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Pode-se afirmar a categoria “mediação” baliza boa parte dos estudos de Vigotski (1991) e está no ápice das relações de construção e interação do indivíduo com o mundo cultural e social, ao qual o autor referencia como universo histórico-cultural.

Devido ao objeto de estudo desta pesquisa, buscamos apresentar o significado do conceito de mediação e destacar sua contribuição para a mediação pedagógica nos AVA, particularmente em disciplinas semipresenciais dos cursos de Pedagogia.

A gênese da Teoria Histórico-Cultural encontra-se no materialismo histórico-dialético. A lógica dialética estuda e descreve as formas historicamente significativas e universais da atividade prática gerada historicamente pela vida dos homens concretos. Nessa lógica, o desenvolvimento do pensamento está ligado à relação entre sujeitos com a atividade material. Nessa relação, o trabalho, compreendido como atividade humana, é concebido como ação produtora e criadora por meio da qual o homem estabelece interação dialética com seu meio histórico-cultural, é o elemento fundamental de constituição da sociabilidade. É por meio do trabalho que o homem cria os instrumentos necessários à satisfação de suas necessidades materiais e espirituais que, ao serem satisfeitas, geram novas necessidades; consequentemente, levam à produção de novos instrumentos que servem como mediadores entre sujeito e objeto. Desse modo, a relação entre ambos não é direta, mas mediada, que se processa via atividade humana por meio de instrumentos e signos.

O conceito de mediação é central nessa Teoria e tem como princípio o trabalho humano. É na relação mediatizada pelos instrumentos de trabalho e pela sociedade que os homens agem sobre a natureza, modificando-a e, ao mesmo tempo, sendo modificados por ela. Essa categoria (o trabalho) está presente em O Capital, obra que representa o legado deixado por Marx para a compreensão do capitalismo e de suas consequências numa sociedade de classes (MARX, 1996). Expressa movimento, processo, relações e interações que se concretizam entre e com os sujeitos e seus objetos, uma vez que, nessa Teoria, ela se apresenta no sentido de permitir intervenções por estar diretamente relacionada às práticas.

A Teoria Histórico-Cultural, como se sabe, foi fundada por Lev Semenovich Vygotsky (1896-1934), teórico russo que se dedicou à busca de uma explicação materialista dialética sobre o processo de desenvolvimento psicológico humano. Sua insatisfação com os modelos objetivistas e subjetivistas, vigentes no campo da psicologia de sua época, o levou a buscar aporte teórico na dialética marxista para edificar uma psicologia que compreendesse o homem real e concreto, ou seja, como resultado da integração corpo e mente ser biológico e social, membro da espécie humana e participante de um processo. Sua vida breve dificultou de ampliar suas pesquisas, porém não impossibilitou de disseminar suas ideias frutíferas

fundamentadas na psicologia, sua mais importante área de atuação, bem como de outras diferentes áreas, tais como: a Antropologia, a História, a Filosofia, a Sociologia, a Linguística e a Pedagogia. Essa posição de integrar diversas áreas em suas pesquisas e obras está relacionada principalmente a temática que foca seus estudos: “o contexto histórico-cultural é apontado como a origem de todos os processos psicológicos humanos” (ROCHA, 2011, p.48).

Nesse sentido, o conceito de mediação – que está entre os principais sistematizados por essa teoria - é central para a compreensão de como se formam as funções psicológicas superiores e, por conseguinte, para a organização do processo de ensino-aprendizagem.

A Teoria Histórico-Cultural é hoje referência para muitos estudos e pesquisas na área do ensino, bem como para a sistematização de propostas curriculares. Sua contribuição para o entendimento da formação sócio-histórica e cultural do indivíduo e sua interpretação do papel que a mediação e a educação possuem nesse processo tem merecido considerável atenção dos estudiosos dessa teoria, de diversas áreas do conhecimento e de diferentes nacionalidades, como Wertsch (1988), Daniels (2003) e Oliveira (1992).

