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RÅVARE- OG PRODUKTKONTROLL

4.1 - Quem é Ray Kurzweil

Em 1993, quando tivemos o primeiro contato com um scanner que tinha embutido um software de reconhecimento de caracteres (OCR), que transformava textos do tipo fotográficos em textos editáveis, apareceu o nome de Ray Kurzweil, o seu inventor. Na época, também, acompanhávamos certos desenvolvimentos científicos ligados à inteligência artificial do MIT, principalmente do Media and Arts and Science Laboratory, e surgiu o respeitado Professor Marvin Minsky traçando rasgados elogios a uma prata da casa, Raymond Kurzweil. Foi aguçada a curiosidade de conhecermos mais a respeito deste inventor.

Tomamos contato com suas invenções, livros, suas previsões e, principalmente, de sua forma de comunicação. Chamou-nos a atenção suas previsões futurológicas a respeito da inteligência artificial, e de como ele conquistava a atenção do grande público, não cientista sobre o assunto, fazendo seus livros serem best sellers na América.

Percebemos a utilização das mídias digitais em sua forma de comunicação e presença constante em periódicos não científicos.

105 4.2 - O começo...

Ray Kurzweil cresceu no bairro de Queens, Nova York. Ele nasceu em 12 de fevereiro de 1948, filho de pais judeus que tinham escapado da Áustria pouco antes do início da Segunda Guerra Mundial, ele foi exposto através do convívio dos vizinhos a uma diversidade de crenças religiosas em sua educação.

Seu pai era um músico e compositor e sua mãe, uma artista gráfica. Seu tio, engenheiro da Bell Labs, ensinou fundamentos de computação ao jovem Kurzweil. Em sua juventude, ele era um ávido leitor de literatura de ficção científica. Em 1963, aos quinze anos, ele escreveu seu primeiro programa de computador. Mais tarde, na escola, ele criou um software de reconhecimento de padrões que analisou as obras de compositores clássicos, e sintetizado suas próprias canções em estilos semelhantes. Em 1965, foi convidado para aparecer no programa de televisão da rede CBS “I've Got a Secret - Eu tenho um segredo”, tocando uma peça de piano que foi composta em um computador. Mais tarde, naquele ano, ele ganhou o primeiro prêmio na Feira Internacional de Ciência pela invenção, foi reconhecido pela Westinghouse Talent Search e foi pessoalmente parabenizado pelo presidente Lyndon B. Johnson durante uma cerimônia na Casa Branca.

106 4.3 - O Inventor/Empreendedor

Ray Kurzweil foi descrito como “o gênio inquieto” pelo The Wall Street Journal e “a máquina do pensamento final” pela Forbes. Inc.. O magazine classificou-o entre os oito principais empreendedores nos Estados Unidos, chamando-o de “o herdeiro legítimo de Thomas Edison”. A PBS (rede de TV norte americana), por sua vez, escolheu Ray como um dos 16 “revolucionários que fizeram a América”, juntamente com outros inventores dos últimos dois séculos. Ele é considerado um dos maiores inventores, pensadores e futuristas do mundo, com um histórico de mais de 30 anos de previsões precisas.

Em 1968, ainda estudante do MIT, Kurzweil fundou uma empresa que usava um programa de computador para casar estudantes de ensino médio com universidades. Ele comparava milhares de critérios sobre cada instituição de ensino com respostas de questionários respondidos pelo próprio estudante. Aos vinte anos, ele vendeu a empresa para a Harcourt, Brace & World por cem mil dólares mais royalties. Raymond recebeu o grau de BS (Bachelor of Science) em ciência da computação e literatura em 1970.

Em 1974, Kurzweil fundou a empresa Kurzweil Computer Products, Inc. e liderou o desenvolvimento do primeiro sistema de reconhecimento ótico de caracteres que reconhecia texto escrito em qualquer fonte. Até então, os digitalizadores só conseguiam ler texto escrito dum conjunto restrito de fontes. Ele decidiu que a melhor aplicação para essa tecnologia seria a criação de uma maquina leitora, que permitisse a cegos entender textos escritos ao ouvir um computador ler o texto. Entretanto, esse dispositivo exigia a criação de duas tecnologias, o digitalizador CCD e o sintetizador de voz. Sob sua direção, o desenvolvimento de tais tecnologias foi completado, e em 13 de janeiro de 1976 o produto foi apresentado durante uma coletiva para a imprensa. Chamada Máquina Leitora de Kurzweil, a invenção o levou a um maior reconhecimento. No dia do lançamento, após ouvir a demonstração, o músico Stevie Wonder comprou a primeira versão de produção, começando uma amizade de longa data com Kurzweil.

