4 SITUATING THE RATA YAKUMA
4.1.3 Queen Riddi
Outra estratégia utilizada foi a aplicação de questionários para traçar o perfil dos estudantes frequentadores dos encontros (APÊNDICE I), cujas perguntas contemplavam três temáticas principais:
Dados gerais: local onde mora, telefone, onde nasceu, em quantas escolas estudou, se houve reprovação;
Dados sobre a família: com quem mora, em quantos moram, qual a renda total da família da casa, se há benefício do governo, se trabalha ou já trabalhou; Sobre o aluno: quais predileções nas horas vagas, qual estilo musical gosta de
ouvir, quais os cantores preferidos, o que mais gosta nas oficinas, o que menos gosta, o que acha dos professores das oficinas, o que faz nos intervalos na escola, os sonhos e os desejos para o futuro.
Após a realização dos questionários com os alunos, elaboramos planilhas para que os dados fossem tabulados, afim de realizar registros e construir materiais substanciais
99 para a construção do escopo teórico e as memórias do projeto. Tais estratégias também pode auxiliar para traçar melhor o cenário e o território de vida dos participantes.
5.2.4 Entrevistas
Foram realizadas entrevistas semiestruturadas com três professores (das áreas de ensino de português, geografia e exatas, a diretora, o coordenador pedagógico, 12alunos envolvidos na proposta, um agente escolar (formado em filosofia) e uma mãe de aluno, durante o período de construção dos dados (agosto de 2016 a julho de 2017). Todas as entrevistas foram realizadas individualmente (com exceção dos alunos que também realizaram entrevistas coletivas e todos consentiram as gravações de áudios que foram posteriormente transcritas.
Os roteiros de entrevistas (APÊNDICE II) foram desenvolvidos tal como posto por Belei (2008), a entrevista semiestruturada é guiada por um roteiro preestabelecido antes do início da conversa, mas que ao longo da ação vai se delineando e perpassando por outros pontos que favoreçam a compreensão do entrevistador frente ao entrevistado. “Um dos modelos mais utilizado é o da entrevista semiestruturada, guiada pelo roteiro de questões, o qual permite uma organização flexível e ampliação dos questionamentos à medida que as informações vão sendo fornecidas pelo entrevistado” (BELEI et al. 2008, p.189).
Nas questões iniciais foram coletadas informações acerca da formação profissional dos professores e suas relações com a disciplina de artes em seus tempos de alunos. Em seguida, perguntamos qual a importância do planejamento da disciplina de artes integrada às outras e qual a importância do ensino da música na escola. Inicialmente, também identificamos o tempo de trabalho que cada um possui em sala de aula.
A segunda parte do questionário se referiu às questões da importância de integração da disciplina de artes com as demais matérias na escola e seu planejamento pedagógico, bem como a importância do ensino da música, especificamente.
A terceira parte do questionário tratou de questões voltadas para a realização das oficinas de atividades no espaço escolar: quais as duas contribuições, como os profissionais enxergam possíveis mudanças dos alunos participantes depois do início do projeto.
100 Vale ressaltar que o mesmo questionário fora aplicado para os professores e para o inspetor de aluno, com as mesmas perguntas, no mesmo modelo de análise.
Já para a gestão escolar, algumas estruturas se mantiveram, como por exemplo, a primeira parte, referente à formação profissional. A segunda e a terceira partes divergiram no quesito de como foram observadas as contribuições das práticas externamente à escola, junto à comunidade e como as oficinas de atividades tenham, por ventura, auxiliado direta ou indiretamente no trabalho da gestão, contribuindo com a integração e a educação dos jovens.
Para os aprendizes, o roteiro de entrevistas buscou evidenciar possíveis questões que tratavam de respeito, integração, cultura, pertencimento e mudanças no cotidiano de cada participante.
Foram realizadas entrevistas individuais e entrevistas coletivas, como estratégia de ampliar as possibilidades de escuta e avaliação dos processos vividos, pois alguns participantes puderam se expressar melhor individualmente e outros individualmente. De acordo Queiroz (1987) a entrevista coletiva não só registra a experiência individual, mas ainda, a experiência de diversos indivíduos de uma mesma coletividade.
Ao trabalhar com as testemunhas orais através de entrevistas, vídeos, o historiador produz uma fonte que o possibilita a construção da história elegida por ele. Confrontando ou não com outras fontes comumente utilizadas na historiografia há uma ampliação não só da fonte, mas da visão que se tem de fonte (ROSA, 2006, p. 5).
Segundo Godoy (1995) as entrevistas se fundamentam como estratégia investigava. “Do ponto de vista metodológico, é possível observar ainda a aceitação da entrevista como uma estratégia fundamental da investigação qualitativa” (GODOY, 1995, p. 61).
Sob à luz de Gunther (2006) existem alguns eixos que vão classificar a pesquisa entre qualitativa ou quantitativa.
quatro bases teóricas que caracterizam a pesquisa qualitativa: a) a realidade social é vista como construção e atribuição social de significados; b) a ênfase no caráter processual e na reflexão; c) as condições “objetivas” de vida tornam-se relevantes por meio de significados subjetivos; d) o caráter comunicativo da realidade social permite que o refazer do processo de construção das realidades sociais torne-se ponto de partida da pesquisa (GUNTHER, 2006, p.202).
101 Ao analisar o conteúdo das entrevistas notou-se que existem narrativas fundamentais para que compreendamos como as atividades tiveram efeitos na vida dos jovens a partir dos eixos temáticos deste trabalho. Tais narrativas tomam grande dimensão. Não se trata única e exclusivamente de uma narrativa através de palavras. Apesar das entrevistas serem consideradas, observaram-se as formas diversas de se promover um discurso: por das artes, do corpo e da cultura, como exemplos. Logo, as chamaremos de produções e criações. Fruição de um conjunto de práticas que caracterizam tais narrativas que ganham estéticas, mas são genéricas no que tange ao seu nascimento: quaisquer delas ganham potência durante o trabalho no campo.