Segundo Wertsch (1988 p. 33), “a contribuição mais original e importante de Vygotsky consiste no conceito de mediação”. Na opinião desse autor, esse conceito envolve outros dois temas centrais que constituem a estrutura da teoria de Vygotsky: o método genético e o entendimento social dos processos mentais mediante a compreensão dos instrumentos e dos signos como atuantes mediadores. Daniels (2003) e Oliveira (1992) afirmam que a mediação é a ideia central na concepção vygotskiana sobre o desenvolvimento humano como processo sócio-histórico.

Vygotsky produziu sua teoria na década de 1920 e começo da década de 1930 e dedicou-se, conforme mencionado, à busca de uma explicação materialista dialética do processo de desenvolvimento psicológico humano. Até então, o debate da questão entre o mental e o físico, entre o espírito e a matéria orientava-se por concepções empiristas e idealistas. Objetivando transpor o debate fundamentado nas perspectivas mentalistas e naturalistas, Vygotsky (2000) sustentou a ideia de que a história do homem tem início na forma natural, mas ele não é simplesmente o produto dessa forma. O nascimento do homem ocorre em um ambiente constituído por valores culturais sistematizados e acumulados ao longo do desenvolvimento histórico da humanidade, a partir de critérios instituídos pelo próprio ser humano. A sistematização do conhecimento historicamente produzido foi possível graças à capacidade e à habilidade do homem de se orientar intelectualmente na direção de um propósito (VYGOTSKY, 2000).

Assim, em direção a um entendimento do entrelaçamento entre o natural e o cultural, Vygotski (1995) afirma que o nascimento biológico não dá conta da emergência das ações definidoras do ser humano e que a humanização implica, também, o nascimento cultural. Nesse processo, destaca-se como fundamental o desenvolvimento das funções psíquicas superiores, considerado um dos processos mais importantes da gênese psicológica humana. “[...] a cultura origina formas especiais de conduta, modifica a atividade das funções psíquicas, edifica novos níveis no sistema de comportamento humano em desenvolvimento” (VIYGOTSKI, 1995, p.34). Essa tese apresenta como pressuposto duas leis responsáveis pela natureza do desenvolvimento humano: as naturais, reguladas pelo aparato biológico; e as culturais, constituídas historicamente. Vigotski (1999, p.138) faz a distinção entre essas funções:

[...] funções mentais “inferiores”, naturais, como percepção elementar, memória, atenção e vontade, e as funções “superiores” ou culturais, que são especificamente humanas e aparecem gradualmente no curso de uma transformação radical das funções inferiores. As funções inferiores não desaparecem numa psique madura, mas são estruturadas e organizadas segundo objetivos sociais e meios de conduta especificamente humanos. Essas funções culturais e biológicas expressam a primazia das relações humanas no desenvolvimento, e apresentam o peso determinante que Vigotski (1999) impõe à situação social de desenvolvimento, isto é, à cultura e aos processos de aprendizagem. Para Vigotski (1999), no processo de desenvolvimento essas funções se fundem e formam um sistema complexo, interpenetrando-se de tal modo que diferenciá-las só é possível com um processo de abstração. Por uma via, as funções biológicas sofrem transformações pelas ações da cultura e, por outra, as funções culturais vão se constituindo por meio do amadurecimento biológico. De acordo com Pino (2005), o fato das funções biológicas encontrarem-se ainda em formação quando a criança nasce possibilita que passem por profundas modificações sob a ação da cultura do meio. A articulação entre funções de naturezas distintas – biológica e cultural - permite a integração em uma unidade: as funções psíquicas superiores.

As estruturas superiores têm destaque especial, no que se refere à compreensão sobre o desenvolvimento humano; isso porque as estruturas superiores são as que realmente determinam as condições de aprendizagem e desenvolvimento e também provém o comportamento social de cada indivíduo (VIGOTSKI, 1991).

Para explicar o processo de desenvolvimento humano, Vygotsky (2000, p. 75) formulou a lei genética geral do desenvolvimento cultural nos seguintes termos:

Todas as funções no desenvolvimento da criança aparecem duas vezes: primeiro no nível social, e, depois, no nível individual; primeiro entre pessoas (interpsicológico), e depois, no interior da criança (intrapsicológico).

A transformação de um processo interpsicológico em um processo interno ao indivíduo, ou seja, intrapsicológico, de forma pessoal, resulta de uma série de acontecimentos possíveis graças às operações realizadas pelo homem com o uso de signos; ocorre por meio da internalização das formas culturais de comportamento humano, as quais são reconstituídas continuamente nesse processo (VYGOTSKY, 2000).

