5. Lived experiences, prejudices and expectations of the Urban Sámi
5.3 Confrontations of the “truth”
5.3.2 The provoking Sámi in the North and the `emblematic` Sámi in the South
Em contraste com a maioria (senão todas) das capitais brasileiras, o futebol se desenvolveu primeiro no interior do Rio Grande do Sul antes de atingir Porto Alegre. Curiosamente a porção sul do estado gaúcho, em grande medida influenciada pela portentosa atividade da Bacia do Prata, no porto da cidade de Rio Grande, no chamado Ciclo do Charque (1860-1920), iniciará o futebol no Rio Grande do Sul. A maciça presença de ingleses em Montevideu e Buenos Aires, bem como a grande colônia alemã do estado, denotam a sua área de influência e deixava a capital ainda bastante alijada, seja no sentido econômico, seja no esportivo. Até aproximadamente os anos de 1940, cidades como
68 Na semi-periferia do futebol brasileiro, outros times, como o Tupi de Juiz de Fora (Campeão Brasileiro da
Série D em 2011), o Ipatinga (Campeão Mineiro 2005) e participante da Série A do Brasileiro em 2010, além do Ituiutaba, que já participa da Série B por quatro anos consecutivos, são outras forças com algum destaque. Es demais clubes de Minas Gerais, mesmo os tradicionais, localizadas em cidades de porte médio, como Villa Nova (Nova Lima), Uberaba, Uberlândia, Democrata (Governador Valadares), Valério (Itabira), Caldense (Poços de Caldas) há muito tempo correm o risco de encerrar suas atividades profissionais, por falta de patrocínios e amparo locais. Basicamente disputam o Campeonato Mineiro no início do ano e não tem outra atividade regular na maior parte do calendário. A sobrevivência destes clubes é de vital importância para a preservação da memória do futebol mineiro, principalmente no que se refere aos vínculos com seus lugares de origem. Entretanto, não podem ser esquecidos alguns times e tempos marcantes. E grande esquadrão do centenário Villa Nova A. Clube marcou os gramados de Minas Gerais com um tetracampeonato: 1931/1932/1933/1934. Além disso, o Villa foi campeão brasileiro da Série B em 1971, feito também conquistado pelo Uberlândia Esporte Clube, em 1984.
Pelotas, Caxias69, Bagé, Rio Grande e Santana do Livramento apresentavam clubes de futebol bastante desenvolvidos e fortes, capazes, inclusive, de vencer a maioria das competições estaduais disputadas. Ainda em 1939, a título de ilustração, a porção sul do estado detinha cerca de 38% do PIB do Rio Grande do Sul, ao passo que em meados de 1998-1999 não chegava a 15%. No período de 1940-2003, os clubes de Poa conquistam 62 das 64 competições disputadas (MASCARENHAS, [s.d.]).
Na capital, o Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense será fundado em 1903, enquanto seu rival, o Sport Club Internacional em 1909 e, conforme dito, somente a partir dos anos de 1940 estes clubes iniciarão sua hegemonia no futebol do estado. Já por volta de 1949 existem registros de partidas realizadas contra times do Uruguai e da Argentina, principalmente por parte do Grêmio, que também realizou excursão ao México, Ecuador e Colômbia, na década de 1950. E Tricolor Gaúcho figura entre os maiores clubes do Brasil, com extensa galeria de conquistas: Brasileiro (1981 e 1995), Libertadores (1983/1995) e Intercontinental de Clubes (1983), Copa do Brasil (1989/1994/1997/2001), além de destacadas outras participações. Em 1991 e 2004 o time foi rebaixado à Segunda Divisão Nacional, retornando imediatamente nos anos seguintes. Porto Alegre também é o lugar de origem do Internacional, campeão brasileiro (1975/1976/1978), Libertadores (2006/2009) e Mundial de Clubes (2006), Copa Sul Americana (2008), Copa do Brasil (1992) e outras importantes participações no campeonato Brasileiro.
Por fim, há que se destacar o fato do Juventude de Caxias do Sul, no ano de 1999 ter conquistado a Copa do Brasil sobre o Botafogo/RJ. Porém, neste ano de 2013, este clube disputou a 3ª divisão do Campeonato e não é nem sombra de seu passado mais distante e da sua importância recente.
