Tverrelva
C. Punktbeskrivelser
As pinturas são tão antigas quanto qualquer vestígio existente da habilidade humana.
Ernst Gombrichscrever sobre a História da Pintura daria um livro com centenas de páginas. Não é essa a nossa intenção e também não somos decerto as pessoas mais indicadas para o fazer! Todavia, importa apresentar uns breves apontamentos sobre os primórdios e a evolução da arte pictórica que é quase tão antiga como o ser humano. Afinal, as mais antigas pinturas que chegaram até nós remontam à Época Glacial. Foram descobertas em paredes de cavernas e rochas em Espanha e no Sul da França, no século XIX (Gombrich, 1950, p. 17).
Um dos sítios mais conhecidos é o complexo de cavernas paleolíticas de Lascaux, em França, repleto de pinturas de grandes e variados animais. São muitas as teorias acerca do seu propósito. Todavia, a mais aceite é de que, tais pinturas, estão envolvidas em rituais
religiosos, provavelmente com o objetivo de evocar o sucesso que tinham na caça (Hodge, 2018, p. 12).
Os arqueólogos recusaram-se, de início, a acreditar que representações tão animadas, tão naturais e vigorosas de animais pudessem ter sido feitas por homens da Época Glacial. Ernst Gombrich(1950, p. 17)
Esta arte pictórica, cuja origem remonta há milhares de anos, viu a sua técnica
ser aperfeiçoada ao longo do tempo. Foram-se originando inúmeras e distintas obras
de arte que são, normalmente, inseridas num determinado conjunto artístico – os
movimentos artísticos– uma vez que foram produzidas numa época em específico, por
artistas que partilham entre si certas características, como os ideais, os métodos ou as abordagens artísticas (Hodge, 2018, p. 6). Os nomes destes movimentos foram atribuídos de diferentes formas, por vezes pelos próprios artistas, outras vezes de forma acidental,
14 Inspirado na pintura “O baloiço” de Jean-Honoré Fragonard, de 1766. Óleo sobre tela, 130 × 110 cm. Localizada no Coleção Wallace em Londres, Inglaterra.
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ou até mesmo de um modo pejorativo pelos críticos. Todos eles distintos, surgiram num contexto histórico que deve ser tido em conta.
O Barroco, por exemplo, surgiu no final do século XVI, em Itália, num contexto histórico específico. A Igreja Católica, como resposta à Reforma Protestante, avançou com a Contrarreforma servindo-se da arte para impressionar os fiéis. A ideia era
influenciar o olhar das pessoas com obras de arte que retratavam de forma fervorosa temas religiosos
(Hodge, 2018, p. 23). Na pintura destacaram-se artistas como Diego Velázquez, Caravaggio e Rembrandt. As
temáticas eram variadas e incluíam representações mitológicas e religiosas, como também de natureza morta. Muitas pinturas eram encomendadas por monarcas, pela Igreja ou por nobres. Neste movimento, podemos destacar como principais características, nomeadamente na Pintura, o contraste claro-escuro, e luz-sombra, o dramatismo e o movimento evidentes nas representações e a luminosidade como forma de destaque.
Depois, encontramos os movimentos que surgiram numa tentativa de recuperar o passado. Falamos, por exemplo, do
Neoclassicismo que, tal o próprio nome indica, pretendia recuperar traços da arte da Antiguidade
Clássica. Era um novo (Neo)
Classicismo. Inspirado pela
racionalidade do Iluminismo, surgiu em meados do século XVIII, e
rejeitava veemente os excessos
decorativos do Barroco e ao Rococó. Privilegiava a harmonia, o equilíbrio
e o idealismo, visíveis na exatidão dos contornos, nomeadamente das figuras, presentes nas pinturas. Predominava o desenho sobre a cor.
Figura 2 “A Coroação de Cristo” de Van Dyck, 1620. Óleo sobre Tela.
Figura 3 “A apoteose de Homero” de Jean Auguste Dominique Ingres, 1827. Óleo sobre Tela.
