Produção de RH
O universo dos produtores de RH é muito diverso, devido à natureza das UPCS, ao tipo de actividades médicas desenvolvidas (de prevenção, diagnóstico, tratamento e investigação) e à respectiva dimensão e distribuição espacial. Estes produtores abrangem tanto a prestação de cuidados de saúde ao Homem, como ao sector animal.
Os produtores de RH podem ser classificados como grandes ou pequenos produtores, de acordo com as quantidades produzidas. Na Tabela 2.6 apresentam-se discriminados os principais produtores.
As entidades e agentes que desenvolvem actividades no sector da saúde podem ser de natureza pública ou privada. Em Portugal, as entidades oficiais englobam estabelecimentos hospitalares, centros de saúde e extensões de saúde, postos médicos e laboratórios. Como estabelecimentos hospitalares, são consideradas as unidades afectas ao SNS e os
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estabelecimentos associados aos serviços militares, paramilitares e prisionais (Portugal- Ramos et al., 1999).
As entidades privadas nacionais, devido à sua dimensão e distribuição espacial das actividades, são ainda mais diversificadas. A pequena dimensão da grande maioria destas unidades e a pouca quantidade de resíduos produzidos tem dificultado a gestão desta parcela de RH. Além disso, constata-se uma lacuna legislativa em relação a alguns tipos de unidades existentes, induzindo uma deficiência de dados sobre o número e tipo de unidades existentes (Portugal-Ramos et al., 1999).
Tabela 2.6. Listagem dos principais produtores de RH (Pruss et al., 1999).
Grandes produtores Pequenos produtores
Hospitais:
- Hospitais Universitários - Hospitais Gerais - Hospitais Distritais
Pequenos estabelecimentos de saúde: - Consultórios médicos
- Clínicas dentárias - Acupunctura - Calista (e pedicuro) Outros estabelecimentos de cuidados de saúde:
- Serviços de emergência médica - Centros de saúde e Dispensários - Maternidades e Clínicas de obstetrícia - Clínicas de consultas
- Centros de diálise
- Postos de primeiros socorros e de praias - Estabelecimentos de internamento prolongado e
hospícios
- Centros de transfusão - Serviços médicos militares
Estabelecimentos e instituições de saúde especializados com pouca produção de resíduos:
- Casas de convalescença - Hospitais psiquiátricos - Instituições para deficientes
Laboratórios relacionados e centros de pesquisa - Laboratórios médicos e biomédicos
- Laboratórios e instituições de biotecnologia - Centros de pesquisa médica
Actividades não relacionadas com a saúde mas que envolvem intervenções subcutâneas:
- colocação de piercings e tatuagens - utilizadores de drogas
Morgues e Centros de autópsia Serviços funerários Investigação e testes em animais Ambulâncias
Bancos de sangue e Serviços de recolha de sangue Tratamentos em casa Estabelecimentos para a terceira idade
A contribuição dos vários produtores para as quantidades totais de RH geradas é bastante variável, estando fortemente relacionada com a sua dimensão e número de unidades. A Figura 2.1 permite visualizar uma estimativa da contribuição dos vários produtores de RH nos EUA e a sua importância para os quantitativos globais. Saliente-se que as percentagens apenas dizem respeito a uma parcela dos RH, os resíduos infecciosos.
Os hospitais são os grandes produtores de resíduos infecciosos (e de RH). As quantidades de RH produzidos dependem do tipo de UPCS, mas também variam de país para país, estando sobretudo associadas ao seu nível económico.
A produção de resíduos depende de numerosos factores, como, por exemplo, das definições adoptadas, dos métodos de gestão, do tipo de UPCS (nos hospitais do tipo de especialização) e da proporção de DM e outros materiais reutilizados no tratamento diário dos doentes (Pruss et al., 1999). Na Tabela 2.7 apresentam-se alguns dados apenas com carácter indicativo.
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77,1% 0,5%0,8% 6,4% 1,0% 1,6% 5,7% 3,6% 3,3% Hospitais Laboratórios Clínicas Consultórios médicos Consultórios dentários Veterinários
Estab. internamento prolongado Bancos de sangue
Casas funerárias
Figura 2.1 Estimativa da contribuição dos vários produtores de RH nos EUA, apenas em relação aos resíduos infecciosos (EERC, 1991 fide Wagner, 1998).
Tabela 2.7. Produção de RH em relação ao rendimento nacional dos países e por tipo de UPCS, dados anteriores a 1995 (adaptado de Pruss et al., 1999).
Nível de rendimento nacional/
/Tipo de UPCS
Produção anual RH (kg/pessoa*)
Produção diária RH (kg/cama) Países com elevado rendimento
- todos os RH - RH perigosos 1.1 – 12.0 0.4 – 5.5 Hospitais Universitários Hospitais Gerais Hospitais Distritais Centros primários de Saúde
4.1 – 8.7 2.1 – 4.2 0.5 – 1.8 0.05 – 0.2 Países com rendimento médio
- todos os RH - RH perigosos
0.8 – 6.0 0.3 – 0.4 Países com rendimento baixo
- todos os RH 0.5 – 3.0
* por cada pessoa do total da população.
Para Portugal, os valores relativos às quantidades e tipos de resíduos, obtidos através da compilação de dados retirados dos mapas de registo e enviados pelas UPCS à Direcção- Geral de Saúde, apresentam-se na Tabela 2.8. Estes valores correspondem aos anos entre 2000 e 2003.
É de salientar que os dados apresentados não correspondem ao total de hospitais do SNS (apenas aos que enviaram o mapa de registo para a DGS), e que nem sempre estes mapas de registo foram preenchidos da forma mais correcta. Por estas razões e por, em muitos casos, os valores serem bastante divergentes, não serão efectuados comentários pormenorizados aos dados que constam da Tabela 2.8.
Em relação à composição dos RH, esta está muitas vezes relacionada com o tipo de produtor e com a sua dimensão. Os pequenos produtores originam alguns tipos de RH semelhantes aos grandes produtores. No entanto, geralmente não produzam resíduos radioactivos, resíduos com citostáticos e peças anatómicas. Além disso os cortantes e
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perfurantes normalmente são apenas constituídos por agulhas hipodérmicas (Pruss et al., 1999).
No interior de uma UPCS existem também diferenças na composição dos resíduos entre os diversos serviços, especialmente nos estabelecimentos de grandes dimensões que possuem valências muito diversificadas. A título de exemplo é apresentada na Figura 2.2 a composição dos RH em sete serviços de um hospital universitário nos EUA.
Tabela 2.8. Produção de RH e capitação, por grupos, nos hospitais do SNS em Portugal continental (DGS, 2002; 2002a; 2003).
Região RH por grupos 2000 2001 2002