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QÜESTIONARI SOBRE LA PERCEPCIÓ DE LA INFLUÈNCIA DE LA MEDIACIÓ

reconduzido à chefia das Forças Armadas, Hans Kundt. Ele estava no exílio, por apoiar a tentativa de auto-golpe do presidente Ernando Siles Reyes, de quem era Ministro. Importa saber que coube a Kundt, no período de governo Siles, a formulação dos planos de guerra para o Chaco e a escolha do material bélico nos contratos firmados com a Vickers Armstrong desde 1926. Por fim, a Bolívia teve como comandante o General Enrique Peñaranda, antes comandante da 4a Divisão, que adotou um estilo defensivo, em contraste com seus dois antecessores.

Começando pelo último, desde que assume o comando, passando pelo desastre de Campo Vía, até a defesa de Villa Montes, o que Peñaranda procurou foi o estabelecimento de uma linha defensiva estável. Só obteve isso ao sopé da montanha, em Villa Montes, e ao longo do Rio Parapití, no limite máximo da expansão paraguaia. Coube a Penãranda – alguns atribuem a seu lugar-tenente Angel Rodriguez – a controversa decisão de não lançar o III Exército em perseguição aos paraguaios. O Comando Militar deu fim à Guerra antes de deflagrar a ofensiva.

O que os três comandantes tinham em comum, a despeito de suas inclinações aparentes pela ofensiva ou pela defensiva, era o fato de considerar a guerra exclusivamente

104 O gás era lacrimogêneo, em tese não letal, de efeito “moral”. Contudo, nas condições do Chaco, revelou-se

em muitos casos fatal. A Bolívia chegou a comprar 20 mil máscaras contra gás (Hughes, 2005:419). Durante a Batalha do Quilômetro 7, o Coronel boliviano e médico, Dr. Abelardo Ibañez Benavente, sabia que os bolivianos estavam vacinados contra a cólera, mas suspeitava que os paraguaios não estivessem. Assim, produziu dois tubos com cepas e ordenou que seus colegas – sem consultar o Estado-maior e o governo – os utilizassem contra os paraguaios em Arce. O experimento foi feito, mas não deu resultado. Ainda hoje não se sabe se os cultivos foram mal feitos ou se os médicos desobedeceram as ordens (Farcau, 1996:75-76).

em termos limitados. Mesmo Penãranda só decretou a mobilização sob pressão irresistível dos paraguaios avançando sobre os poços de petróleo bolivianos. Já Estigarribia, desde o início, contou com a mobilização geral de um país que desde a época colonial tinha predição pela criação de milícias e já vasta experiência de guerra popular, tanto contra os Exércitos da Tríplice Aliança quanto em suas próprias guerras civis.

Como resultado, em algum momento todos comandantes bolivianos subestimaram a capacidade das forças paraguaias, obtendo resultados funestos. Salamanca não contava com a disposição (e a capacidade) paraguaias para tomar Boquerón. O Presidente boliviano parece jamais ter considerado a possibilidade de o Paraguai lançar o dobro de homens que tinha em 1931 em combate em 1932. Kundt não julgava possível que o Paraguai tivesse efetivos capazes de cercar suas duas divisões em Campo Vía: nem mesmo os reconhecimentos aéreos conseguiram demovê-lo do contrário. Por fim, o segundo lugar-tenente de Peñaranda, David Toro, perseguiu o II Corpo de Exército paraguaio com um corpo de cavalaria, mas não considerou possível que este pudesse envolvê-lo: perdeu seus poços de água. O resultado foi a retirada de Picuiba e o colapso do dispositivo no Chaco.

Nos três momentos críticos (Boquerón, Campo Vía e Picuiba), o juízo sobre o porte do efetivo paraguaio revelou-se equivocado, tendo sido subestimados seu poder de fogo e movimento (facultado por sua frota de caminhões). Já Estigarribia, mesmo quando surpreendido, ajustava-se rapidamente à situação. Esse ajuste quase sempre envolvia a mobilização de mais reservas, o que era possível, como se viu, graças a suas linhas de suprimento e à conscrição.

De um modo resumido, pode-se dizer que os bolivianos acreditavam que a mecanização da guerra havia decretado o fim do papel da massa no combate. Estigarribia, que adotava um dispositivo tático flexível e de alta mobilidade, contraditoriamente, pareceu sempre considerar a massa um fator decisivo. Ainda assim, manobrava celeremente para obter a superioridade através da concentração de tropas em locais chaves, o que muitas vezes lhe permitia (em meio à surpresa) cercar e aniquilar seus inimigos.

Como resultado, pode-se dizer que a mecanização e o aumento do poder de fogo – o Paraguai também fez uso de caminhões, canhoneiras e tanquetes – foi disruptiva para paraguaios e bolivianos. Contudo, os primeiros foram capazes de se ajustar e fazer bom uso da mobilidade facultada pela motorização. Além disto, para o Paraguai, as novas armas (morteiro, metralhadora de fita, metralhadora portátil, submetralhadora, granada de mão) eram um novo e mortal componente auxiliar do Exército, mas não um substituto à infantaria

ou ao princípio da massa. Já para os bolivianos, o aumento da letalidade, dado pelo crescimento do poder de fogo, e a mecanização trazida pelo caminhão, pelo tanquete e pelo tanque, eram substitutos do princípio da massa. Apostaram, até o fim, nesta idéia – e perderam.

O aumento da letalidade do armamento só serve para reforçar o princípio da massa; em hipótese alguma para substituí-lo. A fuga a este princípio, que contraria o bom senso mais elementar, apenas se explica por ser a Bolívia uma sociedade excludente. Estava sedenta por eliminar o papel de suas classes subalternas, inclusive na Guerra. O Brasil, diferentemente, não hesitou em lançar em combate cativos africanos na Guerra do Paraguai. A Bolívia no Chaco, por sua vez, receava seus indígenas devido ao problema das terras comunais105. O Paraguai, pelo contrário, era orgulhoso da herança guerreira de seus guaranis e da miscigenação com os elementos de origem hispânica. Acreditava ser um país descendente de duas raças fortes e guerreiras, com vocação para a liberdade e a soberania. Como tal, tinha confiança no seu próprio povo e não temia a mobilização do homem comum.

Para a Bolívia, a grande oportunidade de obter algum equilíbrio surgiu por ocasião da suspensão do embargo de armas ao país (1934). Poucos meses antes, o Paraguai foi reconhecido como agressor e expulso da Liga das Nações. Pela primeira vez 77 mil homens, próximos de suas linhas e bem armados, poderiam ter sido lançados contra um exército paraguaio esfarrapado, faminto e vencido (Villa Montes). No entanto, talvez a ausência de um corpo de oficiais levou os bolivianos a desconfiar de suas próprias forças, optando, como referido, pela controversa decisão de não atacar e aceitar a perda total do Chaco.

B) Tática – É graças a esta esfera da guerra que restam poucas dúvidas na literatura