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O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém, desviamo-nos dele. A cobiça envenenou a alma dos homens, levantou no mundo as muralhas do ódio e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da produção veloz, mas nos sentimos enclausurados dentro dela.

A máquina, que produz em grande escala, tem provocado a escassez. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que máquinas, precisamos de humanidade; mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura! Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo estará perdido. (Charles Chaplin, em discurso proferido no final do filme “O grande ditador”, 1940).

Conceituações teóricas sobre a concepção de trabalho

Consideramos importante discutir algumas concepções sobre o papel social do trabalho no contexto brasileiro, a partir de uma breve contextualização histórica. É consenso que o trabalho, ao longo dos anos, exerce um papel determinante na formação de uma sociedade, já que é por meio dele que o homem constrói se a si mesmo e também o seu ambiente, de acordo com as condições que lhe são oferecidas para trabalhar.

Antes de tudo, o trabalho é um processo entre o homem e a natureza, um processo em que homem, por sua própria ação media, regula e controla seu metabolismo com a natureza. Ele mesmo se defronta com a matéria natural, como uma força natural. Ele põe em movimento as forças naturais pertencentes à sua corporalidade, braços e pernas, cabeça e mão, a fim de apropriar se da matéria natural numa forma útil para sua própria vida. Ao atuar, por meio desse movimento sobre a natureza externa a ele e ao modificá-la, ele modifica, ao mesmo tempo, sua própria natureza. Ele desenvolve as potências nela adormecidas e sujeita o jogo de suas forças a seu próprio domínio (MARX, 1985, p. 149).

Nessa perspectiva, o trabalho constitui-se, segundo Marx (1985), como uma categoria ontológica do ser social, já que por meio dele, os homens se tornam autônomos na relação com a natureza, transformando as propriedades dela com valores

38 de uso que permitem a satisfação das necessidades humanas. Podemos assim dizer que o trabalho caracteriza-se por ser uma atividade essencial do ser social, pois é por meio dele que nos distinguimos dos demais seres vivos. Desse modo, o trabalho confere ao homem e demarca sua capacidade racional de livre escolha entre alternativas, permitindo o desenvolvimento da autodeterminação e da emancipação humana.

Na opinião de Marx (1985), diferentemente do animal, o homem faz do trabalho sua atividade vital, objeto de sua vontade, conscientemente orientada e livre. Assim sendo, enquanto o animal produz unilateralmente sempre o mesmo para si e para sua cria, o homem produz universalmente sempre o novo para toda a sociedade, ou seja, o objeto do trabalho é a objetivação da existência genérica do homem.

Pressupomos o trabalho numa forma em que pertence exclusivamente ao homem. Uma aranha executa operações semelhantes às do tecelão, e a abelha envergonha mais de um arquiteto humano com a construção dos favos de suas colmeias. Mas o que distingue, de antemão, o pior arquiteto da melhor abelha é que ele construiu o favo em sua cabeça, antes de construí-lo em cera. No fim do processo de trabalho obtém-se um resultado que já no início deste existiu na imaginação do trabalhador e portanto, idealmente. Ele não apenas efetua uma transformação da forma da matéria natural; realiza, ao mesmo tempo, na matéria natural seu objetivo, que ele sabe que determina como lei, a espécie e o modo de sua atividade e ao qual tem de subordinar sua vontade (MARX, 1985, p. 149-150).

Uma das características específicas do homem é projetar em sua mente, com antecedência, o resultado que deseja alcançar pelo seu trabalho, de modo que ao realizá- lo provoca uma transformação não só na matéria, mas nela realiza seus próprios fins.

Segundo Previtali (2011), é no momento em que o homem interage com a natureza e a altera para satisfazer suas necessidades essenciais e, ao mesmo tempo, também altera sua própria natureza, que os homens entram em relações uns com os outros com mesmo fim, ou seja, são assim que são constituídas as relações sociais de produção.

