Uma questão fundamental da investigação em ciências empresariais prende - se com os motivos que levam umas empresas ao sucesso e outras ao insucesso, mas o certo é que as empresas enfrentam elevados riscos de falhanço quando são jovens e pequenas (Thornhill e Amit, 2003).
A percepção corrente sugere que uma percentagem importante de pequenos negócios falham num certo número de anos (Haswell e Holmes, 1989; Ribeiro, et al., 2005) e, da mesma forma, intui-se que a idade e a dimensão, têm uma correlação positiva com a sobrevivência, ou seja, empresas menores e mais recentes confrontam-se com desvantagens que dificultam a competição e as conduzem, com frequência, ao fracasso (Venkataraman et al., 1990; Bruderl e Schüssler, 1990; Bruderl et al., 1992; Venkataraman e Low, 1994; Lin e Huang, 2008). Os determinantes da sobrevivência, específicos da empresa, variam nos efeitos e na intensidade, consoante a idade da empresa, sendo mais severos para com as entidades mais jovens, porque a estrutura das várias indústrias tende a favorecer empresas maduras (Bellone et al., 2008), no entanto, teoricamente, uma maior intensidade de I&D implica maiores oportunidades de inovação para a indústria e proporciona melhores condições de sobrevivência às novas emp resas (Lin e Huang, 2008).
Mas de forma interessante, constata-se que a idade nem sempre é um determinante negativo associado à sobrevivência organizacional. Um estudo que
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versou sobre empresas nova-iorquinas do sector financeiro (1914 a 1990) demonstrou que as entidades mais pequenas e antigas são mais prop ensas a falhar, enquanto que, no que respeita ao crescimento, as mais jovens e pequenas apresentam taxas superiores (Barron et al., 1994). Por seu turno, também não existe na economia, uma dimensão ideal para as empresas, já que os efeitos – virtudes e constrangimentos – da sua estrutura varia em função das condições da indústria e, principalmente, da forma como o empreendedor gere e aloca os diversos factores produtivos, com o intuito de maximizar os out puts (Lucas, 1978). As ilações são óbvias – como praticamente tudo em ciências empresariais (e não só), as generalizações devem ser colocadas com cautela e parcimónia.
De igual modo, a probabilidade de descontinuidade por insolvência tem uma relação positiva com a idade e com a mudança, e é consistente com a existência de passivos associados à idade e à obsolescência entre as empresas de indústrias com evolução e crescimento rápido (Barron et al., 1994). No entanto, esses passivos não actuam por si só, existindo por detrás de cada qual, um vasto leque de forças a actuar sobre as empresas, tanto desde o seu interior, com a perda de colaboradores chave, por exemplo, como do seu exterior, com alterações nas taxas de câmbio ou de juro, entre outras (Thornhill e Amit, 2003).
O fosso entre a capacidade de inovação organizacional e a fronteira tecnológica origina oportunidades para novas empresas cujas rotinas internas estejam melhor alinhadas com o estado de desenvolv imento tecnológico da indústria, pelo que as barreiras à entrada não parecem ser o principal obstáculo das empresas, mas sim as barreiras ao crescimento (Bellone et al., 2008). È bem aceite que aquelas empresas que iniciam as grandes alterações tecnológicas crescem mais rapidamente do que as outras empresas suas parceiras na indústria (Tushman e Anderson, 1986). Estes novos agentes têm sido responsáveis por muitas inovações radicais e pioneiras que, aliadas a estratégias de nicho, lhes têm proporcionado algumas vantagens competitivas face às entidades já estabelecidas. Uma conclusão possível é que a obsolescência associada à idade , que se verifica em empresas implantadas é uma das condições para o surgimento de actividade empreendedora,
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isto é, o envelhecimento é uma fonte de mudança nas indústrias de alta tecnologia (Sorensen e Stuart, 2000).