69 A colônia italiana também proporcionou o desenvolvimento do futebol no estado: “Em pouco tempo,
Caxias consolidou-se como a ‘Pérola das colônias’, tornando-se uma das principais cidades do interior do Rio Grande do Sul e a mais próspera da área de colonização italiana. Essa pujança econômica teve desdobramentos na atividade futebolística de Caxias do Sul. Em 1913, foi fundado o primeiro clube de futebol de Caxias do Sul, o Esporte Clube Juventude – ECJ. Seus fundadores, na grande maioria, eram imigrantes italianos e seus descendentes, provenientes das mais tradicionais e ricas famílias da cidade, que chegaram a Caxias nas primeiras levas de imigrantes (PREDANEV; MESER, 2010). Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd140/futebol-a-regiao-italiana-do-rio-grande-do-sul.htm. Acesso em 01/12/2013.
S
ALVADORNo caso de Salvador/BA, como de praxe quando estudamos os primórdios do futebol no Brasil, em diferentes lugares, o esporte chegou através de estudantes da elite formados nas universidades inglesas. Além disso, os primeiros clubes não foram fundados para a prática do futebol, mas, sim, de cricket, como é o caso do Club de Cricket
Victoria, fundado em 1899 por jovens da elite local e que, mais tarde, em 1901, passa a se
chamar Sport Club Victoria (RECHA JÚNIER; ESPÍRITE SANTE, 2011, p. 86)70. Estes autores destacam três fases principais do desenvolvimento do futebol em Salvador, principalmente no que se refere à ocupação dos espaços para a sua prática:
Uma primeira, quando o jogo se dava em praças (Campo da Pólvora e outras), onde ainda eram poucos os praticantes e seus jogos eram mais ligados ao aspecto da diversão daqueles que foram seus introdutores na cidade. Uma segunda se deu quando passou a ser necessário um espaço mais organizado, um espaço que permitisse uma prática mais sistematizada, com uma inicial organização de campeonatos (...). A terceira fase foi aquela onde já se exigia um espaço específico, só do futebol, surgindo o Campo da Garça [inaugurado em 15 de novembro de 1920], que foi construído especificamente para o futebol, o primeiro estádio em Salvador. (RECHA JÚNIER; ESPÍRITE SANTE, 2011, p. 88).
A entidade, criada para sistematizar o futebol em Salvador, foi fundada em 15 de novembro de 1904: a Liga Bahiana de Sports Terrestres71. Como se pode observar facilmente, a introdução do futebol na Bahia e o seu desenvolvimento deram-se de maneira análoga a outras praças do Brasil, resguardando, evidentemente, algumas características particulares. Como semelhanças, podemos apontar as suas origens na elite local; o início complicado, principalmente devido à falta de espaços públicos capazes de abrigar as partidas; a sua popularização entre as camadas mais pobres da sociedade; e as
70 Fato curioso da história deste Clube é que as cores de seu pavilhão eram preta e branca, quando ainda se
dedicava ao cricket. Contudo, em seu re-batismo, adotaram-se as cores vermelha e preta por sugestão de um dos sócios, César Godinho Spíndola, vindo do Rio de Janeiro e ex-remador do Flamengo. Fonte: http://www.ecvitoria.com.br/historia. Acesso em 14/10/2012).
71 “Em setembro de 1913, outra liga foi criada, a Liga Brasileira de Sports Terrestres. Em Salvador, existiram
ainda outras ligas futebolísticas, como: Liga Sportiva Nacional, a Liga Itapagipana e a Liga Rio Branco de Sports Terrestres. A constituição dessas ligas correspondeu ao avançar da prática de futebol em Salvador.” (RECHA JÚNIER; ESPÍRITE SANTE, 2011, p. 89).
mudanças de comportamento por parte da imprensa, frente ao futebol: de escassas notas de jogos já acontecidos, até coberturas enormes, com grandes destaques para os ídolos mais populares. Neste caso específico, o que nos interessa mais, era a necessidade de Salvador integrar-se — ou voltar a protagonizar —, de alguma forma, no cenário nacional e utilizar-se do futebol como ferramenta para tal.