Para Vygotsky (2000), é esse processo que explica o desenvolvimento das funções psicológicas: atenção voluntária, memória lógica e formação de conceitos, entre outras. Elas decorrem da atividade mental exigida nas situações objetivas postas aos indivíduos e nas suas relações com o meio físico, cultural e social, que envolvem mediação de signos. Seu conteúdo revela que o processo de desenvolvimento humano é marcado pelo antes e pelo depois e percorre dois planos distintos: um pessoal e outro social. As funções culturais, definidoras da especificidade humana, originam-se do produto das relações que a criança estabelece com o meio, ou seja, a criança insere-se no meio cultural a partir da objetivação das práticas sociais em um processo contínuo de interação com o outro.

Por outro lado, as funções biológicas são registradas na estrutura genética da espécie humana e são elas que garantem um histórico biológico do homem. Assim, embora esteja desde sempre inserida em relações sociais, ao nascer uma criança ainda não é um ser cultural. Sua existência como tal decorre do resultado de sua progressiva participação nas práticas sociais e culturais, com as pessoas da família e com aquelas que fazem parte de seu convívio. É com a mediação dos outros que a criança adquire sua forma humana, à semelhança dos outros homens (PINO, 2005).

Essa lei aponta outra orientação ao trabalho do professor. Nessa perspectiva, em vez de se preocupar em que funções naturais deve se apoiar no ato de ensinar, o professor deve ter a preocupação de como transformar essas funções por meio do processo de ensino- aprendizagem. Como escreve Vygotski (1995, p. 305):

O educador começa a compreender que quando a criança adentra a cultura, não somente toma algo dela, não somente assimila e se enriquece com o que está externo a ela, sinal que a própria cultura reelabora em profundidade a composição natural de sua conduta e da uma orientação completamente nova a todo o curso de seu desenvolvimento.

Portanto, para o autor, é pela esfera das relações sociais, pelo plano interpsicológico, que o homem desenvolve seu processo de humanização, já que por ele ocorre inicialmente o processo de apropriação dos elementos culturais. Nas palavras de Vigotski (1995, p. 151), “a natureza psíquica do homem vem a ser um conjunto de relações sociais transferidas ao interior e convertidas em funções da personalidade e em formas de sua estrutura”.

Nesse sentido, Vigotski (1995) baseia-se na ideia do valor determinante atribuído por Marx e Engels (1984) aos instrumentos de trabalho, tanto para a estrutura geral material da produção quanto para a transformação que o homem faz de si mesmo, e se refere aos instrumentos psicológicos como meios de influir na estruturação dos processos psíquicos, mediante a realização de atividades dotadas de intencionalidade, direcionadas ao atendimento de necessidades concretas. Como afirma Oliveira (2006, p. 3),

A categoria de atividade humana é a categoria central da fundamentação filosófica da obra vygotskyana, a qual tem como matriz os fundamentos ontológicos e sócio-históricos de Marx. Isso quer dizer que o significado dessa categoria nessa obra, bem como na obra dos demais autores soviéticos da assim chamada escola ‘histórico-cultural’, [...] se refere a uma determinada mediação entre homem e natureza, entendendo-se aí, também, a natureza já modificada por esse homem. Trata-se da atividade humana – o trabalho humano.

A atividade humana modifica o meio físico e natural, gera novas necessidades e, num movimento dialético, modifica as condições de vida e desenvolve a consciência social e individual dos homens.

As condições atuais de vida, identificadas nos avanços tecnológicos, nos bens produzidos, nas formas de organização social e no nível de desenvolvimento da sociedade, constituem a história, que não pode ser entendida como uma evolução espontânea e natural. Num movimento contínuo, em que os homens interagem uns com os outros, não é a consciência que dá origem à realidade material; ao contrário, do domínio e da transformação da realidade material decorre o desenvolvimento da consciência.