Não obstante, o efeito negativo da recência também foi observado na capacidade de inovação das empresas, termos em que as mais antigas (e usualmente de maior dimensão) inovam a taxas superiores, já que, gradualmente, refinam as rotinas organizacionais e as competências que subjazem à produção de inovações (Sorensen e Stuart, 2000). Em geral, elas têm maior capacidade de investimento em I&D, podendo fazê-lo com maior conforto, do que as empresas recentemente implantadas. Da mesma forma, investigadores defendem que, comparativamente com os empreendedores que criam empresas de menor dimensão, os promotores de empresas maiores têm vantagens específicas como, possuírem capacidade superior para reunir recursos substanciais, demonstram tendencialmente níveis de educação mais elevados, maior experiência de gestão, e tendem a estabelecer objectivos de natureza mais concreta e fácil de gerir (Cooper et al., 1989). Noutro âmbito, as empresas já instaladas podem ter a tendência de optar por I&D meramente incremental, direccionado para as suas competências
cor e, até porque, as inovações frescas e disruptivas, provenientes de jovens concorrentes podem ser absorvidas pelas maiores, com relativa facilidade.
Existem diferenças sistemáticas nos mecanismos e nos determinantes do encerramento, entre as empresas que fecham na sua fase inicial e as que fecham posteriormente às fases da infância e adolescência. Nas primeiras, predominam as deficiências na gestão, em geral e na gestão financeira em especial; já as empresas mais velhas são mais propensas a falhar devido à incapacidade de adaptação às mudanças ambientais (Thornhill e Amit, 2003).
De qualquer forma, o risco de insucesso da iniciativa empresarial é uma evidência que preocupa desde sempre, ficando patente nas estimativas alarmantes para a taxa de sobrevivência, que se foram produzindo ao longo do tempo. Nesse sentido, atente-se a alguns exemplos de estudos para o tecido empresarial norte - americano, provavelmente o mais estudado:
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Nos primeiros 5 anos de actividade, uma probabilidade de sobrevivência de 35% (Bracker e Pearson, 1986; Bracker et al., 1988) ou 45% (Shane, 2008);
Cerca de 50% encerram nos primeiros 2 anos (Headd, 2003);
No primeiro ano, 25% das sta r t-up’s falham e nos primeiros 10 anos
de actividade a percentagem aumenta para cerca de 70% das empresas (Shane, 2008).
Ou seja, a maior parte das empresas sucumbe durante os primeiros cinco anos de vida e os investigadores conhecem bem essa realidade (Laitinen, 1992; Castrogiovanni, 1996). Estamos perante um volume muito considerável de capital, talento, esforço, dedicação e capacidade de iniciativa, de empresários, trabalhadores e financiadores, absolutamente desperdiçados (Bracker e Pearson, 1986; Gaspar, 1999) e mesmo assim, das iniciativas que sobrevivem, apenas uma pequena percentagem tende a crescer significativamen te (Stangler, 2010).
As evidências para o espaço europeu são coerentes com os dados anteriores, na medida em que a taxa de sobrevivência média nos Estados Membros, após cinco anos, ronda os 50% (ver Figura 5, abaixo).
Por sua vez, os valores precedentes estão alinhados com o panorama em português, onde estudos efectuados apontam para taxas de sobrevivência de 86% no primeiro ano de actividade; 75% no segundo ano; e 46% ao fim do sétimo ano (Nunes e Sarmento, 2010). Já anteriormente, pesquisas apontavam para taxas de mortalidade, na ordem dos 20%, no primeiro ano de vida e de apenas 50% de sobreviventes, ao fim do quarto ano (Mata e Portugal, 1994).
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59 : empresas nascidas em 2001 (%)
Figura 5 - Taxa de sobrevivência na UE
Fonte: Eurostat, 2009
Portanto, o crescimento das taxas de abandono é consistente na generalidade das verificações, apresentando valores crescentes até ao quinto ano de actividade (período crítico) e tende a amenizar-se a partir do sexto ano em diante (Audretsch et al., 1999; Ribeiro, et al., 2005; Simões e Dominguinhos, 2006; Nunes e Sarmento, 2010).
Uma visão interessante mostra-nos que as empresas jovens e pequenas, em ambientes turbulentos, são um subconjunto particularmente vulnerável à ocorrência de insucesso nas transacções económicas. De certa forma, elas carecem de legitimidade no mercado (não têm histórico, reputação, nem infraestrutura que dê conforto aos potenciais clientes) e, por vezes, não dispõem de activos que garantam o acesso a recursos e clientes. Nestas circunstâncias, os empresários recorrem aos contratos dos seus clientes mais importantes, como sub -rogação para novos negócios, o que constitui uma alavancagem perigosa, pois as transacções passam a processar-se encadeadas e se algum elo se frustra, isso implica o colapso geral (Venkataraman et al., 1990; Venkataraman e Low, 1994).