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5.3.1. Prosjektledelse
A profissionalização do professor no Brasil, hoje, constitui-se ainda uma questão polêmica que busca respostas que possam dar conta dos sérios problemas que entravam o sistema educacional, inserido na complexa realidade política, econômica e social de um país de terceiro mundo da comunidade global.
Nesse contexto, caracterizado por novas relações sociais e novas demandas, têm surgido da tensão entre segmentos oficiais e da sociedade civil propostas alternativas de formação e profissionalização do professor. Essas propostas apresentam, à primeira vista, convergências, mas, quando analisadas sob a ótica de sua concepção, princípios e objetivos, constatam-se grandes diferenças entre elas. Para exemplificar, basta lembrar se da histórica forma desarticulada como as instituições escolares trabalham a teoria e a prática. Esse aspecto é muito ressaltado tanto na proposta oficial quanto na da sociedade civil, e em ambas propostas é explicitamente reconhecida a necessidade de se trabalhar a teoria e a prática de forma articulada. A diferença está nos resultados que se quer obter.
Oficialmente, de acordo com o que estabelece a LDB/96, e posteriores regulamentações no PNE e nas Diretrizes, a teoria articulada à prática contribuirá para aumentar, em particular, a competência do profissional e em conseqüência melhorar o processo de ensino em repercussões mais ampla na vida social. Para as associações educacionais que representam a sociedade civil, ANFOPE, ANPEd, ANDIFES, entre outras, e educadores preocupados com a orientação teórica nos processos formativos, a prática compõe o próprio tecido da ciência. Teoria e prática são, portanto, indissociáveis. Essa articulação entre teoria e prática é essencial para uma maior competência profissional, pedagógica e humana, pois propicia condições para que o sujeito possa fazer uma leitura crítica da sua realidade, e intervir fazendo mudanças que tragam uma melhoria de vida a toda a comunidade.
A profissionalização, buscada pelo profissional da educação deve estar comprometida com o processo de formação de professores em uma perspectiva histórica e social,
contemplando a formação inicial, o aperfeiçoamento contínuo no exercício profissional e a emergência de uma cultura profissional e organizacional desta profissão.
Destaca-se que a necessidade da profissionalização docente não se limita a uma luta de classe ou mesmo reivindicações de uma categoria profissional, mas vem sendo exigida pela forma de organização do trabalho na sociedade. Imposições decorrentes do acelerado avanço técnico-científico e da utilização das tecnologias nas diferentes atividades produtivas e sociais. Conseqüentemente, a educação e o professor passam a ocupar uma posição estratégica na qualificação do trabalhador, que, além de tudo, deve desenvolver habilidades e competências no sentido de saber adaptar-se facilmente às novas situações, ter criatividade e autonomia para resolver problemas.
Diante desse quadro, a Educação a Distância vem se consolidando como uma das alternativas de democratização do acesso à educação superior, contribuindo no atendimento da demanda educacional requerida pela sociedade contemporânea, apresentando traços compatíveis com as atuais orientações educacionais como a reflexibilidade, a interdisciplinaridade, a interatividade, a autonomia e a qualidade. A adoção do novo paradigma sobre o conhecimento e aprendizagem possibilita a preparação dos sujeitos para enfrentar situações de forma crítica e reflexiva, integrando-os em uma proposta transformadora da realidade.
A última década marca o retorno da Educação a Distância ao foco das atenções de estudiosas, porém diferentemente do período em que desenvolveu programas de formação por correspondência ou ainda por meio da radiodifusão, essa modalidade educacional encontra-se em um período caracterizado pelo desenvolvimento científico-tecnológico, econômico (das complexas forças produtivas), político, cultural e comunicacional. Nesse contexto, os meios de comunicação on-line oferecem grande flexibilidade possibilitando a criação de ambientes virtuais multidirecionais, em que alunos e professores podem desenvolver ações e interações, individual ou coletivamente, podem compartilhar experiências e materiais didáticos, aproximando os sujeitos em tempo real, podendo vir a constituir-se em uma comunidade virtual de aprendizagem.
