4. PRESENTASJON OG DRØFTING AV FUNN
4.3 Psykisk helse i barnehagesektoren
A consolidação da Ciência da Informação acontece com características distintas nos países em que ela é adotada como novo campo de estudos interdisciplinar da informação. O surgimento de pós-graduações em CI que vinham a complementar a formação de profissionais da arquivologia, biblioteconomia, bibliografia, documentação e museologia, a realização de conferências e encontros com as temáticas de pesquisa voltadas para o estudo da Informação e o surgimento de instituições científicas e governamentais que propunham realizar estudos informacionais são marcos na institucionalização da área.
Segundo Araújo (2014b, p. 99), a consolidação da CI abrange cinco dimensões, a
priori, de fácil identificação: “o surgimento da bibliografia e documentação, a relação
institucional com a biblioteconomia, a atuação dos primeiros ‘cientistas da informação’ no fornecimento de serviços em ciência e tecnologia; o incremento tecnológico; e a fundamentação na teoria matemática.”
Essas dimensões se entrelaçam entre a epistemologia da área e os campos interdisciplinares que originaram a própria CI, passando desde a profissionalização da área aos aspectos socioculturais em que o próprio campo surgiu.
É consenso na área em questão que a CI nasce das disciplinas científicas como a arquivologia, biblioteconomia, bibliografia, documentação e museologia e que, muitas vezes, é confundida como sendo sinônimo dessas áreas como veremos a seguir. O fato é que cada
37 nação deu uma característica ao que se chama, atualmente, de Ciência da Informação, e remontar a sua história é se deslocar para as histórias milenares das ditas disciplinas acima citadas.
Segundo Ortega (2004), ao reconstituir o histórico relativo à biblioteconomia, à documentação e à CI, a partir do surgimento das instituições e da profissionalização dessas áreas, o autor citado remonta às primeiras bibliotecas, surgidas no oriente, como a de Elba, na Síria, a do rei Assurbanipal, na Assíria, e o próprio surgimento da escrita no terceiro milênio, antes de Cristo, passando também pelas bibliotecas dos conventos e mosteiros medievais, tendo a igreja como guardiã do conhecimento e, também, abordando o período do surgimento da imprensa de Gutenberg e o aumento da produção e reprodução dos saberes pelos livros e jornais, o que possibilita o surgimento das primeiras bibliografias.
Ainda segundo Ortega (2004), baseado nos estudos de Shera e Egan (1961), o autor afirma que:
Estes autores citam que a atividade de organização de conteúdos de documentos, a Bibliografia, já era realizada de forma limitada desde a Idade Antiga, na Inglaterra. Efetivamente, as primeiras bibliografias relevantes são a compilação realizada pelo alemão Konrad Gesner, no final do século XV, e a primeira tentativa de uma bibliografia universal pelo suíço Johann Tritheim, na metade do século XVI. Após estas obras, foram crescentemente produzidos catálogos de bibliotecas particulares e bibliografias especializadas, a ponto de, em fins do século XVI, na Europa, os estudiosos sentirem necessidade de sistematizarem este grande volume de índices catalográficos e bibliográficos. Surgiram então muitas bibliografias comerciais, precursoras das bibliografias nacionais, mas pouco adequadas aos estudiosos. Esta atividade de elaboração de bibliografias é considerada a origem da Documentação. (ORTEGA, 2004, p. 3).
Compartilhando uma trajetória, bibliografia e documentação surgem importantes transformações em seus campos de atuação no fim do século XIX. Valendo citar:
Em 1895, Paul Otlet e Henri La Fontaine organizam a I conferência Internacional de Bibliografia e Documentação (IIB). O objetivo dos dois era a construção de um grande movimento cooperativo, em nível planetário, para que fosse estabelecida uma espécie de inventário de toda a produção humana de conhecimento registrado. (ARAÚJO, 2014c, p. 4).
Nos anos seguintes, a documentação se desenvolve com os objetivos técnicos e científicos da organização documental para fins democráticos, pacíficos e desenvolvimentistas. Em 1934, Otlet traz legitimidade ao campo com a publicação do Traité
de Documentation, onde define o temo ‘documento’. Recentemente, os pressupostos teóricos
38 neodocumentalistas, fazendo parte desse grupo autores como W. Boyd, Ronald Day e Michael Buckand (ARAÚJO, 2014a, p. 5).
