1 Introduction
1.4 Bottom-Up proteomics
1.4.5 Quadrupole
A evolução de acumulação do capital descrito acima nos coloca no terceiro período histórico - o período atual - onde outras camadas de desclassificados, diferentes dos bóias frias rurbanos de décadas anteriores, começaram a engrossar as fileiras de errantes em espaços rurais na região central de Belo Horizonte: subempregados, desempregados, sem-teto, catadores de lixo e especialmente moradores de rua da metrópole, dos quais uma parcela deste setor sai da cidade para trabalhar como bóia fria na RMBH. Estes desclassificados têm semelhanças com os bóia frias de décadas anteriores ou com os vadios do século colonial, todos eles uns errantes: produtos do modelo em que viviam. Embora os atuais desclassificados tenham outro perfil, eles são ligados por fortes laços com o bairro e a metrópole e apresentam uma alta mobilidade entre os espaços urbanos rurais. É este segmento que estaria disposto a ocupar o espaço rurbano, objeto de estudo da presente pesquisa.
No que diz respeito ao morador de rua, a literatura consultada estabelece que este segmento se caracteriza pela saída de um dormitório fixo, seja casa própria ou de parentes, por diversos fatores como a exclusão do mercado de trabalho pelo crescimento de migrantes em direção aos grandes centros em busca de melhor qualidade de vida, assim como pelas famílias que perderam o poder aquisitivo e as condições de subsistência, segundo o Relatório da Pastoral de Rua (2007, p.19). As interessantes observações de Bridgmam (2003) mostram algumas causas a respeito da população flutuante em Belo Horizonte em áreas faveladas. As áreas de risco são tão precárias que os espaços urbanos e albergues acabam sendo uma alternativa atrativa do que permanecer nessas localidades. Ir para a rua também significa dormir em albergues o que “poderia ser uma solução racional que as pessoas adotam para sobreviver e escapar de uma situação
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pior em suas vidas.24 Atualmente, os moradores de rua chegam a 1239 indivíduos, apresentando um crescimento de 2,3% em relação ao ano 1998, compreendendo 1120 pessoas entre homens e mulheres (Tabela 6.1).
Estes sujeitos caracterizam-se pela heterogeneidade, tanto individual quanto grupal. Na esfera individual, o perfil do morador de rua varia desde doentes mentais, alcoólatras, dependentes químicos, trabalhadores informais no ramo de reciclagem, ocupações eventuais com bicos ou artesanato a mendicantes. Na esfera grupal, podem se identificar três camadas: os maloqueiros, que moram em malocas (redes de proteção que se espalham em praças e viadutos); os moradores de rua que além da rua moram em albergues; os “Pardais”, que ficam fixados na cidade; e os conhecidos como “Trecheiros”, que não se fixam nas cidades e se caracterizam pelo trabalho sazonal, que correm de cidade em cidade do país à procura de trabalhos temporários, (RELATÓRIO PASTORAL DE RUA, 2007, p.19). Este é um errante sazonal rurbano que nos interstícios das cidades se ocupa na lavoura eventual em áreas rurais.
Justamente estas três últimas camadas de morador de rua são as que formam esse segmento de grupo urbano que estaria disposto a ocupar áreas rurais na região metropolitana de Belo Horizonte. Para o presente estudo, ressaltamos o grupo dos Trecheiros pelo contato direto que desenvolvem com o campo.
Tabela 6.1 População em situação de rua -Belo Horizonte 1998-2005
1998 %Total 98 2005 %Total 05 Tax de Cres
Masculino 714 63,75 991 79,66 4,79
Femenino 202 18,03 166 13,4 -2,76
Menores de 18 anos 204 18,21 75 6,05 -13,32
Sem Informação ** 7 0,56
Total 1.120 100 1.239 100 1,45
** Em 2005, houve casos de moradores que não se dispuseram a realizar entrevistas e estavam enrolados em cobertores, impedindo a identificação do sexo.
Dado; Censo de População de Rua, 1998 e 2005.
Fonte; 2º Censo da População de Rua e Pesquisa Qualitativa - Belo Horizonte
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2º censo de população de rua e pesquisa qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte 2006. Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais. Instituto Nenuca de Desenvolvimento Sustentável. Belo Horizonte. p 32.