Em 1978, a empresa de Kurzweil começou a vender uma versão comercial de um programa de computador de reconhecimento ótico de caracteres. A LexisNexis foi uma das primeiras clientes, comprando o programa para digitalizar documentos impressos, formando um dos primeiros bancos de dados digitais conhecidos. Dois anos mais tarde, Kurzweil vende sua empresa para a Xerox, que tinha interesse em aumentar o comércio de sistemas de

107 conversão de texto impresso em texto de computador. A Kurzweil Computer Products se tornou a subsidiária da Xerox, anteriormente conhecida como Scansoft e, atualmente, como Nuance Communications. Raymond atuou como consultor na empresa até 1995.

Sua próxima iniciativa na indústria foi na área de música eletrônica. Em 1982, após um encontro com Stevie Wonder em que o músico lamentava dividir as capacidades e qualidades de sintetizadores eletrônicos e instrumentos musicais tradicionais, Kurzweil se inspirou para criar uma nova geração de sintetizadores capazes de imitar com precisão o som de instrumentos reais. A Kurzweil Music Systems foi fundada no mesmo ano e, em 1984, o Kurzweil K250 foi lançado. A máquina era capaz de imitar diversos instrumentos, e, durante testes, músicos não conseguiam distinguir as diferenças do produto com um piano. A empresa foi vendida para a coreana Young Chang em 1990. Assim como com a Xerox, Kurzweil permaneceu como consultor por diversos anos.

Junto com a Kurzweil Music Systems, Ray Kurzweil criou a empresa Kurzweil Applied Intelligence (KAI) para desenvolver sistemas comerciais de reconhecimento de fala. Estreando em 1987, o primeiro produto foi o primeiro do mundo com amplo vocabulário, permitindo aos usuários ditar ao computador por um microfone. Posteriormente, a empresa combinou a tecnologia com sistemas especialistas de medicina para criar a linha de produtos Kurzweil VoiceMed, atualmente conhecida por Clinical Reporter, que permite aos médicos criar relatórios falando. A KAI é atualmente conhecida por Nuance.

Kurzweil também começou a Kurzweil Educational Systems em 1996 para desenvolver novas tecnologias de reconhecimento de padrões para ajudar pessoas com deficiências como cegueira e dislexia nos estudos.

Kurzweil é detentor do prêmio Lemelson-MIT de 500.000 dólares, como o maior inovador do mundo. Em 1999, ele recebeu a Medalha Nacional de tecnologia, a honra da nação, em tecnologia, do presidente Bill Clinton em uma cerimônia na Casa Branca.

Durante a década de 1990, Ray Kurzweil fundou a Medical Learning Company, cujos produtos incluíam um programa educacional interativo para médicos e um programa de simulação de paciente. Na mesma época, Kurzweil começou a KurzweilCyberArt.com, um sítio web com programas de computador para ajudar na criação de arte.

E, em 2002, ele foi conduzido ao “Inventors Hall”, o hall da fama dos inventores, estabelecido pelo gabinete de patentes dos Estados Unidos. Ele recebeu 20 doutorados honorários e homenagem de três presidentes dos EUA.

108 Em junho de 2005, Ray Kurzweil apresentou o K-NFB Reader, um dispositivo de bolso que continha uma câmera digital e uma unidade computacional. Assim como a Máquina Leitora de Kurzweil trinta anos antes, o K-NFB Reader foi desenvolvido para ajudar cegos ao permitir a leitura através da voz de texto escrito. Essa nova máquina era portátil e coletava texto através de imagens de uma câmera digital.

Em março de 2009, foi lançado, no Festival de Tribeca, um documentário independente sobre Ray chamado Transcendent Man. Os cineastas Barry e Felicia Ptolemy o seguiram, documentando sua turnê global de palestras. E, em junho de 2010, foi lançado, no Festival de Breckenridge, um filme de autoria do próprio Ray Kurzweil, intitulado “The Singularity is Near: A True Story About the Future”, baseado em partes de seu livro de 2005 The Singularity Is Near. Parcialmente fictício, ele entrevista vinte intelectuais, como Marvin Minsky, e há narrativas que ilustram algumas das ideias.