A partir das relações sociais no ato de produção do real se formam todos os subsequentes arranjos estruturais dos homens em sociedade que, por sua vez, irão também condicionar as relações materiais de produção. São as relações sociais de produção que determinam, por conseguinte a divisão social do trabalho. Sendo assim, dadas relações sociais de produção e consequentemente a divisão social do trabalho que aquela engendra, os homens determinam as formas de produção e distribuição dos produtos. Uma vez que os critérios em que se

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fundamenta não se pautam pela igualdade, dividem se em classes sociais historicamente antagônicas (PREVITALI, 2011, p. 37).

Percebe se que as relações sociais de produção regulam não só a distribuição dos meios de produção e dos produtos, como também a apropriação dessa distribuição e do trabalho. Elas expressam as formas sociais de organização voltadas para a produção. Os fatores decorrentes dessas relações resultam em uma divisão social de classes no interior das sociedades.

A divisão do trabalho só surge efetivamente a partir do momento em que se opera uma divisão entre o trabalho material e intelectual. A partir desse momento, a consciência pode supor-se algo mais do que a consciência da prática existente, que representa de fato qualquer coisa sem representar algo de real. E igualmente a partir deste instante ela encontra-se em condições de se emancipar do mundo e de passar à formação da teoria ‘pura’, teologia, filosofia moral etc. Mas mesmo quando esta teoria, essa teologia, essa filosofia, essa moral, etc. entram em contradição com as relações existentes, isso se deve apenas ao fato de as relações sociais existentes terem entrado em contradição com a força produtiva existente (MARX, 1985, p. 16).

O homem exerce o trabalho com a finalidade de produzir o necessário para a sua sobrevivência e para que isso aconteça, ele utiliza os meios de produção formados pelas ferramentas ou instrumentos de trabalho e pela matéria-prima a se constituir em produto ou objeto de trabalho. Tais elementos, somados à força de trabalho do homem, deu-se o nome de forças produtivas, as quais se desenvolveram ao longo dos séculos, conforme o surgimento de novas necessidades. O que diferencia um modo de produção do outro são as relações que os homens estabelecem com os meios de produção e também entre si (OLIVEIRA, 1987).

O trabalho, como atividade exclusivamente humana, nem sempre foi concebido e valorizado da mesma forma no decorrer da história. Por coincidir com a existência humana, o trabalho tem passado por transformações importantes, uma vez que o seu conteúdo e sua forma têm variado de acordo com as forças produtivas e a correlação de forças da sociedade civil (SOUZA, 2002). Em sua forma original, o trabalho passou pelas formas primitivas da relação do homem com a natureza, ou seja, era visto como um meio de sobrevivência até chegar aos modernos sistemas industriais e por isso atinge o complexo sistema de exploração que temos em nossa sociedade atual.

40 O trabalho na sociedade capitalista

Para Marx (2004), na sociedade capitalista, a posse privada dos meios de produção impossibilita que o trabalho se materialize como uma atividade emancipadora e com isso os trabalhadores ficam alienados aos produtos que eles mesmos criaram e também na relação da atividade que têm com os outros e si próprios. A partir do instante em que o trabalhador é afastado dos meios de produção e consequentemente do planejamento e do resultado de seu trabalho, essa cisão provoca uma relação de estranhamento que não permite que a riqueza produzida socialmente seja apropriada pelos seus produtores.

O Trabalho pode conter duas dimensões, dependendo das condições concretas de sua realização. Uma primeira dimensão construtora, emancipadora. É o Trabalho concreto de Marx, voltado para a produção de produtos e para a satisfação de necessidades humanas, contribuindo para a realização do individuo enquanto criador e transformador do seu meio. [...] outra dimensão alienante, opressora. Nas condições de existência da propriedade privada, o trabalhador não tem condições de interferir sobre os objetivos e produtos do seu trabalho, e até mesmo de dominar o próprio processo de produção (ARANHA; DIAS, 1995, p. 116).

Nessa mesma linha de raciocínio, Ianni (1998) diz que o sistema capitalista intensifica, de forma crescente, a alienação do trabalhador, sem falar que as suas funções ficam divididas cada vez mais. Esse processo de alienação do trabalhador pelo produto do próprio trabalho é considerado a sua própria contradição, pois, ao mesmo tempo em que o trabalho traduz a superioridade do homem sobre os animais e se constitui como produto e sujeito de sua própria história, provoca a alienação humana. Assim sendo, o trabalho constrói e destrói, sendo o elemento fundante e degradante do homem enquanto sujeito histórico.

