As informações foram tratadas por meio da técnica da análise do discurso. Para tanto se fez necessário compreender o que significa o discurso, que não é simplesmente um pronunciamento, mas, segundo Pinto (2006), pode ser definido como uma forma provisória de fixação de sentidos, algo que dá sentido à realidade. Ressalta-se que os sentidos são construídos historicamente, ou seja, não é possível sair por aí atribuindo qualquer palavra a qualquer coisa, por ser o sentido da palavra construído ao longo do tempo, considerando que toda palavra tem sua história, seu significado, seu contexto.
Neste sentido, a análise do discurso faz a análise do que está sendo expresso através da fala e segundo Brawn e Yule (1993, p.1 apud Godoi, 2006, p. 177) consiste num
recurso de “análise do uso da língua”, com o qual se pode sistematizar as respostas de maneira
a se debruçar sobre as falas mais representativas, que se repetem nos discursos e que dão sentido, para os sujeitos da pesquisa, aos fenômenos que se deseja conhecer. Neste sentido, Pêcheux (1993 apud Caregnato e Mutti, 2006) argumenta que a língua é a forma de materialização da fala, fazendo a conexão entre os planos: material e simbólico, considerando que o discurso produzido pela fala sempre terá relação com o contexto sócio histórico.
Portanto, a análise do discurso procura fazer uma conexão entre os sentidos manifestados em diversas formas de produção, podendo ser verbais, não-verbais, contanto que tenha sentido para sua interpretação, podendo-se fazer conexões entre séries textuais (orais ou escritas), imagens (fotografias) ou linguagem corporal (dança). Um de seus fundadores foi Michael Pêcheux, em que faz uma relação entre língua, sujeito/ história ou língua/ideologia, seguindo a linha francesa. A análise do discurso trabalha sempre com o sentido do texto e não com o conteúdo, ou seja, não é simplesmente interpretar o que diz o texto e sim, buscar entender o sentido do que está sendo falado, levando-se em consideração o que está acontecendo no momento da fala e a influência do contexto, assim deve ser considerado o posicionamento do sujeito a respeito do que está sendo falado (CAREGNATO; MUTTI, 2006). Por isso, segundo estes autores, a interpretação do pesquisador é fundamental, por ser capaz de influenciar quanto a sua posição, suas crenças, suas experiências, considerando que essa interpretação nunca é única e absoluta. Da mesma forma pensa Rocha e Deusdará (2005), pois argumenta que o pesquisador é co-construtor dos sentidos produzidos. Para tanto, é necessária uma reflexão sócio-histórica.
Ademais, a interpretação das falas mais representativas foi feita à luz da literatura, de acordo com o que foi esquematizado no referencial teórico. Porém, é importante considerar
que o processo de análise, de acordo com Martins e Bógus (2004) não se fecha nele mesmo, ou seja, não é apenas a análise do que foi coletado, mas a reflexão das informações encontradas, a partir da verificação do contexto estudado e das reações dos entrevistados durante o processo de pesquisa. Neste sentido, de acordo com Minayo (1993), o tratamento dos dados coletados foi feito seguindo três etapas centrais:
1) Ordenação dos dados: quando, depois da transcrição das entrevistas, foi feito um mapeamento de todas as informações coletadas, organizando os relatos, com o objetivo de facilitar a classificação dos dados, de acordo com as categorias de análise pré-estabelecidas; 2) Classificação dos dados: foi feita a sistematização dos dados, considerando as categorias e as variáveis estabelecidas de acordo com os objetivos da pesquisa;
3) Análise final: foi feita a análise das interações entre os dados levantados nas entrevistas, das informações levantadas nos documentos, de acordo com o referencial teórico utilizado como base para a pesquisa e os objetivos pretendidos.
As etapas descritivas acima são simples, mas nos permite realizar uma análise detalhada das informações coletadas. Tendo em vista que, após a transcrição foi feito o processo de análise compreensiva interpretativa de dados, com o intuito de delimitar os passos para compreender o fenômeno, pois de acordo com Merriam (2009) o processo de categorização é um processo de ida e volta, é uma construção de retalhos, entre o espaço indutivo e o dedutivo, que faz a descrição e a interpretação. A análise se torna um processo de resolução de dados em seus componentes constituintes que buscam revelar temas característicos e padrões. De acordo com Silva (2009) a análise de dados é subdividida em três processos, são eles descrição, classificação e conexão, porém esses processos não são mutuamente exclusivos e sim integrados, ou seja, um completa a construção do outro, semelhante ao já foi exposto por Minayo (1993).
A análise dos dados coletados seguiu o ciclo abordado e proposto por Silva (2009), que consiste de sete etapas necessárias para a análise dos dados, porém elas não são dissociadas, mas sim integradas, indicando este ser um processo cíclico, algo que é descrito no quadro 7:
Quadro 7 – Ciclo da Análise Compreensiva interpretativa da Pesquisa
1º Etapa leitura e releitura de cada um dos protocolos das entrevistas realizadas para codificação dos discursos.
2º Etapa transformação de um protocolo de entrevistas em um protocolo codificado com os relatos dos entrevistados.
3º Etapa leitura e releitura de todos os protocolos codificados para identificação de temas.
4º Etapa agrupamento dos relatos dos gerentes e dos trabalhadores por temas em quadros temáticos. 5º Etapa preenchimento dos quadros temáticos.
6º Etapa estruturação dos resultados em um texto sobre cada tema tomando como base os quadros temáticos e os objetivos da pesquisa.
7º Etapa Análise compreensiva interpretativa dos Resultados
Fonte: Adaptado de Silva (2009)
Na primeira etapa da análise foi feita a leitura e releitura das entrevistas. A leitura feita pela primeira vez buscou uma visão mais sistêmica da entrevista, já na segunda leitura foi feita por linha, codificando os discursos, levando em consideração à questão que orienta a referida pesquisa. A partir dessa codificação obteve-se um protocolo codificado para cada sujeito entrevistado, sendo identificado através de letras e números. Os gerentes são representados pela letra G e os demais trabalhadores foram identificados pela letra S, essas letras são seguidas de números, que representam cada funcionário. A numeração também serve para identificar os discursos. Após a leitura dos discursos, a partir da codificação, foi feito os agrupamentos das informações de acordo com os temas, referentes aos objetivos da pesquisa. A análise das informações coletadas foi feita baseando-se nas fontes estudadas no referencial teórico. É justamente a última fase de análise proposta por Silva (2009), sendo a existência de um diálogo entre os resultados da pesquisa e a literatura, dentro de dois segmentos: através do próprio diálogo no decorrer da análise, a cada informação que emerge ou significados e no final a análise compreensiva e interpretativa dos achados da pesquisa.