Uma das suas previsões é que a vida humana poderá estender-se de forma quase ilimitada a partir de 2036. Para isso, ele está utilizando uma série de artifícios para conseguir prolongar a própria vida. Ele toma cerca de 200 suplementações de nutrientes por dia, atitude à qual ele atribui os créditos por conseguir ótimos resultados em testes de idade.

Kurzweil tem 66 anos, mas consegue vários resultados superiores aos de pessoas mais novas. Mesmo assim, ele não atribui a jovialidade apenas a isso. O executivo diz que a “imortalidade é uma sequência de pontes” e que os suplementos são apenas uma dessas estruturas. Outra delas seria a utilização de nanorrobôs, que podem melhorar funções do sistema imunológico e ajudar no combate a doenças.

Isso também seria responsável por permitir que os humanos consigam permanecer ativos por mais anos do que geralmente fariam. Todos esses sistemas integrados seriam capazes de tornar maior a expectativa de vida dos seres humanos, permitindo que qualquer pessoa pudesse “enganar a morte”, ou pelo menos adiá-la.

O empenho em relação à própria saúde é motivado por uma meta nobre: Kurzweil quer chegar com vitalidade e clareza de raciocínio a 2029, ano em que ele acredita que a fusão entre máquinas e homens estará completa.

A “singularidade” propagada por Kurzweil, em que a máquina será uma espécie de continuação do homem, já está em curso. "Não será algo que começará automaticamente em 2029. É uma mudança que já está acontecendo", explica o cientista. Segundo ele, a relação das pessoas com seus smartphones é um exemplo claro da tendência. “As pessoas já sentem que esses aparelhos são uma extensão do seu cérebro, ainda que não estejam dentro de sua

109 cabeça”, explica. “Na verdade, as informações do smartphone não estão nem dentro do hardware; elas residem na nuvem, com uma capacidade exponencial de armazenamento em relação ao cérebro humano.”

Outro projeto de Kurzweil que está relacionado a essas tentativas de tornar maior a vida humana é o melhoramento das habilidades de processamento da linguagem natural por parte das máquinas. Kurzweil afirma que isso vai permitir que os robôs consumam, leiam e entendam as comunicações humanas. Ainda não há previsão de quando isso será aplicado efetivamente.

Diferentemente de outros, não vemos limites para o desenvolvimento tecnológico. A tecnologia supõe uma ruptura com a lenta evolução biológica e a entrada de um processo mais rápido. Muitos cientistas têm uma perspectiva linear e veem o futuro como uma cópia retocada do passado. Isso é um erro. Estamos em uma fase de crescimento exponencial em que confluem a informática, a biotecnologia, a física quântica, a nanotecnologia... Este século será equivalente a 20 mil anos de desenvolvimento linear.

Kurzweil tem uma visão “humanística” da tecnologia e defende que a evolução das máquinas poderá ajudar a solucionar a escassez de água e comida nas regiões mais pobres do mundo.

110 4.4 - O Escritor

Kurzweil é autor de 7 livros, 5 dos quais foram best-sellers nacionais. Nestas suas publicações, utilizou-se de uma forma de comunicação simples, direta e descomplicada, que cativou o público.

O primeiro livro de Kurzweil foi publicado em 1990, “The Age of Intelligent Machines”, uma obra não fictícia que discute a história da inteligência artificial e prevê desenvolvimentos possíveis. Outros especialistas do campo também contribuíram amplamente no trabalho através de ensaios.

Em seguida, foi publicado um livro sobre nutrição em 1993, “The 10% Solution for a Healthy Life”, que argumenta que os altos níveis de gordura são a causa de diversos problemas de saúde comuns nos Estados Unidos, e que cortar o total de calorias consumidas para 10% do atual seria melhor índice para a maioria das pessoas.

Em 1998, foi publicado “The Age of Spiritual Machines”, em que Kurzweil foca na elucidação de suas teorias sobre o futuro da tecnologia; O livro foi traduzido para 9 línguas, inclusive o português.

Foi seguido por outro sobre saúde e nutrição, “Fantastic Voyage: Live Long Enough to Live Forever”, coautorado por Terry Grossman, um médico e especialista em medicina alternativa.

