2 The whole chapter’s preliminaries
2.2 Public Key Encryption
Está inerente no ser humano, seja ele de qual povo for a necessidade de certas realizações, sejam elas mais elaboradas ou não. Sem dúvida nenhuma que, dependendo de cada região do planeta, as necessidades variam de uma forma ou outra, sendo que em algumas delas as variações são enormes. Porém, basicamente existe uma escala de necessidades humanas, desde tempos imemoriáveis que estão presentes em cada ser, percebendo-se na literatura, quando Pero Vaz de Caminha descreve o interesse, tanto dos portugueses como dos indígenas por aquilo que seria novo. Neste momento não cabe aqui mencionar o interesse econômico e imperialista da parte dos portugueses da esquadra de Cabral. Lusitanos e indígenas deparavam-se com o novo, ou seja, o relacionamento entre eles estava ocorrendo, portanto havia surpresa em ambos os lados. Isso, pelo
43 Também conhecido por regatão, comerciante geralmente desonesto que sobe o rio de barco, levando mercadorias da cidade para explorar índios e não índios, comprando muito barato os produtos deles e vendendo as mercadorias da cidade por preço astronômico. Muitas vezes utilizam da cachaça e da inocência do homem ribeirinho para ludibriar na conta e ao pesar os produtos agrícolas dos humildes produtores.
143 menos naquele momento, causou surpresas no relacionamento e, de acordo com a Pirâmide de Maslow 44 este relacionamento está incluso na altura mediana da citada pirâmide, que são as Necessidades Sociais, no caso dos tripulantes da Esquadra de Cabral, foi o intercâmbio entre pessoas.
A Pirâmide de Maslow, apresentada na Figura 20, a seguir, muito difundida nos cursos das Ciências Sociais Aplicadas, atualmente é utilizada também em outras ciências, dada sua abrangência holística. A mesma pode ser observada na próxima figura.
Chiavenato (1998, p. 82) comentando sobre a funcionabilidade da Pirâmide de Maslow, menciona:
Algumas culturas, como a japonesa, colocariam as necessidades sociais na base da hierarquia. [...] Por outro lado, é plausível que, por exemplo, algumas pessoas tenham fortes sentimentos de insegurança, a despeito de usufruírem situação financeira que a outros deixaria muito confortáveis. Também é possível que um artista passe horas a fio sem se alimentar, desafiando a completar sua obra.
Portanto, as atividades turísticas para o visitante, certamente estariam situadas na terceira faixa da Pirâmide de Maslow; porém, para aquela pessoa ou família que depende do turismo para sua sobrevivência, tais como vendedores de chapéus nas praias, estaria situada na base da Pirâmide, que se trata das Necessidades Fisiológicas, no caso a fome. Neste sentido, mesmo em culturas com populações tradicionais, as necessidades humanas descritas na Pirâmide tendem a se confirmar, embora com variações, mesmo em se tratando de grupos tradicionais, portanto aplicável a visitantes e visitados.
44 Em 1954, Abraham Maslow, criou a Pirâmide que levou seu nome, mencionando necessidades humanas, primárias e secundárias, totalizando cinco grupos. Necessidades primárias são as duas primeiras faixas da pirâmide, as fisiológicas e as de segurança. Necessidades secundárias são as demais faixas, até o topo da pirâmide, são as sociais, de estima e de autorrealização. As necessidades podem variar nas diversas culturas existentes no mundo.
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Figura 20 – Pirâmide da hierarquia das necessidades humanas de Maslow. Fonte: Chiavenato (1998, p. 79).
A busca por conhecer outras culturas está presente em grande parte dos seres humanos. Poucas pessoas não desejam saber o que ocorre em outras culturas. Exemplo clássico acontece no período da Semana do Índio, em abril de cada ano. Em todo Brasil, centenas de ônibus entram e saem das aldeias com inúmeros alunos, desde o Ensino Fundamental ao Ensino Superior, acompanhados de professoras, diretoras de colégios e até secretários municipais de educação, dentre outras autoridades, todos com intuito de ver e participar das comemorações do Dia do Índio. Além de comprarem artesanatos, muitos se integram junto aos indígenas em danças e deixando-se pintar. Com alunos do Ensino Superior muitas vezes ocorre Roda de Conversa, onde acadêmicos escutam mestres indígenas, detentores de vasta sabedoria tradicional.
Ao romper com a visão unilateral restrita meramente ao campo governamental, as pessoas detentoras de conhecimentos da área vão ao encontro de novos horizontes, buscando novas dimensões, que muitas vezes são dificultadas, ou mesmo proibitivas pela atual legislação, que coloca obstáculos e não promove o diálogo para serem construídas novas normas para a entrada de pessoas em Terras Indígenas, pois se observa que muitas vezes na prática ela não funciona, pois
145 existem estradas federais que cortam aldeias e caso a Lei existente fosse levada ao pé da letra, todas as pessoas dentro de automóveis, transitando em rodovias dentro de TIs, deveriam ter o documento de autorização em mãos, o que obviamente não ocorre. Esse anseio foi mencionado por um índio, enquanto oferecia seus artesanatos, dentro de sua TI, aos ocupantes nos carros que transitavam em rodovias dentro de sua aldeia.
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9 CONCLUSÃO
Em razão de que existem vários graus de contato dos povos indígenas com a sociedade envolvente, é necessário que o turismo em Terras Indígenas (TIs) seja pautado, em primeiro lugar, pelas decisões da comunidade indígena, atentando-se para a Declaração das Nações Unidas sobre Direitos dos Povos Indígenas, aprovada em 13 de setembro de 2007, onde destaca em seu art. 5º:
Art. 5º. Os povos indígenas tem o direito a conservar e fortalecer suas próprias instituições políticas, jurídicas, econômicas, sociais e culturais, mantendo ao mesmo tempo seu direito de participar plenamente, se assim o desejarem, na vida política, econômica, social e cultural do Estado.
Neste sentido, a Conferência Internacional do Trabalho, por meio da Convenção nº. 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre povos indígenas e tribais, também se posiciona sobre a autonomia da comunidade, ao preconizar em seu art. 7º:
Art. 7º. Os povos interessados deverão ter o direito de escolher suas, próprias prioridades no que diz respeito ao processo de desenvolvimento, na medida em que ele afete as suas vidas, crenças, instituições e bem-estar espiritual, bem como as terras que ocupam ou utilizam de alguma forma, e de controlar, na medida do possível, o seu próprio desenvolvimento econômico, social e cultural. Além disso, esses povos deverão participar da formulação, aplicação e avaliação dos planos e programas de desenvolvimento nacional e regional suscetíveis de afetá-los diretamente.
Com base as citações, fica claro que as comunidades indígenas tem o direito de se manifestar sobre temas que lhes dizem respeito, exercendo seu direito inalienável de autonomia.
E ainda, no que tange ao turismo sustentável em TI, conforme observado na Parte II, faz-se necessário que todo o processo esteja balizado em conceitos indigenistas, analisando-se a situação de cada comunidade interessada no turismo, qual seu grau de contato com as demais sociedades, suas expectativas e anseios, a fim de que não ocorram soluções verticais, que sempre desfavorecem os indígenas.
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