De acordo com as teorias vygotskyanas, o desenvolvimento intelectual é fortemente influenciado por fatores externos, por interações sociais, incluindo aí as interações interpessoais e grupais. O que evidencia a necessidade de se enraizar a aprendizagem em experiências sociais, favorecendo o compartilhamento de significados entre os sujeitos envolvidos no processo.
A contínua reestruturação da compreensão do conhecimento de um sujeito, por meio de uma relação construtiva e dialógica que estabelece com a ciência, com a cultura, com o seu
contexto, com outros sujeitos, está condicionada à utilização de linguagens, instrumentos do processo social, particularmente decorrentes de sua inserção em comunidades científicas e de profissionais.
Nesse sentido, entende-se que a integração das tecnologias de comunicação e informação no processo educacional possibilitará formas inovadoras de interação e colaboração entre aluno/aluno, aluno/ professor, aluno/material didático, aluno/ conhecimento/cultura, estimulando a criação de ambientes virtuais, estratégias e materiais que potencializem a aprendizagem, provocando mudanças significativas tendo em vista apoiar, nos diferentes contextos, o desenvolvimento da capacidade de resolver problemas, pelas múltiplas formas de representação do conhecimento.
Enquanto alternativa pedagógica, a EaD não tem por objetivo substituir a educação presencial, pelo contrário, pode contribuir em um trabalho que potencialize as oportunidades no âmbito da formação humana e profissional, inicial e continuada.
Nos dias atuais, evidencia-se na educação, uma certa tendência em integrar cursos presencias e cursos a distância, sejam de graduação, pós-graduação ou extensão. Como afirma Moran (2002, p. 1), o “presencial se virtualiza e a distância se presencializa”. Essa integração deve ser fruto de um movimento de sinergia entre elas, de articulação e colaboração entre esses sistemas, de maneira que as experiências bem sucedidas e materiais didáticos de um sistema, possam também auxiliar na condução do outro sistema. Nesse sentido, a EaD, por sua natureza mediática, estimula muito a produção de material didático, elaborada segundo critérios que assegurem qualidade pedagógica como suporte aos conteúdos de ensino, a fim de que o aluno possa atingir os objetivos propostos. Esta necessidade faz com que se busque continuamente aprofundar o conhecimento sobre o processo educativo, abrindo espaços para a utilização de variados materiais didáticos e meios de aprendizagem.
A produção do material didático de qualidade constitui-se em um espaço de fundamental importância, de modo especial, para a educação a distância pela necessária interação que deve propiciar entre o conhecimento e o aluno que, geograficamente, encontra- se distante. Isso significa repensar e aprofundar questões sobre a aprendizagem e sobre a produção de conhecimentos, teóricos e metodológicos, dentro de princípios dialógicos, a fim de possibilitar ao aluno o espaço que necessita para refletir, questionar e desenvolver o próprio raciocínio.
É preciso citar que as constantes críticas à EaD, aos projetos que apresentavam debilidades, em geral, orientados por uma visão pragmatista, reprodutivista, foram fundamentais para trazer para dentro dela as novas orientações educacionais, junto do debate
e discussão, como a idéia de que o conhecimento é construído a partir da relação entre pensamento e prática e se produz com a reflexão e interação do sujeito com a sua realidade, como também a partir das interações entre sujeitos, a partir da incorporação crítica e criadora de suas experiências. Do ponto de vista metodológico, a prática reflexiva é uma estratégia essencial no desenvolvimento do processo de ensino-aprendizagem, de forma especial quando advinda do diálogo intencionalmente construído ou estabelecido no grupo.
A EaD enquanto modalidade educativa pode contribuir sobretudo na (res)significação dos paradigmas educacionais, principalmente no que se refere, à compreensão da educação como um sistema aberto, interligado a outras práticas sociais e a outros sistemas influenciando e sendo também influenciado por essas conexões; ao conhecimento como processo; à dimensão tempo/espaço escolar, como construção subjetiva; à autonomia do estudante no processo da aprendizagem; à interlocução no processo de comunicação dos sujeitos da ação educativa; à compreensão da educação como processo permanente; à compreensão do conhecimento produzido em processos coletivos.