Ao revolucionar o modo de produção capitalista, o capital revoluciona os elementos do processo de trabalho que são (1) a atividade orientada a um fim – no caso do modo de produção capitalista, a atividade vital estranhada, tendo em vista que ela possui um telos estranhado; (2) seu objeto e (3) seus meios técnicos (ou tecnológicos) que aparecem como capital propriamente dito ou condições objetivas alienadas do processo de produção da mais valia. A sociedade do capital ou sociedade moderna é a sociedade do trabalho alienado/estranhado. A organização social das atividades humanas, seus objetos e meios, isto

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é o modo de controle do metabolismo social incorporam o caráter do trabalho alienado (ALVES, 2000, p. 17).

Nesse sentido, Aranha (2000) também acredita que a alienação que ocorre durante os processos de trabalho significa a separação ou a perda sofrida pelo trabalhador de uma parte do seu ser, de sua atividade e principalmente da sua constituição humana. O trabalhador ao se sujeitar ao processo de trabalho capitalista sofre um processo de objetivo de desapropriação de si, tão mais profundo quanto mais riqueza produza.

Marx (2004) é ainda mais incisivo ao analisar a questão. Para ele, o trabalhador torna-se tanto mais pobre quanto mais riqueza produz, quanto mais a sua produção aumenta em poder e extensão.

O trabalhador torna-se uma mercadoria tão mais barata quanto maior o número de bens que produz. Com a valorização do mundo das coisas

(Sachenwelt). O trabalho não produz apenas mercadorias; produz

também a si mesmo e ao trabalhador como uma mercadoria, e juntamente na mesma proporção com que produz bens. Tal fato implica apenas que o objeto produzido pelo trabalho, o seu produto, opõe se a ele como ser estranho, como um poder independente do produtor. O produto do trabalho é o trabalho que se fixou num objeto, que se transformou em coisa física, é a objetivação do trabalho (MARX, 2004, p 64).

Examinando essas opiniões, infere-se que no processo final do produto, o trabalho é visto como alheio ou estranho ao trabalhador, ou seja, como um objeto que não lhe pertence. "O trabalhador coloca a sua vida no objeto; mas agora ela não pertence mais a ele, mas sim ao objeto" (MARX, 2004, p. 75). Neste sentido, Aranha (2000) corrobora ao estabelecer que a alienação se manifesta em três dimensões:

1) em relação aos produtos do Trabalho – o trabalhador não detém a propriedade nem o controle sobre os frutos do seu Trabalho, não determina o que nem o porquê do que é produzido; 2) em relação à atividade de Trabalho – o trabalhador não controla como o produto é produzido; participa como executor, de um processo concebido por outros; 3) em relação à espécie – o trabalhador ao se sujeitar a esse processo de desapropriação de si não se desenvolve plenamente como ser humano. O Trabalho se transforma, então, em atividade lesiva, desinteressante e em fonte de sofrimento para o trabalhador, um empecilho para formação humana e dos vínculos humanos, pois a alienação provoca o isolamento social do indivíduo. O sentido do Trabalho se reduz, torna-se um mero meio de subsistência (ARANHA, 2000 p.65).

42 Isso posto, faz-se necessária a introdução de outro conceito muito importante para se compreender como se organiza os modos de produção capitalista e suas formas de apropriação do trabalho, denominado por Marx como Mais-Valia. Sabe-se que no capitalismo, o trabalho consiste em um processo de valorização do capital e que faz parte dessa lógica a exploração da força de trabalho, cujo objetivo maior é o aumento da produção através da mais valia9.

Esse processo se dá, resumidamente, assim: uma vez pago o salário de mercado pelo uso de força de trabalho do trabalhador, os capitalistas já podem lançar mão de duas estratégias para ampliar a taxa de lucro: estender a duração da jornada de trabalho mantendo o salário constante, que é a Mais-Valia absoluta, ou ampliar a produtividade física do trabalho através da mecanização, que é a Mais-Valia relativa. Com isso o capitalista compra determinada força de trabalho do operário, mas faz com que ele produza maior quantidade de valor do que é lhe restituído sob a forma de salário.

