Para a quinta atividade, a professora e eu conversamos que deveria algo que estimulasse os alunos à prática da pesquisa. Paralelo a esse objetivo, a professora propôs que houvesse nessa atividade o envolvimento dos pais dos alunos, que já conheciam o projeto pela divulgação feita pelos próprios filhos. Dessa forma, a quarta atividade do Projeto Profissões surgiu em forma de um Questionário das profissões.
Eram perguntas a respeito da profissão dos pais e responsáveis pelos alunos, ou de alguém da família de quem eles gostavam. Essa atividade pode parecer simples, mas ela veio para tentar estabelecer um contato entre pais e filhos, tentar fazer alguns pais se envolverem com a vida escolar dos seus filhos, e como objetivo subliminar, fazer o pai se interessar pelas descobertas que o seu filho faz todos os dias na escola.
Foi surpreendente tanto para mim e para professora da sala, quanto para os próprios alunos, a infinidade de profissões que eles puderam conhecer através do Questionário das Profissões. Muitos não sabiam em qual profissão o pai ou a mãe trabalhava, ou a profissão de
parentes como avós, tios, primos. A atividade cumpriu sua especificidade ao promover a integração entre pais e filhos, desenvolvendo o diálogo entre eles, e também a colaboração da família na produção escolar dos alunos. Além destes objetivos, foi possível divulgar o projeto para a família dos alunos e diversificar ainda mais o conteúdo das profissões apresentadas aos mesmos.
Muitos dos entrevistados (pais, avós, tios, primos) se disponibilizaram para ir até a escola e participar como visita profissional dentro do projeto. Segue o registro contido no relatório elaborado por mim e pela professora da sala, no qual se encontra nossas impressões a respeito dessa atividade.
REE2a – 12 de Junho de 2008.
Esta atividade teve como objetivo desenvolver a comunicação dos alunos com os pais, familiares, amigos, a fim de conhecer um pouco do cotidiano deles.
Os alunos levaram um questionário para casa e ficaram encarregados de entrevistar duas pessoas de quem eles gostassem muito.
Para nossa surpresa e surpresa dos alunos também, eles descobriram e conheceram histórias incríveis sobre seus entrevistados: como escolheram a profissão, quem os influenciou, como a escola e os estudos determinaram a escolha da profissão.
A seguir os registros de alguns alunos, no qual se encontram os questionários devidamente respondidos.
RA2 – 6 de Maio de 2008. Nome: [nome do entrevistado] 1. Qual sua profissão?
Farmacêutica
2. Por que escolheu essa profissão?
Por motivo de ver meu pai sempre falando, socorrendo vidas e ajudando pessoas 3. Você gosta do que faz? Por quê?
Sim, porque mexo na área de saúde e ajudo a salvar pessoas 4. Quem te influenciou a escolher essa profissão? Comente.
Foi meu pai. Ele era farmacêutico e me ensinou e também incentivou a ser como ele um grande farmacêutico profissional
RA2 – 6 de Maio de 2008. Nome: [nome do entrevistado] 1. Qual sua profissão?
Comerciante de Carros
2. Por que escolheu essa profissão? Por paixão aos carros
3. Você gosta do que faz? Por quê?
Eu gosto porque cada venda é um desafio diferente
4. Quem te influenciou a escolher essa profissão? Comente.
RA2 – 6 de Maio de 2008. Nome: [nome do entrevistado] 1. Qual sua profissão?
Policial militar ambiental aposentado, atualmente sou advogado. 2. Por que escolheu essa profissão?
Policial ambiental escolhi porque gosto da natureza, fui criando em fazendo, e atualmente advogado escolhi para continuar defendendo ao meio ambiente
3. Você gosta do que faz? Por quê?
Como policial ambiental gostava do que fazia, e como advogado também gosto do que faço. Porque ambas as profissões trabalho com a natureza, pois na advocacia trabalho na párea ambiental
4. Quem te influenciou a escolher essa profissão? Comente.
Como policial ambiental ninguém influenciou foi vontade própria, e como advogado também foi minha própria vontade, pois como disse sempre gostei de defender a natureza então resolvi estudar direito.