Os instrumentos psicológicos dos quais fala Vygotsky (2000) relacionam-se com a atividade de significação, tomada como pressuposto para a constituição da consciência humana. Para o autor, o instrumento psicológico materializa-se no signo e constitui um meio da relação social. Nessa dinâmica, denominada por Vygotsky (2000) de lei genética ou fundamental do desenvolvimento das funções psicológicas superiores, ou seja, dos processos mediados nas relações sociais, as

[...] capacidades psíquicas internas, num primeiro momento, estão objetivadas na cultura, ou seja, ao se apropriar de um objeto da cultura, o ser humano também se apropria e reproduz em si mesmo as capacidades mentais a ele ligadas. Não se separam, nos objetos culturais, o produto do processo: a cultura é portadora das capacidades psíquicas historicamente desenvolvidas (FREITAS; LIMONTA, 2012, p.76).

Esse processo tem como característica a atividade humana mediada por ferramentas criadas e modificadas pelos seres humanos para que tenham acesso ao mundo real. E por meio dos instrumentos técnicos e psicológicos imprime-se o caráter da mediação, da ação humana em relação ao meio circundante, como reguladora do comportamento, das interações com o mundo e com os outros e da aquisição de consciência, o que significa dizer que, para Vygotsky (2000), são as ferramentas - por meio da atividade humana - que tornam possível a união da mente com o objeto.

Vygotsky (2000) destaca que toda atividade humana é mediada por instrumentos técnicos e por sistemas de signos, os quais são construídos historicamente. A combinação do uso de instrumentos e signos é característica humana e permite o desenvolvimento de funções mentais superiores.

O instrumento é o elemento interposto entre o homem e o objeto de seu trabalho e amplia as possibilidades de ação sobre a natureza. É criado para uma finalidade específica e carrega consigo a função para a qual foi desenvolvido e o modo de utilização que lhe foi atribuído por meio do trabalho coletivo. Instrumentos são ferramentas construídas pelo homem no decorrer de sua existência para facilitar as atividades do seu cotidiano. Como exemplos, há desde os mais simples - como a faca, a foice e a tesoura -, até os mais elaborados, como as máquinas de escrever, de calcular, o rádio e o computador. Vigotski (1991, p.150), ao considerar o instrumento como elemento mediador das atividades e o marco do desenvolvimento histórico e cultural do comportamento humano, afirma:

O efeito do uso de instrumentos sobre os homens é fundamental não apenas porque os ajuda a se relacionarem mais eficazmente com seu ambiente como também devido aos importantes efeitos que o uso de instrumentos tem sobre as relações internas e funcionais no interior do cérebro humano.

Os signos são orientados para o interior, ajudam no autocontrole do indivíduo e exercem uma ação simbólica sobre o mundo. São formas simultâneas de mediação, pois sua natureza é semiótica, ou simbólica, dentro do sistema psicológico humano. Por meio dos signos o indivíduo pode ter controle sobre a própria atividade psicológica e aumentar a capacidade de atenção, memória e acúmulo de informações. Instrumentos e signos são

distintos, mas são interdependentes. Numa interessante comparação entre a criação e a utilização de instrumentos como eficiente ajuda nas ações concretas e os signos como auxiliares nas ações psíquicas, Vygotsky (2000, p.52) encontra uma analogia: “o signo age como instrumento da atividade psicológica de maneira análoga ao papel de um instrumento de trabalho”. Essa analogia, como explica Vygotsky (2000), consiste apenas no conceito mais geral de atividade indireta, isto é, no fato de ambos serem mediadores.

A distinção entre os instrumentos e os signos, no que concerne ao caráter mediatizado das relações e ao desenvolvimento das funções psíquicas, pode ser apreendida a partir das reflexões do autor sobre a investigação das atividades mediadas no processo de desenvolvimento cultural da criança. De acordo com Vygotski (1995, p. 94),

Por meio dos instrumentos o homem influi sobre o objeto de sua atividade; o instrumento está dirigido para fora: deve provocar algumas mudanças no objeto. É o meio da atividade exterior do homem, orientado a modificar a natureza. O signo não muda nada no objeto da operação psicológica: é o meio de que se vale o homem para influir psicologicamente, tanto em sua própria conduta, como na dos demais; é um meio para sua atividade interior dirigida para dominar o próprio ser humano: o signo está orientado para dentro.

