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Ao questionar os docentes se é benéfica para os alunos com deficiência sua inclusão em classes regulares, obtivemos os resultados apresentados na tabela 16.

Tabela 16. Distribuição de 197 professores respondentes quanto ao grau de concordância em relação à inclusão por nível de deficiência, São Paulo, 2012

Nível de Deficiência

Discordam

Totalmente Discordam Concordam

Concordam Totalmente Não respondeu Total Grave 29 109 53 06 00 197 Moderada 15 61 92 27 02 197 Leve 06 09 118 64 00 197

Quando consideramos uma deficiência grave, 138 docentes (70,05%) discordam ou discordam totalmente que a inclusão de alunos que apresentam esse nível de deficiência em classes regulares pode ser benéfica para eles. Em contrapartida, concordam ou concordam totalmente com os benefícios da inclusão quando consideramos um nível de deficiência moderada (119 docentes, 60,41%) ou leve (182 docentes, 92,39%).

Diante desses dados, verificamos que, quando se trata de uma deficiência leve, os professores respondentes são mais favoráveis à inclusão dos alunos em salas regulares do que quando se trata de uma deficiência mais severa. Segundo Camisão (2004, p. 123):

Algumas investigações (e.g. Scruggs & Mastropieri, 1996), sugerem que os professores estão mais dispostos a ensinar alunos com dificuldades ligeiras, do que ensinar alunos com graves incapacidades, porque aparentemente os professores percepcionam ser necessário maiores recursos e melhores competências para conseguirem desempenhar tal tarefa.

Sendo assim, a educação inclusiva prevista em nossa legislação se torna inatingível sem a formação adequada dos professores, pois tal educação deve-se dar sem a distinção ou exclusão de alunos, sejam eles com deficiência ou não. Portanto, identifica-se a necessidade de uma formação baseada nos pressupostos do paradigma da inclusão, no qual haja, segundo Mantoan (1993, p. 01), uma “escola (de qualidade) para todos”, respeitando os “educandos em sua individualidade”.

Em relação à questão que aborda a inclusão de alunos com deficiência em classes regulares e seus benefícios para todos os envolvidos (comunidade escolar), obtivemos os dados apresentados na tabela 17.

Tabela 17. Distribuição de 197 professores respondentes quanto ao grau de concordância em relação aos benefícios da inclusão por grupos da comunidade escolar, São Paulo, 2012

Comunidade Escolar

Discordam

Totalmente Discordam Concordam

Concordam Totalmente Não Respondeu Total A comunidade 07 34 120 36 00 197 Os professores 20 60 100 17 00 197 A família desses alunos 06 30 132 29 00 197 Os alunos que não apresentam deficiência 08 31 125 32 01 197

Nessa questão, grande parte dos docentes concorda ou concorda totalmente que a inclusão de alunos com deficiência em classes regulares é benéfica para a comunidade (156 professores, 79,19%), para os professores (117 professores, 59,39%), para a família dos alunos com deficiência (161 professores, 81,73%) e para os alunos que não apresentam deficiência (157 professores, 79,70%).

Diante dos resultados obtidos, observamos um discurso relativamente favorável ao paradigma da inclusão, mas apenas para alunos sem deficiências graves, conforme já observado na análise dos dados da tabela 16. Nesse sentido, Mantoan (1993, p. 02) destaca que “a diversidade no meio social e especialmente no ambiente escolar é fator determinante do enriquecimento das trocas, dos intercâmbios intelectuais, sociais e culturais que possam ocorrer entre os sujeitos que neles interagem”. Sendo assim, a inclusão traz benefícios tanto para as pessoas com deficiência quanto para todas as pessoas envolvidas no processo de inclusão, seja ela escolar ou social.

Quando questionados em relação ao tipo de sala de aula no qual os alunos com deficiência devam estudar, os docentes apresentaram suas opiniões conforme o apresentado na tabela 18.

Tabela 18. Distribuição de 197 professores respondentes quanto ao grau de concordância em relação à inclusão por tipo de sala de aula, São Paulo, 2012

Tipo de sala de aula

Discordam

Totalmente Discordam Concordam

Concordam Totalmente Não Respondeu Total Separadas dentro de escolas regulares 49 82 47 19 00 197 Regulares 10 55 119 13 00 197 Especiais 12 95 74 16 00 197

Por esses dados, podemos observar uma contradição. Ao mesmo tempo em que grande parte dos professores respondentes (131 professores, 66,5%) discordam ou discordam totalmente com a separação dos alunos com deficiência em salas distintas nas escolas regulares e que concordam ou concordam totalmente (132 professores, 67%) com a inclusão desses alunos em sala de aula regular, quando são questionados em relação às classes especiais, evidencia-se uma pequena diferença entre os professores que concordam ou concordam totalmente (90 professores, 45,69%) e os que discordam ou discordam totalmente (107 professores, 54,32%).