Hoje a EaD, é norteada por um processo histórico-social, revestida de novos significados. Questiona-se inclusive a pertinência ou não do termo “a distância” uma vez que esse termo não pode ser mais compreendido como distância puramente física ou geográfica. Com a utilização das novas tecnologias comunicacionais muitas “fronteiras” foram ultrapassadas. É a partir dessas novas fronteiras que a EAD, ou a educação não presencial, vem se configurando e rompendo com o formalismo acadêmico que marca as instituições de ensino. O contexto atual necessita de propostas que apresentem como possibilidade a criação de novos ambientes de aprendizagem, impregnados por um grande potencial de comunicação, interatividade e colaboração, transcendendo a relação presencial professor/aluno, rompendo barreiras de tempo e espaço. A EaD pode se constituir em uma dessas possibilidades.
A diferença marcante da EaD em relação à “educação presencial” pode ser atribuída ao fato de que a responsabilidade pelo ensino e aprendizagem não se centrar no professor como indivíduo, mas na instituição que congrega professores e especialistas para a elaboração do material didático apropriado, para o acompanhamento do aluno em seu programa de estudos, para a verificação de sua aprendizagem. Da mesma forma, a instituição é a responsável pela logística da utilização, garantindo o fluxo da “comunicação bidirecional”, em suma, da relação didática professor-aluno. Assim, o requisito básico institucional para desenvolver um Programa de EaD é a capacidade efetiva de articulação de equipes, garantindo a interdisciplinaridade de uma programação participativa, a adoção de uma metodologia que utiliza a problematização, a integração de momentos presenciais, a
realização de avaliação contínua não apenas do aluno mas também de todo o programa, que permanentemente se repensa e revisa suas práticas, seus procedimentos.
O processo de formação com essas características oferece ao aluno maior independência e autonomia para resolver problemas, apoiado de um leque de conhecimentos e busca de informações de acordo com a necessidade e interesse de aprofundar um determinado conteúdo. Porém, isso é realizável, caso esse aluno assuma uma postura consciente e intencional, deixando de lado sua passividade frente à própria aprendizagem. Ao professor cabe a orientar e mediar a aprendizagem, renovando atividades, criando ambientes novos, materiais, promovendo o diálogo com e entre os alunos e aprendendo com eles.
Um aspecto fundamental reside na relevância da proposta pedagógica para o desenvolvimento de um curso de formação, como também na definição de sua modalidade, na seleção e combinação dos meios de comunicação e informação a serem utilizados, na elaboração dos materiais didáticos e dinâmicas das atividades, entre outros. Esses fatores devem estar estreitamente relacionados aos objetivos desse curso, à teoria educacional que o norteia e deve também levar em conta as características socioculturais de seus alunos.
A Educação a Distância depende, para seu êxito, além de programas e sistemas bem definidos, de recursos humanos capacitados, materiais didáticos adequados e, fundamentalmente, de meios apropriados de se promover o ensino desde os centros de produção até o aluno, devendo existir instrumentos de apoio para orientação aos estudantes nos locais onde se encontram.
Diante de todas essas considerações, no contexto da Educação a Distância, o estudo do projeto de MT evidenciou a qualidade científico-pedagógica que orienta a prática de EaD, confirmando que essa alternativa não se caracteríza apenas pelo seu caráter compensatório para aqueles que ficaram excluídos dos processos formativos institucionais. Efetivamente essa alternativa promove a formação, sem perda dos elementos significativos de uma base científica e suas exigências teórico-práticas que estão na base dos padrões de qualidade dos processos formativos
A experiência de formação de professores aqui analisada, evidenciou também a importância da EaD estar institucionalizada, fundamentada em princípios e práticas que possam garantir uma formação de qualidade (observadas as diretrizes estabelecidos pela legislação nacional) e a articulação do ensino, pesquisa e extensão para que concomitantemente possibilite uma formação técnico científica sintonizada com as exigências do mundo do trabalho na contemporaneidade e uma formação humanística voltada para o desenvolvimento integral do homem.
Considera-se que esses elementos, presentes também nos princípios definidos pelos membros do ForGRADE (2002), sejam indicadores para projetos de EaD, norteados por uma perspectiva reflexivo-crítica: diversidade, autonomia, pesquisa, relação teoria e prática , trabalho cooperativo, dialogicidade, construção e re-construção do conhecimento.