Essa afirmação evidencia que tanto os instrumentos quanto os signos exercem atividade mediadora entre o homem e o mundo objetivo e estão diretamente relacionados ao processo histórico de desenvolvimento humano na filogênese e na ontogênese. Como observa Vygotsky (2000, p.73),

[...] o uso de meios artificiais – a transição para a atividade mediada – muda, fundamentalmente, todas as operações psicológicas, assim como o uso de instrumentos amplia de forma ilimitada a gama de atividades em cujo interior as novas funções psicológicas podem operar.

O computador em rede com acesso à internet, por meio da ação humana, possibilita a escrita, acesso e uso dos diferentes símbolos matemáticos, imagens, esquemas, notas musicais e outros. Nesse sentido, ele é instrumento e signo ao mesmo tempo, são interdependentes, embora distintos. Assim, o ser humano cria os próprios meios que são usados para determinar reações; ele utiliza os signos e as ferramentas para dominar os processos da própria conduta, ou seja, determina seu comportamento com o auxílio de meios criados na mediação com o outro. Dessa forma, modifica-se em um processo de caráter dinâmico de permanente transformação, não apenas da realidade da qual participa e é parte, mas também dos

instrumentos empregados e das operações mentais responsáveis pelo planejamento e execução de ações.

Vigotski (1991) destaca a linguagem - produzida social e historicamente - como um instrumento essencial de mediação, por carregar consigo os conceitos universais, fonte do conhecimento humano, e por operar uma dupla mediação: a técnica e a semiótica. “se a mediação técnica permite ao homem transformar, dar uma ‘forma nova’, à natureza da qual ele é parte integrante, é a mediação semiótica que lhe permite conferir a essa ‘forma nova’ uma significação” (PINO,GOES, 2000, p. 58).

São os significados que permitem a mediação simbólica entre o indivíduo e o mundo, constituindo-se no “filtro” por meio do qual o indivíduo é capaz de compreender o mundo e agir sobre ele. Daí a importância dada por Vigotski (1991) à linguagem, uma vez que, por um lado, ela materializa e constitui as significações construídas no processo social e histórico; por outro, permite a apropriação dessas significações (que levam à formação da consciência) e propicia mudanças nas funções psicológicas individuais, à medida que medeia formas de pensar, sentir e agir.

A linguagem organiza os signos em estruturas complexas e desempenha um papel fundamental na formação de sistemas simbólicos e das características psicológicas humanas, na medida em que, conforme observa Rego (1999): possibilita relações sociais entre sujeitos que compartilham de um sistema de representação da realidade; exprime a forma de perceber e de interpretar dos objetos da natureza e possibilita a comunicação entre as pessoas por meio do estabelecimento de significados socializados por grupos sociais.

Para Vygotsky (2000), a mediação caracteriza-se por permitir a interação da tríade: sujeito, conhecimento e instrumentos. Ele constrói essa tríade a partir da articulação por ele denominada “desenvolvimento dialético-interacionista”.

Os estudos de Vygotsky (2000) abordam sobre a natureza do desenvolvimento humano e remetem à ideia de aprendizagem. Considera que o mais importante elemento mediador é a aprendizagem decorrente do ensino, já que ela é capaz de interferir no desenvolvimento humano. O ensino, quando bem realizado, pode contribuir para o desenvolvimento intelectual do aprendiz.

Para o autor o aspecto cultural que se concretiza no conjunto das relações sociais é o aprendido, o vivenciado na história com os outros seres humanos, que também se constituem nesse movimento. A aprendizagem é, portanto, a apreensão da cultura, e nesta estão contidos conteúdos, valores, instrumentos, formas de relação, etc. Como afirma Vigotski (2001, p. 115), “a aprendizagem é um momento intrinsecamente necessário e universal para que se

desenvolvam na criança essas características humanas, não naturais, mas formadas historicamente”. Daí o princípio, enunciado por Vygotsky (2000), de que o bom ensino deve preceder o desenvolvimento cognitivo,e não o contrário. Assim, a aprendizagem não pode estar a reboque do desenvolvimento cognitivo; não é a maturação que deve preceder o ensino, mas o ensino que deve se antecipar a ela. Em outras palavras, significa dizer que a

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