Considero que esta atividade ampliou ainda mais o conhecimento dos alunos acerca da variedade de profissões existentes no mercado de trabalho, além de ter promovido uma integração entre adultos e crianças na elaboração das respostas do questionário.
12.1 A importância das atitudes.
Quando analiso esta atividade, consigo extrair dela a importância das atitudes. É impressionante como uma atitude simples pode transformar um contexto, como no caso do questionário que possibilitou o diálogo entre as crianças e os membros da sua família, que ajudou os pequenos a descobrirem que seus pais também são profissionais como aqueles que eles conheceram no projeto. Às vezes, algo que incomoda pode ser mudado, ou adaptado com uma atitude coerente, uma atitude que provoque uma reação positiva. Guimarães et al (2001) ao falarem da atitude do professor de educação física em suas aulas, chamam a atenção de que independentemente da disciplina lecionada, atitude do professor tem que partir de uma perspectiva de iniciativa, propondo e conduzindo as tarefas para a mobilização em torno de um fato ocorrido. Os autores também parte da influência social que a escola exerce e citam outros autores que partem dessa mesma perspectiva.
As pessoas que exercem um processo de influência social são consideradas pessoas significativas para os que são influenciados e no contexto escolar os responsáveis diretos por tal processo são os professores, os colegas de sala e os demais alunos da escola. (COLL et al., 1997 APUD GUIMARÃES et al., 2001, p. 20).
A atitude faz a diferença nesse sentido. Com a atividade do Questionário das Profissões, foi possível perceber que a escola pode, às vezes, promover essa transformação
nos problemas que se sucedem fora dos muros da escola, mas que refletem de forma determinante no desempenho escolar dos alunos. Daí vem a questão de ser ou não dever da escola dar atenção aos dilemas que ocorrem fora do ambiente escolar.
De fato, a escola não foi criada para tal feito, e essa não é a especificidade da mesma, mas o aluno que a escola recebe, deixa no portão os problemas que ele enfrenta fora da escola? Seria perfeito se ao limpar os sapatos, ficassem no tapete, além da sujeira, os problemas que os alunos carregam consigo, e eles entrassem limpos, prontos para adquirirem o conhecimento oferecido pela escola sem que os problemas que eles enfrentam na família e no convívio social os afetassem determinantemente.
Sobre a tomada de atitude Guimarães et al. (2001, p.22) explicita que sujeito “pode expressar seus valores mais relevantes através de atitudes que se diferenciam de acordo com a personalidade de cada um e também variam de acordo com aspectos afetivos, cognitivos e de conduta”. Desse modo, considero que as atitudes devem ser pensadas antes de qualquer ação ser tomada. De preferência, uma atitude deve vir acoplada de uma tarefa escolar, para que o professor não acabe assumindo o papel que não é o dele, de pai ou de mãe.
Saviani (2000) alerta que não se podem deixar os compromissos secundários tomarem o lugar dos compromissos primários da escola, que segundo o autor é a “a transmissão dos instrumentos de acesso ao saber elaborado” (SAVIANI, 2000, p. 21). O autor diz ainda que:
Se tudo o que acontece na escola é currículo, se se apaga a diferença entre curricular e extracurricular, então tudo acaba adquirindo o mesmo peso e abre-se caminho para toda sorte de tergiversões, inversões e confusões que terminam por descaracterizar o trabalho escolar. Com isso, facilmente, o secundário pode tomar o lugar daquilo que e principal, deslocando-se, em conseqüência, para o âmbito do acessório aquelas atividades que constituem a razão de ser da escola (SAVIANI, 2000, p. 20).
Partindo dessa perspectiva, a escola não pode deixar de cumprir com seu papel para se tornar uma instituição puramente assistencialista. Isso não deve ocorrer de maneira alguma. Entretanto, se a escola conseguir cumprir com a sua especificidade e ainda ajudar nos problemas sociais, melhor para ela, pois a escola é o reflexo da sociedade. E se ela consegue contribuir para melhorar a formação do cidadão dentro e fora do seu espaço, ela cumpre sua especificidade e vai além. Para fechar o raciocínio do início do parágrafo, da atividade quatro do Projeto Profissões, foi possível extrair a importância da atitude tomada pelo educador diante de um problema posto e como essa atitude pode ser transformadora e positiva.