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Prosessen fra periferi til legitim lærer i praksisfellesskapet

"A máquina não isola o homem dos grandes problemas da natureza, mas insere- o mais profundamente neles."

Antoine de Saint-Exupéry

Segundo Gil Ferreira (2004), o desenvolvimento espectacular das recentes tecnologias da informação e a extensão da sua performance a todos os domínios da experiência, fizeram com que os dispositivos mediáticos ocupem hoje um lugar central na delimitação e no desempenho da nossa experiência individual e colectiva.

Os novos media, não só transmitem de modo implícito ou explícito, conteúdos produzidos pelos vários grupos sociais, como podem também, por sua vez e em si mesmos, transformar-se em fontes relativamente independentes de produção de mensagens, como propunha McLuhan na célebre frase “O meio é a mensagem”.

Cada vez mais, as novas tecnologias se têm vindo a desenhar como um quarto poder, acrescido aos poderes político, judicial e económico.

Um dos maiores pensadores da cultura digital, Derrick de Kerckhove (1997), escreveu no seu livro ‘A Pele da Cultura’ algumas linhas sobre as grandes

5http://us.norton.com/content/en/us/home_homeoffice/media/pdf/nofr/Norton_Family-Report-

Portuguese_June9.pdf

transformações do mundo contemporâneo associadas aos meios de comunicação. O autor diz que «assistimos a um processo que passa do ponto de vista dos indivíduos

(que estaria associado ao uso dos livros) e da colectividade (através do modo de difusão de massas da rádio e da televisão) para um processo dominado pela conectividade (com os computadores) que se apoia na interactividade». Deste modo, o uso dos computadores faz-nos passar para uma produção dominada pela inteligência - uma inteligência conectiva.

A noção de conectividade é fundamental para perceber o modo com os novos

media criaram uma nova convergência de conteúdos, de suportes e por fim de utilizadores, que é um dos aspectos da famosa globalização. Kerckhove diz que «não é

o mundo que se está a tornar global, somos nós

Por outro lado, o autor Alexandre Sá (2003), diz que «os novos media,

possibilitados sobretudo pelo progresso da informática e pela rápida expansão da internet, podem ser vistos como instrumentos capazes de finalmente tornar possível a formação de uma nova cidadania, fomentando a comunicação e publicidade generalizadas e, consequentemente, uma constante proximidade virtual que dissolva a eficácia das distâncias reais ou de qualquer tipo de barreiras naturais».

É a própria comunicação que forma os cidadãos enquanto tais, enraizando-lhes o hábito de participar em discussões cívicas, votar, pensar e de argumentar como se fossem eles mesmos governantes ou parlamentares.

Os meios de comunicação social adquiriram na sociedade comtemporânea um carácter ambivalente. Se por um lado se apresentam, em teoria, como veículos de difusão de conhecimento, discussão de ideias, do cultivo de diferenças sociais entre um público heterogéneo, bem formado e capaz de intervir, por outro lado, tornam-se na prática num instrumento de dissolução dessas mesmas diferenças sociais, contribuindo para que a sociedade se torne num meio de homogeneização do pensamento, da opinião e da vontade.

O fenómeno dos mass media é indissociável de outro conceito em simultâneo: o da massificação. O filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1958) diz que «a massa é o

conjunto de pessoas não especialmente qualificadas. Massa é o homem que se sente bem ao sentir-se idêntico aos demais».

A sociedade de massas actual, caracterizada por um constante apelo ao consumo, à mediatização, e ao infotainment, contribuiu para as pessoas se tornarem semelhantes dos demais, querendo constantemente agradar aos olhos dos seus congéneres.

O escritor francês Guy Debord (1992) no seu livro ‘A Sociedade do Espectáculo’, faz uma crítica teórica à sociedade consumista e ao capitalismo. Diz que «o espectáculo não é um conjunto de imagens, mas uma relação social entre pessoas,

mediatizada pelas imagens; o que liga os espectadores não é senão uma relação irreversível ao centro, mesmo que mantenha o seu isolamento. O espectáculo reúne o separado, mas reúne-o enquanto separado».

Com o aparecimento da internet e a sua enorme expansão ao longo dos últimos anos, o conceito de mass media alterou-se. Nasceram os chamados novos media, cuja principal diferença e vantagem face aos tradicionais meios de comunicação é, segundo Gilder (1992) o facto de «possibilitarem uma comunicação bi-lateral, uma

comunicação online, sem barreiras ou distâncias de ordem natural».

A atitude do receptor alterou-se. Deixou de ser um espectador totalmente passivo, e passou a ser um receptor activo, que participa no processo da comunicação.

No contexto actual de uma crescente oferta de conteúdos de media através das mais variadas plataformas, o tema da Literacia dos media ganha uma importância e relevância cada vez maior. Como digerir a enorme quantidade de informação e entretenimento que está ao nosso dispor via televisão, rádio, imprensa, internet e mesmo telemóveis?

As definições clássicas de Literacia dos media dão ênfase à recepção crítica dos conteúdos de media por parte do público. Ainda que não haja consenso sobre uma definição única deste conceito, como diz o relatório de estratégia e promoção de Literacia dos media6, existem definições tradicionais de Literacia, em que a capacidade de ler e escrever texto é extensível aos conteúdos audiovisuais.

Nesta linha de pensamento, investigadores como Sonia Livingstone e Nancy Thumim (2003) têm também em conjunto uma visão de Literacia dos media que engloba outras competências para além da recepção crítica de conteúdos e mensagens,

6OFCOM (2004) Ofcom's strategy and priorities for the promotion of media literacy. (acedido a 09-03- 2011):

http://stakeholders.ofcom.org.uk/binaries/consultations/strategymedialit/summary/strat_prior_statement.p df

observando que «a discussão está em aberto sobre se a Literacia do media é concebida

principalmente como protectora (fornecer as competências ao público para que se possa proteger e distanciar das manipulações e malefícios dos media) ou como capacitadora (fornecer as competências pelas quais o público pode maximizar os benefícios e oportunidades dos media)».

O público deve ter as competências necessárias para produzir os seus próprios conteúdos porque, em primeiro lugar, resultam da experiência de produção de conteúdos uma melhor compreensão e interpretação dos conteúdos profissionais dos

media e, em segundo lugar, estas competências têm importância crescente para a expressão cultural, participação dos cidadãos e ainda para o desenvolvimento de uma força de trabalho qualificada, criativa, que utiliza as mais recentes tecnologias.