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Public and Private Sector Research and Investment: Can East African Countries Afford

Part II. Economic Considerations

Chapter 20. Public and Private Sector Research and Investment: Can East African Countries Afford

O segundo filme escolhido para a análise não goza da fama de “Tempos Modernos”, que parece ser uma escolha obrigatória quando o tema é trabalho e cinema. Mas não deixa de ser uma importante observação das mudanças que os modelos de produção sofriam nas décadas de 1970 e 1980, incluindo um choque cultural muito diferente da narrada na citada obra de Chaplin.

Para melhor compreensão de “Fábrica de Loucuras” e o seu contexto, vale notar que os praticamente cinqüenta anos que separam os dois filmes apontados são preenchidos por diversas inovações no cinema e nos filmes que abordam o trabalho.

O período durante a Segunda Grande Guerra foi permeado por narrativas de batalhas que incluíam os desenhos animados, principalmente os curtas-metragens, como os episódios do personagem Patolino, dos estúdios Warner Bros., lutando contra as forças do eixo.

Se por um lado a abordagem ideológica não se preocupava em ser implícita, por outro algumas tecnologias se tornavam o padrão explícito das narrativas. O cinema sonoro já havia decretado o fim das cartelas e aos poucos as cores ganhavam força frente ao cinema em preto- e-branco.

Tais possibilidades de recursos integrados resultaram no destaque do gênero musical, que aliado a trilhas orquestradas, fazia uso de fortes e variadas cores.

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Do início da década de 1950, “Cantando na Chuva” usa diversas técnicas recentes ao seu tempo para observar o passado do próprio cinema em sua transição sonora. E dentro dos conflitos narrados, apresentam-se as atividades realizadas para a própria composição de um filme, onde é possível reconhecer as categorias levantadas em “Tempos Modernos”.

No filme de Stanley Donen e Gene Kelly vêem-se os personagens do empregador - produtor dos estúdios Monumental Pictures - e dos subordinados (desta vez não nas figuras de trabalhadores de fábrica, mas principalmente como atores).

O ambiente de produção e sua organização voltada à produção cinematográfica e os usos de novas tecnologias são o norte da obra que acrescenta ao cotidiano o fundamental papel dos meios de comunicação como um valor consumido (além do próprio cinema, também o rádio, mostrado logo no início da obra, bem como jornais e revistas que circulam informações que afetam diretamente processos decisórios e, conseqüentemente, a vida dos envolvidos).

Não só nos Estados Unidos o cinema, aliado a técnicas e linguagens que surgiam, citava a atividade humana vinculada ao consumo da comunicação. François Truffaut dirigiu “Fahrenheit 451” (Inglaterra, 1966), onde o trabalho não é voltado à produção, mas sim à sua destruição. Livros são proibidos, considerados subversivos pela sociedade formada na ficção narrada.

A obra de Truffaut, baseada no livro de Ray Bradbury, demonstra a alienação resultante não da produção estranha, mas da não-produção (representada através da personagem Linda Montag). Os efeitos narcotizantes da televisão nos centros urbanos,

Presença da tela é constante em “Fahrenheit 451”. A personagem Linda Montag (interpretada por Julie

Christie) denuncia o próprio marido no filme de Truffaut.

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associados à destruição do conhecimento simbolizado pelo livro, criam um universo que opera contra a formação da consciência, semelhante às conseqüências da produção mecanizada apropriada por outro que não o trabalhador (como descrito anteriormente em outros filmes).

As relações entre o comportamento e a manutenção da ordem são evidentes. O protagonista é perseguido pela força da lei mesmo sendo ele próprio um oficial.

Truffaut dirigiu também “A Noite Americana” (França, 1973) que, como “Cantando na Chuva”, trata do cinema narrando sua própria produção, demonstrando os complexos mecanismos interligados para a composição de uma obra audiovisual.

Não só as cidades industrializadas e organizadas para o consumo foram temas de filmes. Adaptado do livro homônimo de Graciliano Ramos, “São Bernardo” (Brasil, 1971) mostra relações da apropriação do trabalho alheio, semelhantes às obras de Eisenstein, Lang e Chaplin, mas com a ambientação no campo.

A hierarquia está fortemente presente na narrativa dirigida por Leon Hirszman, com conseqüências humanas que mais uma vez remetem à morte. No cotidiano quase não são observadas divisões entre o ambiente de produção e a vida social. As condições impostas pelo personagem Paulo Honório tanto para seus subordinados quanto em seu casamento são praticamente as mesmas.

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Hirszman também é responsável pela adaptação em filme da peça de Gianfrancesco Guarnieri “Eles Não Usam Black Tie”

(Brasil, 1981), que retoma o tema da luta operária observado em “A Greve”. O intuito do lucro é narrado pelo diretor na descrição da organização do trabalho e seu impacto no cotidiano, seja na área rural (como na obra da década anterior), seja nas plantas industriais urbanas.

De volta à cinematografia norte-americana, a substituição da atividade humana pelas máquinas, mostradas nas obras citadas do começo do século XX, se tornam o norte de “Blade Runner - o caçador de andróides” (EUA, 1982), de Ridley Scott, baseado em livro de Philip Kindred Dick de 1968.

Assim como em “Metrópolis”, robôs são feitos à imagem e semelhança do homem para assumir a responsabilidade pela produção. E, como o trabalho é formador de consciência, em certo momento as máquinas, assumindo as atividades humanas, tornam-se conscientes de suas próprias condições. O trabalho é o responsável por humanizar a máquina, que começa a questionar sua submissão.

O protagonista Paulo Honório, interpretado por Othon Bastos, em sua característica solidão em “São

Bernardo”.

Personagem conduz vida pessoal da mesma forma que comanda sua fazenda.

Guarnieri, à direita, participa também do filme.

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Como em outros filmes citados, a formação de consciência pode ocasionar um comportamento questionador que imediatamente deve ser reprimido. Daí o surgimento de uma força de manutenção da ordem contra os rebeldes que desta vez não são os operários, mas aquilo que foi criado pelo homem a fim de substituí-los.

Mais de cinqüenta anos após “Metrópolis”, “Blade Runner...” mostra como situações que envolvem o trabalho e seu papel social não foram resolvidas ao longo do tempo. Os avanços tecnológicos não parecem ter sido jamais voltados à melhoria das condições humanas que uma sociedade industrial acarreta.

Os ciborgues que tentam fugir de suas obrigações primárias devem ser eliminados. Mas, re-estabelecendo a relação com o trabalho, não se fala em executá-los (apesar de ser esta a ação tomada pelos mantenedores da ordem, os chamados “Blade Runners”, da sociedade narrada), mas sim em “aposentá-los”219, demonstrando a relação da falta de produção mercadológica com a morte também presente em filmes já citados.

Essas obras acima, entretanto, abordam indiretamente as questões do trabalho voltado ao capitalismo no ocidente, à exceção de Hirzsman que o faz diretamente, servindo como relatos de pontos de vista de realidades incapazes de encontrar o equilíbrio entre o trabalho e o capital.

É nesta busca que se inicia a análise da próxima obra e seu relato de metodologias conflituosas que se encontram dentro do mesmo ambiente de produção.