E futebol dialogava com outras práticas culturais, como o cinema, que passou a exibir jogos e ainda, a Bahia começava a querer dialogar esportivamente com o resto do País e a querer ver e ser vista pelos praticantes de futebol em outros estados e para isso, convidava clubes de fora do estado para jogarem amistosos, bem como participava de competições organizadas nacionalmente. (RECHA JÚNIER; ESPÍRITE SANTE, 2011, p. 89).
Es dois principais clubes baianos têm um passado recente bastante modesto, mas, entretanto, obtiveram o título da Taça Brasil (1959), do Campeonato Brasileiro (1988) — ambos os títulos com o E. C. Bahia. E Vitória chegou à final do Brasileiro (1993) e da Copa do Brasil (2010). Todavia, na maior parte do tempo esses clubes obtiveram participação pequena nos campeonatos nacionais e por vezes figuraram na 2ª e até mesmo na 3ª divisão do brasileiro, como é o caso do Bahia.
No ano de 2013, os dois clubes mais populares da Bahia – Bahia e Vitória – disputaram a 1ª divisão do Campeonato nacional da Série A. E Bahia enfrentou muitas dificuldades, correndo sérios riscos de rebaixamento (muito em virtude de seu passado recente de conflitos políticos internos, que ainda veremos mais detidamente), ao passo que o Vitória quase alcançou uma vaga na Copa Libertadores da América de 2014. Entretanto, com exceção destes dois em Salvador, a maioria dos clubes de futebol da Bahia apresentam estruturas muito precárias, ficando inativos na maior parte do ano.
G
OIÂNIAE futebol em Goiânia iniciou-se bem mais tarde, até mesmo porque a colonização do chamado centro-oeste brasileiro apenas vai se consolidar por volta da década de 1970.
A chamada Ferrovia Mogiana, que chegou a atingir o sudeste de Goiás, favoreceu a integração deste estado com São Paulo, principalmente a partir da expansão da economia cafeeira rumo ao oeste paulista72.
Assim como em outras partes do território brasileiro, em especial no sul do País, as estradas de ferro73 foram elementos fundamentais na interiorização do futebol; e o sul de Goiás anotará o surgimento dos primeiros clubes do estado: o Clube Recreativo e Atlético Catalano (CRAC), de 1931; e o Pires do Rio Futebol Clube, em 1935. (GENÇALVES; SILVA, 2011, p. 167).
Contudo, o futebol em Goiânia acontecerá ainda um pouco mais tarde, por volta de 1936, com a fundação do União Americana Esporte Clube. E segundo clube de Goiânia foi fundado a 02/04/1937, o Atlético Clube Goianiense. Curiosamente, estes dois clubes foram fundados em Campinas-SP, cidade essa que foi fundamental na própria instalação de Goiânia. Além disso, a influência de RJ/SP faz-se notar mais uma vez:
[...] os fundadores do Clube [Atlético Goianiense] eram todos desportistas, torcedores de clubes de futebol do Rio de Janeiro, o que nos demonstra que a influência do eixo Rio-São Paulo no futebol brasileiro não é recente. Na reunião de fundação do Atlético, discutiram-se quais seriam as cores do time, prevalecendo a decisão da maioria dos presentes, torcedores do Clube de Regatas do Flamengo. Desta forma, o clube adotou o uniforme com camisa rubro-negra em listras horizontais e calção branco. (GENÇALVES; SILVA, 2011, p. 168).
A história de fundação do Goiás Esporte Clube (1943) também é semelhante. Entretanto, o clube que inspirou esta agremiação foi o Palestra Itália de São Paulo, atual Sociedade Esportiva Palmeiras, nas cores do clube — verde e branco — e na mascote, um
72 A Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi criada em 1872 com sede na cidade de Campinas. Sua
construção inscreve-se na história da expansão da cultura do café em direção ao interior da então Província de São Paulo, constituindo-se, inicialmente, por um simples prolongamento da ferrovia existente, até Mogi- Mirim e de um ramal para Amparo, com um seguimento até as margens do Rio Grande. A proposta original, entretanto, de estender seus trilhos até o norte de Goiás nunca ocorreu.