“The Singularity Is Near” foi publicado em 2005, best-seller do New York Times e o livro mais vendido na Amazon na categoria ciência e filosofia. A singularidade é um conceito criado nos anos 50 por John Von Newmann, um dos pais da cibernética, para se referir ao impacto que o desenvolvimento tecnológico teria sobre o futuro. Também é um termo que, em matemática, significa infinito. No livro, ele fala da mudança crucial e profunda que representará a união das inteligências artificial e humana. Será uma ruptura na história. Prevê também que em cinco décadas nascerá uma inteligência artificial tão humana que mudará a civilização, pois alterará o conceito que temos de nós mesmos, da nossa relação com as máquinas e do papel destas máquinas. A singularidade será detalhada no próximo tópico.

Acabou de lançar, em maio de 2014, seu novo livro, How to Create a Mind: The Secret of Human Thought Revealed (Como Criar uma Mente: O Segredo do Pensamento Humano revelado), que estava sendo preparado desde 2012. Neste livro, ele explica o

111 funcionamento do cérebro. Explica que: “o mundo é hierárquico. Apenas os mamíferos têm um neocórtex, e o neocórtex evoluiu para fornecer uma melhor compreensão da estrutura do mundo, então você pode fazer um trabalho melhor de modificá-lo às suas necessidades e resolver problemas dentro de um mundo hierárquico. Pensamos de uma maneira hierárquica. Nossa primeira invenção foi a linguagem, e linguagem é hierárquica. A teoria por trás da aprendizagem, que eu chamaria de hierarquia de aprendizagem, é que você tem um modelo que reflete a hierarquia do fenômeno natural que está tentando aprender”.

O título não é nenhuma brincadeira. Kurzweil planeja até 2019 modelar um cérebro digital com a ajuda de nanorrobôs e, para isso, conta com toda a estrutura do Google para auxilia-lo.

Hoje ele mantém um site na Internet chamado KurzweilAI.net, onde publica diariamente os avanços na ciência e tecnologia e que tem mais de 3 milhões de leitores novos anualmente.

112 4.5 - A Universidade da Singularidade (SU)

“Nossa missão é educar, inspirar e capacitar líderes para aplicar tecnologias exponenciais para enfrentar os grandes desafios da humanidade.”

Missão da SU

“A melhor maneira de prever o futuro é criá-lo você mesmo.” Peter Diamandis – Presidente da X-Prize Foundation

“Singularity University is an opportunity to bring people from every conceivable walk of life with people that share a common aspiration that is to do better, to be better, and to make a positive impact on people's lives.”

Gavin Newsom - California Lieutenant Governor

A Universidade da Singularidade (SU) foi fundada em 2009 por Ray Kurzweil que foi seu primeiro Reitor, Salim Smail (ex-presidente da Yahoo) e Peter Diamandis (presidente da X-Prize Foundation, que, aos 20 e poucos anos, criou a Universidade International Space, que já formou uma geração inteira de cientistas da NASA). Tem o objetivo de reunir as melhores mentes do mundo (alunos e professores) para formá-las nas mais diversas áreas (nanotecnologia, genética etc...) com base no modelo exponencial da evolução tecnológica, preparando-os para serem os futuros líderes mundiais como empreendedores e pensadores.

É um grande centro de pesquisa e conhecimento localizado no Centro de Pesquisa Ames, da NASA, em Moffett Field, na Califórnia, a poucos quilômetros da sede do Google e outras empresas de alta tecnologia; evidentemente financiado pela agência espacial americana (NASA) e o Google, entre outros parceiros.

“Os desafios de nosso planeta são profundos”, disse Vint Cerf, vice-presidente do Google. “Precisamos dos melhores corações e mentes trabalhando juntos por uma causa única”, acrescentou.

A seleção dos estudantes é muito rigorosa, suas vagas são destinadas aos melhores estudantes de graduação e pós-graduação do mundo. Começou com apenas 30 vagas, e em 2010 aumentou para 80, com mais de 2.000 candidatos interessados de todas as partes do mundo. Em 2011, teve 2400 candidatos. A procura estava tão grande que a universidade começou a promover minicursos “executivos” de 3 dias e de 10 dias.

O programa-padrão é de dez semanas de duração, presencial onde são dadas matérias como biotecnologia e bioinformática, nanotecnologia, robótica, inteligência artificial,

113 computação cognitiva, ciências físicas e espaciais, entre outras, ao custo de em torno de US$ 25 mil por aluno. Os cursos de 3 dias saem por US$ 5 mil dólares.