Nesse sentido, a acumulação capitalista se dá entre a diferença do trabalho necessário à reprodução da vida do trabalhador, o que é pago, e o trabalho excedente que o trabalhador é obrigado a realizar, não pago. É esse trabalho excedente que produz a Mais-Valia (MARX, 2004), que acrescenta:

Claro, o trabalho produz maravilhas para os ricos, mas produz a privação para os trabalhadores. Produz palácios, mas casebres para o trabalhador. Produz beleza, mas deformidade para o trabalhador. Substitui o trabalho por máquinas, mas lança uma parte dos trabalhadores para um trabalho bárbaro e transforma os outros em máquinas. Produz inteligência, mas também produz estupidez e o cretinismo para os trabalhadores (MARX, 2004, p. 161).

Podemos dizer que na sociedade capitalista, à medida que há um maior desenvolvimento dos aparatos tecnológicos, mais frágeis se tornam a vida dos trabalhadores e também as suas condições de trabalho. Quanto mais eles produzem, maior é a sua pobreza e a sua vulnerabilidade, pois não têm acesso à imensa diversidade 9 Conceito fundamental da economia política marxista, que consiste no valor do trabalho não pago ao trabalhador, isto é, na exploração exercida pelos capitalistas sobre seus assalariados [...]. Sendo a força de trabalho uma mercadoria cujo valor é determinado pelos meios de vida necessários à subsistência do trabalhador (alimentos, roupas, moradia, transporte, etc.), se este trabalhar além de um determinado número de horas, estará produzindo não apenas o valor correspondente ao de sua força de trabalho (que lhe é pago pelo capitalista na forma de salário), mas também um valor a mais, um valor excedente sem contrapartida, denominado por Marx de Mais-Valia. É desta fonte (o Trabalho não pago) que são tirados os possíveis lucros dos capitalistas (industriais, comerciantes, agricultores, banqueiros, etc.), além da renda da terra, dos juros, etc. Cf. SANTORO, Paulo. Novíssimo Dicionário de Economia. São Paulo: Best Seller, 2000.

43 de coisas produzidas pelo seu trabalho, diferentemente dos donos dos meios de produção, que se tornam cada vez mais ricos, já que não dividem as riquezas produzidas socialmente para as classes que vivem do trabalho.

Na sociedade capitalista, sustentada sob a égide da propriedade privada dos meios de produção, os recursos produtivos do trabalho dos homens são adquiridos por parte dessa sociedade possuidora dos meios de produção. A ciência, como conhecimento sistematizado, passa a fazer parte do trabalho produtivo, explorada pelo capital como uma mercadoria moldada aos seus interesses, é empregada como meio de separação entre o saber e o trabalhador, em um primeiro momento, para depois pertencer aos domínios do capital, pelo fato de que pode haver restrição desse saber. Entretanto, os trabalhadores não podem ser desapropriados, de modo amplo, de seus saberes, pois sem o conhecimento não há produção (IANNI, 1998, p. 34).

Com o avanço do capitalismo, os donos dos meios de produção desenvolvem novas táticas que retiram pouco a pouco o conhecimento dos trabalhadores, fazendo com que eles tenham seu trabalho fragmentado. O trabalhador passa a ter o domínio de apenas uma parte de seu trabalho, ou seja, quanto mais o trabalho se torna sofisticado pela incorporação de máquinas no processo produtivo, mais se degradam as condições de vida do trabalhador. Com o intuito de um maior controle sobre os trabalhadores no modo de produção, surgiram novas formas de gestão dos processos de trabalho a partir da necessidade de reestruturação capitalista.

Mudanças no mundo do trabalho e a reestruturação produtiva

O modo de produção capitalista tem buscado, ao longo dos anos, alternativas tecnológicas e organizacionais diferenciadas para controlar o processo de trabalho com o objetivo de aumentar a produção e também as taxas de lucros sobre os produtos. Para que isso aconteça são introduzidos novos equipamentos de produção, principalmente a partir das inovações tecnológicas e das novas formas de gestão.

