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4. Sensitivity Study Results and Discussion

4.2 Pure Component

O mecanismo de imersão política analisa as assimetrias de poder entre atores

e entre estes e as instituições sociais, a partir das relações estabelecidas entre eles

e a sua capacidade de influência, no sentido de convencer os atores políticos a dar

suporte às suas próprias ações, bem como constranger a ação de outros atores

(DACIN, VENTRESCA e BEAL, 1999), o que está relacionado às características dos

atores e seu relacionamento interativo com os demais.

Uma vantagem da abordagem de redes para poder são os insights sobre

relacionamentos em múltiplos níveis de análise, reconhecendo que a causa do

poder é “inerentemente situacional, dinâmico e potencialmente instável” (POWELL E

SMITH-DOERR, 1994, p.376).

Contemplando as diferenças de poder entre atores, a imersão política permite

verificar como as ações econômicas sofrem a interferência de atores políticos, além

de analisar as conseqüências da intervenção governamental, sendo assim, volta-se

para análise do comportamento político nas organizações e o papel do governo

(JACOBSON, LENWAY e RING, 1993; HARDY, CURRIE e YE, 2005), partindo-se

do princípio de que tanto pressões externas quanto internas interferem na ação

organizacional.

Sendo assim centra-se em aspectos como o comportamento interativo dos

atores, ações de coação, relações entre atores do setor e atores não-mercado,

convenções e normas legais que afetam as ações no setor, e como regras políticas

são moldadas pelas ações dos atores (DACIN, VENTRESCA e BEAL, 1999).

Pela perspectiva de grupo social, em que os indivíduos são atores primários e

as organizações são suas ferramentas, as ligações sociais, políticas e econômicas

entre grupos elitizados cria um poder coesivo de elite, onde “redes de laços

fechados promovem a dominância continuada dos interesses continuados de uma

classe” (POWELL E SMITH-DOERR, 1994, p.378).

Ao apresentar os mecanismos de imersão social apontados por Zukin e

DiMaggio (1990), Dacin, Ventresca e Beal (1999) destacam que o mecanismo

político de imersão busca compreender como trocas econômicas são moldadas por

diferenças de poder entre atores organizacionais, e entre estes e instituições sociais,

tais como o sistema legal, o código fiscal, ou, geralmente, atores de estado e

classes políticas (ZUKIN E DIMAGGIO, 1990 apud DACIN, VENTRESCA E BEAL,

1999, p.330).

Fatores políticos podem interferir nas ações de empresas e indústrias, pela

alteração no contexto no qual os atores interagem, evidenciando o fato de que

regras políticas, instituições, e redes constroem e constituem os fundamentos da

ação organizacional e industrial, onde resultados econômicos são moldados por

atores sociais que detêm poder.

Destacando o apontado por Pfeffer (1981), Dacin, Ventresca e Beal (1999)

afirmam que a imersão política torna menos plausível os pressupostos neoclássicos

de ação voluntária atomizada, dado que a ação organizacional em não conformidade

com o ideal econômico pode ser resultado tanto de fatores políticos internos, quanto

externos, embora a maioria dos estudos sobre imersão política tenha focado em

pressões externas.

Ao investigar o mercado de ações na China, Lu Zheng (2008) analisa como a

posição das firmas na estrutura política da China afeta suas oportunidades para

obter aprovações de registro no mercado. Sua análise mostra que as firmas cujos

grandes acionistas possuem melhores conexões políticas estão mais propícias a

obter uma aprovação, o que afeta suas performances.

Embora reconheça a importância de estudos sobre laços (sociais, étnicos e

interorganizacionais) e sua capacidade de afetar resultados sociais e econômicos

desejados (citando, por exemplo, Granovetter, 1973, 1985; Uzzi, 1999; Portes e

Sensenbrenner, 1993 e Larson 1992), Zheng (2008) chama atenção para o fato de

que os laços políticos ou conexões políticas têm sido pouco estudados, defendendo

que tais conexões políticas são essenciais para a garantia de recursos escassos e

realização de negócios na China.

Seu estudo permitiu verificar que executivos com maior prestígio e status

político possuem maiores oportunidades no mercado de ações, sendo a posição na

estrutura política um fator determinante. O Estado, mais do que condições de

mercado, representa o suporte para oportunidades destes atores no mercado.

Jacobson, Lenway e Ring (1993) demonstram que as transações econômicas

estão imersas em um contexto político, cuja análise incrementa a perspectiva da

estrutura de custos de transação. Neste contexto, os gestores de empresas

multinacionais podem estruturar operações econômicas de forma a limitar custos

gerados pela intervenção do governo? Argumentando tal questionamento, os

autores sugerem uma conceitualização mais rica do ambiente de contrato – que

revele informações adicionais aos custos de transação - a partir de uma análise

sistemática do contexto social e político no qual uma transação está imersa.