Considera-se ainda que a implantação e implementação de projetos de EaD pressupõe condições imprescindíveis ao seu processo de desenvolvimento. Entre essas condições, pode- se citar a de uma clara definição de políticas públicas para essa modalidade, com programas regulares de financiamento e fomento com a finalidade de apoiar as diferentes etapas de desenvolvimento dos projetos.
Uma outra condição igualmente importante diz respeito à constituição de parcerias que devem prever e assegurar a inserção do projeto na política para o desenvolvimento local, regional e nacional, com garantias institucionais, além de, como já colocado anteriormente, constituírem-se a partir da definição clara dos objetivos e papéis de cada partícipe de modo a garantir a qualidade do projeto e a continuidade de sua execução.
A educação no Brasil vive um momento histórico, e de modo particular a EaD, após o seu reconhecimento como modalidade educativa na LDB/96 e sua regulamentação pelos Decretos Lei 2494/98, 2561/98 e a Portaria Ministerial (MEC) Nº.301/98, exigindo mais do que isto, exigindo a definição de políticas estratégicas para a consolidação dessa modalidade em cada uma das Instituições de Ensino Superior que, por vocação e até porque reúnem condições de pessoal e de infra-estrutura, venham a optar por sua oferta. Tais políticas devem assegurar para a EaD parâmetros de qualidade equivalentes ao do ensino presencial, numa perspectiva de flexibilidade e articulação entre as duas modalidades.
O estudo de projetos como o da UFMT, com profunda inserção na realidade local e nacional, torna claro que projetos como esse se impõem com uma qualidade que transcende a competência técnica e busca atender as necessidades sociais, realimentando as políticas de formação de professores por meio da Educação a Distância.
As experiências de EaD em andamento no Brasil, orientadas por uma perspectiva teórica, histórica e social, serão fundamentais para a revisão das concepções tecnicistas presentes nas políticas públicas que, inclusive, têm produzido uma retração aos avanços, mesmo quando eles são propostos em bases científico-pedagógico consolidadas no caso de se ter bases consolidadas.
Da articulação desse estudo, do contexto educacional e o das políticas, verificou-se o interessante movimento de gestação das políticas, fundamentadas no cotidiano das práticas pedagógicas empreendidas por diferentes projetos. Esse diálogo, apesar de não ter atingido
ainda o patamar necessário, já sinaliza possibilidades de um trabalho colaborativo, de parceria, mediante a conjugação de esforços, entre órgãos oficiais e as diferentes instâncias educacionais.
O MEC deve assumir uma função pró-ativa, não só no sentido de prover financeiramente e tecnicamente os projetos e programas, mas também fazer avançar a compreensão de formação, produção e avaliação desses projetos, criando as condições para expandir para outros campos de formação, não como resultado de uma expansão desordenada, mas como alternativa para promover as condições de acesso e a real democratização do ensino. Deve também promover e incentivar a integração do aparato tecnológico das redes públicas para formar professores, mantendo o debate permanente entre as associações científicas, movimento de educadores, fóruns, instituições educacionais, em todos os seus níveis e nos órgãos oficiais do Estado.
Espera-se ainda que o MEC reafirme os princípios elaborados no ForGRAD (2002) para formação de professores na modalidade de Educação a Distância e reconhecidos pelas instituições educacionais brasileiras de nível superior, não só sob a forma de discurso, mas com ações coerentes.
Em síntese, a EaD constitui-se em uma possibilidade educacional capaz de atender às demandas da sociedade com qualidade e, portanto, o caráter transitório conferido à sua prática para resolver questões pontuais, como a formação de professores em exercício em atendimento a uma exigência legal, deve ceder lugar a uma política, enquanto diretriz para programas pensados como prática permanente.
E mais, órgãos oficiais e as demais instâncias educacionais, em um trabalho conjunto, precisam desenvolver políticas alternativas que, por um lado, possam assegurar a integração dos sistemas presencial e a distância, constituindo os sistemas educacionais mistos, por outro, assegurar a incorporação das práticas pedagógicas e o uso do aparato tecnológico no ensino presencial, rompendo as barreiras erguidas pelo conceito tradicional de tempo e espaço, trazendo para dentro das salas de aula a potencialidade dos ambientes virtuais de aprendizagem.
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