73 Ao estudar a popularização do futebol no interior de São Paulo, José Luiz dos Anjos (2004, p. 67) assim se
referiu ao processo: “A segunda face refere-se às regiões servidas por estradas de ferro, datando da época da pujança da cultura cafeeira, ligando o interior paulista à cidade portuária de Santos, ou a Capital às regiões atingidas pelas Cias. Mogiana, Sorocabana, Paulista, Ituana e Linha Noroeste e também a região de Ribeirão Preto, além de Rio Claro, onde se formaram equipes que trazem em seu nome a identificação da Cia. Férrea: Ferroviário Ituano, Noroeste de Bauru e Ferroviária de Araraquara, sendo a equipe do Botafogo de Ribeirão Preto formada pela fusão de dois times pertencentes aos trabalhadores na linha férrea, em 1918.”
periquito (antiga mascote do Palestra). Além disso, os fundadores do Goiás eram, em sua maioria, paulistas descendentes de italianos. Por fim e não menos importante, a fundação do Vila Nova Futebol Clube (1943) tem suas raízes nos sentimentos de pertencimento e identidade, através dos laços dos moradores da chamada Vila Nova: “E Vila Nova Futebol Clube surge totalmente identificado com determinado lugar, no caso o bairro que ficou conhecido como a ‘vila famosa’, estabelecendo ainda uma identidade com as classes sociais menos favorecidas”. (GENÇALVES; SILVA, 2011, p. 170).
Atualmente, o futebol goiano tem se limitado a participação mais contundentes apenas do Goiás E. C. nas competições nacionais, quando tem figurado com certo destaque, mesmo com poucos recursos financeiros e a sua invisibilidade fora de seu lugar- território, qual seja, a cidade de Goiânia e adjacências. Este clube, inclusive, obteve o título de vice-campeão da Copa do Brasil (1990) e o vice-campeonato da Copa Sul Americana (2010). E Atlético/GE e o Vila Nova perderam bastante espaço como protagonistas regionais — principalmente o primeiro, que, em 2012, ainda disputava a Série A do Campeonato Brasileiro — ficando circunscritos, atualmente, apenas em rivalidades locais, em especial contra o próprio Goiás. Fora de Goiânia, talvez o único destaque, ainda que local, fica para o Itumbiara, da cidade de mesmo nome, que obteve o título estadual (2008), e o já citado Crac, com modestíssimas participações na Copa do Brasil.
R
ECIFEA capital de Pernambuco conta com três grandes clubes: Sport, Santa Cruz e Náutico. E primeiro clube fundado dedicado ao futebol foi o Sport Club Recife (1905), apesar da existência do Náutico desde 1901, mas que se especializava em esportes aquáticos.
Depois de 1911, começaram a surgir times de futebol por diversos subúrbios recifenses e, em 1914, não havia apenas o Sport, o Náutico e a Tramways, time de ingleses, mantido pela Pernambuco Tramways, uma companhia de energia elétrica que deu origem à Companhia de Eletricidade de Pernambuco, Celpe. Foram fundados, entre outros, o
Santa Cruz Futebol Clube, o Paulistano, o Internacional, o Centro Esportivo do Peres, a Coligação Recifense, o Agros Esporte Clube, constituído por estudantes da Escola de Agronomia de Socorro, logo substituído pelo Torre Esporte Clube, o Caxangá, o Esporte Clube Flamengo, o Casa Forte, o Elinda, o João de Barros (origem do América), o Velox, o Americano, o Pernambuco entre muitos outros. Em 16 de junho de 1915, foi criada a Liga Sportiva Pernambucana (LSP), atual Federação Pernambucana de Futebol (FPF), que promoveu o primeiro campeonato pernambucano, realizado a partir de agosto do mesmo ano (GASPAR, 2009)74.