Neste contexto, o Governo se configura como um ator que potencialmente

afeta não apenas os custos de transação, mas também de produção e

administração de uma troca econômica, podendo alterar a escolha do arranjo

estrutural para organizar atividades de negócios internacionais, o que leva a concluir

que a política afeta fundamentalmente a conduta de transações econômicas.

Na definição de Michelson (2007) a imersão política diz respeito a um portfólio

diversificado de laços diretos e indiretos, individuais e organizacionais com o Estado.

Ao analisar como a imersão política interfere nas rotinas administrativas de

advogados chineses, Michelson (2007) verifica que laços com o Estado garantem

proteção contra diversas formas de institucionalização, sendo que advogados mais

profundamente imersos no estado relataram menos gravidades profissionais, sendo

que laços valiosos com o Estado se dão por outras formas além de conexões

políticas individuais.

Ligações formais incluem laços organizacionais através de membros

politicamente imersos no estado, através de afiliações com universidades do setor

público e institutos de pesquisa. Os advogados da prática privada têm níveis mais

baixos de status e prestígio do que os profissionais empregados pelo Estado, sendo

que advogados com organizações imersas na burocracia estatal também desfrutam

de proteções contra o comportamento predatório, tendo acesso privilegiado e apoio

de agentes de Estado.

Para Hardy, Currie e Ye (2005), o enquadramento jurídico da sociedade e do

sistema de negociação coletiva possuem influência direta sobre estratégias

econômicas. Assim, a imersão política é entendida como a maneira pela qual as

instituições econômicas e as decisões são modeladas por uma luta de poder que

envolve os agentes econômicos e instituições não-mercado, tais como o Estado em

um nível nacional e local, os grupos de interesses e classes sociais (HARDY,

CURRIE e YE, 2005, p.281). Deste modo, o contexto político da ação econômica é

constituído por uma complexa teia de relações e reivindicações e expectativas

concorrentes, onde as estratégias industriais consideram as políticas nacionais e

locais do Estado.

Com relação à imersão política, enquanto as empresas têm uma forte cultura

empresarial, a força relativa e a autonomia do poder local de instituições estão

implícitas nas diferentes estratégias corporativas, tornando importante conhecer as

empresas no âmbito das suas negociações e interações com o Estado e, além das

instituições formais do governo nacional e local, as organizações empresariais,

agências de desenvolvimento e os sindicatos. Um entendimento da natureza dessas

relações, as regras e convenções que regem os mesmos e a distribuição de poder

dentro deles são vitais para as negociações de entrada e estabelecimento de

empresas estrangeiras.

Destacando como a análise de um mecanismo de imersão revela aspectos

não denunciados por outros, Hardy, Currie e Ye (2005) verificaram que, enquanto a

forte imersão cultural da empresa visualizava políticas como pouco adaptadas às

condições locais, a imersão política revela a capacidade de adaptação da empresa e

a forte influência de instituições locais sobre a entrada no mercado e a estrutura de

governança, o que revelou-se como um „aparente paradoxo‟.

A literatura sobre imersão política dá origem a questões de análise, a exemplo

daquelas destacadas por Baldi (2004, p.87) - (1) como as relações de troca

econômicas são e foram moldadas pelos atores organizacionais, bem como pelo

relacionamento entre estes atores e entre estes e as instituições sociais? (2) como

as regras políticas constituem e são constituídas pelas ações no nível organizacional

e da indústria? (3) como esta construção afeta ou afetou as características

organizacionais? (4) Como as assimetrias de poder influenciam a ação econômica,

criando tanto oportunidades como limites?

Também podem ser visualizadas relações entre imersão política e imersão

estrutura. A análise de poder em redes defende que o poder está em uma posição

estrutural, onde a unidade de poder não é o indivíduo, mas a posição (POWELL E

SMITH-DOERR, 1994, p.376-377):

Uma posição de poder hábil a produzir efeitos pretendidos nas atitudes e comportamentos de outros atores emerge destas proeminências nas redes, onde informações de valor e recursos escassos são transferidos de um ator para outro (KNOKE, 1990 apud POWELL E SMITH-DOERR, 1994, p.377).

Neste sentido, a posição na rede pode conferir poder ou constranger ações

dos atores (POWELL e SMITH-DOERR, 1994). Como destaca Nohria (1992) as

ações (atitudes e comportamentos) dos atores nas organizações podem ser melhor

explicadas em termos de sua posição nas redes de relacionamentos, conhecendo a

autonomia estrutural que elas usufruem em suas transações.

Análises estruturais mostram que o conhecimento de recursos presentes em

uma rede de atores nos diz muito sobre a capacidade de influência do ator, bem

como a evidência na rede prediz a influência de uma organização em domínios

políticos (POWELL E SMITH-DOERR, 1994).

Ao abordar os mecanismos estrutural e político da imersão social, cabe

também refletir sobre as implicações da imersão sobre a inovação organizacional,

compreendendo a inovação como um processo socialmente imerso. Para tanto,

foram investigados alguns trabalhos que evidenciam as relações entre imersão

social e inovação organizacional, apresentados a seguir.