A SU não parece uma universidade comum. Os cursos não são reconhecidos oficialmente e não há estudantes tradicionais.

A Universidade Stanford pode ter sido o berço de mil “startups” (empresas iniciantes de tecnologia em geral relacionadas a grupos empreendedores) do Vale do Silício e de grandes inovações, mas a SU é criada à própria imagem do vale: altamente conectada em rede, alimentada por um coquetel de filantrocapitalismo e dotada de uma consciência quase mística de seu próprio destino. Ela é o “think tank” futurista de elite do Vale do Silício e seu braço que se conecta com o mundo.

Mais da metade das pessoas que frequentam a SU hoje são pessoas que já fizeram realmente coisas que tiveram impacto positivo sobre 1 bilhão de pessoas ou mais. Citamos aqui, entre outros tantos, Vint Cerf, um dos pais da internet, que trabalhou no Arpanet, antecessor da web, e hoje é o evangelista-chefe da internet no Google; Sebastian Thrun, o homem que desenvolveu o carro que anda sozinho; Elon Musk, cofundador do sistema de pagamentos on-line PayPal e da Tesla Motors, que inventou o carro elétrico e está trabalhando numa nave para substituir os ônibus espaciais; Reid Hoffman, cofundador da rede social LinkedIn; e Buzz Aldrin, astronauta celebridade, que foi o segundo homem a pisar na Lua.

Larry Page, o fundador do Google falou: “Aqui é onde eu gostaria de estar se fosse estudante”.

Na SU também se aprende como os humanos podem se proteger das poderosas inteligências artificiais que nos substituirão. Para Kurzweil, a Singularidade que se dará até 2045, trará conseqüências otimistas: derrotaremos a pobreza; o mundo será pura abundância; não haverá doenças; viveremos para sempre… Os seguidores de Kurzweil não param de crescer.

A primeira instrução que o aluno recebe ao iniciar um curso na SU vem do seu cofundador da Peter Diamandis. Nossa tarefa, diz ele, é escolher “um dos grandes desafios da humanidade”, por exemplo, a escassez de água potável. E então bolar uma ideia “que possa impactar positivamente a vida de 1 bilhão de pessoas”.

Entre alguns projetos em curso na SU está o de Craig Venter para criar biocombustíveis. Ele acredita que um acre (cerca de 4.000 m²) de algas microscópicas poderá produzir 10 mil litros de óleo por ano – um milharal da mesma área rende 18 litros. Venter acaba de receber US$ 300 milhões em investimento da Exxon para converter isso em

114 realidade. Andrew Hessel, docente de biotecnologia da SU que quer criar tratamentos contra o câncer com código aberto e distribuição livre, diz que a biologia é a próxima tecnologia exponencial. O código genético vai se tornar “uma linguagem de programação”, afirma ele. Estamos no início de transformações maciças: o bio-hacking do tipo “faça você mesmo” já começou. “Os vírus estão chegando primeiro”, ele afirma. “Vírus são fáceis de fabricar.”

Vint Cerf , por sua vez, fala sobre a “internet das coisas”. No futuro próximo, afirma, aparelhos vão conversar uns com os outros. “Você vai estar no supermercado e receberá uma ligação da geladeira dizendo ‘não esqueça o molho marinara’.”

A tese de Diamandis é que em pouco tempo vamos ingressar num mundo “pós- escassez”. Esqueça o esgotamento das reservas de petróleo. Quem vai precisar delas quando temos “15 terawatts de energia do Sol chegando à Terra a cada 15 minutos”? O desafio é apenas como atrelar essa energia. “E estamos cada vez melhores nisso”, diz ele.

115 4.6 - Singularidade

Primeiramente, para definirmos o conceito de “Singularidade”, vamos explorar a história da própria palavra. “Singularidade” é uma palavra que significa um evento único, singular, com implicações únicas.

Os matemáticos têm se utilizado da palavra para descrever um valor muito grande, que ultrapassa qualquer limitação finita. Isto pode ser verificado quando dividimos uma constante por um número infinitamente pequeno que se aproxima de zero, e o resultado é um número infinitamente grande. Na matemática, uma divisão por zero é considerada impossível e se diz que o resultado é indefinido. No limite, podemos considerar o resultado como um número infinito. Em uma função do tipo y = l / x , a medida que o valor de x se aproxima de zero, o valor da função ( y ) atinge valores cada vez maiores. Dizemos que o valor de y ultrapassa