No que se refere ao espaço de institucionalização da Biblioteconomia, este se deu de forma mais evidente nos Estados Unidos, onde a cisão entre os bibliotecários que atuavam nas bibliotecas públicas e aqueles que trabalhavam nas bibliotecas especializadas começaram a discordar dos objetivos de sua área. Começando pela saída de bibliotecários que compunham a American Library Association (ALA), fundada em 1876, e em 1908 os dissidentes fundam a Special Libraries Association (SLA). Seguindo esse exemplo, os institutos de documentação fizeram o mesmo, tornando evidente a cisão na área (ARAÚJO, 2014c, p. 6).
Essa divisão foi a responsável por, em 1968, os Estados Unidos fundarem a primeira instituição de Ciência da Informação no mundo, originada da mudança, com o nome da American Documentation Institute (ADI) para American Society for Information Science (ARAÚJO, 2014c, p. 6).
No Reino Unido aconteceu algo semelhante, como vemos na criação da
Association of Special Library and Information Bureaux (Aslib) em 1924. Essa instituição
objetivava a gestão e processamento da informação nos mais diversos campos (ARAÚJO, 2014c, p. 6).
O que se vê é que o surgimento de uma biblioteconomia especializada, voltada ao tratamento de informação científica, dá espaço para o que viria a se denominar Ciência da Informação.
De maneiras diferentes, esse processo aconteceu em diferentes países, a ponto de, em vários contextos (principalmente no Reino Unido e nos países nórdicos), a área ser designada como library and information Science. No Brasil, faculdades, escolas ou departamentos de biblioteconomia foram mudando sua designação para ciência da informação nas décadas de 1980 e 1990. Os cursos de graduação em biblioteconomia mantiveram, na grande maioria dos casos, sua denominação. Mas os cursos de pós-graduação tiveram também o nome alterado para ciência da informação. (ARAÚJO, 2014c, p. 6).
A mudança de nome das instituições foi o primeiro caminho para que os bibliotecários especializados, documentalistas e outros começassem a se auto denominar ‘cientistas da informação’. Sob influências dos chamados science services (1920-1940), a produção de índices, resumos e canais de divulgação científica foi iniciada para a disseminação da produção científica (ARAÚJO, 2014c, p. 7).
Por fim, evocando as dimensões em que a CI se estrutura, segundo Araújo (2014b), existem as tecnologias e o conceito de informação e a fundamentação na teoria
39 matemática da informação, já abordada anteriormente, mas que, em linhas gerais, são relacionadas ao desenvolvimento tecnológico do pós-Segunda Guerra e da Guerra Fria e a fundamentação teórica inicial da CI na Teoria matemática de Shannon que privilegiava o caráter objetivo, positivista e físico da informação.
Com o intento de ampliar a visão de desenvolvimento da CI, ainda que de forma breve, como se viu no contexto dos EUA, do Reino Unido e do Brasil, são exemplos de alguns marcos históricos da área em alguns países.
Na Espanha, iniciativas pioneiras no campo da formação de profissionais para atuação na área se deram com a Escuela de Diplomática, criada por decreto real em 1856, a Escuela Superior de Bibliotecários, criada em 1915, e um curso iniciado no final dos anos 1960 na Universidade de Navarra. Além disso, por influência da FID, a Espanha começou a atuar na área de prestação de serviços de informação em ciência e tecnologia. Assim, em 1952 foi criado o Centro de Información y Documentación del Patronato ‘Juan de la Cierva’, que em 1975 se tornou Instituto de Información y Documentación em Ciencia e Tecnologia (ICYT). (ARAÚJO, 2014a, p. 112).
Com forte influência do legado de Otlet e da disciplina da documentação, a CI na Espanha traz fortes características das técnicas documentais. As ciências da documentação são o sinônimo da CI espanhola, que tem como principais pesquisas o tratamento e a análise da informação documental e a gestão dessa informação nas organizações e empresas (ARAÚJO, 2014a, p. 112-114).
