CONCLUSÕES E TRABALHOS FUTUROS
O presente capítulo diz respeito a um breve sumário e conclusão do trabalho desenvolvido no decorrer desta dissertação. De todos os estudos realizados, esta tese de Mestrado finca sem dúvida a utilização de matrizes inorgânicas, e aderência destas quer ao substrato em estudo, quer às fibras que nelas se inserem.
Esta tese inicialmente debruçou-se no estudo da argamassa geopolimérica com o objetivo de se obter resistências próximas dos 14 - 15MPa, para que esta resistência fosse similar à argamassa de cal comercial. Após a produção da argamassa foi feito um estudo pormenorizado de cada material de forma individual, tendo em conta as características próprias de cada um. Verificou-se que no caso das argamassas estudadas, cada uma se comporta de forma diferente, tendo a argamassa geopolimérica um comportamento bastante interessante e surpreendente, visto que ao segundo mês de vida esta perde resistência, voltando a recuperá-la ao terceiro mês. Foi possível observar também que a nova argamassa de cal, a planitop, mostrou também um comportamento bastante interessante; esta tem um comportamento relativamente elástico dada a elevada quantidade de fibras nela contida e por isso mesmo danifica muito pouco e evidencia resistências bastante elevadas. Infelizmente com a argamassa geopolimérica preparada em laboratório não foi possível atingir a resistência esperada, sendo que para 90 dias de vida a resistência máxima atingida rondou os 6.5MPa, pelo que será importante a realização dos ensaios aos 180 dias, de forma a verificar se esta argamassa realmente atinge as resistências esperadas. Seguidamente foram estudadas as interfaces, cada uma de forma individual. Para a interface matriz-fibra (compósito) foram realizados ensaios de pull-out e ensaios de tração. Os ensaios de pull-out foram realizados para diferentes alturas de argamassa, verificando que cada compósito apresenta comportamentos diferentes, no entanto obtendo como únicos modos de rotura, a rotura da fibra e o escorregamento desta. Dos três tipos de compósito
apresenta melhor aderência, pois para comprimentos de aderência diferentes, o compósito com esta argamassa foi o único que apresentou a rotura da fibra a partir dos 150mm de altura. No que diz respeito aos compósitos com fibra de vidro, denotou-se problemas, a rotura da fibra deu-se nos provetes de menor comprimentos de aderência previstos inicialmente, havendo necessidade de cortar aqueles cujos comprimentos eram de 150 e 200mm, obtendo provetes de comprimentos de aderência de 25 e 50mm, verificando que a rotura da fibra se deu apenas para os comprimentos de 50mm, e havendo o escorregamento total da fibra para o comprimento de 25mm. A fibra de linho, foi embebida na argamassa como uma malha de 13 cordões, e tal como previsto a rotura da fibra deu-se nos provetes mais pequenos, de 50mm no caso da argamassa geopolimérica, concluindo que a argamassa da MAPEI apresenta uma melhor aderência pois para o comprimento de aderência de 50mm observou-se o escorregamento da fibra.
Já o ensaio de tração realizado para os compósitos mostrou uma coerência de resultados quando comparados com o ensaio de tração da fibra, certificando a validade dos ensaios realizados. Foi possível observar uma boa adesão das fibras à argamassa planitop, visto que esta sofria apenas pequenas fissuras, no entanto a argamassa geopolimérica denotou uma fraca aderência, verificando-se um elevado dano sofrido por esta.
Para interface substrato-matriz foram realizados ensaios de corte e ensaios de pull-off. O primeiro foi conseguido apenas para a argamassa geopolimérica que apresenta uma resistência bastante baixa quando comparada com a planitop. Já para esta, foi impossível realizá-los conforme o esperado visto que o provete a ser ensaiado estava sujeito a rotação, invalidando o ensaio de corte que era pretendido. Os ensaios de pull-off correram como esperado, no entanto para a argamassa geopolimérica foram perdidos alguns provetes, sendo possível realizar-se apenas três ensaios. Já a interface tijolo-planitop, mostrou-se surpreendente, exibindo o arrancamento da argamassa com uma fina camada de tijolo. É importante frisar, que para ambas as argamassas a força máxima aplicada foi aproximadamente a mesma, no entanto com modos de rotura diferentes, sendo possível concluir, que com uma mesma força de tração, que no caso da argamassa da planitop arranca tijolo, mas que no caso da argamassa geopolimérica separa somente a argamassa do tijolo, demonstrando uma maior adesão por parte da planitop.
à fibra de vidro e à argamassa geopolimérica. Apesar do reduzido número de provetes, verificou-se um comportamento completamente diferente dos restantes compósitos. Foi possível observar também neste ensaio diferentes modos de rotura. Para o tijolo quando em conjunto com o compósito GPM-GF era possível observar a fendilhação da argamassa, ao passo que no caso do compósito GPM-SC, verificou-se em muitos dos provetes o destacamento da matriz do substrato, bem como o destacamento da fibra da camada inferior da argamassa, fissurando sempre a argamassa. Para o compósito planitop-GF verificou-se sempre o mesmo modo de rotura, a rotura da fibra, no entanto não sendo possível quebrar as fibras da malha ao mesmo tempo, já o compósito planitop-SC observou-se o escorregamento da fibra com destacamento da parte superior da argamassa. Após concluído este projeto e visto que surgiu na continuidade de outros trabalhos, torna- se pertinente enunciar um conjunto de sugestões para o melhoramento e desenvolvimento dos vários materiais aqui envolvidos, tais como:
Estudar a utilização de fibras naturais como base de reforço no compósito, tendo em conta a absorção de água da argamassa por parte destas, pensando numa proteção química superficial das mesmas com vista à sua durabilidade;
Avaliar e melhorar a produção e utilização da argamassa geopolimérica,realizando campanhas experimentais semanalmente, de modo a entender melhor a evolução temporal da sua resistência;
Avaliar o desempenho das malhas de vidro em protótipos representativos de paredes de alvenaria através de ensaios de aderência, visto que esta apresenta grandes espaçamentos entre os fios;
Realização de ensaios pull-off para a interface substrato-compósito, de modo a verificar a eventual alteração imposta pela inserção da fibra, em termos de aderência;
Melhorar soluções e critérios da aplicação dos materiais compósitos para preservação da alvenaria (atualização e criação de normas, bem como documentos para aplicação dos reforços);
Criação de métodos e procedimentos experimentais para a caracterização mecânica dos diversos componentes estudados quer de forma individual, quer como um todo (Documentos/templates de ensaios já realizados em laboratório, indicando o procedimento efetuado, o respetivo set-up, e mesmo descrito com imagens para
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