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Quase como uma reação, surge, também no século XVIII, o Romantismo. Para os Românticos, a Arte nasce por inspiração. Privilegiavam a emoções a natureza e exaltavam o passado histórico. Na pintura predominava mais a cor do que o desenho, sendo que a natureza e a ideologia do Liberalismo serviram de pano de fundo em grande parte delas.
Portanto, como vimos com estes três exemplos, todos os movimentos se
diferenciam entre si, ainda que uns se assemelhem a outros, quando por exemplo se inspiram neles ou os tentam retomar. Por vezes, surgem como reação ao movimento anterior, daí o acentuar das diferenças, outras vezes aparecem relacionados com as circunstâncias do momento… Por isso, é fundamental estudar e envolver a Arte no ensino da História. Quando estudamos uma Pintura, temos de, obrigatoriamente, perceber o contexto em que surgiu. A obra de arte não se pode dissociar do tempo que a viu nascer.
A verdade é que a História da Arte, e da Pintura em particular, não se esgota. Haveria, ainda, muito mais para dizer. Mas, e hoje? Onde é que as podemos encontrar?
Numa era tecnológica como esta em que vivemos, as pinturas prevalecem e proliferam pelos diversos meios digitais. Felizmente, foram muitas as obras de arte que deixaram uma marca bem significativa no mundo.
Apesar de passados séculos da sua produção, uma grande parte delas ocupa, ainda hoje, um lugar de destaque. Contudo, de um modo distinto e adaptado aos dias que correm. Porque muitas dessas obras são alvo, neste universo digital, de modificações e recriações. O resultado? Obras interessantes e carregadas de humor. Essas transformações verificam-se de distintas formas. Algumas têm como resultado os famosos memes, largamente difundidos, principalmente nas redes sociais. Outras originam renovadas obras de arte, quando
Figura 4 “A Carroça de Feno” de John Constable, 1821. Óleo sobre Tela.
Figura 5 De UntitledSave. Mona Lisa no Porto.
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misturadas com outros suportes como a fotografia e adaptadas aos dias de hoje. A Mona
Lisa de Leonardo Da Vinci é, como seria de esperar, a maior “vítima”.
Todavia, devemos, também, referir o lado negativo, ou menos bom, dessas transformações. Afinal, acaba por se desvirtuar o verdadeiro sentido da obra, podendo levar a equívocos, por parte de pessoas que não tenham conhecimento da obra original. No meio de tantas vantagens do mundo digital, este é um lado negativo que, no final de contas não re reflete apenas no tratamento de imagens. Ainda assim, estas renovadas obras acabam por contribuir para uma maior proliferação da Arte, produzida há milhares de anos, ainda que de forma distinta.
Optamos, por abordar esta vertente da Pintura hoje, porque sabemos que os alunos, atualmente, mais depressa veem uma obra de arte deste género, do que uma dita
normal. Com estas transformações digitais, o contacto pode até ser diário, uma vez que
elas vagueiam pelas redes sociais. Na verdade, são muitos os artistas a trabalhar nesta vertente, acabando por, também eles, criaram novas ou renovadas obras de arte como, fica evidente nos dois exemplos que apresentamos (Figura 5 e 6).
Além de presentes no mundo virtual, algumas das mais famosas obras de arte de sempre podem ser visitadas e apreciadas, em carne e osso, em museus espalhados por todo o mundo. Uma experiência única que, felizmente, muitas pessoas usufruem. Pelos museus mais famosos do mundo, como do Prado em Madrid, ou o do Louvre em Paris, passam todos os dias centenas de pessoas, com vontade de fruir das obras.
Agora nós! A nossa ideia é trabalhar na sala de aula, com as reproduções
imagéticas de obras de arte pictóricas, que servem, deste modo, propósitos de grande
dimensão – educativos. Todavia, o espaço museológico e a era virtual não serão esquecidos neste trabalho, como poderá ver no enquadramento prático.
Figura 6 De Dan Cretu. Recriação relacionada com a série “Friends”
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