Dentro da perspectiva da subsunção do capital, as novas tecnologias geraram, por sua vez, novas demandas sobre o modo de organização dos espaços de interação e também das próprias ações dos agentes de trabalho, tanto no que se refere à produção direta quanto na administração das empresas. Uma vez que as empresas se constituíam em estruturas organizacionais cada vez mais expostas à análise experimental, as complexas e especializadas funções que aglomeravam mostravam-se ainda mais

44 passíveis de ser objeto de aprimoramento técnico, dentro de campos de estudos definidos, possibilitando assim, cada vez mais, sua crescente racionalização (PINTO, 2007).

A sociedade contemporânea, principalmente a partir das últimas décadas, passou por intensas transformações, principalmente a partir da reestruturação produtiva, que expressa a era da produção flexível, que tem acarretado grandes mudanças no mundo do trabalho10. Para analisar as principais características da reestruturação

produtiva, devemos compreender os processos de gestão que antecederam a esse estágio. Para isso, faremos um recuo histórico do taylorismo/fordismo.

A gerência científica, segundo Braverman (1987), teve seu início depois do surgimento do capitalismo industrial11, quando um único capitalista empregava uma

quantidade significativa de trabalhadores. O mérito desses capitalistas não era poder gerenciar através do conhecimento do ofício e sim para o dono do capital, do empreendimento, da matéria-prima, dos produtos produzidos na empresa e principalmente dono do tempo dos trabalhadores. Com isso, o modo capitalista de produção destrói sistematicamente todas as perícias a sua volta e dá nascimento às qualificações e ocupações que correspondem as suas necessidades. A força de trabalho converteu-se em mercadorias e suas utilidades são organizadas de acordo com as necessidades dos capitalistas, que procuram cada vez mais ampliar seu capital.

O processo hegemônico de produção de mercadorias no modo de produção capitalista, segundo Bihr (1998), é aquele que combina os princípios da administração científica de Frederick Winslow Taylor com as inovações introduzidas por Henry Ford, tais como a linha de montagem, a padronização dos componentes e a verticalização da produção.

Os princípios da gestão taylorista, de acordo com Cattani (2002), consideravam a autonomia dos trabalhadores, durante o processo de trabalho, um obstáculo para a 10 Este tema será abordado mais adiante.

11 O capitalismo industrial começa quando um grande número de trabalhadores é empregado por um capitalista. Inicialmente, o processo de trabalho era igual ao executado na produção feudal, no artesanato, nas guildas (vidreiros, padeiros, ferreiros, marceneiros, boticários, cirurgiões). O domínio do processo estava com os trabalhadores. Ao reuni-los, seja nas guildas, seja na oficina capitalista, seja no hospital, surge o problema da gerência. Para o próprio trabalho cooperativo já era necessário: ordenar as operações, centralizar o suprimento de materiais, registro de custos, folha de pagamentos etc. No capitalismo industrial manufatureiro, os trabalhadores ficam especializados em parcelas (tarefas/atividades específicas) do processo de produção dentro de uma mesma especialidade produtiva, e o controle do processo passa para a gerência. Cf. BRAVERMAN, H. Trabalho e capital monopolista: a degradação do trabalho no século XX. Rio de Janeiro: Zahar, 1987.

45 produção capitalista e, com isso, acreditava que se fosse definida uma sequência e o ritmo do trabalho, ocorreria uma multiplicidade quanto à forma de se produzir. Sendo assim, intensificaram-se as tentativas de diminuir o domínio do trabalhador sobre a produção. Taylor propunha uma intensificação da divisão do trabalho, ou seja, fracionar as etapas do processo produtivo de modo que o trabalhador desenvolvesse tarefas ultraespecializadas e repetitivas, diferenciando o trabalho intelectual do trabalho manual. O conhecimento do processo produtivo era de responsabilidade única do gerente, que também fiscalizava o tempo destinado a cada etapa da produção, através do cronômetro. Para que as tarefas fossem executadas pelos trabalhadores em um menor