Esse discurso contraditório pode evidenciar o despreparo e a insegurança do professor para o trabalho com alunos com deficiência, que, com isso, acabam por considerar a classe especial mais efetiva, pois nela há um professor especialista, que pode ser considerado melhor preparado para o trabalho pedagógico com esses alunos. Sendo assim, no intuito de sanar tal situação, consideramos como necessárias medidas diversas de adequação dos sistemas

escolares, tais como o investimento em acessibilidade arquitetônica, em materiais didáticos, em tecnologias assistivas, na contratação de intérpretes em libras, além de capacitações e formações do professor e da equipe escolar.

Ao questionar os docentes se é benéfica para os alunos com deficiência sua inclusão em classes regulares, considerando o tipo de deficiência, obtivemos os resultados apresentados na tabela 19.

Tabela 19. Distribuição de 197 professores respondentes quanto ao grau de concordância em relação à inclusão por tipo de deficiência, São Paulo, 2012

Tipo de deficiência

Discordam

totalmente Discordam Concordam

Concordam totalmente Não Respondeu Total Deficiência visual 12 50 114 19 02 197 Cegueira 20 72 87 16 02 197 Deficiência auditiva 10 35 132 19 01 197 Surdez 17 69 96 13 02 197 Deficiência motora 08 40 121 26 02 197 Deficiência intelectual 20 51 107 18 01 197

Ao analisar os dados obtidos, podemos constatar que grande parte dos professores respondentes concorda ou concorda totalmente com os benefícios da inclusão de alunos com deficiência: visual (133 professores, 67,51%), auditiva (151 professores, 76,65%), motora (147 professores, 74,61%) e intelectual (125 professores, 63,45%).

Quando questionados em relação às deficiências mais graves, como surdez e cegueira, as diferenças entre o número de respondentes que concordam

ou concordam totalmente e discordam ou discordam totalmente são menores. Em relação à cegueira, 92 professores (46,77%) discordam ou discordam totalmente com a inclusão, enquanto 103 professores (52,28%) concordam ou concordam totalmente. O mesmo acontece em relação à surdez, em que 86 professores (43,66%) discordam ou discordam totalmente com a inclusão e 109 professores (55,33%) concordam ou concordam totalmente.

Tais dados evidenciam mais uma vez a tendência do professor se sentir mais confortável com a inclusão quando se trata de deficiências menos graves ou mais leves. E, como já discutimos, não se pode pautar um ensino inclusivo arraigado na separação dos alunos de acordo com o grau de sua deficiência. A escola inclusiva deve atender a todos os alunos, com ou sem deficiência, sem exceções, com escolas aparelhadas tanto com tecnologias assistivas, bem como com materiais didáticos, professores assistentes para auxiliar o professor titular da sala de aula e, também, disponibilização de formações e orientações focadas na educação inclusiva aos docentes e equipe docente.

Ao questionar os docentes em relação às consequências geradas pela inclusão do aluno com deficiência em uma classe regular, obtivemos os resultados apresentados na tabela 20.

Tabela 20. Distribuição de 197 professores respondentes quanto ao grau de concordância em relação à inclusão por suas consequências, São Paulo, 2012

Consequências Discordam

Totalmente Discordam Concordam

Concordam Totalmente Não Respondeu Total Tem impacto positivo no progresso escolar 11 46 115 24 01 197 Tem impacto positivo na socialização 08 28 115 44 02 197

É prejudicial para os alunos que não apresentam deficiência 103 73 17 04 00 197

Podemos constatar, diante dos dados apresentados na tabela 20, que grande parte dos professores respondentes concorda ou concorda totalmente que a inclusão tem impacto positivo tanto no progresso escolar do aluno com deficiência (139 professores, 70,56%) quanto na sua socialização (159 professores, 80,71%). Além disso, discorda ou discorda totalmente que a inclusão desses alunos é prejudicial para os alunos que não apresentam deficiência (176 professores, 89,34%).

Tais constatações nos levam a inferir que os professores respondentes acreditam nos benefícios trazidos com a inclusão, mas, ao mesmo tempo, ao olharmos para as demais questões podemos notar algumas contradições, como, por exemplo, quando tratamos de deficiências graves.

Segundo Mantoan e Santos (2010, p. 07):

A inclusão é uma inovação, cujo sentido tem sido muito polemizado e por vezes distorcido pelos mais diferentes segmentos educacionais e sociais. No entanto, inserir na escola comum alunos com problemas de toda ordem, sejam esses problemas permanentes ou temporários, mais graves ou menos severos, nada mais é do que garantir o direito de todos à educação, conforme dita a Constituição Federal de 1988.

Nosso caminho em direção às escolas inclusivas envolve mudanças substanciais na própria maneira como enxergamos e conceituamos a educação. Assim, podemos focalizar o cenário educacional brasileiro diante dessas mudanças sob os ângulos: dos desafios provocados pela inclusão na educação comum e especial, incluindo a formação dos professores; das ações no sentido de superá-los; e das perspectivas que essas ações abrem à educação escolar.

Sabemos e pudemos constatar que o caminho a ser trilhado não é o mais fácil, mas temos que ter em mente que a educação inclusiva não é um sistema

educacional paralelo ou segregado, mas sim um conjunto de recursos que a escola tem que dispor para atender à diversidade de seus alunos.

In document fh_1996_15.pdf (10.48Mb) (sider 107-124)