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Tabela 6.2 Lugar onde nasceu censo 2005.
Cidade/Região Nº % dos dados
Belo Horizonte 300 32,6 RMBH/exepto BH 37 4 Interior de Minas 379 41,2 Outros Estados 201 21,9 Outros Paises 2 0,2 Total 919 100
Fonte; 2º censo da população de rua 2005
Tabela 6.3 Nascimento na área urbana ou rural.
Região Nº % dos dados
Cidade 773 84,9
Roça 138 15,1
Fonte; 2º censo da população de rua 2005
Atualmente, segundo o censo 2006, o morador de rua na cidade de Belo Horizonte teve um crescimento de população que foi de 1.120 para o ano 1998 a 1.239 para o ano 2005, ou seja, um crescimento de 4,8% ao ano. Dessa população, a maioria, 41,2% deles vêm do interior de Minas, 32,6% são naturais de Belo Horizonte e apenas 4,0% têm origem na Região Metropolitana. Segundo a tabela 6.2, existe uma elevada proporção de pessoas de origem de outras cidades, 21,9%. Mesmo sendo do interior de Minas, 85% das pessoas declaram ter nascido em cidade a apenas 15% restantes, no campo (Tabela 6.3). Basicamente, nos diz o censo do ano 2006 que um dos grupos que marcam tendência são os denominados Trecheiros, aqueles que não se fixam por muito tempo em um lugar. Além de que o maior volume de população não prove de espaços do interior, mas de áreas urbanas.
Em termos de ocupações, o morador de rua assume diversas atividades tanto lícitas como ilícitas, formais como informais, e sobrevivem, inclusive de doações e esmolas. De igual maneira, observa-se uma heterogeneidade de atividade conforme os dados do 2º Censo da População de Rua de Belo Horizonte (2006, p.54)
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Tabela 6.4. População de rua segundo atividade principal.
Atividade/Trabalho
Total % Total %
Com cartera assinada 39 4,26 15 1,29
Sem cartera assinada 56 6,11 106 9,11
Com contrato temporarario 5 0,55 3 0,26
Pede Ajuda 115 12,55 137 11.77
Outros 634 69,21 689 59,19
Sem Informação 67 7,31 214 18,38
1998 2005
Fonte 2º censo da população de rua de Belo Horizonte
Tabela 6.5 Percentual da atividade realizada para ganhar dinheiro e por sexo
Atividade Homens Mulheres
Cata material reciclagem 42,1 48,3
Vigia Lava e ou mniobra em carros 13,4 10,1
Pede ajuda esmola 8,1 15,7
Comercio informal; camelo 6 1,1
Construção civil; Pedreiros 5,4 0
Bicos ou biscante declarado 5,3 0
Ajudante de camião,carregador 4,3 0
Produz artesanato 3,1 1,1
Fonte 2º censo da população de rua de Belo Horizonte Destacamos dos 19 os trabalhos os de maior percentual
Chama à atenção a heterogeneidade de ocupações informais desenvolvidas pelos moradores de rua como a troca permanente dessas atividades. Segundo as Tabelas 6.4 e 6.5, essas ações passam de bicos, como autônomo, reciclagem, compras, catador de papelão, sendo que estas adquirem maior percentual alcançando 59,19% das ocupações para o ano 2005. Três características operam neste processo: a alta concentração de vínculos urbanos que absorve o maior número de atividades; a cidade como lugar de procedência da população de rua; e o intenso deslocamento populacional no passo de um lugar a outro, especialmente dos denominados “Trecheiros”.
Estas características conjugadas do morador de rua geram suspeitas sobre as possibilidades de esse setor se fixar no campo. Assim, os níveis de adaptação à terra e à mobilidade com o espaço urbano são o contexto
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atual em que se processa a ocupação rurbana do MST-MG na região metropolitana de Belo Horizonte, incorporando-se a este segmento de desclassificados junto a outros das cidades na luta pela terra, sejam eles desempregados ou sem-tetos, incrementando o fenômeno de reocupação do campo na região metropolitana de Minas pelas camadas pobres da grande Belo Horizonte.
1.4- Problema de pesquisa: Da Comuna da Terra em São Paulo à