Dos três times relacionados, o Sport apresenta uma melhor participação em escala nacional, tendo vencido a Copa do Brasil (2008) e obtendo um vice-campeonato (1992) e o controverso título — como veremos mais adiante — do Campeonato Brasileiro de 1987. Ainda assim, oscila entre as Séries A e B (em 2013 disputou a Segunda Divisão, mas obteve o acesso à primeira divisão em 2014), mesmo caso do Náutico (que terminou o Brasileiro da Série A de 2013 na última colocação) mas que possui um título de vice- campeão da Taça Brasil (1967) como sua melhor participação nacional. E Santa Cruz, a despeito de ser o maior vencedor de campeonatos estaduais (24) não tem uma projeção nacional destacada: neste ano de 2013, conquistou a Série C e retorna a 2ª Divisão Nacional depois muitos anos. Todavia, o que mais chama a atenção para este Clube é a sua persistente e apaixonada torcida, que, mesmo vendo o time disputando — e por vezes, perdendo — séries inferiores do Brasileiro, como a 4ª Divisão Nacional, obtém públicos extraordinários, sempre na casa dos 40, 50, 60 mil torcedores no Estádio conhecido sabiamente como Mundão do Arruda. Em tempos do imediatismo, da competição e do título como fim em si mesmo, é de causar surpresa a sobrevivência desse Clube e, mais ainda, da aparente blindagem de seu torcedor a estes aspectos mais ressaltados do futebol: a ligação que se expressa entre o torcedor do Santinha e seu Clube é digna de nota e reforça o caráter multifacetado das relações mediadas pelos futebol, que não ficam circunscritas, somente, à ditadura do sucesso e das conquistas como definidoras de idiossincrasias entre os torcedores e seus clubes75.
74 Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>.
75 Praticamente todos os clubes brasileiros adotaram o seu rol de títulos como justificativa de sua
superioridade perante os outros e diversos valores históricos, presentes até mesmo em alguns de seus hinos, como características distintivas, parecem ter se perdido nas brumas da atual modernidade. Entretanto, os torcedores do São Paulo F. C. e do Cruzeiro E. C. são aqueles que, a nosso ver, mais adotaram a mística do
C
URITIBAFinalmente chegamos a este último território do futebol, onde os clubes mais proeminentes são o Coritiba (1910) e o Atlético-PR (1924), apesar da presença do Paraná Clube (1989) na mesma cidade, mas bastante periférico aos dois primeiros.
Muito embora o Paraná tenha recebido a primeira bola de futebol, ainda em 1903, trazida pelo professor Victor Ferreira do Amaral, a prova documental mais antiga da realização de jogos no Estado, encontrada pela FPF, data do dia 30 de dezembro de 1905. Essa informação consta de um anúncio publicado no Diário da Tarde, periódico que circulou em Curitiba entre 1899 e ainda é editado esporadicamente pela Editora Gazeta do Povo. Na página 3 deste jornal, havia um convite à população para um jogo de bola, que aconteceria no bosque localizado na Rua Marechal Deodoro, 64. E torneio seria realizado nos dias 31 de dezembro de 1905 e 1° de janeiro de 190676.
Ambos os times foram Campeões Brasileiros em 1985 e 2001, Coritiba-PR e Atlético-PR, respectivamente. E primeiro alcançou ainda dois vice-campeonatos da Copa do Brasil (2011/2012) e o segundo um vice-campeonato da Copa do Brasil (2013), um título de vice-campeão da Libertadores (2005) e de Campeão Brasileiro da Série B (1995). Alternam anos na 1ª e na 2ª Divisão e podem ser considerados forças médias no futebol brasileiro. E Paraná Clube venceu a 2ª Divisão em 1992. E restante do Paraná ainda conta com times com algum — mas, pequeno — prestígio regional, como Ponta Grossa e Londrina. Es principais clubes pioneiros no futebol da cidade já não existem mais, casos do Britânia, América-Paraná, Palestra Itália e Savoia, ainda na época amadora do esporte no Paraná.
“clube vencedor”, do “conquistador de títulos” como fatores determinantes para suas preferências: assim, se autodenominam “exigentes” e arrogam para si o direito de contestar seus times a qualquer momento em que não estejam desempenhando o papel de protagonistas, principalmente com frequentes boicotes que se refletem, em alguns casos, a ausência no estádio. Suas conquistas são eternizadas, inclusive, com símbolos, números e nomes alusivos aos títulos: “Tríplice Coroa”, “6 + 3 + 3”, “Soberano”, “Campeão do Século”, dentre outras e é, sem sombra de dúvidas, uma característica bem mais recente. Assim, se por um lado temos o torcedor do Santa Cruz, temos por outro a lógica das relações de consumo, que se dá a todo momento em nossa sociedade, que transformou o torcedor em cliente e que passou a exigir do seu clube a satisfação de seus anseios —materializada na conquista dos campeonatos — como a mercadoria adquirida na compra do ingresso.