Na França, há a denominação de Sciences de l’information et la comunication do campo dos estudos da informação. Não muito comum na área, a união da comunicação à informação traz à tona o caráter infocomunicacional do fenômeno comunicação e o viés comunicativo da informação. Essa peculiaridade remete à mudança de área da Ciência da Informação Brasileira, determinada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da área das Ciências Sociais Aplicadas II para a área da Informação e Comunicação.
A consolidação da área é dada pelo estabelecimento de disciplinas relativas à ciência da informação e comunicação, pelo Conselho Nacional de Universidade da França, em 1975. Antes disso, a França já era referência na formação de profissionais da informação com a criação da École Nationale de Chartes, que formava arquivistas e bibliotecários (ARAÚJO, 2014a, p. 114).
Outro fato que se destaca é o grande impacto da École Nationale de Chartes no desenvolvimento das pesquisas em ciência da informação e comunicação, na França. Segundo Araújo (2014a, p. 115-116): “ainda que associadas, as duas áreas também acabaram por
40 desenvolver agendas de pesquisa razoavelmente distintas, cabendo à ciência da informação pesquisas sobre leitura, leitores, documentos, história do livro, mídias e cultura, [...].”
Sobre as principais temáticas de pesquisa, destaca-se, na França, além das pesquisas citadas anteriormente,
Três grandes orientações temáticas vêm marcando o campo: estudos sobre os objetos portadores do saber; sobre as práticas humanas e sociais de elaboração, compartilhamento e acesso à informação; e a formalização e o cálculo para processamento tecnológico e matematização. (ARAÚJO, 2014a, p. 116).
Em linhas gerais a Ciência da Informação e Comunicação Francesa se atem a três grandes problemas: representar, criar repositórios e transmitir. (COUZINET, 2004 apud ARAÚJO, 2014a).
No Canadá, a Ciência da Informação herdou a experiência dos Estados Unidos e da Europa, sendo seu processo institucional feito pela criação de associações e instituições profissionais e públicas por profissionais da biblioteconomia, arquivologia e áreas a fim.
Nesse país, contudo, a tendência principal não foi a da constituição de uma ciência da informação como disciplina autônoma e unificada, mas, antes, de um projeto de ‘ciências’ ou de ‘estudos’ da informação. Sua principal instituição de pesquisa, a CAIS/ACSI (Canadian Association for Information Science / Association Canadienne des Sciences de L’Information), estabelecida em 1970, reúne pesquisadores de áreas distintas como biblioteconomia, arquivologia, informática, jornalismo, economia e educação. (SALÜN, ARSENAULT, 2009 apud ARAÚJO, 2014a, p. 118).
No que se refere aos campos de estudo, ou linhas de pesquisa da vertente canadense da CI, podemos citar: o tratamento dos documentos, busca de informação, práticas dos usuários e gestão estratégica da informação (SALÜN, ARSENAULT, 2009 apud ARAÚJO, 2014a, p. 118).
Também, como exemplo, a Rússia, desde a década de 1950 começou a empreender esforços para inaugurar os estudos da informação no país, na época ainda como União Soviética. Em 1952, inauguram o Vsesoyuz, hoje renomeado para Viserossiisky, Institut
Nauchnoi e tekhnicheskoi Informatsii (VINITI) que é vinculado à academia de ciências.
Como referência dos estudos de informação, nessa época, Alexander Mikhailov, em 1958, apresentou a ideia de uma nova disciplina, que objetivava entender as propriedades da atividade científica, a Informatika (ARAÚJO, 2014a, p. 105).
Citando apenas alguns exemplos do desenvolvimento da CI pelo mundo, em especial o Ocidental, é percebido nesse curto panorama que as agendas de pesquisa da área se relacionam com outros campos interdisciplinares, como a comunicação na França, as
41 tecnologias nos Estados Unidos e a documentação na Espanha, onde incluem pesquisas voltadas para o estudo da informação em uma perspectiva física, cognitiva e social.
Isso chama a atenção para o entendimento do próprio objeto de estudo da área, a informação, que ganha várias roupagens e vertentes nos países que se dedicam a estudar esse fenômeno. Cabe aqui, portanto, visualizar algumas definições da informação nas teorias do campo e seu desenvolvimento no percurso histórico da CI.