) referenciação dos índices e elaboração de indicadores, o que aqui se constituiu na elaboração dos relatórios das entrevistas; e, finalmente, (v) preparação do material para análise, o que pressupôs organização e nitidez.
A exploração dos documentos oficiais e do material das entrevistas, por sua vez, se deu por classificação de categorias e temas captados do conteúdo, do que seguiu a respectiva enumeração da frequência em que esses apareciam. Essa fase foi basicamente uma decomposição dos textos em unidades menores, o que possibilitou tanto apreciar as questões que mais apareciam sobre a autoavaliação, como criar relações entre as falas dos entrevistados e desses com os documentos, por exemplo.
Finalmente, a fase do tratamento dos resultados obtidos e interpretação seria o momento em que se conectam os dados empíricos ao escopo teórico, permitindo avançar para as conclusões. Essa é a fase que se materializou no texto dos próximos dois itens deste capítulo, pois neles as falas dos entrevistados do nível macro (Inep, Conaes e pesquisadores) e do nível micro (CPA da UnB) são relacionadas entre si e ainda aos documentos oficiais, à revisão bibliográfica realizada sobre autoavaliação e a temas correlatos.
Seguindo esse roteiro, a análise e interpretação dos dados coletados foram conduzidas ao longo da pesquisa numa perspectiva qualitativa, tomando a proposta de Bardin (2004) como procedimento básico, visando alcançar os objetivos da pesquisa. Na sequência passa-se, primeiramente, à problematização da preparação da autoavaliação; em seguida, discute-se o desenvolvimento e consolidação da autoavaliação, tendo como foco os relatórios de autoavaliação e o respectivo uso desses nas tomadas de decisão da gestão da IES na visão da CPA da instituição pesquisada.
3.3 AUTOAVALIAÇÃO DESCONHECIDA: AS DIFICULDADES DE SE PREPARAR