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4. Results

4.2 Protein profiling study using flow cytometry

Vimos que a interação do professor com os alunos no grupo do WhatsApp contribuiu para a construção de uma CoP on-line em determinadas situações fora da sala de aula. As relações dos sujeitos envolvidos, contudo, não são homogêneas para todos os membros, de modo que tornou-se pertinente investigar também as transformações, ou não, nas relações entre o professor com os alunos nos grupos, tanto do ponto de vista pedagógico, quanto social.

Durante a entrevista com os alunos do 3º ano a respeito das relações no grupo, foi possível perceber que elas pouco se alteram, como se pode verificar pelas falas da aluna Fabíola:

No grupo, a gente xinga do mesmo jeito que a gente xinga aqui, a gente briga do mesmo jeito que a gente briga aqui, a gente faz exercício.

[...]

Igual eu e a Sara, eu xingo ela na cara dela assim e, no WhatsApp, é a mesma coisa [...]. Agora, por exemplo, com o Daniel, eu não converso tanto com ele, eu nunca conversei com ele no WhatsApp (Fabíola, 3º ano).

A fala da Fabíola sugere que as relações sociais estabelecidas no meio digital são um reflexo das relações que já existem na sala de aula. Um dos alunos do 1º ano que chamaremos de Caio, por exemplo, durante praticamente todos os dias nas aulas de Matemática se sentava distante dos colegas em uma mesa ao fundo da sala. Comunicava-se com o professor somente quando era solicitado e dificilmente interagia com os colegas. Contudo, tratava-se de um aluno bem articulado, envolvido com atividades políticas do grêmio estudantil e que apresentava um bom rendimento escolar. Poderíamos pensar que o grupo facilitaria a sua interação com os outros membros e com o professor, no entanto a sua interação no grupo também foi muito limitada. Apesar do Vitor ter respondido e questionário que a relação com o professor era mais amiga no celular, uma das desvantagens de participar no grupo era que nem sempre os membros respondiam no grupo.

Foi possível perceber também que, quando as aulas eram ministradas no laboratório de Matemática, Joyce, Jasmim, Gaby e Manoela, sempre se sentavam juntas em uma das mesas redondas disponíveis no recinto, relacionando mais entre si do que com os outros colegas. Tratam-se de alunas mais tímidas que em grande parte das vezes, permaneciam na classe ao final da aula para retirar as dúvidas somente com o professor. Trata-se de um fato que pode

evidenciar uma relação diferenciada de meninos e meninas com a Matemática, onde as meninas tendem a sofrer um processo de silenciamento durante as aulas, por não serem ouvidas ou percebidas pelos professores (CASAGRANDE& CARVALHO, 2012). No grupo do WhatsApp, embora o professor estimulasse a participação de todos, as interações destas alunas também eram raras. Nesse aspecto, o uso do WhatsApp não se constituiu como um meio para que estas meninas, mais tímidas pudessem se expressar para tirar dúvidas. Em relação à timidez, entretanto, não somente meninas, como também alguns meninos preferiam conversar pessoalmente com o professor, conforme também revelou a fala do João:

Aí tem aluno que, às vezes, me procura, como já aconteceu de um aluno, uma vez, me procurar nesse período de greve... Me encontrou na escola, abriu a mochila e tinha três resoluções no caderno. Ele não teve coragem de comentar [no grupo], é timidez, entendeu? Por mais que o pessoal fala que, na internet, não tem timidez, tem também. “Tá certo, publica lá!” “Não, eu tenho vergonha...” (Professor João).

Por outro lado, o pertencimento ao grupo da sala confere certa identidade ao grupo, de modo que quem não participa é, de certa forma, criticado, conforme a fala de Selma:

A Carolina não tá no grupo, a gente adiciona ela e ela sai, dá vontade de dar uma porrada [...] ela não gosta dos grupos.

[...]

Ela é chata, da roça (Selma, 3º ano).

Apesar de ambas as alunas serem moradoras da cidade de Ouro Preto, o uso do termo “da roça” foi usado de forma pejorativa para criticar o fato da Selma se ausentar do grupo, como se, ao representar uma jovem que vivesse no campo, a aluna poderia ser alvo de distinção social entro os colegas. A aluna, por sua vez se ausentou do grupo por não gostar de lidar com a grande carga de notificações.

Como o grupo tende a refletir as relações sociais já pré-estabelecidas em sala de aula, podemos inferir que ele pode contribuir para reproduzir estereótipos e preconceitos vivenciados na escola. Quando o uso do WhatsApp assume um papel de desvio por parte dos estudantes, alguns comentários feitos por alguns membros do grupo relacionados a outros membros, pode provocar descontentamentos, como foi observado em situações que reunimos na categoria a (assuntos de entretenimento) e na categoria e (assuntos pessoais). Tanto em uma quanto na outra, determinados comentários eram considerados por alguns estudantes como desvio de foco do grupo.

Embora raramente as postagens de cunho pessoal revelassem de maneira explícita, desavenças entre os membros do grupo, não significa que elas não existiam na escola e/ou em outras interações on-line. Um dos alunos do 1º ano, Cícero, certa vez, se sentiu ofendido com postagens feitas por dois alunos em outro grupo do WhatsApp direcionadas à sua sexualidade. Cícero, expos o caso para a direção do Instituto, que suspendeu estes dois alunos por alguns dias. A permanência de ambos no “grupo da sala”, assim como a de Cícero, entretanto, se manteve. Este fato ocorreu antes do início da pesquisa, sendo mencionado pelo professor durante entrevista na escola. Cícero, por sua vez, não mencionou este episódio no questionário.

Visto isso, ainda que o uso do WhatsApp facilite a comunicação rápida entre os sujeitos, podendo aproximar os alunos entre si e deles com o professor, ele não se configura como um instrumento capaz de alterar significativamente as relações sociais destes sujeitos, ao contrário, o uso do aplicativo contribui mais para reproduzi-las.

Vale lembrar, contudo, que os grupos correspondem apenas a uma parte destas interações, uma vez que os estudantes estão interligados em uma rede muito mais ampla de relações sociais na escola e no meio virtual.