4 PRESENTASJON AV RESULTATER
4.2 Råd og veiledning
A incapacidade dos modelos de crescimento exógeno para explicar porque as rendas de diferentes países tendem a divergir no longo prazo estimulou a elaboração de vários
estudos incorporam a dinâmica tecnológica à análise e concluem que o crescimento tecnológico endógeno, ora representado pelo capital humano, ora pelo processo de aprendizado (learning by doing), é central para explicar as diferenças de renda entre países (ROMER, 2006).
Romer (1986) foi um dos primeiros teóricos a elaborar um modelo de crescimento de longo prazo no qual o conhecimento tecnológico é considerado um fator de produção, cuja produtividade marginal é crescente (hipótese crucial para os resultados do modelo)44. Neste modelo, as taxas de crescimento das variáveis endógenas podem crescer ao longo do tempo, os efeitos de pequenos choques podem ser ampliados pela ação de agentes privados e a escala econômica influencia a velocidade do crescimento. O modelo oferece uma visão alternativa para este processo, pois o produto pode crescer indefinidamente e tornar improvável a convergência de renda entre países.
As hipóteses que diferenciam este instrumental dos modelos de crescimento exógeno referem-se à existência de um trade off entre consumo presente e produção de conhecimento (utilizada para aumentar o consumo futuro), de retornos crescentes na produção de bens e serviços e retornos decrescentes na produção de conhecimento/tecnologia. O investimento tecnológico gera externalidades positivas sobre a produção de outras firmas, visto que apresenta características de bem público. Além disso, o estoque de conhecimento pode crescer de forma irrestrita, pois seu produto marginal é crescente. Neste cenário, mesmo no caso em que os fatores de produção capital e trabalho sejam mantidos constantes, o produto per capita pode crescer continuadamente.
Em relação ao estudo das interações entre desenvolvimento e dinâmica populacional, o modelo continua no mesmo patamar das teorias do crescimento exógeno, pois considera o tamanho da força de trabalho (população) constante. Para o autor, inserir crescimento populacional de qualquer origem no modelo equivaleria apenas a complicações matemáticas, sem maiores contribuições para a análise, pois a expansão populacional não é necessária para que seja observado um processo de crescimento ilimitado do produto per
44 A importância dos retornos crescentes para explicar o crescimento de longo prazo já havia sido evidenciada por diversos teóricos, entre eles Marshall (1920) e Young (1928). Contudo, devido às dificuldades técnicas para trabalhar com modelos dinâmicos, os esforços para formalizar esta relação só foram iniciados de forma consistente na década de 1960 a partir de Arrow (1962) e extensões.
capita (ROMER, 1986). Adicionalmente, o autor utiliza o argumento de imperfeita
mobilidade dos fatores de produção para minimizar os efeitos negativos do deslocamento do trabalho qualificado (brain drain) e do capital em direção aos países com maiores remunerações e que crescem a taxas mais expressivas.
O modelo de Solow também foi considerado inadequado para explicar o processo de crescimento econômico por Lucas (1988), que realizou duas adaptações para melhor descrever as principais características deste processo. Na primeira, o autor mantém a hipótese de apenas um setor na economia e destaca a interação entre acumulação de capital físico e humano para explicar a diversidade de renda e bem-estar entre países. Ao assumir a hipótese de retornos constantes (ou crescentes) no processo endógeno de acumulação do capital humano, compreendido como o nível de escolaridade/qualificação que afeta a produtividade individual, o autor demonstra que é possível verificar um crescimento contínuo da renda per capita, sem quaisquer interferências de forças exógenas. Os mecanismos de propagação do crescimento são as economias externas geradas pela acumulação de capital humano, que estimulam a expansão do estoque de capital físico e dinamizam a economia local. Os resultados do modelo evidenciam que países com dotações iniciais favoráveis de capital humano tendem a permanecer com estoques mais expressivos e, consequentemente, apresentam maiores taxas de crescimento. O oposto ocorre em países que possuem montantes inexpressivos de capital humano.
A segunda adaptação de Lucas (1988) foi realizada para mostrar que a equalização de preços dos fatores de produção no cenário internacional não necessariamente ocorrerá. O modelo representa uma economia que produz dois bens (substitutos perfeitos), onde há possibilidade de especialização do capital humano através do aprendizado. Neste cenário, a economia se especializa na produção do bem em que possui vantagens comparativas. Quanto maior o grau de sofisticação deste bem (mais intensivo em capital humano), maior será a taxa de crescimento econômico da localidade. Em outras palavras, a especialização na produção de bens intensivos em capital humano conduz a um crescimento real mais elevado do que a média. O modelo mostra que as diferenças de renda entre países são provocadas, em última instância, por diferenças em suas respectivas vantagens comparativas.
Apesar de criticar a conclusão de Solow (1956) de que países com crescimento populacional elevado são necessariamente mais pobres e crescem a taxas mais lentas,
populacional exógena e constante. A expansão populacional tem impactos negativos sobre a taxa de crescimento econômico, mas de forma menos expressiva, uma vez que o aumento da força de trabalho é compensado pela acumulação de capital humano. O autor reconhece que os diferenciais salariais entre países estimulam a migração, especialmente dos indivíduos mais qualificados, contudo, minimiza seus impactos devido à dificuldade de locomoção deste fator entre países. A exclusão de questões demográficas do modelo é justificada em prol de sua simplificação matemática e pela existência de estudos específicos sobre o tema como, por exemplo, Becker e Barro (1988).
Complementando a análise, Romer (1990) desenvolve um modelo de concorrência monopolística para explicar como o crescimento econômico é estimulado por mudanças tecnológicas45. Neste framework a tecnologia é um input não rival e parcialmente excludente, o que tem impactos sobre a determinação do preço de mercado. Sua principal conclusão é que o estoque de capital humano dedicado à pesquisa determina a taxa de crescimento local. O fator crucial para este processo é a relação entre este estoque e a população: se esta relação é baixa, é provável que o crescimento não se verifique.
Assim como nos demais modelos de crescimento endógeno, Romer (1990) considera a taxa de crescimento populacional exógena e constante. Adicionalmente, supõe que o estoque de capital humano independe da população local, reduzindo, assim, quaisquer contribuições que uma expansão populacional poderia gerar para o processo de crescimento econômico. O autor reconhece estas limitações, pois se o estoque de capital humano fosse uma função crescente da população, o esforço de pesquisa necessário para obter a mesma taxa de crescimento seria menor. Apesar de não discutir diretamente o papel dos fluxos migratórios neste processo, implicitamente, está claro que a migração de capital humano é considerada benéfica.
Em resumo, apesar de avançar na análise sobre o processo de crescimento econômico, a contribuição das teorias do crescimento endógeno para o estudo das interações entre desenvolvimento e migração é pouco significativa. Em todos os modelos a taxa de crescimento populacional é exógena e à medida que estes estudos evoluem o papel da
45 Este modelo é uma versão corrigida do trabalho realizado por Romer (1987), no qual o crescimento populacional exógeno continuava a ter papel expressivo na magnitude das taxas de crescimento econômico.
expansão populacional de qualquer natureza sobre a magnitude das taxas de crescimento econômico tende a ser menos expressivo. Os autores excluem de seus modelos quaisquer relações de reciprocidade entre migração e desenvolvimento, desconsiderando seus impactos sobre a trajetória de crescimento futuro das regiões.